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Moda

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Por Bianca Morais 

Com a proposta de sempre buscar inserir o aluno no mercado de trabalho,o Una Trendsetters é um projeto do curso de Moda do Centro Universitário Una e é uma grande vitrine para estudantes apresentarem suas coleções como trabalho de conclusão de curso.

Criado em 2010, inspirado pelo formato de outras escolas de moda do país, o então professor Aldo Clécius e o coordenador Júlio Pessoa. O projeto nasceu com o principal objetivo de apresentar os formandos de Moda da Una para o mercado de trabalho. Os alunos, assistidos pelos professores em todo o processo de produção, escolhiam um tema, trabalhavam em cima dele e depois materializavam aquilo em produtos de moda, toda a coleção era desenvolvida, desde roupas até acessórios, e exibidos em um grande desfile para importantes nomes do meio, de influenciadores na área da moda, a empresários e jornalistas.

Como a grande maioria dos eventos da instituição, o Una Trendsetters apresenta uma proposta multidisciplinar, que permite aos estudantes de outros cursos colaborarem com a sua participação. Cinema registrando as edições através de vídeos, a Estética ajuda no preparo dos modelos que irão desfilar no dia, a Gastronomia fica a cargo do coquetel de entrada,o Jornalismo faz a cobertura,  Publicidade e Propaganda e Relações Públicas ajudam na divulgação e a Arquitetura pensa no espaço, todos trabalham em união para conceber e realizar a parte executiva. 

O evento é destinado aos alunos concluintes do semestre de cada edição, na maioria das vezes todos eles eram agraciados com a participação, no entanto, quando a turma tinha um alto número de pessoas, eles eram submetidos a uma banca de avaliação e, em seguida, os melhores selecionados para participarem como forma de premiação.

Sempre de maneira muito profissional, o Una Trendsetters mostrava a qualidade dos trabalhos produzidos por aqueles estudantes, os apresentando a grandes nomes e marcas da moda mineira. Desde sua primeira edição, ele evoluiu tanto que passou a contar com apoio de voluntários, aprendizes de outras escolas de nível técnico, parcerias com o SENAC, entre outros, o que fez ele ser lembrado por todos.

“O Una Trendsetters ganhou essa vida própria, essa autonomia ao longo dos anos por ter se mostrado um evento do ponto de vista interno, capaz de trazer oportunidade para o aluno de experimentar algumas atividades profissionais, em suas respectivas áreas, um celeiro de chances e de aprendizados para eles”, comenta a professora e co-criadora Renata Canabrava.

A evolução do Una Trendsetters

Marca: Madô – A Estética de Erté – Por Amanda Barbosa

Sua primeira edição aconteceu na Casa Una, com clima de aconchego, o prédio histórico foi o palco daquele evento que ao longo dos anos se revelaria gigante. O Una Trendsetters já passou pelo Iate Tênis Clube, Ilustríssimo, CentoeQuatro e se tornou tão gigante que não tinha outro espaço para ocupar a não ser o Mineirão. Para aquela cerimônia que começou de forma tímida dentro do campus, migrar algumas de suas edições para o Salão Panorâmico do maior estádio de futebol da capital, foi uma grande conquista.

Marcante e grandioso, são as palavras usadas pela professora Renata, que viu o projeto crescer com os anos, para descrever aquele momento.

“Ele ganhou atenção institucional, reforço e recebeu aporte, desde a seleção de equipamentos, a gente conseguiu melhorar a qualidade da iluminação, do som, das locações onde ele vinha sendo realizado, ampliar o público presente no evento, e com isso,  envolver mais áreas do conhecimento na concepção e outras características ao longo de sua realização”, completa ela.

Dentro do mercado da moda, o Una Trendsetters passou a ganhar projeção e ser notado, se tornou algo esperado pelos jurados e as pessoas que o avaliavam. A cada ano eles eram surpreendidos por uma apresentação repleta de surpresas e performances pouco convencionais. 

“Tentamos trazer um olhar diferente para esse evento, fazer as coisas não apenas do modo tradicional, o desfile não era só como a gente tinha concebido em mente, mas ele sempre vinha meio performático, com elementos surpreendentes e isso chamava muito a atenção do público”, relembra Renata Canabrava.

“O Una Trendsetters é um marco na história do curso de Moda da Una, pessoas dentro e fora da área aguardam por ele, conseguimos nos colocar em um lugar, onde somos responsáveis por proporcionar a experiência e emoção de estar presente em um desfile com toda a pompa e estrutura que um grande desfile de marcas reconhecidas oferecem, mas agora acessível a toda a comunidade” acrescenta Letícia Dias.

O curso de Moda 

Fruto de muito trabalho, o curso de Moda da Una, foi o primeiro bacharelado a conquistar a nota 5 do MEC no estado, resultado construído de forma coletiva pelos alunos, professores, colaboradores, coordenação e direção. Essa nota teve um sentido muito além do mercadológico, mas foi o reconhecimento acadêmico da qualidade que todos os profissionais envolvidos investiram para que o curso formasse tantos talentos. 

Referência em Minas Gerais na qualidade de ensino, acolhimento, inclusão, diversidade e na estrutura oferecida para a realização das atividades práticas acadêmicas, extracurriculares e desenvolvimento pessoal, o curso tem três laboratórios com equipamentos novos, de alta qualidade e performance e abertos para utilização dos estudantes. 

