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Arte reproduzida site Hype Science

Por Grégory Almeida

Naquela quinta-feira, 23/03, acordei com muita pretensão de sorrir e admirar o belo. E lá fui, disposto. Como na rotina, meu ônibus, depois o Move e depois outro Move para chegar à rua Paraná, próximo ao ganha pão. Até aí, tudo bem.

O ônibus começa a encher de homo sapiens na Avenida Brasília, em Santa Luzia. Eu, já em pé, naquele equilíbrio que não tenho, me pego observando uma moça. Ela, coitada, com uma bolsa enorme, fone de ouvidos e séria, mas percebi no abrir dos lábios que usava aparelhos. Fiquei lá na minha e ela no equilíbrio dela com aqueles olhos verdes. Lindos!

E o ônibus continuava a encher, até que ficamos lado a lado.

Vejo a “paisagem”, passamos a Linha Verde e chegamos a Pedro I. Ali começara a minha admiração à menina de olhos verdes. Com o celular a mão, a câmera frontal como espelho, a bolsa na frente. E a bolsa era enorme, quase uma mala. Ela me tira uma outra bolsa de dentro e o meu olhar se torna fixo.

Tira um tubinho, no equilíbrio, uma mão com o celular, a outra com a bolsa menor, e entre os dedos o tubinho com o creme. Faz cinco pontinhos no rosto. E eu pedindo a Deus para o motorista não frear bruscamente. E eu ainda a olhava, já com o olhar 43. Esfregou os pontinhos em movimentos circulares. Pensei, será que ela vai se arriscar mais? Arriscou. Meus caros, o ônibus não esvaziados e ela inerte. Linda, “lacrando” que diz, né? Pois estava.

Eu já a admirava pela astúcia, habilidade e indiferença. Indiferente aos meus olhares. E até que nós olhamos num momento que ela virou o celular e me pegou pelo reflexo da câmera. Disfarcei, mas ela me percebeu quase que batendo palmas.

Ela pega um pincel de tinta (não sei o nome correto) e uma esponjinha linda, da cor de salmão e me distraí, mas depois vi um potinho com um pó também salmão. Esponjinha no pó, esponjinha no rosto e o pincel de tinta também foi passado no rosto, tão leve, tão sutil, tão “Xuxa com Monange”. E ela estava lá. Tão, tão… com a bolsinha já dentro da bolsa grande, o celular permanecia em mãos e os olhos verdes? Esses realçavam a beleza da jovem que em pé, no ônibus lotado, equilibrista, se empoderou.  Desceu do ônibus como uma princesa e roubou o coração do plebeu, mas não sabia disso. Até porque, não cantei a moça. Otário que fui.

Os 1,3 mil abrigos que serão colocados na capital mineira e eram esperados pela população começaram a ser instalados neste mês. Deste número seis deles se encontram na Avenida Afonso Pena. Há novas coberturas nos arredores da Praça Sete e duas em frente à sede da Prefeitura. O prazo de finalização do serviço foi estipulado para quatro anos, sendo que metade será colocada no primeiro ano e o restante nos três anos seguintes.

A iniciativa que parte da Prefeitura de Belo Horizonte e contará com o financiamento do Consórcio PRABH, que teve sua licitação aprovadatem como plano base  e objetivo trazer conforto para os usuários dos coletivos, trocar as coberturas danificadas, instalar abrigos onde não há e padronizar os equipamentos usados pela BHTrans.

A responsabilidade pela criação, instalação e manutenção dessas novas coberturas será da concessionária aprovada. Os novos abrigos serão mais modernos, mais confortáveis, com proteção traseira e lateral de metal vazado, têm uma capacidade 25% maior que os atuais e pontos energizados tanto para exploração da publicidade como para iluminação noturna (mais segurança) e com o nome do local onde está instalado. O direito ao uso desses espaços para publicidade será de 25 anos e o contrato prevê gastos investidos no valor de 30 milhões.

O diferencial está na proposta de que assim como o uso dos totens de publicidade, as empresas poderão gerar lucro com a oferta de internet nos abrigos. Ou seja, junto ao uso dos espaços publicitários os mesmos poderão ser vendidos a clientes e vistos por passageiros enquanto esses usarem a rede de wi-fi.

