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O Contramão volta das férias coletivas com uma série especial sobre os tradionais mercados de BH. O projeto é uma parceria do jornal com o Projeto de Extensão Fundamentos do Jornalismo 2021-2, coordenado pela professora Magda Santiago. O mercado de destaque hoje é o do Cruzeiro, mas teremos matérias sobre o Mercado Novo e o Mercado Central.

Um lugar de história, tradição e parceria 

Por Eduarda Vaz Boaventura Pereira e Pedro Henrique Soares Almeida

O Mercado Distrital do Cruzeiro tem quase 50 anos de existência e é considerado um dos três mercados mais importantes de Belo Horizonte. Após atravessar dificuldades logo no seu surgimento e enfrentar o período de lockdown que se iniciou em 2020, seguiu com as suas atividades, sem se abalar muito com as restrições, e mantém o sucesso que o caracteriza, em um ambiente amigável e familiar, que encanta um público cada vez mais fiel.

Criado no ano de 1974 através de uma iniciativa da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte, o Mercado Distrital do Cruzeiro, administrado pela COBAL (Companhia Brasileira de Alimentos), teve como finalidade, na ocasião, retirar os feirantes das ruas e oferecer a eles um local seguro onde pudessem vender seus produtos e mercadorias livremente.

De acordo com o site Perspectivas, uma lei expedida no mesmo ano de fundação do Mercado (1974) proibia as feiras de rua e o fornecimento de alvarás para pequenas lojas de produtos hortifrutigranjeiros. Este fato fez com que os comerciantes tivessem um espaço para expor os seus produtos, e o Mercado do Cruzeiro teve uma excelente adesão do público, pois “centralizou” uma grande gama de vendedores em um só local. Outro ponto importante para a popularidade do estabelecimento foi a sua localização privilegiada, pois o comércio mais próximo do bairro era o Mercado Central, a 4 km de distância.

No início da década de 1990, a liberação dos alvarás para a abertura dos sacolões, e a popularidade e subsequente expansão dos supermercados de bairro e mercearias, determinou uma queda nas vendas do Mercado Distrital do Cruzeiro, mas atualmente ele está funcionando com a sua capacidade máxima. De acordo com o portal on-line do jornal Diário do Comércio, hoje o Mercado Distrital do Cruzeiro conta com 50 lojistas, o que corresponde a 100% de ocupação. Essas informações foram confirmadas por Edelvais Júnior, atual diretor do Mercado.

Os principais produtos comercializados ainda hoje são as frutas, verduras e demais vegetais. Embora conte com uma grande variedade de outras mercadorias, como artesanato, utilidades domésticas, açougues, bares, restaurantes e uma varanda gastronômica, os hortifruti continuam sendo a maior atração, responsável por grande parte das vendas.

O impacto da pandemia

Em entrevista concedida ao jornal Contramão em novembro de 2021, o diretor do espaço, Edelvais Júnior, informou que no ano de 2020, com o início da pandemia da Covid-19, o estabelecimento teve um fechamento instantâneo para todos os lojistas que tinham bares ou restaurantes. Os demais comerciantes, dos segmentos de hortifruti, puderam continuar exercendo suas funções, pois são considerados serviços essenciais.

Uma das mudanças mais significativas pelas quais os lojistas passaram foi a redução de uma hora no funcionamento do Mercado, que era das 7h30 às 18h, e passou a fechar às 17h. Outra alteração foi que, devido ao fato de as pessoas não estarem confortáveis para sair de casa, houve um grande investimento nas vendas via delivery. Nas próprias palavras do diretor, “sem grandes mudanças”.

O vendedor Carlos Magno, conhecido carinhosamente como “Catatau”, trabalha no Mercado há 46 anos. Inicialmente foi carregador e depois abriu seu próprio negócio, uma pequena mercearia que vem se expandindo. Catatau revelou que aderiu ao sistema de entrega delivery, porém faz questão que o cliente vá até a loja porque escolhe do jeito dele, vê a variedade de produtos e pode acabar comprando mais. Também frisou que não sentiu uma variação muito significativa no Mercado durante o período crítico da pandemia, inclusive disse que cresceu ainda mais nessa época, aumentando o tamanho da sua barraca.