Desde 2004 o curso de Moda tem o seu próprio Laboratório de Moda, Têxtil e Fotografia. Ele começou dentro do Núcleo Laboratorial da Una, situado no Campus Liberdade, com a necessidade de mais espaço foi remanejado para o ICBEU, e em 2018 transferido para o Campus João Pinheiro 2, onde está até hoje.

Atualmente nomeado Numo, Núcleo de Moda, faz parte da Fábrica, coletivo dos laboratórioa de Economia Criativa.

“A missão do Numo é acolher os nossos alunos e complementar o processo de formação acadêmica com práticas relacionadas a todo o universo que envolve a Moda. O objetivo é oferecer um espaço colaborativo para práticas, brainstorm, conexões, network e que os nossos estudantes sintam-se à vontade para pertencer e compartilhar”, explica Letícia, líder do laboratório.

O Numo trabalha ativamente nas edições do Una Trendsetters, e enquanto nas passarelas apenas podem subir os formandos, o laboratório dá a oportunidade a todos os aprendizes do curso de moda, independente da experiência, a emergirem no processo de produção do evento, como na criação e confecção de bolsas para o PressKit , destinado a Imprensa Brasileira, influencers e empresários, e nos backstage, envolvendo-os nas etapas necessárias para que o desfile da marca aconteça. 

Abrindo portas para o mercado

Marca: OSZ Eduardo Oldzelweski

Todos os alunos que já passaram pelas passarelas do Una Trendsetters se mostraram profissionais de grande excelência para o mercado, é ali que eles dão seus primeiros passos, que idealizam, concebem e executam todo o desfile, é onde o mercado vai enxergá-los pela primeira vez, o projeto gera conexões e é uma verdadeira vitrine de talentos. Muitos são os formandos que saíram do desfile com convites para trabalhar em empresas, desfilar em semanas de Moda renomadas no exterior.

Trabalhos de vários estudantes saíram do papel e se tornaram profissionais, um exemplo deles é o da aluna Maria Cepellos. A garota apaixonada pela moda, costurava e sempre teve a vontade de se envolver mais em todo o processo, da criação até a produção, por isso, ingressou na faculdade de moda da Una. 

Modelo desfila look da Maria Cepellos

No segundo semestre de 2019, a jovem participou do UnaTrend, com sua coleção de tema “Grafitte”, o desfile foi um sucesso, mas o que ela jamais poderia imaginar era o que estava por vir. Primeira ela recebeu um convite para se apresentar no Vancouver Fashion Week, a maior semana de moda do Canadá e segunda maior da América do Norte. 

No ano passado, veio o convite para se apresentar em Nova Iorque, na Curate, e fazer parte do showroom como a primeira brasileira no evento. Em 2021, o convite para participar do New York Fashion Week em 09/2021 ou 02/22.

“Una Trendsetters está em meu currículo, participar dele foi sensacional, me abriu portas e possibilidades que eu jamais imaginei que aconteceria, embora desejasse. A quem está começando o curso agora eu digo, se dediquem, aproveitem ao máximo o conhecimento desses grandes mestres que aí estão porque as oportunidades virão”, diz a designer de moda.

Vitrine de talentos

Rene Benjamin sempre sonhou com o Una Trendsetters. Antes de desfilar com sua coleção, o rapaz foi voluntário durante três anos consecutivos como camareiro e para ele aquele dia marcou sua vida.

Rene comemora o sucesso da sua coleção nas passarela

“ O Una Trendsetters representa muito pra mim, foi como o dia do meu casamento , eu lembro que eu vivi para aquele momento, meu pai conseguiu ir, minha prima-irmã, algumas das minhas melhores amigas, todas as professoras e colegas estavam ali, formei do lado de pessoas maravilhosas, e com aquele gosto de dever cumprido, foi emocionante”, compartilha Rene. 

ANUM foi a marca de roupas criada por ele, voltada para o público masculino NightWear/Urbano.“Criei o conceito de urbano rural e fui construindo as bases para a minha marca em cima da minha história. Nasci no interior de Minas e depois fui para grandes centros urbanos, a minha marca é urban/streetwear, mas com temas de folclore regional. O símbolo da minha logo é o Anú, um pássaro muito comum no interior onde cresci admirando-o ele. Na minha coleção e na minha marca eu abordei temas como o Folclore e o Cyberpunk”, explica o designer que é apenas um dos exemplos de como o UnaTrend permite ao estudante explorar toda sua criatividade.

“O Una Trendsetters me deu muita bagagem como criador, também como camareiro, fotógrafo e etc. O Network de pessoas é muito bom, e gostaria que depois que essa pandemia acabasse pudessemos nos reunir em BH e dar continuidade a isso”, completa o jovem. 

Vanessa Araújo passou pelo Una Trendsetters e deixou seu estilo romântico registrado no evento. Voltada para noivas da classe C, com o nome de Afetiva Dress, a designer desenvolveu uma marca onde as noivas pudessem contar sua história através da roupa com um preço acessível e boa qualidade no acabamento.  

Modelo desfila com vestido criado por Vanessa

Com o tema “Deusa nos contos”, faz um paralelo entre as deusas da Grécia Antiga e as princesas dos contos clássicos, sua coleção veio com bordados artesanais em flores, silhuetas em A, tecidos fluidos e com releituras do véu clássico da noiva. 

