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*Por Thainá Hoehne

Cronixta, antes conhecido como Dime Cronista, é um artista vindo de cima do mapa. Nascido em Belém do Pará. O músico paraense lançou no último dia 26 de junho, seu primeiro álbum completo nomeado “Maiandeua”, e revela aos belorizontinos a profundidade do trabalho que faz parte do projeto Manifesto Maiandeua.

O disco conta com oito faixas sonoras, além de um filme em parceria com Raphael Savelkoul e direção criativa da Noyze e pretende ressignificar as origens do cantor, através de músicas que exploram as sonoridades da sua região e que mostram a realidade de cidades ribeirinhas que sofrem, principalmente, pela falta de saneamento básico, violência e esquecimento social.

A equipe do Jornal Contramão conversou com o artista, confira a entrevista completa.

Podemos observar em seus projetos que a questão da sua origem é muito forte. Fazendo uma analogia, você concorda que uma árvore que mantém as raízes firmes, tende a crescer muito mais?

Aonde eu nasci a gente tem uma ligação muito forte com as nossas raízes. Acho que o paraense é muito bairrista e eu sou paraense, então eu trago esse bairrismo comigo mesmo e acredito muito que a minha arte está muito conectada com o meu lugar, por conta de toda a multipluralidade que existe no Pará.

Poderia citar principais influências ou inspirações que te constroem como artista?

Quando comecei a me entender por gente, as músicas que me abasteciam eram o Carimbó, o Zouk, o Tecnobrega, a Guitarrada, enfim, os ritmos que existem no Pará. Então, de certa forma, trazer essas características é algo muito natural mesmo, sabe? Ao invés de trazer uma guitarra americana, eu prefiro trazer uma guitarra paraense, porque eu trago a minha originalidade, a minha marca.

O esquema do disco nasceu de uma frase chamada Carimbolei, que tem na Maiandeua e com essa frase, eu vi que precisava entender que dentro da música, já existiam muitos registros, muitas marcas, e muitas digitais. Então eu precisava criar uma identidade própria, uma originalidade, pra me destacar nessas digitais também.

Eu queria muito que as pessoas conhecessem a musicalidade que existe no meu estado, na minha cidade, mas meu desejo era trazer algo mais moderno também. Eu queria muito misturar todas as influências que eu resgatei de fora e todas as que eu trago de dentro.”

Sua música “Belhell” traz à tona a simplicidade, a saudade e, na minha observação, um sentimento de amor por sua cidade. Nessa quarentena, tem sentido saudade das viagens também? Ela trouxe impactos negativos ou positivos aos seus projetos?

Olha, eu sinto saudades das viagens, de estar na rua, de ver os amigos. Eu sinto saudades de ir à  praia, sinto saudades de muitas coisas. Mas assim, ao mesmo tempo, a gente precisou entender que tudo tem o seu tempo. Tem o tempo da planta crescer, tem o tempo do meu disco sair, tem o tempo pra você começar a amar uma outra pessoa, então, esse tempo também é que a gente está vivendo. É o tempo que vai ser necessário que possamos entender e valorizar as coisas que de repente a gente nem dava valor.

Ficar mais dentro de casa, me fez ressignificar, refletir exatamente o que eu quero ser daqui pra frente. Fez ressignificar a minha relação com a minha esposa, valorizar cada plantinha que eu estou plantando, fazer com que coisas simples não sejam algo banal, porque normalmente, a gente quando está na correria banaliza o cotidiano, as pequenas coisas.

Sobre o Manifesto Maiandeua, como você enxerga esse projeto e a importância da mensagem que ele busca levar?

Tem uma artista lá do Pará,Berna Rea, que tem uma frase que eu quero muito fazer com que ela  realmente faça mais sentido para as pessoas quando conhecerem a minha origem. Que é: “a gente vive dentro do Brasil, a gente vive com a fartura, mas ao mesmo tempo, do lado, a gente vive com a miséria muito grande”.

Belém é uma cidade muito bonita em si, mas é muito miserável também. A Amazônia é muito farta, mas tem muita miséria. A gente tem abundância dos rios, mas falta água na torneira dos moradores da quebrada.

Belém é muito vibrante, é muito inspiradora, é muito maravilhosa, em muitos aspectos, mas, eu tinha que falar sobre isso também, sabe? Sobre essa fartura e sobre essa miséria ao mesmo tempo. Até pra ficar especificado no álbum que eu trato disso.  Eu venho falando da alegria do meu povo, venho falando do swing que existe em Belém, que existe no Brasil, mas existe o fascismo estabelecido desde o descobrimento de Cabral, então é até um aviso pro povo de Cabral começar a ficar cabreiro pra gente começar a colocar os “pingos nos is”.

Ultimamente temos visto diversas notícias sobre as dificuldades enfrentadas pela população indígena nessa pandemia, inclusive, solicitações de doações. Você conseguiria dizer, qual é a principal necessidade e como as pessoas daqui poderiam ajudar efetivamente, não só sobre a pandemia, mas também, sobre o esquecimento social?