 

Ambiente familiar e acolhedor

Trabalhando no Mercado desde os 14 anos, Catatau contou que se sente bem próximo das pessoas que frequentam o local, sejam lojistas ou clientes, como se estivesse em casa. Sentimento esse que o cliente Vicente, mais conhecido como “Primo”, também compartilha, segundo informou em entrevista concedida ao jornal Contramão em dezembro de 2021.

De acordo com Primo, o Mercado é um espaço muito acolhedor e diversas pessoas, que estiveram presentes desde a sua fundação, mantém o hábito de fazer compras no local. Ele comentou um dos motivos de gostar tanto do Mercado: “é um lugar frequentado por famílias, meus pais compravam nas barracas, conheci todos os vendedores”.  Também contou que, mesmo no auge da pandemia, não deixou de ir ao Mercado do Cruzeiro, seguindo os protocolos de higienização necessária.

A sensação de conforto, prazer e o sentimento de proximidade experimentado por muitos que vão ao Mercado do Cruzeiro faz com que valha a pena conhecer este espaço, que é um dos três maiores do gênero em Belo Horizonte, considerado um ponto turístico da capital mineira.

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Por Bianca Morais 

A profissão de Carroceiro é uma das mais antigas do mundo, antes mesmo dos motoristas de ônibus, caminhões e carros, das caminhonetes e caçambas, eram os cavalos com suas carroças o meio de transporte de vários trabalhadores e responsáveis pela limpeza da cidade, catando entulhos, entre outros.

Muito além da condução, os cavalos são companheiros de trabalho, e diferente do que muitos pensam, a maioria dos carroceiros se preocupa com a saúde dos seus animais, afinal são através deles que conseguem prover o seu sustento. 

É pensando nos carroceiros e nos equinos para além de veículos de tração animal, mas companheiros de vida dos carroceiros, que o Centro Universitário Una, junto a prefeitura de Uberlândia criou o Uberlândia Amiga dos Carroceiros.

Uberlândia é uma cidade onde existem muitos carroceiros, e ao invés de ignorá-los ou proibir as carroças como em outras cidades no Brasil, algo que pode prejudicar a vida de quem depende delas, a cidade resolveu abraçar esses profissionais e proporcionar aos animais qualidade de vida.

O projeto

O projeto Uberlândia Amiga dos Carroceiros começou em dezembro de 2019, através de uma sugestão dada pelo professor Flávio Moraes, do curso de Medicina Veterinária, o atual coordenador do projeto, que ao apresentar sua proposta à coordenação dos cursos de agrária da Una Uberlândia, ela foi aceita e levada à prefeitura.

Através de um acordo com a Secretaria do Meio Ambiente, a parceria foi fechada. A prefeitura fornece oslocais nos bairros onde os carroceiros depositam seus lixos e entulhos, conhecido como ecopontos, na cidade existe um total de 13 desses, e mensalmente os alunos, orientados por professores e voluntários rodam esses locais fazendo o atendimento dos animais e orientando os tutores com cartilhas de como cuidar dos equinos.

Como todo projeto de extensão, o Uberlândia Amiga dos Carroceiros, apresenta aos estudantes a realidade que irão enfrentar, elevando o conhecimento adquirido dentro da faculdade para a sociedade. Nesse caso, os alunos de medicina veterinária auxiliam os carroceiros, que na maior parte, são pessoas carentes, tudo isso com o principal objetivo de trazer uma melhoria de vida não apenas aos animais, mas também de seus tutores.

“A gente melhora a qualidade de vida dos animais e de uma certa forma dos seus tutores, afinal aquele cavalo é a fonte de renda dele, cuidamos das doenças que ele possa estar adquirindo ou já tenha ao longo dos anos nesse trabalho árduo que é transportar entulhos pela cidade”, diz o coordenador do projeto.

Os atendimentos

O projeto já está na sua oitava edição e já foram 145 atendimentos clínicos, os principais problemas apresentados por eles são em termos nutricionais, desidratados, mal nutridos, problemas dentários, no casco, todavia uma das principais doenças que acometem os animais, a cólica equina, nunca foi diagnosticada. 

A Una oferece atendimento clínico básico, odontologia veterinária, extração dentária, vermifugação, além das tendas para serem montadas nos ecopontos, os remédios e o aparelhado para o atendimento básico. Depois da triagem os animais mais debilitados passam por um procedimento chamado de fluidoterapia, alguns componentes são colocados no soro e mais algumas medicações.