“No desfile foi um turbilhão de emoções. Quem vê todo o glamour não imagina como nos bastidores tem todo um trabalho árduo mas prazeroso. O UnaTrend é muito bem organizado, cada um na sua função ajudando uns aos outros. O desfile foi muito importante para nós alunos formandos, tivemos a oportunidade de mostrar nosso trabalho para pessoas importantes e influencers locais”. 

Segundo Vanessa, a chance que teve de realizar um desfile logo no início de sua carreira foi incrível, afinal, os novos designers geralmente demoram um tempo para serem vistos no mercado da moda, e para se fazer um desfile, deve haver um investimento que quem está começando no mercado, ainda não tem condições.

“Com o UnaTrend, tivemos essa oportunidade oferecida pela Una, hoje seguimos na luta de realizar nossos sonhos e colocar nossa criatividade para agregar na moda mineira”, diz ela.

Samile Fernandes é dona da marca que recebe seu nome, e teve a coleção inspirada em suas memórias afetivas. O tema escolhido pela designer foi “De Açucena para o mundo: Memórias Afetivas do Café”, onde falou sobre as memórias que carrega consigo de seu pai Nelito e seu avô Sebastião.

“O elemento que os dois tinham em comum era o cultivo do café para consumo próprio e o gosto que ambos carregaram por toda a vida pelo produto, o que virou matéria prima para a coleção. Além dos dois serem de Açucena, uma cidade no leste de Minas , outro símbolo que usei foi a flor de Açucena, que além de linda, retrata nobreza e simboliza a dor da perda de um grande amor, no meu caso os dois falecidos”, conta Samile.

Sua coleção retrata a casa de pau a pique, local onde o avô morou por toda a vida e criou os filhos, as memórias que eles deixaram, as raízes que simbolizavam seu sentimento foram retratadas em bordados e pedrarias. Pai e avô usavam muito blazer, por isso, ela decidiu usar a alfaiataria como norte, e no dia do desfile usou o blazer do casamento de seu pai. 

“Abrir o desfile foi desafiador, emocionante e uma grande responsabilidade. Marcou a minha vida, porque ali eu tive a oportunidade de falar de dois heróis, de mostrar a importância deles na minha formação como pessoa e profissional. Eu tinha propriedade para citar o quanto tem pessoas que nos inspiram, nos dão força de seguir, nos dão o ar e na coleção, eu quis que ficasse claro o quão precioso foi trazer a memória deles para todos, o meu sentimento foi passado para cada peça”, conclui.

O UnaTrend traz ao Centro Universitário Una um reforço de imagem e reputação muito grande, é mais uma vez a instituição colocando a cara no mercado, mostrando ao mundo o que os alunos da faculdade são capazes, de produzir, criar, educando da maneira certa os estudantes e os transformando em profissionais de excelência que levam o nome Una ao redor do mundo.

 

Edição: Daniela Reis

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Por: Profa. Dra. Gabriela Ordones Penna (Professora de jornada acadêmica do curso de moda do Centro Universitário Una)

O mundo recebia no dia 24 de abril a notícia impactante do falecimento do designer de moda Alber Elbaz aos 59 anos, vítima do Covid-19. A alegria contagiante da primavera parisiense e, principalmente, com vacina à vista, se esvai, como um breve sopro morno. O mundo da moda perdia um sorriso discreto e tímido, sempre de gravata borboleta e óculos, um visual que ludibriava a quem duvidava da sua grandeza. Um choque, sem dúvida, mas que nos lembrou ainda mais da vida, no caso, de um dos criativos que mais pôde honrar essa palavra.

Alber nasceu no Marrocos, cursou faculdade de moda em Israel e nos anos 1980, já estava em Nova York.  Em 1996, ele é escalado pela primeira vez para dirigir uma casa importante – Guy Laroche, esta que precisava de sangue novo, brilhantismo jovem para se manter relevante. E Alber era. Apesar de tímido e doce, era afiado em descortinar os desejos das mulheres para quem criava. Reza a lenda, que ele nunca criou para si – fazia questão de colocar esse distanciamento, mas para as mulheres. Alber Elbaz era um apaixonado pela alma feminina. No final dos anos 1990, ele alcançou um posto cobiçado na linha prêt-à-porter de Yves Saint Laurent, convite apoiado pelo braço direito de Saint Laurent, Pierre Bergé. Ficou na Saint Laurent até quando o grupo Gucci comprou a marca e o substituiu por Tom Ford.

Em 2001, começa a sua mais incensada presença no mundo fashion – na Lanvin. Curiosamente, a casa de Alta Costura é a mais antiga em funcionamento e uma das primeiras a ser fundada por uma mulher – Jeanne Lanvin em 1889. O logotipo, inclusive, da marca começa com o desenho de Jeanne e sua filha, que vai do perfume à linha mãe e filha, quando ninguém fazia tal coisa. Coincidência? Difícil, dada a afinidade do designer com o universo feminino. A Maison precisava de injeção de criatividade e, também, acompanhar os novos tempos. Quem era a mulher Lanvin? Estava, certamente, perdida em um ostracismo que parecia irreversível. Alber Elbaz fez críticos, jornalistas, designers e empresários olharem para a maison novamente. Ele explorou o DNA da fundadora Jeanne, que era adepta aos drapeados, à fluidez dos tecidos. A mulher Lanvin mostrava sensualidade sem necessidade se despir em excesso. As transparências, fendas e volumes controlados, uma poesia na passarela. Como nunca, desejamos vestir Lanvin novamente, graças a Alber.