O Olhar da população

Pensando na iniciativa da BHTrans fomos às ruas conversar com quem faz uso desses abrigos para saber a opinião deles sobre essa novidade.

“Eu gostei, ficou ótimo. Mas, parece que vai ser ruim quando tiver chovendo. Não tem proteção é aberto vai molhar tudo. Mas, vamos esperar a chuva, falta banco, mas ficou bonito.” – Sueli de Fátima Silvera, Diarista.

“Eu não gostei. Primeiro, porque tenho certeza, foi muito dinheiro gasto aqui e para mostrar publicidade. Diminuiu a quantidade de bancos, se tem mais idoso eles vão ficar em pé. Essa placa deveria ter ficado na horizontal, igual era antes, ficou ruim porque agora para observar o pessoal tem que vir para rua.” – Ramon Antônio Pedrosa, assistente administrativo.

“O fluxo é muito grande e não condiz com o numero de pessoas. Antes a parada era mais funcional, utilitária. O antigo sistema era mais barato e melhor.” – Regina Azevedo, Produtora.

Reportagem: Ana Paula Tinoco/ Laís Brina

Foto: Ana Paula Tinoco

Em forma de festa, o movimento Tarifa Zero (TZ) reuniu cerca de 100 pessoas na Avenida Nossa Senhora do Carmo, em frente ao Chevrolet Hall, na última sexta feira, 06. A concentração começou por volta das 17 horas, onde os manifestantes começaram a organizar a festa. Dentre as pautas levantadas, a ocupação do espaço público, o gasto abusivo da Copa do Mundo e claro, a redução da tarifa.

 Em mutirão, voluntários colaram bandeirinhas, arrumaram o som e se prepararam para a festa. Antes de fecharem a rua, alguns manifestantes fizeram um deboche em forma de entrevista usando máscaras de figuras conhecidas, como Márcio Lacerda, prefeito da cidade e Ramon Victor César, presidente da BH Trans. A locutora fazia chamadas típicas de festa junina com problemas apontados pelo TZ. “Olha o metrô do Barreiro” dizia a locutora, enquanto os manifestantes respondiam “é mentira”.

 Os manifestantes começaram o ato fechando a faixa lateral da avenida, sentido o bairro Belvedere. Logo depois, fecharam mais duas faixas do canteiro central da avenida, causando transtorno para a população. Guardas municipais instruíam os motoristas no local a fazerem o retorno.

 Segundo o organizador Eduardo Macedo, o ato em forma de festa junina é o primeiro com uma temática. Alguns manifestantes foram vestidos a caráter para o ato. Vendedores ambulantes participaram da festa, vendendo cerveja e até acessórios com as cores da seleção canarinho. Por volta das 20 horas, os manifestantes começaram a dançar quadrilha e queimaram uma catraca, que simbolizava uma fogueira da festa junina.

“As manifestações vão continuar, principalmente no período da Copa”, disse Eduardo Macedo, integrante do TZ. Recentemente, houve um aumento de 7,5% no valor da passagem metropolitana.

Texto e foto por: Cassiano Freitas e Lívia Tostes

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Começa agora ás 16h, mais uma assembleia do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário de BH e Região (STTR-BH) com a categoria para decidir se os trabalhadores acatarão a proposta ou não. Caso seja recusada, a greve prosseguirá a partir das 0h desta quinta-feira, 27, até que uma nova proposta seja apresentada.

Proposta

O TRT propôs na noite de ontem, terça-feira, 25, um reajuste salarial de 7,26%, com uma jornada de 7h20, incluindo uma hora de intervalo que pode ser fracionada, além da retirada de cláusula contratual que diz que rodoviários punidos por algo perdem a participação nos lucros.

A decisão tomada pela juíza Wilmeia da Costa Benevides, não fere o direito da greve, uma vez que isso só acontece a partir do momento que é decretada a ilegalidade, afirma o assessor de imprensa do STTR, Luciano Gonçalves. “Houve um consenso para que ninguém seja prejudicado, principalmente os trabalhadores e os usuários do transporte coletivo”, finaliza.

