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Jornal Contramão

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Por Italo Charles (especial para Contramão)

Escrever histórias, narrar acontecimentos e acompanhar as transformações do mundo, mantendo o compromisso com a verdade faz parte do dia a dia dos profissionais jornalistas. Ao longo das últimas décadas a comunicação passou por vários processos de adaptação devido a evolução tecnológica e a partir de então as mídias tiveram que se reinventar e adequar seus conteúdos para novos formatos.

Durante esse período, instituições de ensino superior e grandes universidades também moldaram os seus cursos de jornalismo para atenderem a nova era, a digital.  Em 2007, logo após o curso de jornalismo, do Centro Universitário Una, ser transferido do antigo campus do bairro Buritis para o atual campus Praça da Liberdade, o jornal laboratório Contramão foi criado. 

Contramão, de acordo com o dicionário significa ‘do lado contrário’, mas para a história do curso de jornalismo da Liberdade – como é chamado o campus atualmente -, significa contrapor-se aos veículos tradicionais de comunicação.

Ao longo dos quase 15 anos de vida, o Jornal Contramão acompanhou a evolução dos canais digitais e ganhou grande repercussão ao dar furos de notícias e competir com grandes veículos da capital mineira.

Nesse período vários estudantes, estagiários, professores e coordenadores contribuíram para o crescimento e fortalecimento do Jornal que cumpre sua função de transmitir a informação, e entregar conteúdos de qualidade para o público que acompanha.

 

Primeiros passos

Natália Oliveira

“Eu entrei no Contramão logo no início dele, pouco depois da mudança do campus do Buritis para a Praça da Liberdade. Nesse período éramos eu e mais um estagiário e o Reynaldo Maximiano como coordenador e o professor Aurélio Silva.

O tempo que estive lá, considero como uma grande experiência de vida. Foi lá que eu aprendi como era fazer jornalismo na prática. Nessa época o jornal era como se fosse local, produzíamos reportagens com os recortes voltados para cidade de BH. Escrevíamos um pouco sobre tudo, como cultura, cidades, economia, esporte e muito mais.  

Me lembro que eu gostava muito de escrever sobre personagem. Uma vez, produzi uma matéria com um pipoqueiro, contando a história dele. Pra mim o Contramão foi uma escola, eu aprendi um pouco sobre edição de vídeos, fiz podcast, lá eu realmente aprendi a fazer jornalismo”. 

Natália Oliveira, jornalista.

 

 

Escrita Afetuosa

Débora Gomes

“Em 2010 eu fui estagiária do jornal laboratório. Como foi meu primeiro estágio, foi também minha primeira experiência com o jornalismo. E é bem diferente daquilo que a gente imagina, né? Era desafiador produzir um jornal impresso inteiro e ter sempre assuntos legais para as coberturas hiperlocais. Penso que os desafios andam do lado dos aprendizados. E no Contramão eu tive a oportunidade de aprender (errando) um pouco de tudo: aprimorar a escrita, perguntas certas para entrevistas, diagramar o jornal impresso (eu adorava!). Foi um período muito feliz da minha vida. 

Cada dia era um aprendizado novo. Então, cada experiência me marcou de um jeito. Eu adorava sair pra fazer as coberturas hiperlocais. E gostava de conhecer novas pessoas/personagens pras matérias. Sempre gostei de ouvir histórias, sabe? Então essas duas possibilidades me encantavam. Mas acho que o mais legal foi quando o jornal me enviou para cobrir uma edição do Festival de Cinema de Tiradentes. Viajamos de ônibus, ficamos em uma pousada linda, com um café da manhã delicioso! rsrs. E fiz várias fotografias, conversei e estive bem pertinho de artistas, fizemos várias matérias especiais pro jornal on-line. Foi uma experiência muito bonita. 

O Contramão foi minha oportunidade de colocar em prática algumas coisas que eu via em sala de aula. Então, certamente isso foi importante para que eu conduzisse toda a graduação de uma forma mais completa, sabe? Nem só com teorias. Hoje trabalho com escrita. E muito da visão que tenho e da forma como conduzo as palavras, veio da liberdade que a gente tinha pra produzir no Contramão. A Escrita Afetuosa que me acompanha hoje, certamente veio um pouco das chances que tive de colocar minhas ideias e vê-las acolhidas pelo Reynaldo, que era o coordenador na minha época. Ele foi um grande incentivador da minha escrita. E aprendi ali o quanto a escrita é infinita. Já na vida pessoal, acho que os amigos que fiz lá vão ser sempre minha maior referência. Alguns seguem comigo até hoje”.