O designer, que já havia encerrado sua era na Lanvin em 2015, anunciava, no início desse ano, a criação de marca própria apoiada pelo grupo Richemont – AZ Factory e já estreava no line-up da Couture, um feito e tanto. A marca que agrega artesanal e industrial, combina com o modo como acreditava que a moda deveria caminhar: entre a simplicidade e o elaborado, entre a tradição e a inovação – especialmente tecnológica. Alber deixou a cena desejando uma moda mais democrática, onde pudesse vestir todas as mulheres, corpos e idades e mais – a reinvenção é um talento para poucos.

 

 

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Direitos na moda, inspiração ou cópia?

Por Italo Charles

Nas últimas décadas o mercado de moda tem obtido grande crescimento e relevância nos setores econômico e de desenvolvimento social. E, devido à evolução tecnológica – que expande os processos produtivos e comerciais – a participação jurídica se faz presente para preservar os direitos que circundam essa grande cadeia.

A partir desses avanços, o setor se deparou com as adversidades que, para quem as produz, provocam mais efeitos danosos que vão além da simples concorrência. Tais práticas como plágio, cópia, falsificação, entre outras, ocasionam a desvalorização dos produtos originais, prejuízos financeiros além do enriquecimento ilícito de quem as pratica.

Os estudos de Fashion Law (Direito da Moda) surgiram nos Estados Unidos em 2006, pela professora Susan Scafidi, que lecionava a disciplina que tratava sobre a falta de proteção legal das criações da indústria da moda na Fordham University (NY). A partir de então, vários países passaram a estudar e aplicar os ensinamentos de Susan, fazendo com que o instituto ganhasse cada vez mais visibilidade.

No Brasil, o Direito da Moda começou a ser disseminado em 2011, despertando interesse de atuação por muitos advogados, que cada vez mais buscam se especializar na área, além de haver apoio da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e da Associação Brasileira de Advogados (ABA) na implementação de comissões específicas de Direito da Moda por todo o país, contribuindo para a propagação de conhecimentos específicos e de estudos de casos concretos. 

O Direito da Moda foi criado como instituto jurídico que visa prestar assessoria às demandas advindas da indústria da moda em toda sua extensão, seja ela na esfera cível, criminal, tributária, trabalhista, empresarial, entre outras, sempre visando a prevenção ou a solução de conflitos já instaurados.

Propriedade Intelectual

Em meio às práticas jurídicas cabíveis a indústria fashion, a Propriedade Intelectual é vista como fator imprescindível para as criações de moda, seja pelo Direitos Autorais ou pela Propriedade Industrial.

Segundo a Advogada Simone Rocha Men, Graduada pela Faculdade Maringá – CESPAR e Pós Graduada em Direito Civil, Processual Civil e Trabalho pela PUC/PR, a Propriedade Intelectual ampara os direitos através do Direito Autoral e Propriedade Industrial.

“A propriedade intelectual é uma área do Direito que garante recursos para a proteção de invenções e inovações derivadas do intelecto humano.  O sistema da propriedade intelectual promove a proteção de direitos em duas categorias: Direito Autoral e Propriedade Industrial, que se refere a marcas; patentes; desenho industrial e indicação geográfica. 

Dessa forma, na moda é perfeitamente cabível a utilização de todos os recursos da propriedade intelectual, seja ele por meio do direito autoral (proteção da autoria sobre copyright) ou da propriedade industrial (registro de marcas; patentes; desenhos; estampas, etc.). Cada situação demandará uma proteção específica”. 

Vestido Lady Die

No último mês de janeiro os veículos de comunicação mundial repercutiram o caso “Vestido da Lady Di”. A pauta em questão aborda a disputa judicial entre os estilistas David Emanuel e Elizabeth Emanuel sobre os croquis (desenhos de moda) do vestido de casamento e outros modelos criados para a princesa.

A ação em questão visa o impedimento da alienação cometida por Elizabeth acerca dos croquis criados na época em que era casada com David. Dessa forma, David reivindica o direito sobre os desenhos alegando que a ex-parceira os alterou para venda em um leilão.

A advogada Simone Men fez uma avaliação do caso:

“No Direito da Moda tal situação tem amparo na Lei nº 9.610/1998 – Lei de Direitos Autorais.

O direito autoral para ser reconhecido como tal, independe do registro da criação em órgão específico, visto que a sua singularidade e autenticidade conferem a autoria a quem produziu a obra.  Os estilistas David e Elizabeth ficaram conhecidos mundialmente pela criação em conjunto de várias vestimentas usadas pela princesa, inclusive de seu vestido de noiva, a partir do qual os estilistas ganharam ainda mais visibilidade. 

Conforme se extrai da legislação autoral em seu artigo 15, os estilistas possuem co-autoria na criação das peças, e nenhum dos autores podem fazer uso individual da obra criada em conjunto, para quaisquer fins, sem a expressa anuência do outro, em razão das consequências jurídicas que podem ser desencadeadas. 