“É importante ser ressaltado que nosso atendimento é básico, de rotina, se aparece um quadro mais complicado de doença no cavalo, ali ficamos sem ter como proceder. Já teve caso do animal chegar com um corte na perna que machucou em um vaso sanitário jogado no lixo, formou-se uma ferida imensa e feia, os alunos orientados pelos professores, fizeram todo esse tratamento de ferida, iam na casa desse animal uma vez ao mês, para olhar como é que estava, e essa ferida que era profunda cicatrizou em três, quatro meses”, conta Flávio Moraes.

A veterinária responsável pela parte dentária dos cavalos é uma voluntária, Tays Monteiro conheceu o projeto pelas redes sociais e resolveu contribuir de forma espontânea ajudando nos atendimentos.  “Nós levamos os equipamentos para fazer essa parte dentária e ela faz esse atendimento, ela veio para contribuir bastante, você vê que é um projeto que abrange a sociedade e que algumas pessoas dessa comunidade acham interessante colaborar com ele”, completa Flávio.

Os atendimentos são oferecidos de forma gratuitos e de grande valia para os tutores dos animais, uma vez que uma consulta numa clínica veterinária não sai por menos que R$150 e um atendimento dentário entre R$300 e R$400. 

O projeto também tem parceria com um laboratório de exames, dessa forma, o sangue coletado é enviado ao local sem custo algum e os resultados ajudam a traçar o tratamento adequado aos cavalos.

 

A questão dos carroceiros

Atualmente, Uberlândia é uma cidade com muitos carroceiros, todas essas pessoas que trabalham com essa atividade ajudam a manter a cidade limpa, por isso, o projeto veio para aproximar esses trabalhadores da prefeitura e proporcionar a eles serviços que muitas vezes eles não têm condições de oferecer a seus animais. Apesar disso, e do alto retorno positivo da sociedade e da gratidão dos carroceiros, o projeto ainda recebe algumas críticas negativas.

É uma realidade que utilizar cavalos para esse fim não é uma alternativa bem vista, se fosse possível substituir essa atividade através de uma política pública eficiente, seria perfeito, mas essa não é a realidade do país que passa por muitas desigualdades sociais. Proibir o uso das carroças vai além de envolver somente o cavalo, isso envolve a sociedade, os carroceiros dependem desse animal para sua sobrevivência, se isso acabar qual fim eles teriam? Como teriam dinheiro para sustentar suas famílias?

“Vão roubar por não ter de onde tirar seu sustento? Será que isso não aumentaria a criminalidade, então isso é uma questão, além da saúde animal, é uma questão social, que ainda não encontramos pessoas, políticos, que pudessem resolver isso por completo, sem afetar a parte social dessa minoria que sem ajuda desse animal passaria muito mais necessidades. O papel do veterinário nesse ponto é de pensar no animal, pensar na saúde dele, nesse momento que ele está sendo usado para isso, nossa função é cuidar da vida dele”, conclui o coordenador.

O curso de veterinária

O curso de Medicina Veterinária na Una Uberlândia teve início em 2018, e inclusive, o projeto nasceu justamente como uma oportunidade dos alunos da instituição terem esse contato direto com a área. Essa extensão sendo levada a comunidade entra dentro dos pilares da Una de transformar o país pela educação.

Desde que ingressa no curso, o aluno já tem a oportunidade de participar do projeto, a partir do momento que o discente entra em contato curso e o animal, ele já vai se adaptando ao meio.

“Tem pessoas que nunca viram um cavalo, uma vaca, e só de estar perto, observando o colega fazer, de escutar uma palavra diferente, técnica, o aluno está aprendendo. Do meu ponto de vista, desde o primeiro período o aluno tem capacidade de estar fazendo esse projeto junto com a gente”, explica Flávio.

O aluno do primeiro período acompanha um aluno do oitavo que já está atendendo, ele anota uma ficha clínica, pega uma medicação, ele se desenvolve e a medida que vai evoluindo no curso as tarefas também vão mudando.

“Eu acredito que os alunos realmente gostam do projeto, eles aconselham, até dão ideias do que fazer, do que melhorar, organizar, tem envolvimento, não ficam só em cima do coordenador do projeto, tem o comprometimento para ajudar no desenvolvimento, acho isso uma forma de amadurecimento deles, para que possam crescer como profissionais a partir de um projeto de extensão, para na vida profissional, se forem exercer esse caminho fazer da melhor maneira possível”, completa o professor.