Débora Gomes, jornalista e escritora.

 

Manifestações e coberturas bombásticas

Elias Santos

 

“Eu cheguei na Una em 2013, e o que me chamou muita atenção foi uma série de reportagens sobre as manifestações e ocupação das ruas de Belo Horizonte, aquela coisa que até hoje a gente não consegue entender muito bem. Lembro que a Praça da Liberdade e as ruas foram invadidas pelos manifestantes. Então o que eu senti ali naquele momento foi um espírito de liberdade.

Quando tivemos a Copa das Confederações e a Copa do Mundo, em vários momentos Contramão se contrapôs a  isso, questionando se realmente era importante. Eu lembro muito disso, eu achei muito bacana a movimentação e a audácia do jornal nesse período”.

Elias Santos, professor.

Minha Carreira Jornalística

Moisés Martins

“Entrei no Contramão no segundo período de faculdade, com pouca experiência na área. Desde o início comecei a dar o meu melhor, produzindo matérias, realizando a cobertura dos eventos para procurar ser destaque no que eu fazia.  Permaneci por dois anos no jornal e foram os melhores anos da minha vida.

Nesse período eu aprendi, construí amizades, fiz contatos e a partir dali tudo mudou na minha vida. Eu saí de lá praticamente formado e mesmo assim devido ao fim do meu contrato, se não fosse isso teria ficado até o final (risos). Mas depois dali, comecei outro estágio indicado pelos meus ex-chefes do Contramão. Hoje eu devo a minha carreira jornalística e tudo que aprendi naquele período aos meus líderes”.

Moisés Martins, jornalista.

 

História e muito aprendizado

Bianca Morais

“Desde quando entrei na Una sempre achei o Contramão um lugar incrível, via alguns colegas de sala estagiando lá e sempre tive vontade.  Foi em abril de 2019, que em minha terceira tentativa de processo seletivo, passei. O estágio no Contramão foi um sonho realizado, até então eu não tinha feito nenhum outro na minha área e lá eu tive a liberdade de produzir os conteúdos, apoio do meu técnico Felipe e da minha líder a Marcia, eu saia do laboratório, ia para as ruas atrás de reportagens. Eu escrevia as reportagens, eles me apontavam os erros e acertos, onde podia melhorar. Além é claro, das amizades que construí ao longo do estágio.

No final daquele ano entrou uma das pessoas que mais me apoiaram nessa trajetória do jornalismo, a Dani Reis, ela assumiu a liderança do laboratório e ali nascia muito além de um cargo de chefe e funcionária, mas uma amizade que me inspirava. Sempre disposta a me ajudar tanto nas matérias para o Contramão quanto em trabalhos da faculdade.

Me formei no ano meio de 2020 e sabia que ali acabaria um ciclo de aprendizagem, mas como o destino sempre nos prepara uma surpresa dois meses depois apareceu uma vaga para técnica de laboratório e logo me inscrevi, e passei. Agora o lugar onde havia estagiado e aprendido tanto, era meu primeiro local de emprego como jornalista.

Ali comecei a escrever meu futuro, e literalmente escrever, hoje alimento o nosso Jornal Contramão com notícias diárias, aqui crio meu portfólio com inúmeras matérias, tanto institucionais, quanto aquelas de assuntos diversos e relevantes que me permitem conhecer diariamente pessoas e histórias incríveis que elas têm a contar.

O Contramão é e sempre foi aquele jornal que caminha no sentido oposto, contrário àqueles veículos de comunicação que vemos diariamente na nossa cidade. Isso me lembro até hoje das primeiras aulas que tive com meu professor Reynaldo, lá no primeiro período de curso, onde ele nos apresentava o mestre Gay Talese, o chamado Novo Jornalismo, e como o Contramão trazia aquilo. A gente conta a história, mas não contamos por alto, nós entramos nela, exploramos ao máximo o que nossos personagens têm a nos mostrar. E o Jornal Contramão é tudo isso, nos permite criar, e sou eternamente grata por fazer parte dessa equipe”.