Cabe ressaltar que o direito autoral é dividido em duas vertentes: direitos morais (ligação pessoal do autor com a obra) e direitos patrimoniais (rentabilidade financeira da obra). Os direitos morais são indisponíveis e podem ser exercidos a qualquer tempo, visto que estão ligados à honra e moral do autor. Já os direitos patrimoniais podem ser negociados por meio de contratos onerosos onde se faz a transferência dos direitos do autor para a exploração daquele bem, remunerando adequadamente àquele que fez a cessão de seus direitos.

No caso concreto dos estilistas, se à época de seu divórcio não foi realizado nenhum acordo em relação ao uso das obras realizadas por eles em co-autoria, poderão agora acordar o melhor destino para os croquis, seja ele a cessão dos direitos de autor de David para Elisabeth, a qual poderia fazer uso exclusivo dos bens, pagando recompensa pecuniária devida à ele advinda da transação, ou até mesmo a destruição dos desenhos, como pretende David, desde que Elisabeth dê seu aval, seja espontaneamente ou em troca de alguma quantia pecuniária. Caso já tenha havido algum acordo sobre o tema no momento do divórcio, poderá ser caracterizada a violação dos direitos autorais por parte de Elisabeth, no momento que expôs as obras em leilão. 

Em casos como este um acordo bem planejado e executado sempre pode proporcionar a melhor solução para os litigantes”, salientou Simone.

Christian Louboutin 

O uso dos solados vermelhos nos sapatos de luxo Christian Louboutin levaram ao mundo inteiro essa característica como uma das principais da marca. Em 2008, o designer registrou sua criação como marca no United States Patent and Trademark Office (USPTO), órgão responsável pelo registro de patentes.

Em 2011, Christian entrou com uma ação contra Yves Saint Laurent alegando que o uso do solado vermelho nas criações de Yves para a temporada de inverno lembram sua marca. O caso repercutiu por alguns anos, afetando também outras marcas, inclusive a brasileira Carmen Steffens, pelo uso do solado vermelho.

Hermès

A grife francesa Hermès, criadora da icônica bolsa Birkin, processou em 2011 a marca brasileira Village 284 que criou um modelo “inspirado” na criação da marca utilizando o nome “I’m the original”. O modelo original foi criado pela Hermès em 1980 e atualmente é um dos mais raros.

A sentença do processo foi a proibição  da marca Village 284 produzir e comercializar produtos referentes ao modelo Birkin, além de pagar indenização por danos materiais e morais advindos da venda dos produtos.

Para além desses casos, há inúmeras outras movimentações judiciais promovidas nas últimas décadas que visam a proteção de direitos das marcas.

 

*A produção da matéria contou com o apoio do Numo (Núcleo de Moda da Fábrica) que é o laborátorio do curso de Moda da Una.

 

**Revisão: Daniela Reis

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O debate sobre sustentabilidade e consumo consciente de moda são fatores essenciais para a construção de uma cadeia produtiva mais justa

Por Italo Charles

Nos últimos anos a globalização e o crescimento exacerbado das mídias publicitárias têm impulsionado transformações em diversos âmbitos e no campo da moda não é diferente. Muito se fala em sustentabilidade e consumo consciente, mas poucas pessoas sabem realmente o significado desses conceitos.

Compreender o que se diverge entre moda sustentável e consumo consciente é o primeiro passo para desmistificar os processos que abraçam uma cadeia produtiva enorme como a da moda.

A indústria mundial de moda é responsável pela promoção de empregos, maior rentabilidade e produção de produtos com custos acessíveis, entretanto, não existem apenas pontos positivos nesse grande meio.

Por trás de tamanha produção estão ocultos os malefícios que o setor carrega. O uso de mão de obra barata e insalubre, insumos químicos usados no processo, descarte de resíduos e poluição do meio ambiente são alguns fatores.

A produção sustentável é pautada pelo processo de fabricação que tem como base o uso de insumos não poluentes ou que causem o mínimo impacto ambiental, uso de fibras orgânicas, reciclagem, reaproveitamento de materiais e a responsabilidade social que está atrelada à condições de trabalho dignas.

Mudanças 

Até o século 18, confeccionar roupas fazia parte de um processo longo ocasionado pela dificuldade de acesso a tecidos e materiais, além da mão de obra para produção, o que tornavam as peças mais caras.

Devido a tais condições as roupas tinham mais qualidade e eram feitas para durar, dessa forma, o consumo, na época, era menor e mais consciente, uma vez que se sabia a origem das peças.

Com a chegada da Revolução Industrial em 1970 e com a criação da máquina de costura, os processos para fabricação começaram a se otimizar e com isso o aumento da produção. Mas, foi em 1990 com os avanços tecnológicos que o termo “fast-fashion” foi criado.

Classificado como o padrão de produção, consumo e descarte acelerado, o fast-fashion ganhou espaço no mercado tanto pela mão de obra barata, facilidade e agilidade na produção quanto no custo de matéria prima.

E, com o tempo, o ramo foi tomando maiores proporções sendo que a cada semana eram lançadas novas tendências que imitavam a alta costura, mas com baixa qualidade, custo e durabilidade.

A partir disso, nos últimos anos, debates sobre sustentabilidade e consumo consciente tiveram mais espaço devido ao volume excessivo produzidos pelas indústrias de fast fashion, questões ambientais e principalmente após o desabamento do Rana Plaza em 2013 – prédio de uma fábrica têxtil em Blangadesh.

Dado o acontecido, surgiu o movimento “quem faz minhas roupas?”, difundido pela Fashion Revolution, organização que luta pela transparência e melhoria na cadeia de moda. As manifestações a respeito da causa suscitaram uma análise sobre os processos e padrões da moda.