Existem mil formas de divulgar, eu trabalhei em uma fundação cultural lá no Pará chamada Oficinas Curro Velho, e dentro dessa instituição eu tive a oportunidade de lidar com algumas aldeias, com alguns indígenas. Existem algumas tribos que são muito organizadas, a ponto de você achar elas, via web mesmo, que você pode contribuir financeiramente ou com algum serviço que você possa somar. Mas uma das coisas que eu percebo, que já seria de grande importância, é a gente começar a valorizar os nossos povos originais, sabe? Porque a gente não tem esse costume, essa valorização. Através da valorização, o respeito já começa a ser estabelecido.

Estou curiosa sobre a mudança de Dime Cronista para Cronixta, é possível falar sobre isso?

Eu sempre costumei a ler muito sobre pichação, a estudar sobre esse submundo. Certa vez eu li um texto de uma pesquisadora da pichação, falando sobre a pixação com X. A pixação com X, ela tem uma afronta tanto ao Aurélio, quanto a essa forma da estética que o branco e os colonizadores estabeleceram. A pixação tem uma ligação muito forte que bate de frente com essa estética do branco. Apesar de eu ser esse branco lá do Pará, eu me identifico muito com a cultura cabocla, indígena, porque são as minhas origens. O X, de certa forma era pra tocar no X das questões sociais. E aí eu fiz um paralelo a isso. Eu juntei o útil, que era o lance dos amigos mais próximos já chamarem desse jeito, ao lance da pixação e do afrontamento contra qualquer estética que já esteja pré-estabelecida.

E sobre a mudança do rap para seu novo estilo em carreira solo?

Eu acho que a maturidade, em algum momento da vida, chega de uma forma muito avassaladora. E acredito que o que me fez modificar em vários aspectos, foi o lance da verdade. Eu acho que quanto mais você é verdadeiro, mais facilidade as pessoas vão sentir na sua arte. E até com o que eu vinha desenvolvendo dentro do rap, o rap é muito marrento, é um ego muito grande que rola dentro. E eu não sou essa pessoa. É lógico que todos nós temos ego, mas eu não essa pessoa marrenta. Me encaro como uma criança que não cresceu, sabe? Eu brinco com tudo, eu rio de tudo, eu tiro onda com tudo. Lógico que existem momentos necessários para colocar o dedo na ferida também, mas ressignificar essa minha natureza e trazer o máximo de verdade, foi só entender quem eu sou mesmo e transparecer isso, seja através de uma letra, seja através da batida em si.

Teve um momento da vida que eu percebi que não, que eu não preciso criar uma letra que seja tão absurda que um outro MC precise se impressionar, na verdade, eu preciso me impressionar. Eu preciso estar cantando aquilo, estar pensando naquilo e falar: mano, esse sou eu do começo ao fim, sem tirar nada, sabe?

Em 2017, com o lançamento do single “Primatas”, que conta com a participação do cantor Garoá e o rapper Djonga, de Belo Horizonte, hoje conhecido em todo o Brasil como uma das maiores influências do rap, o que você mais pode aproveitar dessa experiência e conexão BH/Pará?

É karma, sabe? Todas as pessoas que a gente conhece, todas as pessoas que passam na nossa vida, é porque a gente precisa de fato ter elas passando pelo nosso caminho. Ele já viu o álbum e me deu um feedback muito positivo, sem ego, sabe? Então é uma amizade que ficou mesmo. Não tem ego, não tem um jogo de “ah, não vou ouvir porque agora eu já sou essa pessoa conhecida por todo Brasil”. Sempre quando a gente se fala é uma relação de muita pureza.

Conheça o trabalho:

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*A entrevista foi produzida sob a supervisão da jornalista Daniela Reis

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*foto: Flávio Souza Cruz

Já são mais de 20 anos de trabalho das três irmãs Ferraz, ao longo desse tempo foram sete CDs, espetáculos cênicos, parcerias e shows marcantes que fizeram do trio uma referência de música popular mineira.

Por: Fernanda Guimarães, Guilherme Sá, Italo Charles

Em entrevista para o Jornal Contramão, o trio conta um pouco sobre a sua história, a relação profissional entre irmãs e como a música proporcionou momentos de união à elas na construção de uma carreira sólida, estes foram alguns dos temas abordados. 

Três irmãs se juntam e formam um grupo de música reconhecido pelo seu apreço a música brasileira, voltando um pouco na história do trio, como surgiu a ideia do Amaranto? Esse nome, por exemplo, qual o significado?

Flávia nos responde a primeira pergunta contando um pouco da história do grupo.

“O surgimento do Amaranto foi a consequência natural da maneira como a música sempre esteve inserida na nossa vida. Sempre brincamos de cantar, exploramos nossa criatividade com música desde a infância, embora em nossa família não tenha havido antes de nós músicos profissionais. Na adolescência, passamos a estudar música e tivemos a sorte de fazer amizade com pessoas também envolvidas com o canto e com o estudo de instrumentos musicais, e formamos nossas primeiras bandas. Marina, a mais nova, não fez parte do grupo Flor de Cal – nossa primeira experiência profissional – mas nos ajudava a ensaiar e fazer arranjos. Assim, quando a banda acabou, foi natural prosseguirmos juntas, as três irmãs. 