 Bianca Morais, jornalista e técnica do Contramão.

 

A Fábrica

Participei ativamente da criação da Fábrica que o objetivo era  a gente trabalhar de forma transdisciplinar de modo que a gente pudesse pensar economia criativa como um todo. E é muito interessante a gente pensar que o Jornalismo está inserido nesse meio. 

Eu fiz questão de preservar o nome, havia uma possibilidade de mudança, mas eu achei que não era conveniente essa mudança., porque o nome é muito importante entre Contramão ainda, pode ser que mais adiante neste momento crítico sobre a coordenação e eu achei que o nome da rua é importantíssimo porque ele significa um contraponto, algo diferente, algo que se coloca nesse sentido como um todo.

Para a Fábrica como todo, o Contramão é tão importante, porque ele é a válvula de atividades da Gastronomia, da Moda, da Arquitetura que se transforma em reportagem e por aí vai… O Contramão é um veículo onde a instituição pode falar, não se trata de um espaço  institucional, mas por meio dele e a partir dos critérios jornalísticos a instituição ganha voz. 

Ele é um complemento na formação dos estudantes, ele se torna muito importante nesse sentido porque dentro da própria universidade ele serve como um espaço de experimentação e prática para todos os estudantes de jornalismo. Por se tratar de um veículo de comunicação de uma universidade, o Contramão precisa experimentar, nele é possível criar modelos de narrativas diferentes por se tratar de um jornal diferente dos meios tradicionais”.

Elias Santos, professor e ex-coordenador da Fábrica.

 

Vida longa ao Contramão

Daniela Reis

“Há dois anos assumi a liderança do Núcleo de Conteúdo da Una, e uma das minhas funções é ser editora do Contramão. Aqui, temos a oportunidade de abordar temas variados com visão crítica e bem diferente da grande mídia, o que para a formação dos nossos alunos é espetacular. Nesse tempo em que estou à frente do Contramão, o vi crescer de forma extraordinária, passando a ter publicações diárias com pautas bem elaboradas e que  ultrapassam os limites da instituição. Como é gratificante presenciar o crescimento dos  estagiários no dia a dia, e principalmente, acompanhar as conquistas dos mesmos no mercado de trabalho, saindo da nossa pequena redação para veículos de comunicação renomados. 

Nossa equipe trabalha diariamente para produzir conteúdos relevantes e aprimorar a qualidade dos nossos textos. Vida longa ao Contramão!”.

Dani Reis, líder do Núcleo de Conteúdo e editora do Contramão.

 

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Conheça o laboratório de Jornalismo e Produção de Conteúdo do Centro Universitário Una

Por: Italo Charles

Ser jornalista é viver para contar histórias, é acompanhar a transformação social e estar presente para registrar. Informar, fiscalizar, educar e entreter são algumas características da profissão. E em um espaço de aprendizado e práticas, futuros profissionais iniciam suas trajetórias. Hoje, apresentamos a você o NUC,  último eixo que compõe a Fábrica.

O NUC, desde sua criação, passou por várias transformações. Inicialmente contemplado como Núcleo de Convergência de Mídias visava a produção jornalística e o apoio ao corpo acadêmico do curso. 

Com o passar do tempo, o universo da comunicação se expandiu e o Nuc recebeu uma reformulação e se tornou Núcleo de Conteúdo, a partir disso conquistou espaços em novas plataformas, o que antes era produzido apenas em jornal impresso, ao longo do tempo começou a ser produzido no blog e nas mídias sociais.

Definido como laboratório experimental de jornalismo, o Nuc produz o jornal Contramão e conteúdos vão além das coberturas institucionais. A produção consiste na elaboração e execução de pautas sobre política, economia, social, diversidade, moda, gastronomia, educação, cultura e entretenimento. Para além das produções realizadas para o jornal Contramão, o lab executa conteúdos para mídias audiovisuais e para redes sociais como Instagram e Facebook.

Como forma de ampliar a conexão entre o laboratório e o corpo estudantil, o Nuc oferece oficinas  relacionadas a produção de conteúdo, assessoria de imprensa, comunicação integrada, além de receber materiais dos estudantes do curso de jornalismo para publicação diária, dessa forma o Núcleo fortalece o desenvolvimento dos estudantes.