Consumo Consciente

Por outro lado, enquanto a moda sustentável, de certa forma, está relacionada aos métodos de produção da indústria têxtil e aos fabricantes, a moda consciente faz com que o consumidor esteja presente e manifeste suas preocupações com os meios de produção e com os impactos ambientais.

Consumir moda conscientemente não é apenas usar peças de origem sustentável ou eco-friendly, para além disso, é ter o autoconhecimento e entender os motivos pelos quais nos leva a adquirir determinado produto.

Para se tornar um consumidor consciente é necessário observar como tem sido seu comportamento nos últimos tempos. Abrir o guarda-roupas é o primeiro passo a ser tomado, só assim, será possível identificar o que realmente é usado e o que não é.

Entender que a peça tem um ciclo e analisar a qualidade de insumos, de trabalho dos prestadores envolvidos e principalmente a forma como será usado e descartado a peça é parte principal do consumo consciente.

Ser um consumidor consciente é avaliar que  “velhos hábitos podem ser melhores”.

 

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Conheça o laboratório de moda do Centro Universitário Una

Por: Italo Charles

Moda é muito mais que vestir, é sentir, renovar, moda é criar. A moda transforma realidades, muda conceitos e otimiza processos. Todos esses atributos fazem parte do cotidiano de quem trabalha no setor. Hoje, apresentamos a você o Numo, Núcleo de Moda do Centro Universitário Una.

Fundado no ano de 2004, o curso de Moda abria espaço para uma nova realidade ao cenário ‘fashion’ em Belo Horizonte. Junto, surgia os laboratórios de Corte e Costura, Têxtil e o Studio de Fotografia para realização das atividades práticas

Atualmente, a equipe responsável pelo laboratório é composta pela líder Letícia Dias, pelas técnicas Andreza Ramos, Sheila Fonseca e pela estagiária Alda Viana. A estrutura do núcleo compõem os ambientes de Corte e Costura, Têxtil, Multiuso (utilizado para moulage e acessórios) e o estúdio de Fotografia, usado para editoriais de moda e fotografia de acessórios. Os espaços são planejados e organizados para os alunos desenvolverem as atividades de sala de aula, atividades extracurriculares e para realização das Unidades Curriculares (Uc’s).

“Temos diversos maquinários e materiais, além de uma equipe disponível integralmente para apoiar e auxiliar os docentes no desenvolvimento das atividades e projetos. O Laboratório de Corte e Costura é o mais utilizado pelos alunos nos intervalos das aulas e nos horários vagos e se tornou um espaço colaborativo, de trocas de ideias, local de encontros para desenvolver projetos, ampliar network, fazer parcerias e ainda bater um papo saudável e construtivo em um ambiente cheio de arte e criatividade”, comenta Letícia Dias.

O lab tem como missão gerar experiência aos alunos, conectá-los com o mercado, além de apoiar a coordenação do curso, o corpo docente e o ecossistema Ânima nas demandas relacionadas ao Curso de Moda. “Sempre tentamos trazer o melhor para os alunos, oferecemos cursos, oficinas, palestras com grandes nomes da Moda, ex alunos bem posicionados no mercado como inspiração e parcerias com eventos externos”, relata Letícia.

Através de parcerias e projetos o Numo estabelece um vínculo entre os alunos e o mercado, de tal forma, fomenta o ambiente acadêmico e eleva a produção dos estudantes. “A conexão com o mercado a partir das parcerias externas, oferece a oportunidade do aluno se apresentar, mostrar seu potencial às empresas, pessoas influentes na Moda, de descobrir e desenvolver habilidades, entender melhor a área profissional, construir seu network e agregar experiência ao currículo”, salienta a Líder.

Projetos 

Entre o final de 2019 e o início de 2020 aconteceu no lab o recrutamento de alunos para atuação no backstage do Minas Trend, além disso, ocorreu a produção de figurino para o bloco Então Brilha e a confecção de looks sustentáveis para o desfile do Mood (Festival de Moda de BH produzido pela Prefeitura).

Também foi disponibilizado espaços para realização de oficinas do FeedDog Brasil com vagas exclusivas para alunos, visita a fábrica da Cedro Textil, uma das principais empresas têxteis do País, parceria com o 1º coworking de Moda de MG – Co.crie – com grandes descontos para nossos alunos e ex-alunos do curso de Moda utilizarem o espaço.

Já neste período de retorno às aulas, o lab tem oferecido oficinas Extensão, tais como: E agora, para onde vou? Conhecendo as áreas de atuação na Moda, ministrado por Letícia Dias (líder do Numo) e Handmaid:  Bordados em pedraria – Teoria e Prática, com Sheila Soares.

Por se tratar de um período de pandemia, no qual o uso das máscaras para proteção são obrigatórios, e pensando no retorno das atividades, suscitou no Numo o desenvolvimento do projeto “Máscaras de proteção Ânima”. Além de proteger e colaborar para a  proteção e preservação da saúde de todos, o projeto colabora também com a cadeia produtiva do setor da Moda, que adaptou sua produção para confeccionar máscaras de proteção. 

As máscaras serão distribuídas entre os mais de 150 mil estudantes, educadores e prestadores de serviço que fazem parte de diversas Instituições do Grupo Ânima, presentes em vários estados do Brasil, colaborando para proteção e preservação da saúde de todos.