Escolhemos este nome pela sonoridade e porque representa uma família de flores, conhecidas por sua perenidade. Para os povos antigos da América Latina, o amaranto era símbolo de força e imortalidade. Essa ideia casava bem com nosso desejo de ser um trabalho longevo. E assim tem sido! Parece que acertamos.”

 

São mais de 20 anos juntas, a que vocês atribuem uma parceria que dá certo a tanto tempo?

Flávia: “Faremos 22 anos de carreira em fevereiro! O principal segredo é que desenvolvemos constantemente a capacidade de reconhecer as diferenças individuais e aceitá-las bem, sabendo inclusive que isso é o que torna o trabalho bonito. No início, o foco é na identidade, naquilo que nos une e que nos faz um grupo coeso. Depois, as individualidades vão ganhando espaço e força, e vão – dialeticamente – reforçando nossa união. Não é simples, exige esforço, doação e muito amor. E não é porque somos irmãs que isso acontece naturalmente, é um processo contínuo que não pode ser negligenciado. E assim, vamos regando nossa plantinha, porque nossa meta é fazer bodas de ouro, como o Quarteto em Cy!”

 

Três cabeças pensantes, cada uma com suas particularidades, na hora de escolha de repertório, quais são as inspirações do amaranto? 

Flávia: “O processo de escolha de repertório sempre partiu de um desejo individual. Aquela que imagina a voz do Amaranto em alguma canção apresenta a ideia para as outras e se a ideia vibrar no coração das três, acatamos. Assim acontece também com nossas composições. Temos referências musicais semelhantes, mas nas buscas individuais mais coisas vão sendo acrescentadas às escolhas de cada uma. Atualmente, este processo flui muito naturalmente, sem conflitos.”

 

Diversos trabalhos entre CD’s e espetáculos ao longo desses anos, gostaria de saber, tem algum que marcou de forma especial ?

“Foram realmente muitos shows importantes na nossa carreira e cada um tem cantinho especial na nossa lembrança” 

Palavras da Lúcia, mas um show marcante para ela e para as irmãs foi o show de lançamento do CD Brasilêro em 2003.

“Fizemos um projeto de lei, com ingressos a preços populares super acessível, na época a gente tava tocando muito na rádio e foi um show muito emocionante. Não foi a primeira vez tocando no Palácio das Artes, a gente já tinha feito algumas participações em outros shows mas foi nossa primeira apresentação naquele espaço sozinhas. E aí teve a casa lotada, ingressos esgotados, pessoas que chegaram na porta para comprar, fizemos um show muito especial com criação de cenário e figurino, uma grande produção. Foi muito lindo tocar no Palácio das Artes que era para a gente o maior espaço de Belo Horizonte na época, realmente foi uma grande emoção.”

 

2008 o Amaranto faz sua primeira apresentação fora do Brasil, com certeza um momento muito importante na ampliação do trabalho do grupo, conta um pouco como foi essa experiência.

Lúcia: “Em 2008 a gente recebeu um convite da embaixada brasileira de Washington, era um evento sobre a cultura da música mineira e a gastronomia, foi uma alegria esse momento na nossa carreira porque foi a nossa primeira viagem internacional, conseguimos as passagens pelo edital de passagens do governo e como já tínhamos esse convite feito pela embaixada criamos a oportunidade de fazer um outro show em Nova York, no bar de música chamado cachaça de música variada, jazz e world music. Foi uma experiência muito legal apesar de não ampliar tanto nosso trabalho o fato de ter no currículo shows internacionais que tiveram uma receptividade do público muito boa, mostra que oportunidade é o que falta, tendo oportunidade o trabalho é bem recebido em outros lugares do mundo, e isso que é o mais importante. 

 

“Três Pontes” e “A menina dos Olhos Virados”, trabalhos dedicados ao público infantil, de onde parte o desejo da criação destes? E como foi a recepção?  

Marina Ferraz a irmã caçula do trio responde a pergunta, “Os dois trabalhos dedicados ao universo infantil do Amaranto, tiveram origens um pouco distintas, o Três Pontes  temos um trabalho baseado muito na receptividade que a gente tinha com as crianças no palco, a gente tocava músicas para adultos e as Crianças ficavam na beirada do palco escutando, no final do show era sempre cheio de crianças assistindo bem pertinho da gente, é isso que nos motivou a construir o Três Pontes. Já o segundo Trabalho foi um pouco diferente, motivada pelo percurso que eu, Marina Ferraz, tive com o teatro. Fiquei muito entusiasmada para colocar em prática meus inscritos, que Surgiram desde muito nova e tive vontade de levar a Lúcia e a Flávia para o palco,  levando o nosso universo infantil, coisas que a gente sempre fez quando criança. E aí eu escrevi essa história A Menina dos Olhos Virados que surgiu a partir da música Olhos Virados, é essa música que me fez criar uma história inteira com canções. A Menina dos Olhos Virados já foi uma coisa um pouquinho mais planejada e os dois trabalhos deram super certo, e agora estamos com um terceiro trabalho, Menino da Sem Palavras, que estaremos inaugurando agora no fim do ano em dezembro.”