Atualmente a equipe do lab é formada pela líder Daniela Reis – Jornalista, especialista em Rádio e TV e MBA em Marketing Estratégico, e pelo estagiário Italo Charles (estudante do 5° período de Jornalismo).

Com a palavra, a líder

“No NUC os alunos e estagiários têm a possibilidade de produzir nos veículos impresso e digital, que é o jornal Contramão, além de desenvolver capacidades em audiovisual (na cobertura de eventos, gravação de podcast, vídeos institucionais, etc.), mídias sociais e assessoria de imprensa. Aqui vivemos a rotina de uma redação com reuniões de pauta, parcerias com o mercado e oficinas práticas. É um espaço de criação, troca de ideias e crescimento além da sala de aula.” – Daniela Reis 

Depoimento

Posso dizer que o lab foi e é um lugar de grande aprendizado e construção de experiências. Aqui, tive a oportunidade de conhecer pessoas encantadoras que de certa forma contribuíram para o meu crescimento profissional e pessoal. Hoje, afirmo que nesse ambiente consegui colocar em prática tudo que aprendi na sala de aula e para além disso, aprendi técnicas, novas perspectivas, e um novo olhar sob o jornalismo” – Italo Charles.

Serviços:

Para acompanhar e conhecer mais sobre as produções do laboratório, siga no Instagram @jornalcontramão e acompanhe diariamente reportagens, entrevistas, crônicas e receitas aqui no nosso portal.

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*foto: Flávio Souza Cruz

Já são mais de 20 anos de trabalho das três irmãs Ferraz, ao longo desse tempo foram sete CDs, espetáculos cênicos, parcerias e shows marcantes que fizeram do trio uma referência de música popular mineira.

Por: Fernanda Guimarães, Guilherme Sá, Italo Charles

Em entrevista para o Jornal Contramão, o trio conta um pouco sobre a sua história, a relação profissional entre irmãs e como a música proporcionou momentos de união à elas na construção de uma carreira sólida, estes foram alguns dos temas abordados. 

Três irmãs se juntam e formam um grupo de música reconhecido pelo seu apreço a música brasileira, voltando um pouco na história do trio, como surgiu a ideia do Amaranto? Esse nome, por exemplo, qual o significado?

Flávia nos responde a primeira pergunta contando um pouco da história do grupo.

“O surgimento do Amaranto foi a consequência natural da maneira como a música sempre esteve inserida na nossa vida. Sempre brincamos de cantar, exploramos nossa criatividade com música desde a infância, embora em nossa família não tenha havido antes de nós músicos profissionais. Na adolescência, passamos a estudar música e tivemos a sorte de fazer amizade com pessoas também envolvidas com o canto e com o estudo de instrumentos musicais, e formamos nossas primeiras bandas. Marina, a mais nova, não fez parte do grupo Flor de Cal – nossa primeira experiência profissional – mas nos ajudava a ensaiar e fazer arranjos. Assim, quando a banda acabou, foi natural prosseguirmos juntas, as três irmãs. 

Escolhemos este nome pela sonoridade e porque representa uma família de flores, conhecidas por sua perenidade. Para os povos antigos da América Latina, o amaranto era símbolo de força e imortalidade. Essa ideia casava bem com nosso desejo de ser um trabalho longevo. E assim tem sido! Parece que acertamos.”

 

São mais de 20 anos juntas, a que vocês atribuem uma parceria que dá certo a tanto tempo?

Flávia: “Faremos 22 anos de carreira em fevereiro! O principal segredo é que desenvolvemos constantemente a capacidade de reconhecer as diferenças individuais e aceitá-las bem, sabendo inclusive que isso é o que torna o trabalho bonito. No início, o foco é na identidade, naquilo que nos une e que nos faz um grupo coeso. Depois, as individualidades vão ganhando espaço e força, e vão – dialeticamente – reforçando nossa união. Não é simples, exige esforço, doação e muito amor. E não é porque somos irmãs que isso acontece naturalmente, é um processo contínuo que não pode ser negligenciado. E assim, vamos regando nossa plantinha, porque nossa meta é fazer bodas de ouro, como o Quarteto em Cy!”

 

Três cabeças pensantes, cada uma com suas particularidades, na hora de escolha de repertório, quais são as inspirações do amaranto? 