O olhar humanitário 

“Esse projeto é muito gratificante, tenho a sensação de estar fazendo a minha parte, ainda tenho vontade de fazer mais para ajudar a sociedade, mas já é um começo, me sinto um profissional realizado, amo o que faço, espero continuar fazendo esse processo e que ele dure muito tempo, se Deus abençoar, que a gente possa estar melhorando sempre, a medida que formos crescendo. 

Ver a satisfação das pessoas felizes no evento porque seu animal foi atendido, o dono do cavalo muitas vezes se sente rejeitado na sociedade por vários motivos e um deles por mexerem com animais de tração, quando você faz um projeto desse é uma forma de inserir ele na sociedade, faz com que se sintam úteis, e isso eu acho o ponto mais importante desse projeto, é além de ajudar os animais como médico veterinário, podemos ajudar também como cidadão, você está ajudando pessoas, que têm carências diversas, econômicas e emocionais.

Uberlândia Amiga dos Carroceiros é super positivo, porque primeiramente o papel de nós como ser humano, como cidadão, é de ajudar pessoas e nesse caso estamos ajudando também animais, é muito gratificante, você ver uma pessoa te agradecer, “o doutor muito obrigado”, não tem palavras para expressar a emoção”.

 

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Por Keven Souza

As mulheres têm conquistado seu espaço e seus direitos quando fala-se na inserção feminina no mercado de trabalho. Embora seja uma conquista de tamanho avanço social, a luta pela equidade de gênero ainda existe, que além de ser contínua, é necessária para diminuir as diferenças de oportunidades, salários e qualidade nos diferentes âmbitos profissionais. É uma luta que deve ser tocada por todos da sociedade, inclusive pelas instituições acadêmicas, para que haja um mercado de trabalho mais justo e gentil às mulheres. 

É neste propósito que o Centro Universitário Una acredita e se flexibiliza para criar e projetar projetos e cursos extensionistas voltados às pautas que envolvem a sociedade, que além de proporcionar uma formação à vida, corrobora para um ambiente acadêmico mais diverso e atento às causas sociais. 

Na Una Jataí (GO) os estudantes contam um projeto de extensão que contribui para a construção de um mercado de trabalho mais equiparado e alinhado às mulheres, focado na valorização e colocação delas em áreas profissionais que são predominantemente masculinas, como as Engenharias, a Agronomia e a Medicina Veterinária. A atividade extensionista, nomeada de projeto “desConstruir”, foi idealizada pela professora Janaína Martins Gouveia, que atua hoje, como coordenadora da extensão junto à professora Vanessa Assis, para debater o assédio nos diferentes meios profissionais e acadêmicos, além de buscar formas de combatê-los. 

O projeto foi iniciado no primeiro semestre de 2020, pensado, a princípio, inerente a área das Engenharias, mas devido ao seu sucesso e o grande interesse por parte dos alunos da instituição em desenvolver uma visão mais aberta e plural, abrange hoje alunos e alunas de quaisquer cursos da Una campus Jataí. Desde de então vem sendo renovado consecutivamente a cada novo semestre letivo e soma em sua trajetória cerca de 80 extensionistas já atuantes no projeto e que atualmente está ativo mediante a relevância no campo acadêmico. 

“O desConstruir foi projetado frente ao mercado de trabalho de Engenharias de forma geral, que ainda se comporta como preconceituoso e machista. Por diversas vezes sofri preconceito, questionamentos e passei por situações desconfortáveis, como o assédio, simplesmente por ser mulher. E quando me tornei professora, idealizei este projeto, para que minhas alunas não tivessem que passar pelo o que eu passei” – diz a coordenadora do projeto, Janaína Martins. 

Na visão da professora, o projeto ser desenvolvido como atividade extensionista, é para ele atuar de maneira concentrada na base do mercado de trabalho, no qual se refere aos graduandos, e estimular a atuação em conjunta, de forma equiparada, dos homens junto às mulheres nos ambientes profissionais e acadêmicos. “Entendemos que seria mais difícil trabalhar no topo, cujo pensamento dessas pessoas já está formado há anos, então trabalhamos na base, onde temos a oportunidade de trabalhar e preparar os alunos e alunas para um mercado de trabalho mais empoderado às mulheres e desconstruído de um padrão imposto pela sociedade” explica ela. 

