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Pixar

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Por Ana Paula Tinoco

Em 2006, quando Carros foi lançando, a animação causou furor entre os amantes da Pixar. O motivo, vínhamos de uma extensa sequência de ótimos longas animados, como Monstros S.A. (2001), Procurando Nemo (2003) e Os Incríveis (2004), sem esquecer de mencionar aquele que despertou a criança que adormecia dentro de cada um de nós e acordou muitas outras para a magia da cultura pop, o maravilhoso Toy Story (1995).

Diferente de seu protagonista, Carros começa modesto e aos poucos vai se formando a narrativa, talvez manjada por se tratar da jornada do herói, mas que compensa algo tão explorado e maçante com coadjuvantes espetaculares, pontos para Larry the Cable Guy que dubla o tão amado Mate. Com grandes nomes, Owen Wilson (Relâmpago McQueen), Bonnie Hunt (Sally), Michael Keaton (Chick Hicks) e o saudoso Paul Newman (Doc Houdson), o filme ganhou status e cinco anos depois o tenebroso Carros 2 fora lançado.

Apesar do fiasco, o filme possui 39% de aprovação do Rotten Tomatoes, o produtor e co-fundador do Estúdio de Animação, John Lasseter, não se deixou abater e este ano (2017) lançou Carros 3. Voltando a velha fórmula, ao perceber que nem o personagem mais carismático de toda trama, como é o caso de Mate, consegue gerar um bom roteiro, Lasseter traz de volta o velho e bom Relâmpago McQueen. Com um mergulho no básico, o que temos é um carro de corrida competitivo, dono de suas quatro rodas fazendo o que sabe fazer de melhor, correr.

Poster promocional

Toda jornada do herói precisa de seu antagonista, na nova animação ela se mostra na forma do ego de McQueen, um carro sênior, um dos maiores campeões de todos os tempos, que viciado em velocidade se perde na sombra do medo da aposentadoria e que amedrontado não busca para si outras realizações, como se reinventar. E toda essa frustração se personifica no novo personagem, Jackson Storm (Armie Hammer) que mais novo e mais moderno leva o carro 95 a duvidar de si mesmo.

Porém, diferente de Dick Hicks que por seu exagero se torna interessante, Storm não tem nem carisma nem apelo para desenvolvermos alguma espécie de sentimento por ele, a impressão que dá é que ele está ali apenas como fio condutor para a nova busca de McQueen. A grande guinada está no momento em que Cruz Ramirez (Cristela Alonzo) é introduzida na história, uma jovem que empolgada e cheia de frases de efeito, se perde na ansiedade por acreditar não ser capaz e se torna uma espécie de Life Coach.

A personalidade de Cruz em contrapartida a sua imensa vontade de se tornar unânime nas pistas de corrida é o que leva McQueen a se transformar em seu mentor. Aos poucos e de forma bem dosada, seu lado intimista e doce que progride na velocidade em que é exigida para o desenvolvimento de ambos os personagens vai surgindo. Ao perceber que diferente dele, a jovem não teve alguém para apoiá-la e guiá-la nessa árdua jornada, o ponto alto da trama surge, e os dois improváveis companheiros ao lado de Luigi (Tony Shalhoub), Mack (John Ratzenberger) e o divertidíssimo Guido (Guido Quaroni) vão em busca da inspiração e melhora de McQueen, e encontram tudo isso no capô daquele responsável pelo início de tudo, Smokey (Chris Cooper).

Ponto para os roteiristas Robert L. Baird e Dan Gerson que souberam desenvolver um momento de auto ajuda sem cair na mesmice do clichê dos filmes com essa temática e acertaram ao introduzir vários flashbacks, de Doc Hudson.

Foto Divulgação

O personagem (Smokey), que é uma homenagem a todos os mecânicos responsáveis por manter as engrenagens em ordem, é o ponto de partida da história de sucesso de Hudson Hornet, nosso querido Doc. Smokey conduz o adeus entre o mestre e seu aprendiz, algo que não vimos já que Newman morreu em 2008, e faz com que McQueen perceba que existe muito mais além do horizonte das pistas de corrida, basta se adaptar e encontrar uma nova motivação para continuar. E a auto estima reencontrada nesta viagem é direcionada a um novo propósito e percebemos aqui que ganhar nem sempre se trata de cruzar a linha de chegada, o ganho pode estar em ajudar o próximo. E é linda a cena em que Cruz prova que o ditado de que quem não sabe fazer ensina é a maior mentira de todos os tempos.

Outros personagens que foram cruciais para o sucesso em 2006 não possuem o mesmo lugar de destaque quase 11 anos depois. Um sumiço válido se levarmos em consideração que Lasseter precisava reconstruir a essência da primeira animação. Entretanto, a pouca aparição deles não prejudica o desenrolar dos fatos, pelo contrário, já que parte de Sally a alavancada para que McQueen emerja de sua auto piedade e Mate que de seu jeito o leva a ir atrás do treinador de Doc.

Os personagens que são homenagens a grandes pilotos da Nascar – Divulgação

Relembrando grandes nomes da Nascar, podemos ver três grandes pilotos, River Scott (primeiro homem negro a correr na competição), Junior Midnight Moon e a mulher que inconformada em ficar atrás da cerca roubou o carro do marido e se tornou pioneira no ramo, Louise Barnstormer Nash. Homenagens estas que são comuns na animação, foi assim no primeiro com Michael Schumacher e Marlo Andretti (ambos dublados pelos próprios pilotos), Ayrton Senna (mesmo que apenas em uma exposição) e Lewis Hamilton (que também dublou seu personagem) no segundo.

