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Reunindo profissionais da saúde, pacientes e familiares, o Movimento da Luta Antimanicomial traz para as ruas a alegria e diversão na letra do samba enredo: “Eles passarão, nós passarinho”, o protesto contra o retrocesso que nos encara e diminui de forma eminente a conquista dos direitos de todos os cidadãos com sofrimento mental ou não.

“É a questão de olhar o outro e enxerga-lo assim como você gostaria de ser enxergado. Enxergar a diferença como todas as outras.”, nos conta João Vitor de Campos, estudante de jornalismo.

A data, que ainda não foi instituída formalmente como pessoa jurídica, conquistou seu espaço e possui forte representatividade e legitimidade na área da saúde e entre seus profissionais. O movimento, hoje, possui três cadeiras na Comissão Intersetorial de Saúde Mental do Conselho Nacional de Saúde. E traz como bagagem um ponto importante na área da saúde mental: a Reforma Psiquiátrica.

“É um trabalho que a gente vem executando. É contra os serviços prestados nos manicômios. Para atender essas pessoas nós temos a Central de Convivência, Cersam, Conversa de Rua, entre outros, que estão sempre de portas abertas. A proposta é dar atendimento onde a pessoa estiver. E é por isso estamos na luta por 25 anos.”, esclarece a psicóloga Carla Paulino.

 A luta que teve seu início em 1987 tem como objetivo a extinção dos manicômios, por meio de uma intervenção social, assim como a melhoria do tratamento de pessoas com sofrimento mental, já que naquele ano tornou-se público os absurdos que aconteciam nas instituições e o reconhecimento de seus direitos como cidadãos. Tudo isso embalado ao lema: “Por uma sociedade sem manicômios”.

“Eu acho importante o diálogo desse movimento, a luta antimanicomial, devido a triste historia que as pessoas com distúrbios mentais passam. Mas, movimentos como esse do dia 18 de maio são importantes para acabar com o preconceito.”, Opina Campos, Estudante de Jornalismo.

Texto: Ana Paula Tinoco/ Fotos: Yuran Khan

Profissionais e usuários dos serviços de saúde mental, além de familiares e simpatizantes da causa, animados pela escola de samba ‘Liberdade Ainda que Tam Tam’, saíram as ruas de Belo Horizonte hoje, 16, em comemoração à Luta Antimanicomial. Neste ano, a maior bandeira do desfile – que se concentrou na Praça da Liberdade por volta das 13h seguindo em passeata/desfile até a Praça da Estação depois das 15h – é a “defesa de uma política digna, inclusiva e responsável para os usuários de álcool e outras drogas”, segundo a presidente do Conselho Regional de Psicologia (CRP) Marta Elizabete.

Militantes da causa usavam coloridas fantasias criadas a partir de materiais recicláveis, alguns dançavam ao som de uma marchinha carnavalesca, que entre seus versos brincava: “psiu, psiu, psiu, estou ouvindo vozes”. Um trio elétrico ocupava a parte central da praça, onde os presentes faziam alegorias. O clima festivo é a marca da manifestação pela Luta Antimanicomial em Belo Horizonte. Neste ano o evento reuniu cerca de três mil pessoas sob o tema da resistência, representada pela a frase “Se não nos deixam sonhar, não os deixaremos dormir”. Dividido em seis alas, o desfile contou com homenagens a diversos movimentos: “Estamos falando da criança e do adolescente como o futuro, falando da loucura, falando da ditadura militar”, informou Marta Elizabete.

A usuária da rede de saúde mental e membro da Associação dos Usuários dos Serviços de Saúde Mental de Minas Gerais (Asussam-MG), Maria Soares Ferreira, afirma que o ideal dos militantes é lutar não só pelo fechamento de leitos psiquiátricos – “que tem essa lógica de trancar para tratar” – e sua substituição por uma rede substitutiva – “um serviço de portas abertas em que a pessoa possa ser tratada em liberdade, com cidadania” -, mas também de combater todas as formas de discriminação à pessoa que tenha algum sofrimento mental. Ela defende que “a luta antimanicomial tem como insignia a ética”.

Maria Soares enumera: “Em Belo Horizonte a rede esta bastante implantada. São 9 centros de convivência, 7 Centros de Referência em Saúde Mental (CERSAMs), o 3° Cersam-Ad – que atende dependentes de álcool e outras drogas – será inaugurado, embora isso seja um tanto tardio e a gente está correndo contra o tempo para ampliar a rede de apoio a estes usuários. Há um Centro de Referência Psicossocial (Caps-Ad) na pampulha que funciona 24 horas, foi inaugurado recentemente um no Barreiro e está para ser aberto outro na regional nordeste.”. Para ela a luta deve ser conduzida no sentido de ampliar essa rede, exemplifica: “há demanda para a abertura de mais dois CERSAMs”.

