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Hoje comemoramos o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa e para marcar essa data deixamos aqui o manifesto do curso de Jornalismo da Una, escrito pela professora Carla Maia. O texto também se transformou em vídeo gravado por alunos e ex-alunos, confira no link.

Manifesto 

“Liberdade, essa palavra que o sonho humano alimenta, que não há ninguém que explique e ninguém que não entenda”

Liberdade, essa palavra com a qual levantamos nossa bandeira. Ainda que tardia, ainda que árdua, ainda que arda, ainda que soe como ameaça para os senhores que nos querem escravos, é a liberdade que buscamos, é por ela que trabalhamos.
Trabalhamos pelo direito à liberdade de expressão, de informação, de ir e vir. Liberdade para emitir opinião e – por que não? – para mudar de opinião. Pois é livre aquele que sabe confrontar as ideias falsas com as palavras justas.

Liberdade para buscar os fatos e comunicá-los com senso de justiça. Liberdade para ir contra tudo e todos que ameaçam o direito à vida, à dignidade e à equidade.
Liberdade para investigar o passado, mapear nossos erros e assim projetar outro futuro. Liberdade para assumir responsabilidade e arcar com as consequências de nossas escolhas.
Assumimos, nesse dia que celebra a profissão que escolhemos, o compromisso de usar nossa liberdade a favor de uma sociedade menos fundada em equívocos e, por isso, com chance maior de acertos.

Mobilizamos a força de nossa ação contra tudo que limita nosso direito de pensar em voz alta, nosso direito de ser livres ao exercer nossa capacidade crítica e reflexiva.
Selamos um pacto com todos que resistem à ignorância e à alienação, todos que não desistem de pensar e de criar, livre e coletivamente.

Porque é isso, ser jornalista: um exercício de honra aos direitos humanos fundamentais.
Liberdade é a nossa praça, é nossa praia. É nosso território afetivo e inventivo. É onde podemos nos encontrar para celebrar nossa existência em comum.
Somos jornalistas pela Liberdade e cá estamos para desejar, a todos que nos acompanham, dias melhores.

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Evento será gratuito, totalmente online e acontece entre 09 e 11 de novembro

*Por Italo Charles

Nos dias 09, 10 e 11 de novembro acontecerá a Maratona de Fact-checking: Eleições – Jornalismo, evento 100% on-line promovido pelo Centro Universitário Una. A maratona tem como objetivo debater a problemática das fake news a partir do movimento de checagem nesse período eleitoral, que sabemos ser propício para a circulação de informações falsas. 

Para fomentar as discussões sobre o tema e elevar a troca de saberes entre os participantes, a jornalista Ethel Rudnitzki, da Agência Pública, apresentará no primeiro dia de evento o projeto de checagem Truco, desenvolvido durante as eleições de 2018.

No dia 10, o professor da Una Luiz Lana será o responsável por apresentar ao público o projeto Checkbot, este que está inserido no cenário atual que passa por grande inquietação devido a disseminação de informações falsas na esfera pública.

O fechamento do evento será  através de uma roda de checagem, onde os convidados levarão aos participantes as metodologias de apuração.

 

Programação

Ethel Rudnitzki da Agência Pública fala sobre o projeto de checagem Truco nas eleições 2018

9 de novembro 

Das 18h às 19h

Sobre Ethel Rudnitzki

Formada em jornalismo pela Escola de Comunicações e Artes da USP. Realizou intercâmbio acadêmico na Universidade de Coimbra em Portugal, onde estudou jornalismo com especialização em Estudos Europeus. Trabalhou também como editora e repórter da Revista Viração e do portal Agência Jovem de Notícias, participando de coberturas e eventos internacionais como a Terceira Conferência das Nações Unidas sobre Moradia e Desenvolvimento Urbano Sustentável e a 22ª Conferência das Partes sobre Mudança do Clima. Na Pública, fez parte do Truco – projeto de fact-checking – durante as eleições de 2018, e produz reportagens sobre redes sociais e desinformação.

 

Professor Luiz Lana apresenta o projeto de extensão CheckBot

10 de novembro

Das 18h às 19h

Sobre o projeto CheckBot

Este projeto se insere no contexto atual de intensa preocupação com o impacto da propagação da desinformação na esfera pública e no crescente crédito atribuído às agências de fact-checking como estratégia de enfrentamento das fake news para atestar que, não o bastante a expansão dessas iniciativas no Brasil e a consolidação de uma literatura sobre a temática, há no país uma escassez de mecanismos dedicados a entender e combater as notícias falsas.

 

Rodada de checagem – 11 de novembro – Das 18h às 19h

Após as conversas com os profissionais nos dias 9 e 10, acontecerá uma rodada de checagem.

