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Ouro Preto

Por Ana Paula Tinoco

Na tarde de hoje, 25, o ator Antônio Pitanga participou de uma roda de conversa na 12ª Mostra de Cinema de Ouro Preto. Descontraído, Pitanga falou sobre racismo, oportunidade, escolhas e vivência. Com um documentário sobre sua vida, que tem na direção sua filha e também atriz Camila Pitanga junto a Beto Brant, ele é homenageado através de um olhar único que se constrói a partir de seu testemunho que narra seu percurso de criação e modulação na arte brasileira.

Mediado por Marcelo Miranda, crítico de cinema, o bate-papo foi do presente ao passado com um leve vislumbre do que há por vir na vida do ator. Pitanga que relembrou de seu começo difícil por causa do preconceito existente em nossa sociedade, ressaltou que essa dificuldade o moldou para chegar onde ele está hoje: “Eu muito cedo entendi e tive consciência política, encarei o racismo ao nascer. Sou bisneto de escrava e sei que as condições de vida não eram favoráveis. E isso me ajudou a moldar quem eu sou.”

Com uma carreira memorável no teatro, televisão e cinema, Pitanga deixa claro que tudo é uma questão de ir à luta e enfrentar as adversidades da vida: ”você é uma pedra bruta, você tem que lapidar-se e assim você vai chegar em algum lugar”. Sereno, ele relembra mais uma vez a história de sua bisavó e pontua sobre o machismo. Sendo categórico ao afirmar que isso não deve existir pois as mulheres são fortes pilares de nossa sociedade.

 

Por Ana Paula Tinoco

Na segunda noite da 12ª Mostra de Cinema de Ouro Preto a noite foi embalada pelo bom e velho som da música popular brasileira. Com o tema Marginália, bandas de gêneros variados que iam do rock ao samba fizeram uma bela homenagem a MPB.

A banda ouro-pretana Seu Juvenal abriu a leva de apresentações com um show inédito “Maldito Rock” criado especialmente para o evento. Os amigos que fazem um som autoral e estão juntos desde 1997 e em seu terceiro disco intitulado “Rock Errado” são bem conhecidos no cenário musical da cidade: “O som deles é demais. Essa mistura que eles estão fazendo traz um som diversificado. É bem bacana”, comenta Clarisse Maia, aluna da UFOP.

Sobre essa mistura Renato Zaca, baterista da banda, deixa claro que quando o som é bom a mistura é bem vinda: “É muito interessante porque além de levar a música deles, dos malditos, para o público de Rock, a gente leva o rock para o público da MPB. Tá sendo divertido fazer essa ponte entre dois estilos que são tão próximos e não necessita de ter essa distância imaginária. Desde que seja uma arte verdadeira é maravilhoso”.

Sobre a Mostra os integrantes da banda mostraram excitação e prometem aproveitar as noites do evento, “A experiência tá sendo ótima, eu conheço de outras edições, mas essa foi à estreia do nosso show. Então vamos aproveitar do melhor jeito possível”, ressaltou o vocalista da banda Bruno Bastos.

A Seu Juvenal ainda conta com a participação de Edson Zaca na Guitarra e Tito no baixo.

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Por Rúbia Cely

A 12ª edição da Mostra de Cinema de Ouro Preto – CINEOP foi desenvolvida com base em três temáticas, sendo elas: Educação, História e Preservação. Para cada uma destas vertentes uma personalidade foi selecionada para ser homenageada.

Antônio Leão, nascido em 1957, pesquisador e colecionador paulista, será um dos contemplados pelo evento. Ele, que é considerado uma das maiores figuras que contribuem para preservação da história e memória cinematográfica brasileira, por não só ter feito a restauração de diversas produções, mas também por ter catalogado em seus dicionários as principais categorias associadas ao cinema, será o representante do tema Preservação.

Em consonância com o tema História, Cristina Amaral, produtora e montadora será a homenageada. Cristina é autora de mais de 10 títulos e muito reconhecida por se envolver de corpo e alma com as produções as quais faz parte, segunda a curadoria do tema. Nascida em 1954, ela se envolveu com o cinema ainda no período em que estudava na USP, desde então vem alcançando grande destaque em montagem.

Por último e com certeza não menos importante o projeto Vídeo nas Aldeias será tributado pela temática Educação. O projeto que completou seus 30 anos em 2016, contempla exatamente o tema que será discutido as “Emergências Ameríndias”. Os homenageados estarão presentes na abertura oficial do evento que ocorrerá no dia 22 de junho, a partir das 20h30 no Cine Villa Rica.

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Por Ana Paula Tinoco 

A Mostra de Cinema de Ouro Preto – a CineOP – chega a sua 12ª edição e irá acontecer entre os dias 21 a 26 de junho. Sob o tema “Quem conta a História no cinema brasileiro? ” O enfoque neste ano será “Emergências Digitais” e a entrega do Plano Nacional de Preservação com a temática histórica “Quem conta a História? Olhares e identidades no cinema brasileiro e na Educação, “Emergências Ameríndias”.

