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Tarde, quase noite e a Praça da Liberdade sofre os transtornos do trânsito. As pessoas correm no cooper, correm para chegar em casa, correm para voltar para o trabalho.

Em um dos famosos bancos “brancos quase encardidos”, Neusarina de Jesus, se arrisca naquela que é sua primeira exibição na praça. Neusarina é violinista e toca seu instrumento na tardinha aconchegante de outono. Sem público pagante ou admiradores na platéia, Neusarina treina seus quase primeiros acordes em público, já que seu maior e único espectador é seu professor de música. Entre os intervalos da aula de francês, ela o recebe em casa. “Vitor, meu professor sempre me fala: Dona Neusarina preste atenção, cuidado para não engasgar”, conta a violinista

Enquanto sua amiga Juliana, segura a partitura da Nona Sinfonia de Beethoven, Neusarina, sente a música e por meio dela, tenta encostar-se no sonho. “O mais importante é sempre acreditar no sonho, e caminhar para ele, todo mundo pode dizer o contrario, mas esse é o caminho certo”, garante.

O sol se põe, lentamente, e as últimas notas da Nona Sinfonia se perdem em meio ao dedilhar do violino E Neusarina deixa a praça, amanhã a violinista pretende viver um novo sonho, já que aprender a tocar violino e francês ela já conseguiu.

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Por: Marcos Oliveira

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Uma multidão tomou conta da Praça da Liberdade para assistir às apresentações da primeira edição do BH Jazz festival. O evento foi totalmente gratuito e contou com a participação de artistas renomados internacionalmente, como Victor Brooks, Julie Mcknight, Glen David Andrews, Túlio Mourão e Léo Gandelman e curadoria de Edgard Radesca (diretor da casa de jazz paulista Bourbon Street, responsável por importantes festivais no circuito Rio e São Paulo) e Túlio Mourão. Essa edição, que contou com seis atrações além de DJs e Vjs, foi realizada com recursos da lei de incentivo à cultura e com apoio de vários colaboradores.

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Lúcio de Oliveira

Nossa equipe acompanhou algumas atrações e conversou com o criador do evento que deixou a Praça da Liberdade com certo glamour no fim de tarde regado a jazz, Lúcio de Oliveira. “Minas Gerais têm gosto pela música, podemos perceber isso pela receptividade dos shows. Belo Horizonte amadureceu e criou segmentos de platéia que apreciam jazz e a prova disso é a multidão que está acompanhando aqui hoje” diz Oliveira, que também é diretor da empresa ARTBHZ organizadora de eventos culturais diversos.

O criador dessa primeira edição já a considera um sucesso e conta os planos para a edição do ano que vem: “Nossa intenção é promover a 2ª edição do festival, abarcando simultaneamente, os vários espaços disponíveis do circuito cultural e realizar uma grande festa nesse centro cultural de Belo Horizonte”.

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Por: Danielle Pinheiro e Débora Gomes

Fotos: Débora Gomes

Repórteres: Danielle Pinheiro e Nélio Souto

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Cenários e música movimentaram a Praça da Liberdade nesta tarde. De um lado, preparações para a gravação de uma nova novela. Do outro, uma dupla sertaneja cantava para um programa.

Os mineiros Josemir e Júlio César se conheceram por meio de um amigo em comum: “Eu precisava de uma segunda voz e o Júlio se enquadrou bem no que eu procurava”, contou Josemir. Hoje, com quatro anos de carreira e um cd circulando pelos principais estados do país, Josemir e Júlio César participaram da gravação do quadro ‘Música do Cipó’ que vai ao ar todos os domingos e quintas, durante o programa ‘Viação Cipó’, apresentando novos músicos: “O programa hoje é bem procurado, principalmente por divulgar novos talentos.”, conta o apresentador Otávio di Toledo.

Enquanto isso, a produção da emissora Rede Globo ajeitava os detalhes para uma cena da nova novela que substituirá ‘Tempos Modernos’, que se passará em alguns lugares de Belo Horizonte. A Praça da Liberdade foi escolhida por representar bem a cidade, segundo o cenógrafo Luiz Cláudio Velho. As cenas serão gravadas amanhã, a partir das 11:30 e irão ao ar em maio, nos primeiros capítulos da novela.

