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Literatura

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Por Jean Lescano – Poligrafias – Parceiros Contramão Hub

Careço de você. Isso aí, tô carecendo. Carecer é urgência, é te sentir bem perto e entrar em pane por minutos. É entender que não tem escapatória, que meu calmante é teu abraço. Não dá pra empurrar mais ninguém. Tem que ser da sua maneira, essa que resolve tudo – só não resolve nós dois. Mas é com você, você topa? Você quem sabe, eu nem me incomodaria se meu braço começasse a formigar durante uma tarde no sofá. Nem ligaria se você começasse o cafuné, “Tá bom assim?”, ô se tá. É que tu sabe quando ir embora, só não sabe voltar. Por isso eu vim avisar, tô carecendo de você.

Mas me chama de algo novo, não vem com essa de “amor”. Tem que ter um novo, amor não rola. Paixão? É bem menos pesado e não carrega obrigação. Por que sentimento tem que ter nome? Eu aprendi assim, desculpa. Bora criar algo novo? Esconder de outro casal. Um nome tão besta e engraçado, igualzinho você no meu abraço. Sem esse lance de medir, que tal “Frieden?” Carrega um significado gostoso de ver, tão gostoso quanto seu sorriso que se mistura ao céu azul e imenso. Mas quer saber? Sem pressa, a gente encontra algo. Quando vierem com a pergunta do que eu sinto, vou dizer, “Ainda não tem nome, mas o sorriso é lindão”.

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Por Giovanna Silveira – Métrica Livre – Parceiros Contramão Hub

Talvez não exista imitação entre arte e vida. Um não passa de um representação homérica do outro.

Enquanto você caminha pelas calçadas e arrisca viver na cidade, uma voz segue narrando seus passos, ou uma música vai ditando seus clímax, enquanto os dias bailam entre uma peça trágica ou uma drama documental. E nos muitos dias você se vê preso em papéis coadjuvantes… quando poderia ter sido o principal.

E então, sai de cena.

Mas então percebe que foi só o fim do primeiro ato, e a vida, na realidade é feita de muitos atos mais. E você vai marcar cada um dos personagens e lugares por onde passar;  por quê afinal, não importa, entre a arte e a vida, você vai ser sua melhor obra.

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Por Yamí Couto – Poligrafias – Parceiros Contramão Hub

Tá pronta para ter disciplina? Ser uma boa menina como todo mundo acha que você deve ser? Você está preparada? Preparada para falar sem questionar, aceitar o que o sistema te falar, rir e perguntar na hora que qualquer outra pessoa mandar? Ah, mas que beleza! Temos mais uma pessoa para mandar. Mais uma força que vai fazer tudo sem questionar. Que vai entender que pensar é apenas mais uma forma de perder tempo de uma coisa que você nunca vai conseguir assimilar. Perfeito. Temos mesmo mais uma pessoa pronta para essa famosa vida adulta. Que sinta culpa se você tiver dificuldade em encontrar um bom emprego, pois não é boa o suficiente para poder entrar numa faculdade que sempre vai estar em greve, pois a cota da educação foi a primeira a ser cortada depois de não conseguirem cortar as cotas para político ladrão. Ah, mas é claro que não. Você é mais um peso para esse Estado, mina. Você tem que aceitar o seu papel de submissão. Pois quem rouba é quem faz o melhor por essa nação. Se hoje somos o país do carnaval é por deixarmos de lado pessoas mais cultas que nunca terão apoio da Elite, o que dirá do pessoal. Ah, menina… Eu fico mesmo feliz que você esteja preparada para experimentar a sua primeira cachaça depois dos dezoito anos, que agora você possa entrar nas festas para maiores e esquecer do seu nome. Fico feliz de verdade que você jamais se encontre e ouça o que as pessoas têm mais falado do que olhar para o lado de dentro e escutado. É assim mesmo.

Bem vinda mesmo, menina. Bem vinda a vida adulta onde você acha que vai se encontrar, mas é uma cilada para você continuar perdida.