Flávia: “O processo de escolha de repertório sempre partiu de um desejo individual. Aquela que imagina a voz do Amaranto em alguma canção apresenta a ideia para as outras e se a ideia vibrar no coração das três, acatamos. Assim acontece também com nossas composições. Temos referências musicais semelhantes, mas nas buscas individuais mais coisas vão sendo acrescentadas às escolhas de cada uma. Atualmente, este processo flui muito naturalmente, sem conflitos.”

 

Diversos trabalhos entre CD’s e espetáculos ao longo desses anos, gostaria de saber, tem algum que marcou de forma especial ?

“Foram realmente muitos shows importantes na nossa carreira e cada um tem cantinho especial na nossa lembrança” 

Palavras da Lúcia, mas um show marcante para ela e para as irmãs foi o show de lançamento do CD Brasilêro em 2003.

“Fizemos um projeto de lei, com ingressos a preços populares super acessível, na época a gente tava tocando muito na rádio e foi um show muito emocionante. Não foi a primeira vez tocando no Palácio das Artes, a gente já tinha feito algumas participações em outros shows mas foi nossa primeira apresentação naquele espaço sozinhas. E aí teve a casa lotada, ingressos esgotados, pessoas que chegaram na porta para comprar, fizemos um show muito especial com criação de cenário e figurino, uma grande produção. Foi muito lindo tocar no Palácio das Artes que era para a gente o maior espaço de Belo Horizonte na época, realmente foi uma grande emoção.”

 

2008 o Amaranto faz sua primeira apresentação fora do Brasil, com certeza um momento muito importante na ampliação do trabalho do grupo, conta um pouco como foi essa experiência.

Lúcia: “Em 2008 a gente recebeu um convite da embaixada brasileira de Washington, era um evento sobre a cultura da música mineira e a gastronomia, foi uma alegria esse momento na nossa carreira porque foi a nossa primeira viagem internacional, conseguimos as passagens pelo edital de passagens do governo e como já tínhamos esse convite feito pela embaixada criamos a oportunidade de fazer um outro show em Nova York, no bar de música chamado cachaça de música variada, jazz e world music. Foi uma experiência muito legal apesar de não ampliar tanto nosso trabalho o fato de ter no currículo shows internacionais que tiveram uma receptividade do público muito boa, mostra que oportunidade é o que falta, tendo oportunidade o trabalho é bem recebido em outros lugares do mundo, e isso que é o mais importante. 

 

“Três Pontes” e “A menina dos Olhos Virados”, trabalhos dedicados ao público infantil, de onde parte o desejo da criação destes? E como foi a recepção?  

Marina Ferraz a irmã caçula do trio responde a pergunta, “Os dois trabalhos dedicados ao universo infantil do Amaranto, tiveram origens um pouco distintas, o Três Pontes  temos um trabalho baseado muito na receptividade que a gente tinha com as crianças no palco, a gente tocava músicas para adultos e as Crianças ficavam na beirada do palco escutando, no final do show era sempre cheio de crianças assistindo bem pertinho da gente, é isso que nos motivou a construir o Três Pontes. Já o segundo Trabalho foi um pouco diferente, motivada pelo percurso que eu, Marina Ferraz, tive com o teatro. Fiquei muito entusiasmada para colocar em prática meus inscritos, que Surgiram desde muito nova e tive vontade de levar a Lúcia e a Flávia para o palco,  levando o nosso universo infantil, coisas que a gente sempre fez quando criança. E aí eu escrevi essa história A Menina dos Olhos Virados que surgiu a partir da música Olhos Virados, é essa música que me fez criar uma história inteira com canções. A Menina dos Olhos Virados já foi uma coisa um pouquinho mais planejada e os dois trabalhos deram super certo, e agora estamos com um terceiro trabalho, Menino da Sem Palavras, que estaremos inaugurando agora no fim do ano em dezembro.”

A originalidade na composição dos arranjos é uma marca do Amaranto, explorando ao máximo todos recursos de voz e instrumentos. Como é feita a construção dessa identidade sempre citada por quem avalia o trabalho do trio?