Por: Débora Gomes e Camila Sol

Um banquinho, um violão e um caderno de cifras com as músicas dos Beatles, era assim que Lucas Barbosa,19 anos, ensaiava em um cantinho da Praça da Liberdade. Sob um sol forte, as notas afinadas de seu violão disputavam com o som dos carros, dos passarinhos e das crianças na Praça.
Barbosa conta que freqüenta a praça há cinco anos e que sempre toca violão no local. Ele estava aguardando um amigo para ensaiar as músicas dos Beatles, os dois pretendem montar uma banda couver dos Britânicos. O garoto conta que, apesar de não morar próximo a praça, já criou um vínculo com ela e por isso a escolhe como local para tocar violão. Ele acrescenta que ela também é de fácil acesso para ele e o amigo se encontrarem e ensaiar.dsc028082

Por: Natália Oliveira

Fotos: Débora Gomez

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dsc00031Pilhas de vinis espalhados pelo chão, em caixotes, mesinhas e estantes. Nem os LPs estragados são desperdiçados, eles viram cortinas e enfeites. Assim é a discoteca pública. Discoteca não no sentido popularizado, visto como um lugar em que se vai para dançar, mas sim no sentido real da palavra que é um lugar para guardar vinis. Edu Pampani, coordenador da discoteca, conta que a idéia é montar um mosaico com o que foi produzido no Brasil dos anos 50 até hoje. O objetivo é resgatar e manter a memória da música, fazendo com que as pessoas voltem a ouvir vinis para que eles não sejam esquecidos e mal cuidados.

A discoteca tem mais de 12 mil discos somando também os que não funcionam, pois até as sucatas Pamponi conta como LPs. Ela tem álbuns de todos os estilos musicais, “quanto mais desconhecido melhor, porque são esses que não serão regravados”, enfatiza o coordenador do espaço. Nas estantes da discoteca os discos são organizados por estilo e ordem alfabética. As obras são disponibilizadas para audição, gravação e pesquisa.

Tem trilha sonora de novela, musical infantil, discos de piadas, hinos de times, etc. O espaço tem uma sessão só de disco de artistas mineiros, são quase dois mil títulos. A discoteca não vende discos, mas troca os repetidos seguindo o critério de “dois por um”. Segundo Pampani muitas pessoas vão a discoteca para fazer pesquisas, monografia e olhar as capas de discos antigos para ver como as pessoas se vestiam nas décadas passadas.

No site da Discoteca os internautas podem encontrar dicas de onde comprar equipamentos para as vitrolas, fazer manutenção dos aparelhos e comprar ou trocar discos raros. De dois em dois meses a discoteca promove a Feira do Vinil e CDs Independentes onde os músicos lançam CDs e LPs. Durante as feiras as bandas tocam e DJs (muitas vezes os próprios freqüentadores) escolhem as músicas que vão tocar. Edu Pamponi abriu a discoteca em 2005 com o auxílio do fundo municipal de incentivo a cultura. Hoje, ela continua a funcionar, mesmo sem esse incentivo econômico. Confira o vídeo da discoteca Pública:

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Toda segunda-feira você encontrará uma entrevista com artistas ou jornalistas no nosso site. Na primeira edição, conversamos com  alguns integrantes da banda Graveola e o Lixo Polifônico.

Reciclagem Polifônica

O título traduz bem a musicalidade da banda belo-horizontina, Graveola e o lixo Polifônico, que faz um som difícil de definir. Experimentando e reciclando as sonoridades “pop”, suas melodias vão da poesia ao deboche. permeadas por um samba, rock, jazz, tango, mpb, etc. As letras mantêm uma intertextualidade com a bagagem dos integrantes. Com bom humor, uma das músicas chama-se: Chico Buarque de Holanda vai à copa de 2006.

A banda mistura instrumentos propriamente musicais, com brinquedos e utensílios domésticos. Em palco a voz grave e as “dancinhas” do vocalista José Luiz contagiam quem os assiste e ouve. Em meio às músicas ele e Luiz Gabriel conversam com o público, criando uma interação entre a banda e  seus ouvintes. Durante as músicas os integrantes da banda trocam várias vezes de instrumentos, sendo que fica difícil definir quem toca qual instrumento.