A originalidade na composição dos arranjos é uma marca do Amaranto, explorando ao máximo todos recursos de voz e instrumentos. Como é feita a construção dessa identidade sempre citada por quem avalia o trabalho do trio?

Lúcia: “A construção dos arranjos vocais do Amaranto são feitas entre a gente mesmo, pelas três integrantes, a gente sempre faz os arranjos coletivamente na hora que tá experimentando a música. Então eu acho que talvez essa  originalidade tem a ver um pouco com as nossas experiências de criação musical da infância, dessa liberdade de compor e criar em cima de uma coisa que já existe, uma melodia já existente. E aí a gente vai experimentando, cantando e aos poucos as ideias vão surgindo e as que são interessantes ficam e as outras vão embora. A maneira é sempre intuitiva, apesar da gente ter o conhecimento musical, ter o estudo da música, na hora de criar a gente deixa a liberdade da brincadeira da criação coletiva. E a parte instrumental sempre é muito mais simples quando é só a gente e, quando tem outros músicos envolvidos é realmente sempre no coletivo. Eu acho que a gente tem essa ideia de que o coletivo sempre traz muitas possibilidades.”

A música feita aqui em minas tem grandes momentos como o clube da esquina, as bandas Jota Quest e Skank com grande força de mercado, e nos últimos tempos vem crescendo o Rap e o Samba. Tem um lugar para a música popular, como a feita por vocês nessa crescente? Retomando a tradição mineira no estilo?

Flávia: “Tem sim! Existe espaço para todos. Mas é preciso ter consciência de que o mercado da comunicação de massa escolhe pouca coisa para trabalhar e ampliar o alcance daquilo. Há bastante gente que curte música vocal (uma das tradições que resgatamos) e se vê representada pelo nosso nosso trabalho. A gente não se sente limitada por um estilo ou tradição. Vamos fazendo o que nos representa esteticamente e fazendo esforço de nos conectar àquelas pessoas a quem nossa arte faz sentido.”

 

Recentemente em entrevista com Mônica Bérgamo, da Folha de São Paulo, Milton Nascimento declara que: “música brasileira está uma merda”, como vocês avaliam o cenário musical atual?

Flávia: “A fala do Milton tinha foco em um tipo de produção musical presente hoje no Brasil. Ele próprio teve de esclarecer esta fala depois da publicação da entrevista. Makely Ka cunhou uma expressão que – para nós – representa muito bem o que acontece na música brasileira: “música orgânica”, em contraposição às “monoculturas, aos latifúndios musicais”. Há coisas maravilhosamente incríveis e inspiradoras sendo feitas na música brasileira sim. Há tanta coisa que é impossível se dar conta de tudo. Mas são trabalhos que são feitos com envolvimento direto de quem os cria em todas as etapas de sua produção. É como uma pequena propriedade, plantando e colhendo seus produtos, sem uso de aditivos químicos. Cultura de massa, desde que surgiu, é uma coisa diferente de Arte. Arte brota. É manifestação da essência do artista, de certa forma incontrolável, por ser absolutamente necessária para o artista. Isto que se planeja meticulosamente, com estudos de mercado, injeção de muito dinheiro, é diferente de arte. É da ordem do mundo do entretenimento – que de vez em quando encontra a arte sim – mas não isso acontece fortuitamente, não é o que se busca em primeira instância. Neste sentido, a arte e a música brasileira, andam muito bem, obrigada.

 

Quais os desafios de fazer música independente se popularizar entre os ouvintes que, hoje tem a mão diversas formas de consumo, como  plataformas de Streaming e Youtube, como o grupo trabalha nesta área ?

Flávia: “O maior desafio é fazer a música chegar a quem ela pode realmente fazer sentido, virar alimento da alma. É isso que o artista busca. Preocupamos com a ampliação do nosso público, mas não com um projeto de expansão exponencial. É um trabalho de formiguinha. Um a um. As conexões se dão por amizades, por compartilhamentos de interesses comuns. E o público que chega para nós por meio deste caminho, é muito fiel. É muito parceiro. Vira um divulgador e já divulga para as pessoas certas. Bate um desanima vez ou outra – mas a gente espera passar e segue firme! – é a quantidade de tempo que a gente despende com atividades extra-musicais, com criação de conteúdo para redes sociais etc. Mas não há outro caminho. Seguimos firmes.”

Em 2018 o grupo realizou na Fundação de Educação Artística (FEA)  um show para ajudar no programa social de bolsas de estudo. Qual a importância de ações como esta, principalmente nos dias atuais, onde a área cultural não recebe incentivo de fato?