Com a premissa de desenvolver o empoderamento feminino, o desConstruir propõe a aplicação de oficinas e consultorias às mulheres para que possam desenvolver competências e outras técnicas e habilidades importantes no mercado. Tem por objetivo tratar de assuntos que possibilitem a todos os alunos pensarem e refletirem sobre suas ações em relação a assuntos de equidade de gênero, assédio sexual e moral, maternidade e temas correlatos, por meio de rodas de conversa, campanhas e palestras. 

Participante da oficina “Mulheres na obra”, promovida pelo projeto

Devido a sua estreia ter sido durante a pandemia de coronavírus, as ações presenciais foram limitadas e destinadas a atuar de modo remoto com atividades através da plataforma do Instagram, onde é desenvolvido a produção de conteúdo envolvendo a pauta feminina. 

Entre as principais realizações promovem roda de conversa sobre a maternidade e o mercado de trabalho; lives com convidadas sobre cuidados femininos; oficina de currículos, onde estimula mulheres a construir um currículo atrativo; oficina presencial “Mulheres na obra”, onde levam meninas para obras e as mesmas colocaram a mão na massa; vídeos sobre “Faça você mesma”, com troca de chuveiro e troca de pneus; cartilha sobre outubro rosa e o câncer de mama e o estudo dirigido aos extensionistas, através da promoção e valorização da cultura por meio de séries, filmes, artigos e debates do universo feminino.

Encontro online do projeto

Para a estudante Edivaine Martins, que está no sexto período de Engenharia Civil e participa desde o início do projeto, as rodas de conversas então entre as atividades que mais a permite estimular a empatia e lhe engaja para debater sobre seus medos, anseios e posicionamentos. Uma metodologia que a ajudou a crescer como mulher e a observar melhor comportamentos machistas ao seu redor. “A escolha do projeto foi de interesse pessoal, sempre trabalhei em ambientes majoritariamente constituídos por profissionais homens e enfrentei muitas situações constrangedoras no decorrer de todos esses anos. Mas, cresci muito com esse projeto, me sinto hoje apoiada e empoderada”, explica.

Segundo a aluna, o projeto foi um dos ensejos que a estimulou a abrir o seu próprio negócio e se tornar empresária aos 35 anos. Uma decisão que nunca pensou tomar, já que havia insegurança e auto sabotagem consigo mesma. “Se não fosse o projeto não teria forças para abrir meu próprio negócio, eu não acreditava no meu potencial, não passava pela minha cabeça chegar até aqui, ser empresária e tomadora das melhores decisões da minha vida e não ser comandada por alguém como fui até então”, desabafa a aluna.

Walisson Oliveira, aluno do sexto período de Engenharia Civil, afirma que, através da sua participação, o projeto pôde abrir ainda mais sua mente em relação a possuir preconceitos e fundamentos antiquados, e que por ser homem observa a importância de existir pautas sociais relacionadas às mulheres para quebrar tabus criados pelo universo masculino. 

“O projeto é fantástico. Escolhi um curso onde há muito preconceito com as mulheres, então resolvi entrar para projeto para fortalecer o movimento e ter uma voz masculina apoiando, para mostrar que independente do sexo, devemos lutar por igualdade dentro das profissões”, diz ele.

O estudante é o exemplo de que o desConstruir está sendo, na íntegra, um projeto bem-sucedido direcionado aguçar a visão ampla dos alunos sobre o entendimento do  papel feminino no mercado de trabalho, para que compreendam que as mulheres possuem a liberdade de escolha de decidirem onde querem ou pretendem estar e que não devem sofrer nenhum tipo de objeção por isso. Ressalta ainda, que a essência da extensão é debater a equidade de gênero em todos os seus âmbitos, principalmente dentro da universidade, para ensinar a todos, independente do gênero, a se respeitarem e valorizarem o trabalho do outro, e acima de tudo, lutarem pelos seus direitos em conjunto.

 

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Por Keven Souza 

Escolher morar em uma casa de repouso, que entenda a terceira idade como um ciclo comum da vida, é uma decisão pensada por inúmeras pessoas que procuram por um lar estável e seguro para se passar nessa nova fase. Os asilos, como são chamados, devem propiciar um ambiente tranquilo que contribui para além da saúde dos idosos, com a partilha do sentimento de união e amizade entre os próprios moradores. 

É pensando nessas nuances que o projeto de extensão do Centro Universitário Una unidade Lafaiete, nomeado de “Bora Reformar o Asilo”, surge para estar lado a lado com a comunidade local a favor de promover melhorias na casa de acolhimento aos idosos, o Asilo Carlos Romeiro.