 

Os homenageados da 12ª edição serão dois nomes que se destacaram na cena audiovisual brasileira: Antônio Leão e Cristina Amaral. O evento que receberá 100 profissionais de vários Estados do País tem como propósito a preocupação com a preservação do acervo que abriga as obras cinematográficas brasileiras.

Outro destaque presente na Mostra deste ano são as iniciativas que abrirá diálogo direto com os moradores, o Cine-Expressão – A Escola vai ao Cinema e a UFOP – Universidade Federal de Ouro Preto. Os dois programas pretendem oferecer sessões que beneficiaram estudantes e professores.

A mostra que tem sua programação estruturada em três pilares, preservação, história e educação, oferece uma programação variada que inclui exibição de 60 filmes em pré-estreias, retrospectivas e mostras temáticas, homenagens e personalidades do audiovisual, oficinas, workshops internacionais, debates, seminários, exposições, lançamentos de livros, shows e atrações artísticas e tudo isso gratuitamente.

 

Serão três lugares ocupados pela Mostra em Ouro Preto: Cine Vila Rica, Centro de Convenções e a Praça Tiradentes.

Para outras informações: Programação 12ª CineOP

A curiosidade do Coutinho era avassaladora, não havia nada que não o interessasse.”

A 11ª edição da CINEOP homenageou o jornalista e cineasta Eduardo Coutinho, considerado pela crítica como um dos maiores documentaristas da história do cinema brasileiro. Na sessão especial, dedicada ao cineasta, foi exibido o longa “Um Dia na Vida”. Para falar sobre o filme, Cezar Migliorin, Consuelo Lins e João Moreira Salles foram convidados para compor a banca do seminário “Fragmentos da vida: sobre um dia na vida, de Eduardo Coutinho.”.

Em outubro de 2009, Coutinho gravou por 24h a programação dos canais de TV abertos brasileiros. Trechos de programas, intervalos comerciais, chamadas e fragmentos de novelas, telejornais, entre tantos outros formatos de imagens compõe o filme que, por meio de citação, levam o espectador a questionar a televisão aberta, o Brasil, o tempo atual e os valores cultivados.

A professora Consuelo Lins, que trabalhou diretamente com Coutinho, discutiu a importância de se eternizar essas imagens que, com o tempo, cairiam no esquecimento. Para Lins, esses fragmentos são nosso bem comum e, portanto, o filme “Estimula o espectador a ser um montador em potencial, um decifrador por excelência, apto a usar a sua memória das imagens para comparar o que vê e o que já viu, e criar sua própria impressão das configurações propostas”, pontuou a professora.

Segundo produtor do filme, João Moreira Salles, o formato do longa se liga de maneira muito clara com as preocupações de Coutinho a respeito de “Quem diz a verdade?”, “Como diz a verdade?”, para ele, tudo que Coutinho experimentou de maneira muito explícita no documentário “Jogo de Cena”, não foi abandonado neste projeto. “Tem uma coisa que ele adorava e queria explorar neste filme, que são as maneiras de dizer”, conta.

Outro fato observado ao longo do seminário foi a preocupação do cineasta com a recepção do filme. De acordo com Consuelo, os efeitos múltiplos pensados por Coutinho, são mais eficazes quando o filme é exibido em uma sala de cinema, “Ele não sobrevive inteiramente como objeto autônomo, vendo em casa”, explica. João Moreira Salles observa: “A ideia da apropriação de uma coisa, levada para outro lugar, estava no centro das atenções de Coutinho quando ele decidiu fazer Um Dia na Vida”.

A importância da desambientação, isto é, tirar as imagens da TV e trazer para uma tela de cinema, foi explicado ao longo do seminário. Quando se está assistindo, na sequência que lhe foi imposta pela programação e com o controle nas mãos, podendo trocar de canal, não fica evidenciado de maneira tão clara as configurações da programação da TV aberta. Um dos participantes da plateia destacou: “A TV naturaliza aberrações e as torna naturais”.

No desenrolar do debate, muitas questões vieram à tona a respeito da construção do filme, da maneira de trabalhar de Eduardo Coutinho entre outras. Assista no vídeo abaixo:

Texto Bruna Dias
Vídeo: Yuran Khan

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O ator e diretor de teatro, cinema e TV, Milton Gonçalves, declarou que a situação do negro no cinema e na televisão pouco se alterou dos anos 1960 para cá.

“Nós, negros, não agimos. Se chegar dez mil cartas na TV Globo, a gente seria ouvido. Só eu falado lá dentro é pouco”. A declaração foi dada durante a coletiva de imprensa da 10ª Mostra CineOP.  Gonçalves é o homenageado da mostra cujo tema é “O Negro em Movimento”.

Segundo o ator e diretor, é possível criar uma sociedade igualitária através do cinema, mas para isso é preciso mobilização. “Todos os filmes têm que ter personagens negros que sejam relevantes na história que está sendo contada. Nem que seja vilão. Nossos programas não têm isso, o negro é sempre palhaço. e isso me irrita”, desabafou.

Texto e foto: Camila Cordeiro