As inscrições são gratuitas, acesse: bit.ly/Maratona_eleições

 

**Edição: Dani Reis

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Conheça o laboratório de Jornalismo e Produção de Conteúdo do Centro Universitário Una

Por: Italo Charles

Ser jornalista é viver para contar histórias, é acompanhar a transformação social e estar presente para registrar. Informar, fiscalizar, educar e entreter são algumas características da profissão. E em um espaço de aprendizado e práticas, futuros profissionais iniciam suas trajetórias. Hoje, apresentamos a você o NUC,  último eixo que compõe a Fábrica.

O NUC, desde sua criação, passou por várias transformações. Inicialmente contemplado como Núcleo de Convergência de Mídias visava a produção jornalística e o apoio ao corpo acadêmico do curso. 

Com o passar do tempo, o universo da comunicação se expandiu e o Nuc recebeu uma reformulação e se tornou Núcleo de Conteúdo, a partir disso conquistou espaços em novas plataformas, o que antes era produzido apenas em jornal impresso, ao longo do tempo começou a ser produzido no blog e nas mídias sociais.

Definido como laboratório experimental de jornalismo, o Nuc produz o jornal Contramão e conteúdos vão além das coberturas institucionais. A produção consiste na elaboração e execução de pautas sobre política, economia, social, diversidade, moda, gastronomia, educação, cultura e entretenimento. Para além das produções realizadas para o jornal Contramão, o lab executa conteúdos para mídias audiovisuais e para redes sociais como Instagram e Facebook.

Como forma de ampliar a conexão entre o laboratório e o corpo estudantil, o Nuc oferece oficinas  relacionadas a produção de conteúdo, assessoria de imprensa, comunicação integrada, além de receber materiais dos estudantes do curso de jornalismo para publicação diária, dessa forma o Núcleo fortalece o desenvolvimento dos estudantes.

Atualmente a equipe do lab é formada pela líder Daniela Reis – Jornalista, especialista em Rádio e TV e MBA em Marketing Estratégico, e pelo estagiário Italo Charles (estudante do 5° período de Jornalismo).

Com a palavra, a líder

“No NUC os alunos e estagiários têm a possibilidade de produzir nos veículos impresso e digital, que é o jornal Contramão, além de desenvolver capacidades em audiovisual (na cobertura de eventos, gravação de podcast, vídeos institucionais, etc.), mídias sociais e assessoria de imprensa. Aqui vivemos a rotina de uma redação com reuniões de pauta, parcerias com o mercado e oficinas práticas. É um espaço de criação, troca de ideias e crescimento além da sala de aula.” – Daniela Reis 

Depoimento

Posso dizer que o lab foi e é um lugar de grande aprendizado e construção de experiências. Aqui, tive a oportunidade de conhecer pessoas encantadoras que de certa forma contribuíram para o meu crescimento profissional e pessoal. Hoje, afirmo que nesse ambiente consegui colocar em prática tudo que aprendi na sala de aula e para além disso, aprendi técnicas, novas perspectivas, e um novo olhar sob o jornalismo” – Italo Charles.

Serviços:

Para acompanhar e conhecer mais sobre as produções do laboratório, siga no Instagram @jornalcontramão e acompanhe diariamente reportagens, entrevistas, crônicas e receitas aqui no nosso portal.

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*Por Mariana Aroni

Como vim parar aqui? Que lugar é esse? E esse chão quente?!

– Ronc! – assustei. Que barulho é esse? – Roooonc! – Opa, algo tremeu aqui dentro. – Roonc!

Isso… está dentro da minha b-barriga?! Não sei o que é, mas dá uma vontade imensa de comer alguma coisa. Ah, deve ser essa tal fome de que mamãe tanto falava.

Andar, andar, andar… De não sei onde para não sei onde. Agora, essa tal fome está piorando! Ah, lixo! Espero que tenha alguma coisa para comer. Hummm… Cheirinho bom! Será que é pizza?!

– Sai daqui, cachorro imundo! Fica mexendo e bagunçando o lixo todo. Rasga tudo e deixa espalhado aqui. Sai! – a mulher bateu palmas de forma furiosa, e tentou me chutar.

Ela me assustou de tal forma que saí correndo, uma vez mais, para sei lá onde.

Não consigo entender: o que tem de errado comigo? Chamam-me de imundo. Eu nem sei o que é isso.

Continuo andando, a barriga continua roncando. Vixi, agora também quero água. Vou ter que parar, minhas pernas não aguentam mais. Acho que estou ficando tonto. Ah, uma sombra. Que maravilha!

