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orgulho de ser nordestino

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Diogo Medeiros - o cantor nordestino que tem um cantinho pernambucano em BH

No dia 08 de outubro é celebrado o Dia do Nordestino. De Pernambuco à BH, do canto de bar ao Canto de Mainha

*Por Italo Charles

A região nordestina é repleta de paisagens exuberantes, sua cultura extrapola barreiras. Do cordel ao canto do sertão, da produção de renda aos famosos artesanatos que ganham vida através de insumos ali coletados.

Cenários de filmes, terra de gente grande, valente. Bairros, cidades e estados que gozaram o feito de dar vida aos grandes artistas. O nordeste foi berço para o rei do Baião, Luiz Gonzaga,  e é território de uma grande geração.

Em Recife, nasceu Diogo Alcântara de Medeiros, por tempos, conhecido como Diogo Recife – apelido da época em que atuava como jogador profissional de futebol.

Filho da capital pernambucana, Diogo Medeiros (nome que utiliza no ramo artístico), teve o primeiro contato com a música ainda criança. Mesmo sem a proximidade com um músico profissional, a relação foi realçada através das reuniões familiares que o  pai programava. 

“As reuniões eram frequentadas por meus tios,  tias e amigos. Tinha muita cantoria e nessa época não havia músico em minha família, as canções eram todas a capela, a galera gostava de cantar. E eu, desde os 12 anos, já ficava nas rodas cantando músicas de Raul Seixas, Zé Ramalho e Fábio Júnior, e o pessoal gostava porque naquela época era incomum crianças saberem essas letras”.

Chegada a fase da adolescência até completar 26 anos, a vida se encarregou de levar  Diogo aos campos, período que atuou como atleta profissional, mas, devido a uma lesão grave sua carreira como jogador foi encerrada.

Dois anos depois, surgia a oportunidade de ir a Angola – para trabalhar como gestor de uma famosa marca de calçados brasileira. Foi lá que a paixão pela música, gerada enquanto criança, tomou forma e possibilitou caminhos para realização de um sonho. “Minha vida profissional na música começou por lá. Até então me considerava como amador, mas na Angola tive a oportunidade de tocar em festas de amigos”.

Após as tocadas nas festas, em bares e com o convite para tocar no “sushi” de um amigo a carreira musical tomou novos rumos. Durante um longo período de estudos, sobre arranjos, canções e, com dois anos de carreira estabelecidos no país, Diogo medeiros alcançou grandes patamares.

No decorrer da estada no país, a produção de eventos e shows fazia parte da rotina. O convite para estrelar e produzir grandes encontros consolidou sua carreira. “Em dois anos eu fiz a festa da embaixada brasileira lá Angola. Fui convidado para produzir o evento e para ir para ser a atração principal, fiz também o Carnaval fora de época.  Graças a Deus foi um sucesso”.

Em meio a tanto trabalho, seja na carreira artística ou na carreira executiva, a possibilidade de encontros ainda existia. Foi em uma dessas idas e vindas que Diogo conheceu Fernanda, sua esposa.

Passado os anos no país africano e, em passeio no Brasil, sua ainda namorada o trouxe a Belo Horizonte para conhecer família e viajar por Minas Gerais. “Me apaixonei de cara, logo quando cheguei em BH.

Com  grande visão empreendedora e percepção de que o cenário musical e artístico na cidade era promissor, a ideia de tentar a carreira na cidade o deixou esperançoso. “Na primeira vez eu fiz dois shows aqui, em barzinhos.. E eu achei muito bacana a cidade, com muitos bares, mercado gigante para quem trabalha com música”.

Canto de Mainha – O pedacinho do Pernambuco em BH

 Em uma das primeiras visitas a BH, um espaço vazio chamou a atenção de Diogo, localizado no bairro Buritis, parecia um local favorável a construção de um bar. “Falei para minha esposa – nossa, aqui daria um barzinho muito legal”.

Com as ideias solidificadas e o então retorno para voltar a morar no Brasil, o anseio em não trabalhar mais para outras pessoas era grande. “Vou voltar para o Brasil e trabalhar com música”.

Desde pequeno com o contato com a arte, Diogo foi aprimorando seus estudos e a cada dia se entendia como autodidata. Nunca frequentou uma escola musical, o que aprendera esteve relacionado ao estudos que buscava fazer.

Ainda sem saber como seria sua vida dali em diante, a certeza de voltar e erguer sua carreira era gigante. Os desafios eram grandes, sem saber se atuaria como cantor de barzinho, músico ou produtor,  a vontade era grande.

Em primeiro momento, de volta ao Brasil, estudar foi uma das prioridades, durante um período Diogo estudou canto, violão e musicalização. Nesse meio tempo, foi convidado a cantar e tocar todas as sextas no então “Canto do Buritis”.

Através da ideia de expandir seus projetos, uma proposta foi feita ao dono do estabelecimento. Diogo então comprou metade da participação do empreendimento que logo passaria por reformas.

No ano seguinte da conquista, em Abril, o sócio decidiu vender sua parcela do empreendimento, então, Diogo a comprou e criou o hoje conhecido Canto de Mainha. “Hoje eu olho para trás e vejo que o Canto de Mainha é a realização de um sonho, a gente conseguiu transformar ele em um lugar alegre, familiar, cultural, onde tem muita música e muita gente ligada a cultura”.

Entre anos e anos passados com a conquista do Canto, o espaço foi utilizado para realização de vários shows e atrações culturais. Lá foram feitos muitos eventos para beneficiar a população da região.

O pensamento de montar um bar nunca havia sido como forma de ganhar dinheiro, mas inicialmente como meio de integração e valorização das culturas mineira e nordestina. “Foi mais um sonho mesmo, queríamos um  lugar que a gente poderia reunir amigos. E eu como Nordestino, minha vontade era trazer um pouco de da minha cultura, do meu lugar para cá”.

Solidificar a carreira levou tempo, mas garantiu ao artista grandes conquistas. Diogo possui um projeto de música nordestina chamado “MNP’ (Música Popular Nordestina), que leva ao público na maior parte dos shows. 

Hoje, a maior conquista de Diogo é sua família. Casado com Fernanda, pai de um casal de gêmeos, empresário no Canto de Mainha, artista e dono de uma energia contagiante.

Como diz o poeta  Braúlio Bessa:

“Sou nordeste brasileiro;

Sou cantador violeiro, sou alegria ao chover;

Sou doutor sem saber ler, sou rico sem ser granfino;

Quanto mais sou nordestino, mais tenho orgulho de ser;

Da minha cabeça chata, do meu sotaque arrastado;

Do nosso solo rachado, dessa gente maltratada;

Quase sempre injustiçada, acostumada a sofrer;

Mais mesmo nesse padecer eu sou feliz desde menino;

Quanto mais sou nordestino, mais orgulho tenho de ser…”

Conheça o trabalho do Diogo Medeiros no seu Instagram (@diogomedeirosvoz).

Serviço

Canto de Mainha 

Rua Heitor Menin, 115 – Buritis

Funcionamento:

Terça a quinta: 17 às 22hs
Sexta: 11 às 22hs
Sábado: 12 às 22hs
Domingo: 12 às 16hs

 

*A matéria foi produzida sob a supervisão da jornalista Daniela Reis