Marta Elizabete ratifica o pioneirismo mineiro no engajamento pela luta: “Nós temos manifestações em quase todos estados do Brasil, mas não podemos deixar de considerar que minas é um lugar de muita importância, porque Minas Gerais sempre esteve na luta pela liberdade”. A presidente do CRP comentou sobre a política de redução de danos, que procura diminuir os danos de viciados em crack a partir do uso de drogas lícitas: “Nós somos trabalhadores da saúde pública. E o Ministério da Saúde no Brasil adota a estratégia da redução de danos como uma das ações da política de álcool e outras drogas. Há uma série de ações que tem que ser desenvolvidas para a estratégia, que é razoavelmente recente, e envolve todo um trabalho de aproximação, de orientação, de informação aos usuários e as famílias.”. A militante acredita que o sucesso nas ações da política para tratamento de usuários de álcool e outras drogas implica em investimento do setor público para a construção de uma rede de serviços que inclui consultórios de rua, Caps-Ad, casas de acolhimento transitório (para pessoas que ainda não tiverem condição de retornar a suas casas), leitos em hospitais gerais para desintoxicação, abordagem com humanidade.

Sobre o caráter festivo do movimento, Marta Elizabete justifica: “hoje nós estamos fazendo um movimento comemorando e falando que nós estamos resistindo a políticas autoritárias do governo, de projetos de leis do parlamento e de projetos que vão contra um ideia de uma política de qualidade, digna, inclusiva. Nós estamos fazendo esta manifestação em homenagem a luta por uma sociedade brasileira melhor.”

 

Por Alex Bessas

Foto por João Alves

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Quando o “louco” tem espaço para se expressar, as pessoas dão credibilidade ao que ele está falando? Na maioria das vezes ninguém perde tempo escutando o que uma pessoa portadora de sofrimento mental tem a falar, pois muitos na sociedade já tem um preconceito e acreditam que o doente mental não segue uma linha de raciocínio que qualquer pessoa ‘normal’ teria. Porém no dia 18 de maio essa situação muda um pouco.


A Praça Sete parou na tarde desta terça- feira. Usuários, familiares, trabalhadores da saúde mental, parceiros e amigos ocuparam a rua Afonso Pena para o desfile da Escola de Samba Liberdade Ainda que Tan Tan, em defesa na luta antimanicomial. Esse dia é muito especial para os portadores de sofrimento mental, pois pela décima quarta vez eles ganharam as ruas da cidade e mostraram que estão presentes na sociedade, e que são capazes de levar uma vida social.

A terapeuta ocupacional Priscila Andrade explica que o tema escolhido para o desfile deste ano, ‘Solidariedade: Há em ti, há em mim’, faz uma alusão à tragédia que ocorreu no Haiti, tendo em vista que a sociedade também se balançou, tornando-se mais solidária frente ao sofrimento da população haitiana. O desfile foi dividido em alas, cada uma com um subtema diferente.

A primeira ala “Me empresta tudo que resta que lhe devolvo sonhos de sobra” representa a solidariedade. A segunda, “Libertar-te da dor, encontrar-te com a cor”, faz uma referência a Semana da Arte Moderna de 1922, explorando a experiência dos delírios e alucinações. A terceira ala veio com um grande balão e as crianças, no bloco “Todas elas cabem no nosso balão”. Já a quarta ala, “O balanço da loucura aterremota a ditadura da razão”, representa os movimentos sociais, compreendidos como placas tectônicas que se movimentam, numa destruição de constrói algo novo, aludindo ao terremoto no Haiti. A quinta ala “Que mentira é essa? Quem me tira dessa?” denunciou as mentiras no âmbito da saúde. E a última ala “Basaglia viu e anunciou, Bispo luziu quando endoidou” conta a história da reforma psiquiátrica.

O desfile contou com a presença de três trios elétricos, alas fantasiadas representadas por cada CERSAM regional, escola de samba, rainha de bateria e muita alegria, música e samba no pé. O movimento buscou, mais uma vez, a evolução na luta política pelos seus direitos, entre eles o de se expressar perante a sociedade, e conseguiram muito bem. Trouxeram para a avenida o samba enredo produzido pelos próprios portadores de sofrimento metal.


História da Luta Antimanicomial

Em 1993, aconteceu o I Encontro Nacional do Movimento da luta Antimanicomial, em Salvador – BA, tema como lema “O Movimento Antimanicomial como movimento social”. Esse evento reafirma princípios básicos da identidade do Movimento, como a independência do aparelho de estado, compromisso de transformação social, luta por uma sociedade sem manicômios e caráter não partidário. E também debates sobre diagnósticos do portador de sofrimento mental, as possibilidades de novos tipos de tratamentos terapêuticos e progressos dos direitos. Sendo assim surge o CERSAM – Centro de Referência em Saúde Mental. Centros como este estão presentes em vários pontos da nossa cidade, buscando tratar de forma humana, os doentes que chegam para serem atendidos. Esses Centros realizam tratamentos que possibilitem o portador de sofrimento mental, possa ser reintegrado na sociedade e levar uma vida “normal”. Opondo-se aos manicômios e a maneira agressiva que em alguns lugares tratam os doentes.

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Por: João Marcelo Siqueira e Débora Gomes

Fotos: Débora Gomes