Lúcia: “A construção dos arranjos vocais do Amaranto são feitas entre a gente mesmo, pelas três integrantes, a gente sempre faz os arranjos coletivamente na hora que tá experimentando a música. Então eu acho que talvez essa  originalidade tem a ver um pouco com as nossas experiências de criação musical da infância, dessa liberdade de compor e criar em cima de uma coisa que já existe, uma melodia já existente. E aí a gente vai experimentando, cantando e aos poucos as ideias vão surgindo e as que são interessantes ficam e as outras vão embora. A maneira é sempre intuitiva, apesar da gente ter o conhecimento musical, ter o estudo da música, na hora de criar a gente deixa a liberdade da brincadeira da criação coletiva. E a parte instrumental sempre é muito mais simples quando é só a gente e, quando tem outros músicos envolvidos é realmente sempre no coletivo. Eu acho que a gente tem essa ideia de que o coletivo sempre traz muitas possibilidades.”

A música feita aqui em minas tem grandes momentos como o clube da esquina, as bandas Jota Quest e Skank com grande força de mercado, e nos últimos tempos vem crescendo o Rap e o Samba. Tem um lugar para a música popular, como a feita por vocês nessa crescente? Retomando a tradição mineira no estilo?

Flávia: “Tem sim! Existe espaço para todos. Mas é preciso ter consciência de que o mercado da comunicação de massa escolhe pouca coisa para trabalhar e ampliar o alcance daquilo. Há bastante gente que curte música vocal (uma das tradições que resgatamos) e se vê representada pelo nosso nosso trabalho. A gente não se sente limitada por um estilo ou tradição. Vamos fazendo o que nos representa esteticamente e fazendo esforço de nos conectar àquelas pessoas a quem nossa arte faz sentido.”

 

Recentemente em entrevista com Mônica Bérgamo, da Folha de São Paulo, Milton Nascimento declara que: “música brasileira está uma merda”, como vocês avaliam o cenário musical atual?

Flávia: “A fala do Milton tinha foco em um tipo de produção musical presente hoje no Brasil. Ele próprio teve de esclarecer esta fala depois da publicação da entrevista. Makely Ka cunhou uma expressão que – para nós – representa muito bem o que acontece na música brasileira: “música orgânica”, em contraposição às “monoculturas, aos latifúndios musicais”. Há coisas maravilhosamente incríveis e inspiradoras sendo feitas na música brasileira sim. Há tanta coisa que é impossível se dar conta de tudo. Mas são trabalhos que são feitos com envolvimento direto de quem os cria em todas as etapas de sua produção. É como uma pequena propriedade, plantando e colhendo seus produtos, sem uso de aditivos químicos. Cultura de massa, desde que surgiu, é uma coisa diferente de Arte. Arte brota. É manifestação da essência do artista, de certa forma incontrolável, por ser absolutamente necessária para o artista. Isto que se planeja meticulosamente, com estudos de mercado, injeção de muito dinheiro, é diferente de arte. É da ordem do mundo do entretenimento – que de vez em quando encontra a arte sim – mas não isso acontece fortuitamente, não é o que se busca em primeira instância. Neste sentido, a arte e a música brasileira, andam muito bem, obrigada.

 

Quais os desafios de fazer música independente se popularizar entre os ouvintes que, hoje tem a mão diversas formas de consumo, como  plataformas de Streaming e Youtube, como o grupo trabalha nesta área ?

Flávia: “O maior desafio é fazer a música chegar a quem ela pode realmente fazer sentido, virar alimento da alma. É isso que o artista busca. Preocupamos com a ampliação do nosso público, mas não com um projeto de expansão exponencial. É um trabalho de formiguinha. Um a um. As conexões se dão por amizades, por compartilhamentos de interesses comuns. E o público que chega para nós por meio deste caminho, é muito fiel. É muito parceiro. Vira um divulgador e já divulga para as pessoas certas. Bate um desanima vez ou outra – mas a gente espera passar e segue firme! – é a quantidade de tempo que a gente despende com atividades extra-musicais, com criação de conteúdo para redes sociais etc. Mas não há outro caminho. Seguimos firmes.”

Em 2018 o grupo realizou na Fundação de Educação Artística (FEA)  um show para ajudar no programa social de bolsas de estudo. Qual a importância de ações como esta, principalmente nos dias atuais, onde a área cultural não recebe incentivo de fato?