Lúcia: “Eu acho que, a princípio são ações pequenas, e que às vezes parecem não surtir um grande efeito no mundo de hoje. Mas é só mesmo com elas para a gente sentir que alguma coisa está sendo feita, porque se não podemos contar com ações do governo, infelizmente, estamos mesmo em um período realmente muito triste para a cultura e para outras áreas, como as ações do governo não feitas e inclusive até o contrário na desvalorização da Cultura. Se a gente dá conta de fazer pequenas ações, já temos a sensação de que alguma coisa está sendo feita, pequena sementinhas estão sendo plantadas de alguma forma. É uma pena realmente as ações não serem maiores, mas quando cada um faz um pouquinho eu acho que o mundo vai se transformando, é o que a gente tem que tentar fazer hoje em dia, fazemos nossa parte dentro de casa e na música fica pensando no que fazer. Apesar dessa ação muito voltada para as bolsas, para ajuda nas bolsas, a gente tem feito outras nesse sentido, que se for para pensar a gente quase que não ganha, não recebe para fazer um show, para fazer um trabalho novo para lançar um projeto novo, mas a gente faz por amor a música e por amor a arte e por saber que isso faz diferença na vida de muita gente então acho que é assim que se começa do pequeno e aos poucos as coisas vão crescendo.

 

E para o futuro, quais são os planos? O que o grupo prepara para o público?

Marina: “O Amaranto tem para esse ano dois grandes projetos que a gente idealizou bem no comecinho e agora estão chegando na reta final. Um deles é o livro Menino da sem palavras, escrito por mim Marina Ferraz, e o CD homônimo  com canções compostas pela Lúcia Ferraz, Thiago Godoy, Marina Ferraz e Flávia, dedicado a nome de pessoas, esse CD vem encartado junto do livro que é infanto juvenil e também vem o áudio da peça que a gente adaptou para teatro, o lançamento será agora em Dezembro. Estamos muito feliz de ir mais uma vez para o Teatro, poder apresentar nosso trabalho junto da Daniele Braga e do Thiago Corrêa. E o outro é o Bendito jazz, o CD do show gravado em 2017 na sala Minas Gerais, realizado pelo Amaranto e o Trio Mitre, que é maravilhoso e a gente compôs um repertório com canções dos irmãos Gershwin e do Cole Porter, esse trabalho foi condensado no período muito curto, em um mês a gente ensaiou e criou os arranjos juntos e agora estamos tendo alegria de ter esse material, registrado no dia do show sem a gente saber pelo Murilo Correia. E agora juntamos esse material e estamos lançando em CD, então são esses os nossos projetos e, para os próximos anos terá novidades mas estamos primeiro concentrado nessa nessas duas grandes ideias.

*Entrevista realizada sob a supervisão do professor Aurélio Silva

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Por: Kedria Garcia
Atualizado 20/12/17 ás 12:49

“Não posso mais viver assim ao seu ladinho
Por isso colo meu ouvido no radinho de pilha
Pra te sintonizar sozinha, numa ilha.”
Titãs

Companheiro para as horas vagas, para limpar a casa, para a viagem, para cozinhar, para vibrar com o futebol, para mandar um beijo, para ouvir músicas e notícias, para entreter, consolar e principalmente acompanhar. O rádio entrou nas casas dos brasileiros nos anos de 1930 com a música popular, os programas de auditório, as radionovelas e continua afirmando sua presença até os dias atuais com humor e informação. Um gigante com quase 90 anos de história registrou de perto muitos conflitos da humanidade assim como o nascimento de novas tecnologias. Observou a televisão tomar o cantinho da sala e comandar os horários nobres, mas a frase “O novo supera o velho” já não assusta, pois, a reinvenção se tornou uma norma e o imaginário ainda é movido pelas ondas do rádio.

Elias Santos, de 47 anos, professor e radialista, afirma que o rádio tem suas características próprias descartando a ideia de substituição. “Quando a televisão surgiu, espalhou-se o boato que o rádio iria acabar. Eu acredito sempre naquilo em que trabalho dentro de sala de aula, o conceito em que o rádio, a TV, a internet são dispositivos. Um dispositivo não substitui o outro, mas um dispositivo modifica o outro.”, e completa dizendo que o rádio está em um processo de transformação devido ao contato com outras plataformas, como as redes sociais.

De acordo com uma pesquisa  realizada pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, em 2015, o rádio era o segundo meio de comunicação mais utilizado pela população brasileira, perdendo apenas para a televisão. A pesquisa ainda ressalta que 63% dos ouvintes buscam por informação, diversão e entretenimento, sendo que 30% dos usuários ouvem diariamente, entre as 6h às 9h da manhã. As emissoras FMs são estimadas pelo público e as AMs fazem sucesso nas zonas rurais. Fernanda Oliveira Mendes, de 20 anos, não desgrudar do rádio. ” Ele é uma das minhas paixões, preciso sempre andar com um fone de ouvido em mãos para poder ouvir, no trabalho, no ônibus, em casa. Atualmente prefiro programas mais informativos como o Jornal da Manhã na Jovem Pan de São Paulo e Jornal Inconfidência na Rádio Inconfidência.”, relata a estagiária de Jornalismo.