Bem vinda a vida adulta onde você será mais uma nessa multidão de pessoas sorrindo por fora, mas por dentro estão mortalmente feridas. Bem vinda ao mundo adulto onde sempre vai ter alguém de fora dizendo o que vestir, o que comer ou qualquer outra coisa que você decida. Bem vinda ao mundo adulto, mina, onde você só chega a algum lugar se for tão sujo quanto eles e minta. Nós estaremos te recebendo de braços abertos e esperando roubar a sua mente e a sua língua até o momento que você não será mais útil para a nossa “humilde” carnificina.

Eu espero que você seja capaz de entender no meu texto a quantidade de ironia.
Caia fora enquanto há tempo.

Por: Kedria Garcia Evangelista

Fanfics são narrativas produzidas por fãs, onde o autor brinca com os personagens de uma obra já existente ou tenta reescrever a história de artistas. As inspirações vêm de várias vertentes: livros, filmes, games, figuras públicas, etc. Originada da abreviação da expressão fan fiction, que traduzindo ao pé da letra significa “ficção de fãs”, os autores se apoderam de uma parte da história original ou dos personagens e a/os recria(m), originando histórias paralelas.

Essas narrativas são difundidas na internet, geralmente em sites específicos. A maior parte do público que consomem esse material são adolescentes, majoritariamente feminina, o que não impede a participação de outros públicos, como conta Alan Rodrigo Silva de 30 anos, Designer de Jogos. “Era bem interessante, ocupava muito o meu tempo, agora não tenho tanto tempo assim para dedicar a leitura.”, complementa afirmando que existem ótimas fanfics bem escritas, em termos de técnicas e formas narrativas, tão boas quanto as que já foram ou estão sendo publicadas por vias editoriais tradicionais.

O primeiro contato de Letícia Diassis de 16 anos com esse universo, foi aos 10 anos em uma plataforma de escritores e leitores. “Escrevo e leio fanfics hoje em dia, apesar de estar quase sempre atrasada em relação à elas por conta do tempo pros estudos.”, a jovem participa de fóruns que debatem o assunto e acredita que as redes sociais são potencializadores para a divulgação, facilitando o acesso à elas. Para Natália Paixão, Divulgadora Científica de 23 anos, as redes sociais têm sua parcela negativa nesse ramo. “Tudo que difunde tem potencial de banalização, e em cima de algo livre isso ainda é maior, mas um dos fundamentos de trabalhos transformativos é justamente o acesso facilitado e acredito que as redes sociais funcionam mais como um meio de troca e abertura o que potencializa estes trabalhos.”

Um dos motivos de discussões sobre esse segmento é sua classificação como literatura. Entende-se que o conceito de literatura sofreu diversas alterações no seu conceito durante o passar dos anos, ainda assim é considerada uma “arte dos textos”. Alan acredita que as fanfics não deixam de serem menos literárias por utilizar a linguagem informal, “As fanfics de maior sucesso ainda são severamente criticadas pelo círculo literário, até entendo que a popularidade da linguagem menos erudita seduz bastante uma parcela considerável de leitores para reter receitas.”, justifica. Outra questão levantada é a edição e revisão, questionando a qualidade dessas narrativas, como aponta Natália Paixão. “Como tudo que é livre e de fácil acesso temos uma quantidade absurda de material, nem todo ele é bom, mas existem trabalhos que mereciam publicações formais e reconhecimento.”, conclui esclarecendo que existem escritoras que aprimoram o trabalho a partir dos feedbacks recebido pelos fãs.

Por se tratar de obras e/ou personagens que possuem direitos autorais, surge controvérsias a respeito desse nicho. A ideia inicial não é plagiar e sim dá outros caminhos a criação original, ou seja, não se visa lucros na produção das fanfics, além da enorme quantidade de publicações em sites e comunidades na internet, o que dificulta o processo jurídico. Por ser uma produção feita pelos fãs, as empresas aproveitam essa vertente como uma forma de publicidade. “O valor da fanfic é o seu papel como obra de transformação, fanfics são resultado de uma avaliação crítica das obras que admiramos e uma forma de empoderamento onde tornamos estes trabalho algo nosso.”, segundo Paixão.

