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A semana se inicia com um dos textos do e-book “Escrita Criativa: O avesso das palavras”, produto final do projeto de extensão conduzido pela escritora e  professora do Centro Universitário Una, Geanneti Tavares Salomon. 

A produção de hoje é de Gabriel Lucas Monteiro Ezequiel, acadêmico do curso de Nutrição do Centro Universitário Una

 

Liberdade

Por Gabriel Lucas Monteiro Ezequiel

Queria ter a liberdade

A liberdade de um amor tranquilo

Regado de calor que aquece os ossos

Queria ter a liberdade

De andar tranquilo pela rua

Sem preocupar que alguém de farda leve minha vida

Ou que alguém armado leve algo que tive que batalhar pra ter

Queria ver a liberdade

De quem pode ser o que é

Sem se preocupar como os outros vão falar ou fazer

Talvez a liberdade

Esteja em uma cabana afastada

no meio do nada

Ouvindo os sons que vêm da natureza

Quero a liberdade

De ter o que eu quero

E receber por aquilo que faço

Quero uma casa que não desabe quando a tempestade vier

Uma comida que não me adoeça a cada mordida

Quero a liberdade de ir e vir sem medo.

 

Para acessar o e-book completo clique no link.

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A semana começa com um  texto do e-book “Escrita Criativa: O avesso das palavras”, produto final do projeto de extensão conduzido pela escritora e  professora do Centro Universitário Una, Geanneti Tavares Salomon. 

A produção é de Larissa Medeiros, que é estudante de Publicidade e Propaganda na Una e contadora de histórias desde que se entende por gente. 

Mulher de vinte

Larissa Medeiros

As luzes estão apagadas quando chego, a casa está silenciosa, exceto pelo som da televisão na sala. Vejo Daniel dormindo na poltrona, os óculos escorregando para a ponta do nariz; ainda de sapatos e com a roupa do trabalho, caiu no sono assistindo a um programa qualquer de entrevistas. Decido dar uma olhada nas crianças primeiro, subo as escadas pisando o mais suave que consigo, abro a porta, que range um pouco, mas que não incomoda duas pequenas criaturinhas enroladas em seus cobertores. Beijo a cabeça de cada um e sinto o cheiro de xampu nos cabelos, um livro de fábulas está caído no chão e tenho certeza de que fizeram o pai lê-lo ao menos três vezes antes de pegarem no sono. Sorrio, eles são a melhor coisa que eu poderia ter feito no mundo.

Desço as escadas e vejo a TV desligada, Daniel agora está escorado no balcão da cozinha com um copo na mão; ele ergue os olhos pra mim, e por um momento tenho certeza de que ele sabe. Que consegue ver algo em meus olhos, que sente o cheiro a metros de distância. Mas ele sorri, um sorriso cansado. Me aproximo e o beijo de leve, ele toca minha cintura – não segura, não puxa, apenas toca. Ele diz que vai pra cama e, apesar do semblante abatido, sugere algo na voz. Ouço-o arrastar os pés pelos degraus, mas me permito um momento a sós na cozinha.

Passo os dedos pela bancada cara que terminamos de pagar há pouco tempo, e sei que é uma vida boa. Daniel é um bom homem. E é por isso que não conto, porque nenhuma vez é culpa dele, nenhuma vez é para machucá-lo. Quando me deito na cama de outro homem, faço isso por mim mesma. Faço isso pela garota de vinte anos que, num momento de carência, ligou pro cara que ela tinha certeza de que iria correndo feito um cãozinho bem treinado e, num descuido, fez um bebê com ele. Faço isso por tudo o que perdi desde então, todas as noites em que troquei taças de champanhe por mamadeiras. Sexo selvagem no sábado à noite por sexo conveniente no domingo à tarde. Todas as viagens que poderia ter feito, todos os caras que poderia ter conhecido e por quem poderia ter me apaixonado loucamente.

Apago as luzes e subo para o quarto, Daniel está no banho. Por um milésimo de segundo, me ocorre entrar no chuveiro com ele, mas então penso em todo o tesão e empenho que teria que colocar nisso, e acabo indo pro banheiro das crianças do outro lado do corredor. Quando volto, ele está sentado na cama com a luz do abajur acesa e quando me deito, ele a apaga. E ele não faz ideia de como odeio isso, de como odeio que ele não queira ver meu corpo. Ele toca em mim com gentileza, mas sem paixão. Como se fôssemos fazer a lista de compras pro mercado, e não sexo.

Então, quando um cara charmoso fez eu me sentir jovem e desejável outra vez, eu cedi. Uma aventura boba e sem significado, uma estupidez. Uma noite para não pensar em trabalho, casamento, filhos ou qualquer coisa pela qual os adultos se matem. Uma noite pra ter vinte anos de novo e fazer sexo sem amor, sem medo de acordar as crianças no quarto ao lado ou de ouvir ele dizendo que não, não quer tentar uma posição nova. E quando a embriaguez passou, juro que me arrependi. Me senti suja e mentirosa, covarde.