Os músicos do grupo são José Luis Braga, Luiz Gabriel Lopes, Flora Lopes, Marcelo de Podestá, Yuri Vellasco, João Paulo Prazeres e Bruno de Oliveira. Em 2008 eles gravaram o primeiro e único CD da banda e construíram um site com o fundo municipal de cultura. O CD está disponível para download no site da banda. Os integrantes Luiz Gabriel e João Paulo deram entrevista ao Contramão.

Contramão: De onde surgiu o intrigante nome da banda, Graveola e o Lixo Polifônico?

Luiz Gabriel: “Graveola” não tem muito uma explicação, é mais pela sonoridade, foi um insight meio aleatório. E o “Lixo Polifônico” tem origem numa lixeira, propriamente, que o Marcelo Podestá usava para batucar nas nossas primeiras rodinhas de violão, lá pelos 2004 da vida. Se relaciona com uma vontade de buscar sonoridades vindas de coisas não necessariamente “musicais”, instrumentos de brinquedo, coisas que tínhamos à mão nessa época. Também a idéia da reciclagem enquanto uma espécie de metodologia de trabalho, tanto nas composições, como nos arranjos, no pensamento todo sobre a coisa. Então a coisa de “reprocessar” uns gêneros, fazer plágios, etc.

João Paulo: Graveola é uma “palavra valise” nela estão implícitas várias outras como: Graviola, Grave + (Radi) ola / (Vitr)ola.

Contramão: Essa reciclagem seria no sentido de criar algo novo?

Luiz Gabriel: A idéia de “criar algo novo” por si só não é necessariamente interessante. O nosso som não tem o “novo” como característica que salte à primeira vista. A maioria das coisas são “formas clássicas” da canção pop, “contaminadas” pelos vários gêneros e sonoridades com os quais convivemos. Aí entra o jazz, o axé, a música erudita, a MPB, o samba, o pagode, a música eletrônica, em diferentes níveis e intensidades, mas sempre presentes de alguma forma, mesmo até que a gente não perceba. O que é uma coisa muito doida, porque nós mesmos ficamos buscando as referências e garimpando para ver de onde que vem cada coisa. Isso vira uma grande brincadeira na composição, no arranjo, na hora de tocar.

Contramão: Como vocês se conheceram?

Luiz Gabriel: Eu, João e Marcelo formamos no mesmo curso. No início era eu, Zé e Marcelo, “hipongagem” mesmo, fazendo um som, rodinha de violão. Depois entrou a Flora, minha irmã, que já tocava comigo em outros projetos há mais tempo. O João já fazia umas participações, mas era no “chove não molha”, aí de repente ele tocava o show inteiro e não tinha mais jeito.

João Paulo: E aconteceu a mesma coisa com o Bruno, o baixista.

Luiz Gabriel: O João tinha um quarteto de jazz, o Criado Mudo, com o Yuri, que também entrou na banda.

João Paulo: Eu conheci o Yuri ele era molequinho. Não tinha nem barba. Tocamos juntos há uns sete anos.

Contramão: Apesar da banda não estar na grande mídia os shows estão quase sempre lotados e costuma não ter ingresso para entrar. A que vocês atribuem este fato?

Luiz Gabriel: Vai formando uma galerinha que gosta, fica sabendo dos shows, aí passa e-mail para a banda, nós avisamos sobre os shows, colamos cartaz, fazemos a divulgação toda “na tora.” Não é tempo no sentido de que “temos uma longa carreira”, na verdade é tudo recente. Mas muitas pessoas que vão aos shows, é a galera que via a gente em rodinha de violão da FafichMG (Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas).Um fala pro outro. Nunca tivemos preguiça de trabalhar na divulgação. Tem também o sensacional mérito do Marcelo Podestá, com a identidade visual-divulgatória da banda. Os cartazes têm uma “tradição estética” bem interessante. O myspace foi uma porta legal também, muita gente conheceu por lá, principalmente no último ano, eu acho.

João Paulo: O Graveola é uma banda que se comunica. A banda não só toca e se apresenta no palco, ela interage. Tem também a equipe da banda, que consiste em todo o pessoal da banda e mais os “agregados”: fotógrafos, videógrafos, técnicos, produção, e etc. Eles são carinhosamente chamados por nós de família Graveola e produzem tudo que você vê, ouve ou não vê nem ouve nos shows.