A iniciativa tem o intuito de colocar os alunos de Engenharia Civil em contato direto com demandas relacionadas à sua formação, além de prometer transformar de maneira possível o espaço físico do asilo e melhorar a qualidade de vida dos idosos que vivem nas dependências da instituição.

 

Bora reformar o asilo!

O Asilo Carlos Romeiro é uma instituição localizada na rua dos Vicentinos, no bairro Queluz, em Conselheiro Lafaiete. Fundada para prestar assistência social a idosos desamparados, possui idosos independentes, semi-dependentes e totalmente dependentes do trabalho da instituição que oferece ainda, em suas dependências, atendimentos e inúmeros serviços voltados à terceira idade. 

Ao ser uma instituição com viés social, sem fins lucrativos, que carece de ajuda, possui relativamente dificuldades em torno de recursos financeiros, entre elas, o desafio de reformar os seus espaços que estão na ativa desde sua fundação em 1976. Nesse contexto, surge a primeira interação entre o asilo e a faculdade Una em novembro de 2020, a fim de firmarem parceria envolvendo uma equipe técnica composta por alunos de Engenharia Civil, que viria para auxiliar e dar o devido suporte nas demandas ligadas à restauração de áreas que carecem de reforma. 

O projeto ‘Bora Reformar o Asilo’ teve sua estreia em março deste ano de 2021, sendo uma atividade extensionistas liderada pelos professores Elvys Dias Reis e Mariana Babilone de Souza Ferreira, que coordenam e orientam as inúmeras atividades propostas na extensão.

Desde seu início, o projeto contou com a participação de 15 estudantes da turma do quinto período e neste semestre estima possuir 20 participantes, uma vez que foi dada a renovação da extensão devido ao atraso na reforma geral causada pela pandemia do coronavírus. Por longo período de tempo, houveram imprevistos e diferentes impasses para prosseguir com o planejamento da reforma. Um dos percalços presentes foi a limitação da equipe ao livre acesso às dependências do asilo. 

“Mesmo com tantos desafios conseguimos, ainda assim, contornar a situação por meio de encontros virtuais e revezamento nas visitas técnicas, as quais foram realizadas com cuidados extremos e sempre respeitando todas as regras de combate à pandemia”, explica Elvys Dias Reis, professor e coordenador da extensão, sobre a atuação da equipe no Asilo Carlos Romeiro durante a pandemia.   

Na visão do professor, o projeto traz um ganho imensurável para a formação dos alunos, fomentando-os a se tornarem profissionais mais completos e preparados que saibam se posicionar no mercado através de vivências e experiências reais. “O principal motivo é o aprendizado dos próprios alunos. Toda pesquisa e projetos de caráter prático oferecem a oportunidade de conciliar teoria, vista em sala de aula, e prática. O que é ótimo para a formação deles”, explica. 

Nessa circunstância, ao criarem a extensão, um dos objetivos centrais é o ensino teórico-prático que envolve a atuação dos alunos com os problemas estruturais reais, na qual é a situação em que o asilo se encontra. A partir do planejamento elaborado, podem identificar as carências físicas da casa de repouso, de modo a propor intervenções embasadas na Engenharia Civil e na Ciência dos Materiais, além de estimarem a quantidade e o valor dos insumos necessários para o tratamento e recuperação de toda a edificação. 

Entre as principais atividades e tarefas dos alunos estão a apresentação do projeto para potenciais parceiros, elaboração de reuniões de planejamento, ajuda na divulgação e captação de recursos, visitas técnicas à instituição, acompanhamento das obras, além da criação de aulas curtas para toda a equipe durante os encontros semanais que propicia desenvolverem um raciocínio analítico e resolutivo para situações que possam surgir no dia a dia da profissão de engenheiro(a). 

Para o estudante do segundo período de Engenharia Civil, Erik Manuli, atuar na extensão lhe traz uma rica experiência na sua formação, em que o permite se relacionar com a engenharia solidária, além de desenvolver um projeto real para pessoas necessitadas – de caráter social. “É fantástica a sensação de ajudar o próximo. Nós enquanto alunos ganhamos experiência e conhecimento, e os frequentadores dos asilos ganham um ambiente mais seguro e salubre”.