Texto Juliana Costa e Luna Pontone

Na tarde desta segunda-feira, 24, foi realizado uma reunião no Ministério Público do Trabalho de Belo Horizonte para uma negociação com Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Belo Horizonte (STTRBH) e Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belo Horizonte (Setra-BH).

Desde a meia noite desta segunda-feira, 24, os rodoviários de Belo Horizonte e região metropolitana fazem paralisação por tempo indeterminado. A decisão anunciada na quinta-feira, 20, diz que 100% da frota não circulariam a partir das 00h da segunda-feira, 24. Porém uma liminar expedida no domingo, 23, determina que 70% da frota deve circular durante o horário de pico e 50% dela em horário de pouca movimentação. Caso a determinação não seja cumprida o sindicato será multado em 50 mil reais por dia.

Reajuste salarial e banheiro feminino

As principais reivindicações da categoria são: diminuição da jornada de trabalho para seis horas, reajuste salarial de 21,5%, vale-refeição no valor de R$15,00, instalação de banheiros femininos no ponto final e participação nos lucros. Segundo Ronaldo Batista, presidente do STTRBH é necessário à organização da categoria para que os direitos sejam conquistados, “Estamos tomando todas as providências legais para garantir o direito de greve a nossa categoria. Agora, temos que nos manter unidos e organizados para que possamos realizar um grande movimento em prol dos nossos direitos”. A última greve ocorreu em março de 2012 e durou quatro dias e com as mesmas reivindicações.

Por:  Gabriel Amorim e Juliana Costa

Foto: Felipe Bueno (arquivo)

Uma cena comum para os usuários do transporte público em Belo Horizonte é o desrespeito com os portadores de necessidades especiais que utilizam cadeira de rodas. De acordo com a Bhtrans, dos 3.037 ônibus do transporte coletivo da capital, 2.3414 (77,1%) possuem elevadores, porém isso não é garantia de que os cadeirantes terão acesso fácil.

Segundo a Bhtrans, não existem dados específicos sobre reclamações em relação ao atendimento a cadeirantes, mas no geral foram 6.432 queixas no ano de 2012. Essa quantidade é considerada pelo órgão municipal como baixa porcentagem em relação aos 420 milhões de passageiros por ano. Ainda de acordo com empresa de transportes e trânsito de Belo Horizonte, os profissionais que atuam na área são exemplo de gentileza e cerca de 10.700 deles participaram de um programa que visa a melhoria do serviço, o QualiBus. “Eles participaram de treinamentos e oficinais práticas que reforçaram a importância e a necessidade de práticas corretas de direção, que privilegiem a segurança de passageiros e pedestres e ainda contribuam para a mobilidade urbana”, informou a assessoria de imprensa.

Em contradição ao discurso da responsável pelo trânsito em Belo Horizonte, a estudante de jornalismo Grazielle Souza conta um fato que presenciou. “Estava no ônibus do meu bairro e estava começando a chover, quando na frente de posto de saúde um cadeirante deu sinal, mas o motorista simplesmente acelerou e fingiu que não viu alguém lá. Os passageiros falaram com ele, mas ele ignorou. Eu costumo pegar o número do ônibus e fazer uma reclamação, mas dessa vez não fiz”, descreve.

Os passageiros insatisfeitos devem fazer suas reclamações pelo portal da Bhtrans(colocar link do site) ou pelo 156, Central de Atendimento Telefônico da Prefeitura. Porém as reclamações não necessariamente geram multa para a empresa e sim uma maior fiscalização pela parte da Bhtrans, que tem como meta para 2014 toda a frota de Belo Horizonte acessível para cadeirantes.

Entramos em contato com a presidente do Centro de Vida Independente de Belo Horizonte (CVI) e do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos dos Direitos da Pessoa com Deficiência (CONPED) para esclarecer questões sobre pessoas com necessidades especiais, mas não obtivemos resposta até o fechamento desta edição.

Por Ana Carolina Vitorino

Imagem: Internet