 

“O rádio, por mais que seja um meio antigo, tende a se renovar de acordo com a sociedade.É verdade que o número de usuários diminuiu, mas ainda é uma área que vem se transformado. ”, comenta a estudante Fernanda Oliveira.

 

O radialista Elias, destaca que as ondas sonoras ainda é um meio eficiente e ágil. “O rádio atinge muitas pessoas, pelo fato que se consegue acompanhá-lo sem precisar interromper as tarefas diárias, então ele continua um meio muito eficaz. Isso não tem jeito, principalmente com um público de mais de 40 anos.”. A Pesquisa Brasileira de Mídia de 2015, revela que o uso do rádio é feito conjuntamente com outras atividades, como as domésticas e das refeições e ele apresenta 52% de confiança entre o público, tendo a A Voz do Brasil como o programa mais conhecido. Além de agir como um aglutinador social, ele serve como alimento para conversas corriqueiras.

Paulo Cesar Fernandes da Silva, de 57 anos, sintoniza diariamente seu amigo. “Escuto rádio desde menino, ou seja, ali pelos anos sessenta. Minha relação com o rádio é fraternal, ele é um excelente companheiro.”, afirma o microempresário.  Elias Santos ressalta que as mudanças na sociedade afetaram nas produções radialistas. “No início dos anos 90 tocava mais músicas, com o famoso jabá da indústria cultural, hoje não. Hoje temos um rádio que fala mais, seja piada, seja informação, seja jornalismo, o que se parece muito com o rádio dos anos de 1940 a 1950.”. 

Para ele, o cenário do rádio em Belo Horizonte é muito conservador “Temos uma rádio que é baseado em um modelo dos anos de ouro. Com aquele tipo de voz empostada, aqueles programas apresentados basicamente por homens, transmissões esportivas, jornalismo. No segmento adulto se tem um modelo em que toca sempre as mesmas músicas, não arrisca, não lança ninguém, trabalha em cima no que já é consolidado na indústria cultural”, desabafa o radialista que completa, “O rádio em BH é um rádio pouco ousado, mas apesar disso existem iniciativas interessantes como rádio UFMG Educativa, o momento que a rádio Inconfidência está passando, a rádio Autêntica a antiga Favela FM.”.

Pesquisa realizada em 2017, pela a Kantar IBOPE Media, mostrou que o brasileiro gasta cerca de 4h40min diariamente com a caixinha ligada. Sendo a Grande Belo Horizonte líder desse ranking, em que 95% dos belorizontinos afirmam ouvir rádio todos os dias. “Meu programa favorito se chama Casa Aberta, onde o lema é Cidadania, Cultura e Educação. Além dos programas O Samba Bate Outra Vez e a Turma do Bate Bola”, conclui Fernandes.

Podcast

“O mercado atual do rádio é o mesmo mercado da televisão e dos meios de
comunicação de massa, e ele está em crise. O rádio ele precisa se reconstruir e há
uma dificuldade muito grande para isso, uma vez que, as pessoas antigas não
saem do rádio e continuam trabalhando em cima de paradigmas antigos,
então é preciso que as pessoas novas ocupem esse espaço para que
possamos dinamiza-lo.”, declara o professor e radialista, Elias Santos.

A maior parte da audiência do rádio é composta por jovens entre 15 e 19 anos, revelam as pesquisas que incentivam a criação de outras plataformas como o podcast. O site Mundo Podcast traz a seguinte definição para esse termo: “É como um programa de rádio, porém sua diferença e vantagem primordial é o conteúdo sob demanda. Você pode ouvir o que quiser, na hora que bem entender. Basta acessar e clicar no play ou baixar o episódio.”. Os temas são variados além de ser considerada um meio mais democrático, pois qualquer usuário da internet consegue as instruções para produzir e divulgar seu conteúdo. A praticidade é o fator indispensável, o que chama a atenção e modifica a forma como se ouve e absorve as informações.

 

“-A Rádio Atividade leva até vocês
Mais um programa da séria série
“Dedique uma canção a quem você ama”
Eu tenho aqui em minhas mãos uma carta
Uma carta d’uma ouvinte que nos escreve
E assina com o singelo pseudônimo de
“Mariposa Apaixonada de Guadalupe”
Ela nos conta que no dia que seria
O dia do dia mais feliz de sua vida
Arlindo Orlando, seu noivo
Um caminhoneiro conhecido da pequena
E pacata cidade de Miracema do Norte
Fugiu, desapareceu, escafedeu-se
Oh! Arlindo Orlando, volte
Onde quer que você se encontre
Volte para o seio de sua amada
Ela espera ver aquele caminhão voltando
De faróis baixos e pára-choque duro
Agora uma canção canta pra mim
Eu não quero ver você triste assim.”
Blitz

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Por: Kedria Garcia

A praça Duque de Caxias, localizada no bairro Santa Tereza, espaço conhecido pelos bares e encontros boêmios cedeu lugar para a criançada, no domingo. O último dia da 11° Mostra CineBH foi animada e divertida ao som do grupo Pé de Sonho. As músicas decoradas pelos pequenos eram cantadas com a mesma facilidade de mascar chiclete e os pais acompanhavam com as palmas.