“Sabe-se que neste momento de pandemia, a indústria da moda passa por reduções significativas em sua produção, o que coloca em risco a garantia do trabalho aos trabalhadores formais e autônomos que dependem exclusivamente da confecção de vestuários. Atualmente, nosso desafio está sendo desenvolver um modelo de máscaras inclusivas para pessoas com deficiência auditiva que não embace”, afirma Letícia.

Além dos projetos e oficinas de extensão e o projeto Máscaras de proteção Ânima, o Numo produz o Una Trendsetters, desfile tradicional que acontece todo final de semestre letivo. O evento que celebra a formatura dos estudantes, teve a 17ª edição no CentoeQuatro (no final de 2019), e já passou por grandes espaços de BH, como: Mineirão, Iate Tenis Clube, Ilustríssimo.

Depoimentos

“Quando entrei para trabalhar no Numo, eu estudava Moda e estava no último período da faculdade, vi uma oportunidade enorme de crescer, de aprender e de me ingressar no mercado de trabalho através do laboratório. Hoje, depois de 2 anos trabalhando como técnica no Numo, me surpreendi com todas as oportunidades que tive, foi muito mais do que esperava, pude compartilhar o meu conhecimento e aprender muito mais, tive experiências em eventos, cursos, oficinas que me proporcionaram  desenvolvimento pessoal e profissional, conheci pessoas maravilhosas e fiz amigos incríveis” –  Andreza Ramos – (Técnica do Numo).

“Acredito que a nossa relação com o aluno seja mais próxima por termos um espaço físico onde eles podem ir, fazer trabalhos, conhecer pessoas. Temos sempre um contato bem direto com eles e estamos sempre procurando melhorar as formas de trazer coisas novas para dentro do curso e para os alunos.”-  Alda Viana  (Estagiária do Numo).

“Como ex aluna, foi no Numo que coloquei em prática muitas teorias aprendidas em sala de aula, criei minha primeira bolsa e minha primeira peça de roupa. Alguns dos momentos mais divertidos da faculdade aconteceram lá, e sempre que o estresse batia, era para lá que ia tirar uns minutos para dar uma aliviada.” – Sheila Fonseca  (Técnica do Numo).

Com a palavra, a líder

“O contato constante para com o aluno e os próprios alunos entre si  fora da sala de aula, em um ambiente disruptivo, criativo e sem rótulos, faz com que o resultado não seja menos que produtivo e engrandecedor para todos.” – Letícia Dias

Serviços extras

O Numo fomenta a conexão entre o aluno e o mercado a partir de oficinas, palestras, dicas, participação em eventos, recrutamento de alunos para realizar projetos externos relacionados a área, como por exemplo: alunos para trabalhar no backstage dos desfiles de um dos maiores salões de negócios de Moda da América Latina – MINASTREND – produzido pela Fiemg, que agora é parceira da Una.

Além de produzir conteúdos e vídeos diariamente para as redes sociais com temas sugeridos pelos próprios alunos.

A monitoria online como apoio aos alunos para realização das atividades solicitadas em sala de aula.

Para acompanhar os conteúdos e trabalhos ofertados siga o Instagram.

 

*A matéria foi produzida sob a supervisão da jornalista Daniela Reis

 

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*Por Ana Carolina Nunes Abreu

Por muito tempo – e principalmente antes da Segunda Guerra Mundial – a ideia de moda se concentrou na Europa, oriunda de maisons luxuosas na elite europeia, com tecidos raros, vindo das melhores grifes e produção feita à mão pelos estilistas, para os nomes da mais alta sociedade. Até hoje, por exemplo, a rainha Maria Antonieta é vista como o símbolo do pioneirismo da moda.

Com as guerras, os estilistas precisaram migrar para regiões pouco afetadas economicamente, como os Estados Unidos. Por esse motivo, foi necessária a criação de um modelo de compra e venda de peças que facilitasse tanto a produção, quanto a recepção dos artigos de moda. Assim, surgiu o prêt-à-porter. Pierre Cardin, estilista francês, criou este termo para denominar sua primeira coleção para uma loja de departamento. Ou seja, a primeira ideia de peças de roupas feitas de forma idêntica, apenas com tamanhos diferentes para a clientela. Foi o primeiro passo para o Fast Fashion e, também, para a democratização da moda.

O termo Fast Fashion foi criado em 1990, para denominar a produção massiva e industrial de artigos de moda, em grande escala, grande margem de lucro e baixa qualidade. Lembra das calças e jaquetas jeans que sua mãe usava e se gabava dizendo que duravam 10, 20 anos? Pode esquecer.

A ideia é criar lançamentos frequentes, sazonais e que buscam suprir o mercado com as tendências atuais e que, com a mesma velocidade que é feita, pode ser descartada. A cada segundo no mundo, o equivalente a um caminhão de lixo de roupas é descartado ou queimado em aterros sanitários no mundo inteiro. Em 2014, um consumidor médio comprou 60% mais artigos de moda do que em 2000.

A revista Environmental Health realizou, em 2018, uma pesquisa apontando que aproximadamente 85% das peças de roupa consumidas pelos norte-americanos são enviadas para o aterro sanitário como resíduo sólido.