Hum, que preguicinha gostosa! Acho que tirei um cochilo. Por alguns minutos, consegui me desligar dessa loucura toda, de pessoas para todo lado, asfalto quente, gente querendo me machucar.

Sai! Sai! SAAAAAAAI DAAAQUI! – Que loucura! Tive nem tempo de terminar de pensar. Antes mesmo de terminar a frase mental, já estava virando a esquina. Não estava mexendo no lixo, nem latindo. Estava, apenas, deitado na calçada. Qual era o motivo de aquele homem ficar tão bravo?

Ah, não!

– Roooooooonc! – A fome deve estar pior agora! Preciso de algo urgente para comer. Meu corpo nem se mexe direito. Onde estou? Que besteira! Nem sei por que me pergunto isso ainda. Nunca sei onde estou. Sinto saudade da mamãe e dos meus irmãozinhos. Não lembro de muita coisa.

Mamãe estava dormindo com a gente, quando ouvi um barulho muito forte e acordei. Ela começou a chorar, mas não se mexia, e saía um líquido vermelho de sua cabeça. Não sei o que é. De repente, outro barulho muito forte. E foi aí que vi uns moleques, com um pedaço de madeira na mão, correndo e rindo. Acho que mamãe estava muito mal. Ela chorava baixinho, e estava estranha. Eu tentava falar com ela, mas ela não respondia. Meus irmãozinhos estavam com medo, assim como eu. O Toby corria para debaixo de um pneu, Alissa tentava falar com mamãe, assim como eu. Martie saiu correndo atrás dos moleques, gritando e xingando eles. Não sei onde ele está agora.

TOC. TAC. BUUUM. Ah, não. Cachorrinho infeliz, quis dar um de valente e se deu mal Acho que os moleques o machucaram também. Mas, o que nós fizemos? Mamãe, mamãe! – Alissa, agora, chorava. Acho que mamãe… Ah, meu deus! Mamãe morreu!

Corri para ver Martie. Ele também não estava bem, deu-me uma última olhada e pediu para eu cuidar dos outros. Em seguida, os olhos dele se fecharam. Ele não era apenas meu irmão; era meu melhor amigo.

Voltei para ver Alissa e Toby. A tristeza me invadiu de forma brutal. Não consegui nem me aproximar dos outros. Minhas pernas não funcionavam. Tinha algo salgado escorrendo por meu rosto. Eu chorei. Não de medo, mas por perder duas das criaturas que eu mais amava.

Quando voltei, Toby havia sumido. Não o encontrei mais debaixo do pneu, nem em nenhum outro lugar. Alissa continuava abraçada à mamãe, chorando.

Alissa, precisamos sair daqui. Se aqueles moleques voltarem, vão nos machucar, também. Acho que ela percebeu a urgência e a tristeza em minha voz.

Bart, por que fizeram isso com eles? Mamãe disse para ficarmos longe dos humanos ruins e nos trouxe para cá, justamente, para ficarmos seguros. O que nós fizemos de errado? Ela me disse isso em meio a lágrimas e soluços.

Eu não sei. Eles são cruéis. Mas vamos ficar bem. Venha, precisamos nos proteger. Não encontrei Toby. Já o chamei, mas não sei onde ele está. Não podemos mais ficar aqui. Tentei parecer forte. O desespero e a tristeza me inundavam de forma que não conseguia suportar.

Não conhecia o mundo direito, mas mamãe já tinha nos preparado para o que poderia acontecer. Foi ela quem nos falou sobre a violência, a fome, a tristeza, o frio e a sede.

Alissa se convenceu do que eu falava e decidiu vir comigo. Andamos pertinho um do outro, nem sei por quanto tempo. Não encontramos Toby.

Que gracinha, mãe! São filhotinhos. Posso ficar com um? Uma menininha estava brincando com a gente. Fez carinho em mim e em Alissa. Adoramos ela!

Tadinhos! Devem estar sozinhos e perdidos. Podemos levar só um, os dois não dá. Pega a fêmea, é mais fácil de cuidar, faz menos bagunça. 

Alissa ficou radiante e me chamou para também ir. A menininha a pegou no colo. Eu as segui, andando atrás dela e de sua mãe, mas a mulher me afastou e disse que não me levaria. Eu continuei andando atrás delas, até que elas entraram em um carro e foram embora. Não consegui entender o que Alissa disse.

E eu, mais uma vez, estou perdido em devaneios. O passado é o passado. Agora, preciso encontrar algo para comer. A fome só aumenta.

Onde estou?

– Ah, Bartolomeu, pare de se perguntar isso! Você está perdido na cidade. Nunca vai saber onde está e nem para onde vai. Procure comida, que é o mais importante agora! – gritei, para mim mesmo, em minha mente.