Lúcia: “Eu acho que, a princípio são ações pequenas, e que às vezes parecem não surtir um grande efeito no mundo de hoje. Mas é só mesmo com elas para a gente sentir que alguma coisa está sendo feita, porque se não podemos contar com ações do governo, infelizmente, estamos mesmo em um período realmente muito triste para a cultura e para outras áreas, como as ações do governo não feitas e inclusive até o contrário na desvalorização da Cultura. Se a gente dá conta de fazer pequenas ações, já temos a sensação de que alguma coisa está sendo feita, pequena sementinhas estão sendo plantadas de alguma forma. É uma pena realmente as ações não serem maiores, mas quando cada um faz um pouquinho eu acho que o mundo vai se transformando, é o que a gente tem que tentar fazer hoje em dia, fazemos nossa parte dentro de casa e na música fica pensando no que fazer. Apesar dessa ação muito voltada para as bolsas, para ajuda nas bolsas, a gente tem feito outras nesse sentido, que se for para pensar a gente quase que não ganha, não recebe para fazer um show, para fazer um trabalho novo para lançar um projeto novo, mas a gente faz por amor a música e por amor a arte e por saber que isso faz diferença na vida de muita gente então acho que é assim que se começa do pequeno e aos poucos as coisas vão crescendo.

 

E para o futuro, quais são os planos? O que o grupo prepara para o público?

Marina: “O Amaranto tem para esse ano dois grandes projetos que a gente idealizou bem no comecinho e agora estão chegando na reta final. Um deles é o livro Menino da sem palavras, escrito por mim Marina Ferraz, e o CD homônimo  com canções compostas pela Lúcia Ferraz, Thiago Godoy, Marina Ferraz e Flávia, dedicado a nome de pessoas, esse CD vem encartado junto do livro que é infanto juvenil e também vem o áudio da peça que a gente adaptou para teatro, o lançamento será agora em Dezembro. Estamos muito feliz de ir mais uma vez para o Teatro, poder apresentar nosso trabalho junto da Daniele Braga e do Thiago Corrêa. E o outro é o Bendito jazz, o CD do show gravado em 2017 na sala Minas Gerais, realizado pelo Amaranto e o Trio Mitre, que é maravilhoso e a gente compôs um repertório com canções dos irmãos Gershwin e do Cole Porter, esse trabalho foi condensado no período muito curto, em um mês a gente ensaiou e criou os arranjos juntos e agora estamos tendo alegria de ter esse material, registrado no dia do show sem a gente saber pelo Murilo Correia. E agora juntamos esse material e estamos lançando em CD, então são esses os nossos projetos e, para os próximos anos terá novidades mas estamos primeiro concentrado nessa nessas duas grandes ideias.

*Entrevista realizada sob a supervisão do professor Aurélio Silva

Por Henrique F Marques

O projeto Mulheres Cabulosas da História foi idealizado no dia 8 de março de 2016, Dia Internacional das Mulheres, por um grupo de mulheres do Movimento Social Levante Popular da Juventude.

Ele é composto por dois ensaios fotográficos realizados por mulheres que recriaram imagens de 100 mulheres importantes na história nacional e internacional que foram apagadas, ou melhor, invisibilidades, por homens que estavam ao seu redor como Dandara dos Palmares, que foi liderança e companheira de Zumbi. A primeira parte do projeto encerrou no último dia 24 de novembro, momento no qual encerrou a campanha de financiamento coletivo via Catarse. A segunda parte do projeto consiste no pensamento e discussão das próximas etapas, como por exemplo, a elaboração e diagramação do Livro “100 MULHERES CABULOSAS DA HISTORIA” que deverá ser publicado primeiro semestre de 2018.

Catarse: catarse.me/mulherescabulosasdahistoria
Email: mulherescabulosasdahistoria@gmail.com
Página: facebook.com/mulherescabulosasdahistoria

Divulgação Prêmio Zumbi

Por Lucas Motta

Com a proposta de valorizar e preservar a cultura de matriz africana, a Companhia Baobá Minas realizou o 8° Prêmio Zumbi de Cultura, na noite da última quarta-Feira (22) no Sesc Paladium, Hipercentro de pelo Horizonte, em comemoração da Consciência Negra (20/11).

Idealizadora do Prêmio, a Diretora e coreógrafa da Cia, Júnia Bertolino explica que a festa contempla pessoas que se destacam no campo artístico da política e cultura negra, um espaço para refletir sobre a resistência e as representatividades negra nas artes.