Você consegue imaginar o impacto ambiental de tudo isso? Apenas para ilustrar: para fabricar uma camisa de algodão, são necessários 2.700 litros de água. O bastante para uma pessoa beber por 2,5 anos. Toda produção de roupa enquadrada no modelo de “moda rápida” exige gastos em água, emissão de poluentes e desmatamento, para a plantação de algodão, por exemplo.

A luta para conscientizar e diminuir o consumo do Fast Fashion começou há pouco tempo. Para amenizar os danos, foi criado um movimento, em 2004, que vai de encontro com o modelo anteriormente citado: O Slow Fashion.

Promovendo uma consciência socioambiental, valorizando e priorizando comércios e recursos locais,  essa produção visa a prática de confiança entre os produtores e seus respectivos consumidores, praticando preços reais, muitas vezes com os custos sociais, estimulando uma criação de pequena e média escala. De acordo com a professora Valesca Sperb Lubnon do curso de Design de Moda do Unipê, “Assim como houve na primeira Revolução Industrial, quando saímos do artesanal e fomos para a produção em escala, agora estamos em um início de uma nova era, na qual voltamos nossa atenção à qualidade do produto, à valorização do profissional e do conhecimento”. 

Este novo cenário fez as gerações mais atuais repensarem o conceito de moda, principalmente a facilmente descartada. E bem antes desse movimento ser considerado, já havia um modo de consumo que partia da sustentabilidade, baixo preço e apreciação do comércio local, os brechós e bazares.

Existentes desde o final do século XIX, esses comércios visavam atender a população mais carente, que não tinha condições financeiras de ostentar produtos de departamentos, mesmo aqueles com preços mais baixos. Com peças e artigos usados e de segunda mão, os brechós eram, antes de tudo, a única forma de consumo de roupas que muitas pessoas tinham.

Vislumbrando as décadas mais antigas, os comércios de segunda mão passaram a ser vistos como espaços retrôs e vintages, usado por jovens para reconstruir o estilo de gerações anteriores. Isso mesmo, roupas de cós alto, alfaiataria, oxfords, blusas estampadas de botões, jaquetas jeans e outros acessórios que compõem looks conhecidos como “anos 80”, já faziam parte do vestuário de quem não podia consumir em lojas conhecidas em shoppings e demais malls, mas não com a visão crítica da moda, e sim por necessidade.

Uma reflexão acerca desse estilo de vida se baseia nas estruturas excludentes das lojas de departamento aliadas ao Fast Fashion. E por mais informal que a loja seja, ainda tem, em si, atributos capazes de afastar a população de classes mais baixas. Desde a modernização das lojas aos acontecimentos cotidianos e estruturais, como pré conceitos estabelecidos de acordo com o padrão de consumidor que a loja espera. Frequentemente você pode ouvir um atendente falando para outra pessoa “é pra parcelar de quantas vezes?”, mesmo diante de uma compra com o valor baixo. Já parou pra pensar nisso?

Com a ascensão do brechó, muitas vertentes da discussão acerca da moda surgiram. “Por que eu compraria uma peça por R$100,00, se eu posso comprar por R$10,00 em um brechó?”, questionam os novos consumidores. Esse comportamento, apesar de contribuir para os pequenos comerciantes e donos de brechós, traz consigo a problemática de outro consumo massivo e vazio, aquele no qual você usa de pretexto a sustentabilidade, mas consome o dobro de peças por ser mais acessível, por ser mais “cool” e por ser pauta de elogio dos seus amigos em bares.

Esse tipo de consumo pode, consequentemente, encarecer os brechós, que entendem que seus consumidores atuais são, na verdade, pessoas mais preocupadas com a estética do que realmente um público que tenha a necessidade de comprar ali.

As vendas diretas no mercado de peças usadas passa por um momento de aumento expressivo no Brasil. Nestes últimos 10 anos, o consumo cresceu de forma quase exponencial. O mercado dos brechós, conhecido também como second hand, deve dobrar até 2025. De acordo com a pesquisa do GlobalData, o valor desse segmento deve ir de US$ 24 bilhões para US$ 51 bilhões.

Você, consumidor de brechó ou apenas um curioso, já entrou em uma loja com essa denominação, mas ao conferir os produtos e os preços percebe que, além de terem em sua maioria peças de primeira mão, precificam as roupas de forma a beirar o absurdo com o pretexto de “curadoria e garimpo bem feitos”? É o reflexo do consumo acelerado, que dita aos proprietários dos brechós a glamourização daquele ambiente, já que atualmente é tendência.

Entenda: não é para você parar de consumir em brechós e bazares. Mas esses dados aqui servem para abrir seus olhos diante do seu consumo. Ele é consciente, ou você só compra usando o conceito e a tendência como seus aliados?

Outra forma de mudar seus hábitos de consumo é, também, conhecer lojas e comércios que buscam a produção desacelerada e sustentável dentro do Slow Fashion. Não só roupas, mas também produtos de beleza, sapatos, acessórios etc. Esses ambientes podem, muitas vezes, apresentar um preço maior, mas em troca oferecem um produto eco consciente, sem grandes danos ao meio ambiente e, muitas vezes, não testados em animais.

Como dica para se inserir nesse movimento e conhecer ainda mais sobre essa proposta, listamos algumas lojas com a política Slow Fashion.

Confere aí:

Gioconda Clothing 

Comas

Pântano de Manga

Nuu Shoes 

 

*A matéria foi produzida sob a supervisão da jornalista Daniela Reis