 

*A crônica foi produzida sob a supervisão do professor Maurício Guilherme Silva Jr.

 

 

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*Por Ana Flávia da Silva 

O mercado de trabalho é um ambiente onde a desigualdade está presente, principalmente se olharmos para questões como raça e gênero. A mulher negra dentro deste âmbito encontra inúmeros desafios, que estão diretamente relacionados ao racismo estrutural e institucional.

A desigualdade no mercado de produção está diretamente associada ao desequilíbrio social que vivemos no Brasil. Os dados apontam um crescimento do número de pessoas negras alfabetizadas e concluintes do ensino médio. Contudo o índice de analfabetismo entre as mulheres negras é duas vezes maior do que as mulheres brancas, segundo uma pesquisa realizada pelo IBGE em 2014. No mercado de trabalho não seria diferente, tendo em vista de que o acesso à educação ainda é muito precário. Grande parte das mulheres negras que se formam do ensino médio encontram dificuldades de ingressar no ensino superior, os dados apontam que apenas 10% conseguem se formar na faculdade.

Segundo dados da Previdência Social, 39,08% das mulheres negras estão inseridas em relações precárias de trabalho, fazendo parte também do maior número de pessoas que trabalham sem carteira assinada e recebendo os menores salários. Em diversas áreas do mercado a presença de trabalhadoras negras é praticamente inexistente. Um bom exemplo é o Cinema Brasileiro, até o momento apenas duas cineastas negras conseguiram lançar longas-metragens.

“Embora vivamos em uma sociedade multirracial e haja muitos discursos de que no Brasil não há racismo, as mulheres negras têm grande dificuldade em se inserir em determinados lugares. Basta observarmos quantas mulheres trabalham em atividades de maior retorno financeiro. Quantas ocupam cargos políticos ou mesmo estão em altos escalões do governo?”, questiona Yone Gonzaga, Consultora em Relações Étnico-Raciais e de Gênero e Doutora e Mestra em educação pela UFMG.

A mulher negra ao buscar uma vaga de emprego por muitas vezes poderá ser julgada pela cor de sua pele, por seu cabelo entre outros atributos físicos. “Outra barreira é o fato de os Setores de Gestão de Pessoas ou Recursos Humanos das empresas, não estarem aptos tecnicamente para compreenderem a dimensão racial como um entrave para o ingresso de pessoas negras no mercado de trabalho”, conta Yone.

Dentro das empresas elas são a minoria, sendo que pouquíssimas conseguem chegar aos cargos de liderança. Conversando com um grupo de mulheres negras, foi possível encontrar alguns pontos em comum em seus depoimentos. O principal deles é de que dentro das empresas muitas vezes elas têm sua forma de trabalho questionada, e precisam sempre se reafirmarem para não terem suas ideias ou opiniões invalidadas.

O racismo estrutural como consequência do nosso processo de colonização corrobora com a situação de desigualdade dentro do mercado de trabalho. É interessante observar que o racismo muitas vezes não ocorre de forma explícita, e sim através de um comentários considerados inofensivos. Essas pequenas atitudes do cotidiano precisam ser reavaliadas, essa é uma batalha constante que precisa ser combatida por todos.

Ainda de acordo com Yone, a melhor forma de derrotar o racismo estrutural é a denúncia. “O silêncio em relação às diversas formas de discriminação racial e de opressão de gênero permite a reincidência. Penso que a questão racial é um problema que deve ser enfrentado por toda a sociedade brasileira e não somente pelo segmento negro. Afinal, não basta as pessoas fenotipicamente brancas fazerem discursos de que não são racistas. Elas precisam se posicionarem e agirem contra todas as formas de discriminação e opressão que têm no pertencimento racial a sua origem”, afirma.

O feminismo negro

A pauta da igualdade de gênero e racial está sendo discutida constantemente. Podemos dizer que o feminismo tem sido um grande auxílio para que as mulheres negras possam alcançar seus objetivos em suas respectivas carreiras. Está havendo uma ruptura nos padrões impostos pela sociedade, isto fica claro quando observamos o fenômeno da transição de cabelos. É possível perceber que esse foi um grande marco do feminismo negro no Brasil, colocando em evidência outros assuntos que estão diretamente relacionadas à diversidade. A rede de apoio que foi possível criar através do feminismo, tem servido de inspiração para que mulheres negras possam discutir os principais desafios que enfrentam na sociedade e partir disso encontrar soluções para mudar o cenário atual.

 

*A matéria foi produzida sob a supervisão da jornalista Daniela Reis