Luiz Gabriel: Mas calma que quem vê falando assim até pensa que a gente tem uma mega estrutura. Na verdade só temos um bando de amigos talentosos e muito animados.

Contramão: Vocês pensam em viver unicamente da banda, como profissão?

João Paulo: O negócio é a condição do músico e do artista.

Luiz Gabriel: O coitado do músico (do artista, de forma geral) tem que fazer um milhão de bicos, dar aula, tocar em um milhão de grupos, animar festinha de criança e vender sanduíches. Eu acho que a gente vai viver de música, de qualquer forma, ou viver “pra música”, talvez seja mais o caso. O Graveola é uma das coisas nessa conta, nesse momento. Entra a questão da dificuldade de levar pra frente trabalhos independentes, sem nenhum incentivo de grana. Você tem que compor, ensaiar, tocar, fazer o cartaz, xerocar, colar na rua, mandar e-mail para a galera, passar som, carregar os instrumentos depois do show. Tudo isso “na tora productions.”.

João Paulo: Esse disco nosso mesmo, e o de vários amigos nosso músicos de BH, só foi possível graças a esse mecenato estatal contemporâneo (Lei Municipal de Incentivo a cultura).

Luiz Gabriel: Que é uma coisa muito pequena, tendo em vista a quantidade de gente disputando e precisando disso como única alternativa pra viabilizar os trabalhos. Rolou grana de incentivo para o projeto da gravação do CD, e só, até agora. Fora isso é a gente mesmo botando pra frente. Mas sem essa grana do fundo municipal de cultura seria impossível ter rolado o CD, da forma como rolou.

Contramão: O som da banda é bem diferente e difícil de classificar dentro de algum estilo musical como vocês se definem?

Luiz Gabriel: Acho que o som da banda é mais uma junção de várias coisas clássicas, muito identificáveis em si, mas unidas num todo. Falar de um “estilo”, no sentido de um gênero, é difícil mesmo, porque tem várias absorções, tipo plágios estilísticos mesmo. Um bolero, um sambinha, uma bossinha-jazz, um rock e várias coisas que a gente ouviu, ouve, e gosta. Referências roubadas de toda parte. Fica uma sacanagem de  inventar termos.  “Barroco beat” é o melhor, eu acho, é o meu preferido. É de um amigo nosso, o grande teórico Gabriel Schunemann.

João Paulo: O negócio é sempre estar pronto para “puxar o tapete” da galera, sabe?

Contramão: Como assim puxar o tapete da galera?

João Paulo: Vou dar um exemplo. Tocamos duas semanas seguidas no Estúdio B e de uma pra outra mudamos radicalmente o arranjo da música  “Benzinho”. Isso deixa aquela confusão gostosa na cabeça da galera.

Luiz Gabriel: É estar sempre disposto a não fazer o que é mais cômodo, ou o que é mais esperado, de uma forma geral.

Contramão: Porque vocês escolheram disponibilizar o CD também no site?

João Paulo: Não é uma escolha. Aliás, acho que a escolha foi disponibilizar também na loja. Porque a idéia é tocar e que a banda seja ouvida. A música é a arte do instante. Só existe enquanto está vibrando no ar.  Então restringir o disco a um público comprador é restringir a nossa música.  Vira e mexe no myspace ou no last.fm a gente vê gente de cada lugar maluco do mundo ouvindo o Graveola.

Contramão: Vocês optaram por utilizar vários instrumentos diferenciados, porque não utilizar somente os tradicionais?

Luiz Gabriel: Porque não tínhamos um baixo, ou uma guitarra. Uma questão totalmente material, quando começamos tínhamos um violão, meia dúzia de brinquedos, uns copos, umas colheres e uma lixeira. Mas na verdade, se você for ver a ficha técnica do disco, esses elementos não são as coisas mais presentes, estão em conjunto com uma porção de instrumentos convencionais. Ficou meio marcada, a coisa dos instrumentos de brinquedo, das sucatas, mas é apenas uma das facetas, nem sei se a mais representativa.

graveola e o lixo polifônico – samba de outro lugar from bernard machado on Vimeo.