 

“Na verdade, foi por coincidência não fiquei sabendo, viemos almoçar por aqui e nós vimos o grupo Pé de Sonhos que as minhas filhas adoram”, relata Mariana de Oliveira, mãe de duas filhas que aproveitavam o evento.

 

 

O grupo Pé de Sonho conta com liderança de Weber Lopes e Geovanne Sassá, comandando os sons e que chama atenção são as duas crianças no vocal, dando asas à imaginação e animando o público. Durante o show as crianças mantiveram os olhares concentrados, piscar não era uma opção, as músicas encantavam todos que passavam. A movimentação não chama atenção só dos que passam, mas também dos moradores que veem uma oportunidade de empreendedorismo, como no caso da publicitária Renata Aguilar.

 


Renata Aguilar, empreendedora

 

“Quando surgiu a febre das food truck e food bikes eu resolvi trabalhar com doces, pois sempre gostei de fazer e comprei uma food-bike e agora trabalho com brigadeiro gourmet”. Segundo Renata, a praça é palco de vários eventos voltados para o público infantil, o que a ajuda no negócio quando não há eventos fora do bairro. Várias famílias aproveitaram a tarde como a da Sabrina, juntamente com seu e o marido Anderson e o filho Igor.

 

“Nós viemos para prestigiar o Pé de Sonho, que nós já conhecemos, gostamos do trabalho deles e o Igor curte muito as músicas, conhece todas”. Sabrina conta que ficou sabendo do evento por uma mãe de um coleguinha em grupo de WhatsApp da escola.

 

 

Entre as várias atrações que marcaram o último dia da Mostra CineBH, a praça Duque de Caxias foi a privilegiada com canções suaves e uma tarde ensolarada. “Nós viemos para curtir ao ar livre, nessa tarde gostosa e com uma boa música”, destaca Sabrina. “Acho maravilhoso esses eventos voltados para as crianças, pois realmente falta uma programação em Belo Horizonte, ficamos sem saber para onde ir”, finaliza Renata Mariana uma das participantes do evento.

 

Fotografia: Lucas D'Ambrosio

Banda mineira, Pink Floyd Reunion apresenta espetáculo conceitual para o público de Belo Horizonte.

Reportagem: Lucas D’Ambrosio

As noites de Belo Horizonte são conhecidas, entre outras atrações, pela sua cena musical. Diferentes bandas se apresentam periodicamente pelos pub’s e casas especializadas, trazendo trabalhos autorais ou obras já consagradas. Um dos grupos que se destacam nesse cenário é o Pink Floyd Reunion.

Nos dias 10, 11 e 12 de março (sexta, sábado e domingo), a banda apresenta o espetáculo “The Wall, o filme”. O palco será o Cine Theatro Brasil Vallourec, na Praça Sete, região central de Belo Horizonte.

A Reunião

Criada em 2003 por um grupo de amigos, ela se consolidou na noite belo-horizontina pela fiel reprodução do trabalho criado pelo Pink Floyd. Outro ponto de destaque, são as apresentações conceituais, que misturam a música com reproduções e experiências audiovisuais, presentes em parte do repertório de shows da banda mineira.

Para os ensaios, um estúdio de garagem é o local para a reunião dos sete integrantes da banda: Marcelo Canaan, Fernando Grossi, Raphael Rocha, Fernando Nigro, Raquel Carneiro, Marcelo Dias e Thiago Barbosa. Entre uma pausa e outra para ajustes de instrumentos, um café e água servida em filtro de barro, alguns instrumentos aguardavam as mãos dos músicos para iniciarem os trabalhos.

Em um quarto de garagem, na cidade de Belo Horizonte, acordes, notas, cantos e ajustes abrigam o Pink Floyd Reunion. Fernando Nigro é quem conduz a bateria da banda.  Fotografia: Lucas D’Ambrosio
Entre um ajuste e outro, leva tempo até organizar todos os instrumentos. No meio de cabos, teclados e contrabaixo, os integrantes Thiago Barbosa, Raphael Rocha e Marcelo Dias se preparam para mais uma maratona de ensaios. Fotografia: Lucas D’Ambrosio
O processo de imersão da banda para a realização do espetáculo já dura três meses. Ensaios, encontros, reuniões e acertos finais se fazem necessários para que a identidade na fidelidade de execução possa ser mantida. Na foto, os fundadores da banda, Fernando Grossi e Marcelo Canaan. Fotografia: Lucas D’Ambrosio

Dentre incontáveis cabos distribuídos pelo chão, 14 instrumentos de corda, uma bateria e três teclados, os ajustes são realizados pelos integrantes da banda, que preparavam os equipamentos para o início do ensaio. Os pés nas pedaleiras sincronizavam os últimos ajustes para o seu início. O repertório? A trilha sonora do filme “The Wall”, inspirado no disco de mesmo nome (lançado em 1979), da banda britânica. Para o espetáculo, a banda terá a companhia de um coral e orquestra, comandados pelo maestro Rodrigo Garcia.