Em suma, valeu a espera por Carros 3 e se olharmos para esse desvio de rota sem perder a base da 66 onde se encontra Radiator Springs, podemos esperar muito mais de uma possível continuação, esta que caso aconteça tem combustível para ir além, muito mais além do Pit Stop.

 

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Por Ana Paula Tinoco

Sempre amei as animações da vida, O Rei Leão era o meu ápice. Quando a Pixar ganhou o mundo com Toy Story, eu estava saindo da adolescência, ou seja, ela fez parte de uma grande mudança da minha vida. Talvez, por isso, eu seja uma daquelas pessoas que vê o estúdio com outros olhos que vão além da sua qualidade.

Há alguns anos a Disney percebeu que se você não consegue vencer a competição o melhor é agrega-la a sua enorme fábrica de dinheiro. Mas, o melhor disso tudo foi ver o quanto a Pixar ensinou a Disney ao longo dos anos dessa junção. Temos um ótimo exemplo: Frozen. Uma história que foi muito além da fábula manjada do tudo vai dar certo e você será feliz para sempre.

Claro que em alguns títulos, como é o caso de Bravejá digo que é um dos meus filmes preferidos, você pode ver uma influência enorme dos estúdios Disney na história, que sempre conta com uma mensagem de evolução de caráter no final. Mas, que se mostra bacana e inovadora quando você percebi que Merida está longe de ser mais uma “princesa Disney”.

Sem mais delongas vamos ao ponto desse texto: Zootopia! Claro que demorei a ver o filme. Mas, não me arrependo. Algumas animações e até mesmo outros estilos de filmes são feitos para serem vistos no momento certo. Para mim é quando a expectativa criada por causa de todo o marketing em cima do título em questão já passou. Quase sempre fico decepcionada quando sigo a maré do está todo mundo vendo.

A preparação foi a mesma de sempre: Um copo com água e gelo, biscoito recheado, edredom (pode tá 1.000 graus que ele é peça chave, nem que seja p ficar do ladinho) e silêncio. Acho que por isso não gosto de cinema, principalmente em dia de estreia. No início estava na cara que era Disney, também admiro isso, pois as animações são sempre muito distintas entre os dois estúdios, personagens fofinhos e muito bem representados em sua natureza animal.

Judy Hopps é a perfeita protagonista, sonhadora quer quebrar um círculo vicioso de sua família. Família que possui uma fazenda e o que mais ela poderia fazer se não cultivar verduras e vegetais, afinal ela é uma coelha. É um mundo perigoso lá fora, onde a lei do mais forte é a que prevalece, ou seja, você é aquilo e pronto e não adianta tentar provar o contrário, pois tudo que eles vêm é o que está diante de seus olhos.

Querendo quebrar esses tabus, Hopps vai para Zootopia após se tornar a primeira de sua espécie a se juntar a força policial. Ao chegar, ela sofre preconceito e então começa a sacada do filme. Apesar de querer quebrar os estereótipos provando que você pode ser o que quiser independente de sua natureza, Hopps se mostra tão preconceituosa quanto os outros a sua volta que sempre a deixavam triste quando duvidavam que ela poderia ser mais que uma “coelha fofinha”. E isso se materializa na forma da raposa Nick Wilde.

Assim como no nosso dia a dia os animais são julgados por sua aparência. E a parte mais interessante é quando de forma bem divertida eles mostram que em algumas situações as aparências enganam e que às vezes aquela pessoa fofinha é na verdade “um lobo na pele de cordeiro”.

E por ai vai, cada animal que sofre preconceito e discriminação por ser quem é, tem o mesmo comportamento com os outros a sua volta. A mensagem que tirei do filme? Cuidado ao tentar quebrar estereótipos que são criados e rotulados a você, por que ao tentar quebra-los você pode estar fazendo exatamente o mesmo com aqueles a sua volta, e muitas vezes, sem perceber.

Por isso, é preciso se educar e se policiar. Ter cuidado ao tentar quebrar tabus ou você pode sem querer generalizar, criar ou reforça rótulos. Tornar alguém vítima do mesmo preconceito e discriminação que você luta contra, apenas por essa pessoa ser diferente em pensamento, forma e vivência que você.

Zootopia é divertido, tem qualidade e mostra a nossa realidade nua e crua. Realidade de como a sociedade trata aqueles que são diferentes e lança mão dos mesmos hábitos que tenta colocar por terra cada vez que generaliza determinada situação usando determinado grupo como ponto de referência, como se você não fosse diferente só por fazer parte daquela parcela.

Arte: Divulgação Pixar/Disney

A Pixar é um dos grandes nomes do cinema. Dona de sucessos, como: Toy Story, Os incríveis, Carros, entre outros. Não é fato desconhecido que em 1986, Steve Jobs comprou a empresa e a transformou em referência no mundo da animação. Jobs que a comprou por U$5 milhões, 20 anos depois a vendeu por U$7, 4 bilhões a Disney.

Devido ao sucesso, a Pixar sozinha arrecadou U$4 bilhões com seus 9 filmes, ela se tornou a “casa de filmes” mais sucedida na história do cinema. Esse feito fez com a revista londrina Total Film, em 2004, classificasse a venda para Jobs como a “6ª decisão mais idiota do cinema”.

Mas, você sabe quem a vendeu?

Divulgação: Pixar/Disney
Foto: Pixar/Disney

Criada em 1979, ela começou como uma divisão da Lucasfilm. Na época, não se chamava Pixar, e era apenas uma divisão da produtora de George Lucas conhecida como: “Setor de Gráficos”.

 

Reportagem Ana Paula Tinoco