Mas tudo sempre recomeça. Na segunda, uma crise com os filhos e você precisa perder um dia inteiro de trabalho numa reunião na escola. E esse dia perdido significa muito quando as contas chegam na terça e você não tem ideia de como pagar mais uma prestação do maldito carro que você nem queria. Mas comprou porque sua amiga Cláudia da faculdade tem um igual e, quando vocês saem pra almoçar na quarta, ela diz que você precisa retocar o botox, o que só te lembra o quão velha você está ficando. Te tirando totalmente a vontade de vestir uma lingerie nova na quinta e acaba transando com uma camiseta manchada de molho. E é tão frustrante, que quando a sexta chega e você, só por um dia, pode fingir que é jovem e sexy, e que pode tomar quantos drinks quiser – mas só toma dois, porque no dia seguinte tem alguma apresentação de escola e você não pode estar de ressaca –, você não resiste.

Eu não deveria pensar em prestações ou botox enquanto a respiração de Daniel está ofegante no meu ouvido. Enquanto ele pressiona meu seio por cima da blusa que ele nem se deu ao trabalho de tentar tirar. Às vezes finjo um orgasmo, mas em dias como hoje ele está cansado demais para notar.

E não o culpo, não vou obrigá-lo a me fazer gozar quando sei que ele precisa acordar cedo para levar as crianças pra escola, enfrentar trânsito para chegar ao trabalho e aturar um emprego que odeia, mas que nos permite viajar duas vezes ao ano.

E é por isso que não conto a Daniel. É injusto, eu sei. Mas quando sinto um homem que não é meu marido dentro de mim, não é no pecado que penso. Não penso em abandonar minha família, em largar meu emprego, em sumir no mundo com um cara quase dez anos mais novo que eu. Não poderia fazer isso. Quando sinto um homem que não é meu marido dentro de mim, não é no pecado que penso. É na liberdade. Na liberdade de poder ser uma pessoa que não existe mais, de ser a mulher que eu queria ter sido, de dar a ela a vida que ela merecia. Esquecer só por uma noite a vida tranquila e confortável, mas que não traz novidades. As responsabilidades de ser uma boa profissional e ao mesmo tempo uma boa mãe, que é exaustivo. E principalmente, o marido gentil e excelente pai, mas por quem nenhuma de nós duas jamais esteve apaixonada.

Sinto que ele vai gozar, não tento impedir, não tento fazer durar mais. Seu corpo relaxa e ele me puxa pra perto, Daniel nunca foi o homem que simplesmente deita de costas e pega no sono, ele me abraça e beija minha testa e sussurra que me ama. E sussurro de volta. Não é uma completa mentira, eu o amo quando brincamos com as crianças no quintal, o amo quando vamos à casa dos meus pais e eles riem juntos por horas, o amo quando ele assa biscoitos no natal. Eu só não o amo da forma como uma esposa deve amar um marido. Desesperada e irrevogavelmente.

Quando ele está quase adormecendo, ouço uma voz chorosa no corredor e rapidamente me levanto dizendo para ele não se preocupar. Depois de uma música de ninar para afastar pesadelos, não volto pra cama imediatamente, caminho pela casa por um tempo. Como um fantasma, como alguém que não devia pertencer a um lugar bonito e cheio de vida. Como alguém que por destino ficou preso ali. Acorrentado. Se lamentando pela vida que teve – ou pela que não teve. Esperando pela hora certa de se libertar. Esperando pra descobrir como se libertar.

 

Para acessar o e-book completo clique no link.

 

 

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Mais um texto do ebook “Escrita Criativa: O avesso das palavras” do projeto de extensão orientado pela escritora e professora do Centro Universitário Una, Geanneti Tavares Salomon

A produção de hoje é da aluna de Publicidade e Propaganda da Una Contagem, Thays do Nascimeto Silva.

Um lema de amor

As vantagens da solteirice são:

Sentir-se livre para ser quem você é, estabelecer suas prioridades

Fazer o que quiser, sentir o ar puro do campo

Se molhar na chuva sem medo.

Muito se fala sobre skincare, mas o verdadeiro autocuidado está na saúde mental.

Ter o poder de escolha, valorizar o que vale a pena

Não se importar com comentários alheios que não vão acrescentar em nada

Um período para novas experiências, se redescobrir, e o mais importante ser feliz.

Exercer seus direitos, vestir o que quiser te fará sentir confortável e segura

Entender que o seu tempo é precioso, aproveite sem pressa.

Solteirice não significa viver na solidão, muito pelo contrário.

É um ato de amor próprio.

Para acessa o ebook completo, acesse o link.