Veja a entrevista completa com Marcelo Canaan. O Produtor executivo, guitarrista e vocalista do Pink Floyd Reunion conta mais sobre o espetáculo “The Wall”: 

Cada dia mais saturado, o mercado musical conta com profissionais de coragem para fazerem o que amam

Preconceito, falta de verba governamental e saturação no mercado. Estas são algumas dificuldades que os músicos enfrentam, muitos precisam trabalhar em outras áreas para se sustentarem, mas mesmo assim, isso não interfere no amor pela música.

Na história, entre as décadas de 1940 e 1950, os músicos eram vistos como marginais pela sociedade, pessoas que viviam para festejar. Nos dias atuais a realidade não foge dos padrões da década de 50, hoje, alguns profissionais ainda relatam situações preconceituosas sobre a atividade escolhida. “Os profissionais não são reconhecidos como tais, sempre que dizia trabalhar com música, as pessoas insistiam na pergunta sobre qual profissão tinha”, conta o músico Rogério Moreira, 43.

Com o vídeomaker e o músico Flávio Perez Dias, 63, a história não foi diferente, sendo expulso várias vezes de um local pelo tipo de música que tocava e estilo de roupa que usava, “Já fomos agredidos de todas as formas até com cadeiradas no palco por não tocar músicas que eram pedidas”, desabafa.

A profissão de músico só foi instituída em 1960, pelo Presidente Juscelino Kubitscheck através da Lei nº 3857 que definiu a Ordem dos Músicos do Brasil, responsável por registrar e fiscalizar a profissão dos músicos brasileiros.

Atualmente, a Ordem dos Músicos – CRMG registra cerca de 36.000 mil músicos em Minas Gerais. Os filiados pagam uma taxa que se converte em manutenção da Instituição e preservação dos direitos dos músicos como emissão das carteiras profissionais e fiscalização sobre a integridade moral, física e financeira dos profissionais.  

Formação de músico

Engana-se quem pensa que estudar música é acessível, a mensalidade de um curso de música custa em torno de R$ 1.200,00, além disso, em algumas instituições de ensino é necessário que os alunos tenham os próprios instrumentos musicais, como conta Flávio Perez, “Os músicos investem em instrumentos caríssimos para ganhar muito pouco em bares noturnos…cachês mínimos, todos tocam por amor a música , tem outros trabalhos paralelos para sobreviverem!”

Em Belo Horizonte, parte das escolas particulares de referência são: Escola de Música Cavallieri , Pro Music, Minueto Centro Musical, Som Maior e Melody Maker

Públicas são apenas duas: Escola de músico da UFMG e Esmu Escola de Música, além disso, músicos concordam que o Governo de Minas investe pouco em produções musicais de cunho social, como musicais, orquestras e shows, para Flávio Perez, o governo investe pouco e quando investe não dão chance aos novos, sempre são os mesmos do mercado.

Na Graduação, entre os conteúdos estão: Composição, Regência, Canto e Instrumentos: Oboé, Clarinete, Flauta, Fagote, Saxofone, Trompa, Trompete, Trombone, Harpa, Piano, Percussão, Violino, Viola, Violoncelo, Contrabaixo e Violão.

Entre as disciplinas optativas da UFMG estão: estruturação da linguagem musical, análise, contraponto, arranjo, música de conjunto, oficina de performance, música e tecnologia, técnicas de gravação, teorias da música, história da arte, folclore musical, história da música brasileira, entre outros.

Depois de formados, os músicos podem se especializar em alguma área ou tentar montar o próprio estúdio e terem um trabalho independente, mas isso não é tarefa fácil e alguns até desistem da carreira, “A saturação do mercado, a dificuldade em se adquirir equipamentos de boa qualidade, que em geral são importados e outros motivos, faz com que a maioria desista da carreira.”, conta Moreira.

Douglas Leal, 31, baterista de duas bandas autorais, a Sociedade Crua que é  uma banda de pop rock e a Colateral que é  mais voltada para o metal e reforça que no Brasil tudo relacionado  a música  acaba se tornando difícil para os músicos independentes “Se tratando de compra de equipamentos  e instrumentos  de qualidade, sobre o lance de gravar, isto ficou um pouco mais acessível devido a tecnologia dos recursos atuais, mas na hora da divulgação, o músico  independente esbarra em outro obstáculo que torna o trabalho muito árduo para levar sua música para um público  maior.” finaliza Leal..

Mesmo diante de todas as adversidades, os músicos continuam exercendo sua profissão, Dias é um exemplo disso: “Tenho uma banda, faço 50 anos de rock and Roll e tocamos somente para instituições de caridades e encontros de motociclistas, carros antigos amigos etc… Exclusivamente por amor a música, toda despesa por nossa conta!’’

Assista aos vídeos de nossos entrevistados:

“Ministério Dono de Mim” – Rogério Moreira ( cantor e compositor) 

“Pit Bulls” – Flávio Perez Dias (guitarrista)

“Sociedade Crua” – Douglas Leal (baterista)

Reportagem: Gabriella Germana.

Foto: Jovania Araújo.