 

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Por Débora Gomes – .as cores dela. – Parceira Contramão HUB

Hoje fez um dia bonito, como nem sempre são os dias aqui. As amenidades de outono gelaram minha manhã e, se pudesse, teria ficado todo o tempo em casa, sentada em frente ao computador, lendo, escrevendo, desenhando um pouco. Talvez sentisse menos tua falta. É que a sinto (muito!), principalmente quando saio às ruas e vejo rostos nada semelhantes ao teu. “As pessoas aqui carregam uma alegria triste”, pensei. E concluí que vem daqui essa minha mania de sorrir nos lábios o que os olhos tanto choram.

Te guardo em saudade, já lhe falei várias vezes. Ocorreu-me agora, aquele poema falado pela Matilde Campilho, com seu cantado sotaque “português-de-Portugal”:

“é terrível a existência de duas retas paralelas

porque elas nunca se cruzam. 

e elas apenas se encontram no infinito”.

Sei que se interessas por essas questões de infinito e por qualquer outra coisa que pareça te tirar daqui, das gaiolas desse mundo. Ele às vezes também ressoa como algo do qual nunca fizeste parte, eu sei. Mas consegues lidar com isso bem melhor do que eu, que ando desfazendo um tanto de nó, tentando o encontro de um único laço.

É estranho pensar que o que mais nos afasta foi meu maior começo de amor. Lembro bem quando você me disse: ‘eu ando sempre distraído demais nesse passo que é viver’. E eu compreendi ali que dizias sobre liberdade e teu amor pelo vento no rosto em dias de estrada. Sempre soube ler tuas entrelinhas, embora eu pareça chegar quando você já está partindo.

“Não se esqueça de me escrever”, eu deveria ter dito. No entanto, espero sempre uma fresta de sol nos dias frios, para me aquecer as meias e o moletom escuro. Você não vem, eu já sei. ‘Nem em palavra e nem em verbo’, repito para não esquecer. Porque algumas vezes, eu deixo de me lembrar que te conheci em uma manhã de primavera, quando a gente ainda acreditava no amor. E se hoje eu aprendi a temer os silêncios, é porque entendi que eles podem ensurdecer qualquer coração partido. 

[te guardo nessas palavras. para que se torne o motivo da minha terceira fuga…]

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O Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) traz para Belo Horizonte entre 30 de abril a 5 de maio o Fórum Shakespeare. Em comemoração dos 450 anos de nascimento do poeta e dramaturgo William Shakespeare, o Centro Cultural está preparando uma programação gratuita que reúne oficinas, debates, palestras e exposições abertas para o público e voltados para atores, diretores e professores.

Grandes nomes da academia nacional e internacional marcam presença no Fórum, para repensar o dramaturgo sobre a ótica da realidade brasileira e analisando o por que que a obra de Shakespeare ainda é tão atual. Atores e diretores da Royal Shakespeare Company (RSC), uma das mais influentes companhias teatrais do mundo, e professores da Queen Mary University of London (QMUL), considerada em 2013 a mais importante universidade britânica em Artes Dramáticas, irão participar das palestras, oficinas e masterclass. Na programação, a fotógrafa Ellie Kurttz apresenta uma exposição com montagens de Shakespeare nos palcos das maiores companhias teatrais do Reino Unido.

A atriz, diretora e escritora do The Instant Café Theatre Company (Malásia),  Jo Kukathas, traz a oficina “Shakespeare, xamã e mágico”, que irá explorar o mundo revirado dos loucos e sábios de Shakespeare, dos tolos que falam a verdade desafiando o poder e, dos homens e mulheres que vivem à beira da loucura. Já a professora e mestre em encenação de Shakespeare do Royal Shakespeare Company (Reino Unido), Helen Leblique, traz a oficina “Shakespeare, Shakespeare, o mundo é um palco” que busca revelar as dicas de perfomaces que dramaturgo dá aos atores em seus textos. Através de exercícios simples, porém extremamente eficazes, os participantes poderão experimentar as palavras do autor de maneira visceral, descobrindo como se conectar a intimamente com os pensamentos e sentimentos dos personagens que interpreta.

Mais informações: https://culturabancodobrasil.com.br/portal/belo-horizonte/

Por: Lívia Tostes

Foto: Divulgação