“Estou emocionada e agradecida a todos parceiros pela realização de mais uma edição do VIII Prêmio porque sabemos como é importante a valorização de nossos mestres populares e artistas da cidade.  Sobretudo neste momento de crise política, crise econômica mundial, onde aumenta as disputas e os preconceitos. É importante ter iniciativa de companheirismo, de eventos que despertem a reflexão e motive os artistas e grupos a unir forças e enfatizar que juntos somos mais fortes, reconhecer iniciativas positivas realizadas por pessoas que convivem conosco, seja na escola, trabalho, na cultural e na política“ diz.

Considerada a maior premiação negra do estado, desde 2010, a festa abriu espaço para apresentações de grandes artistas como Mestre Conga, Coral Brasil African Vozes, Sérgio Pererê, Alameda Musical e a Cia Baobá Minas que tem por missão abordar o cotidiano do negro, sua cultura, valores e artes. A festa celebrou a memória de Zumbi dos Palmares que deixou um legado de identidade Africana muito forte, uma cultura que vai além dos livros de história que preserva a ancestralidade.

 

Nesta edição foram 11 homenageados, dentre elas a aluno de Jornalismo do Centro Universitário UNA Sarah Santos, pessoas guerreiras na cidade de  Belo  Horizonte,  com  ações  que  beneficia todo  estado de  Minas  Gerais. Como é  o  caso  do professor  e   escritor  Anelito de  Oliveira que através da  literatura alcança vários  educadores  do  território  nacional  chamando  atenção  para  valorização  da  escrita, religiosidade e  da  cultura.

 

Homenageados  do  Prêmio  Zumbi de Cultura –   Cia Baobá Minas Mamour Bá (Música), Sarah Santos (Protagonismo Juvenil), Maria Luiza –  Luzia (Menção Honrosa), Associação Cultural Fala Tambor (manifestação Cultural), Júlia  Santos  (Teatro), Tania Cristina – Makota Kizandembu – (Atuação Política), Anelito Oliveira (Literatura), Célia Gonçalves – Makota Celinha (Religiosidade), Marilene Rodrigues (Dança), Macaé Evaristo (Personalidade Negra), Isabel Goes Cupertino (Educação).

O prêmio foi distribuído nas seguintes categorias: dança, teatro, música, religiosidade, literatura, educação, manifestação cultural, personalidade negra, menção honrosa, protagonismo juvenil e atuação política. Os contemplados receberam um troféu confeccionado pelo artista plástico Jorge dos Anjos.

PROGRAMAÇÃO

No dia 29/11  às  16h no auditório José  de  Alencar da Assembleia Legislativa (R. Rodrigues Caldas, 30 – Santo Agostinho) recebe a “Roda de conversa: Diálogos e reflexão – homenageados do Prêmio Zumbi de Cultura”,  artistas  e  mestres  populares  estarão reunidos no  espaço  de  debate  político para a construção  e  implementação de  políticas  públicas  para  a  comunidade  negra, reforçando  a  importância de  valorização da  cultura e  da  arte  negra do  povo  brasileiro. Participe!

 

Foto por Henrique Faria

Por Henrique Faria

Os artistas Felipe Barbosa e Rosana Ricalde, deram novos ares para a Praça da Liberdade na semana do Dias das Crianças com a exposição Jardins Móveis. ‘Esculturas-bichos’ foram instaladas fora das paredes do Memorial Minas Gerais Vale, os artistas expandiram os jardins do museu para a praça que abriga as obras até amanhã, Dia das Crianças.

Foto por Henrique Faria

A exposição, que conta com objetos de cores chamativas e tamanhos diferenciados é um ótimo atrativo para as crianças que passam diariamente pela área.

Com a ideia de misturar arte e natureza os artistas utilizaram de animais infláveis (balões e boias), comercializados nos mercados populares para montar as esculturas. Os animais integram a paisagem da praça e chamam a atenção dos pedestres que passavam pelo local.

Foto por Henrique Faria

O público gostou da ideia de a exposição estar do lado de fora do museu. O professor de português e intérprete de libras, Bruno Amaral, 27, diz que é a ideia é sensacional, pois várias pessoas ainda possuem um bloqueio ao se tratar destes espaços. “Trazer isso para fora, é o mesmo que buscar para dentro. Liberta a imaginação e a vontade de conhecer”.