Erik afirma que o projeto ser ligado diretamente à terceira idade o faz ser único e que a sensação de fazer parte da equipe é incrível. “Lidar com  idosos é gratificante, nos faz refletir muito sobre nossa vida. São vários idosos com histórias de vida diferentes convivendo no mesmo espaço”, ressalta ele.

Um dos pilares do projeto é a solidariedade que preza pela prestação de serviços gratuitos com finalidade de não exigir cobranças de consultoria ao asilo. O que torna o projeto acessível e de grande valia para a casa de repouso ao atender não só o conforto, e o bem-estar dos idosos, mas também a segurança, através de um projeto técnico e dinâmico.

Lena Assis, que representa o asilo, explica que o projeto é de vital importância para casa e que enquanto a reforma geral não acontece, houve a proatividade, por parte da equipe do projeto, de reformarem a rampa da ala masculina. Um local que estava precário e colocava em perigo a segurança dos idosos. “ É um projeto que tem continuidade, pois o asilo possui outras áreas que carecem de reforma. Nesse primeiro momento foi restaurada uma rampa que dá acesso interno à ala masculina, que estava com o piso muito ruim, escorregadio e gerando acidentes com os idosos. Uma reforma necessária”, diz a responsável. 

Com esta obra recentemente concluída, Lena diz que o sentimento é de alívio e felicidade para todos do asilo e que é gratificante ver a cada passo dado ao lado da Una. “É muito importante essa parceria para a nossa instituição, precisamos do apoio de todos da comunidade. Estamos felizes e agradecidos com esse projeto. Digo que avaliamos positivamente todas as ações que a Una propõe para nos auxiliar com nossas demandas internas”. 

 

Depoimentos dos participantes 

Mariana Babilone

“É um projeto que representa nossa unidade, que todos estão envolvidos e querem saber sobre o andamento, que mostra que nosso papel na comunidade é relevante e contribui não só para a formação do nosso aluno, mas também do nosso entorno e agregando valor para a vida de muitas pessoas. Sem dúvida é um projeto especial que nos envolve com a causa dos idosos e nos sensibiliza. Temos um carinho imenso por esse projeto e sabemos que estamos contribuindo para uma vida melhor para essas pessoas” –  Mariana Babilone, que é professora e coordenadora do projeto, sobre importância do projeto para o campus da Una Lafaiete. 

Larissa Duarte

“Participar de um projeto como esse é ganho por todos os lados, você ganha sentimentos bons por ajudar, ganha só de ver a alegria no rosto de cada um, ganha experiências através da reforma e principalmente, você transforma o sonho de alguém em realidade. Essa é uma grande extensão, extremamente gratificante, e sou muito feliz e grata por fazer parte da mesma. Adquirir essas experiências reais durante o período de graduação é de grande valia para um excelente profissional do futuro” – Larissa Duarte, aluna do quinto período de engenharia civil, sobre sua participação no projeto. 

Juliana Aparecida P. dos Santos

“Trabalho no asilo há mais de sete anos e a rampa da ala masculina sempre esteve em péssimas condições, quando chovia o piso se tornava escorregadio e trazia muitos acidentes. Graças a equipe da Una, a rampa está bem melhor do que antes, hoje, podemos molhar sem preocupação. Um ótimo trabalho!” –  Juliana Aparecida Paula dos Santos, sobre a situação da ala masculina antes da reforma feita pela equipe da  Una.

 

Ajude o Asilo Carlos Romeiro

Rua Rua dos Vicentinos, nº33, bairro Queluz – Conselheiro Lafaiete/ MG

Para mais informações ou doações, ligue (31)3721-3564 ou acesse no Instagram.

 

Revisão: Daniela Reis

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Por Bianca Morais

O Centro Universitário Una, muito além de instituição de ensino superior, tem como um de seus pilares a inclusão. A série de reportagens sobre 60 anos da Una, mostra diversos projetos de extensão que promovem essa rede de apoio e troca. 

Dando continuidade a série, o Contramão traz hoje uma iniciativa muito importante da instituição que, desde 2016, estimula o diálogo e combate ao racismo. Batizado de Pretança, o projeto mostra mais uma vez como, além de educar e preparar alunos para o mercado de trabalho, a Una quer formar cidadãos conscientes de seu papel na sociedade oferecendo a eles uma formação humanista.

Racismo é um assunto extremamente delicado, principalmente dentro de instituições de ensino. Não é de agora que estudantes negros sofrem discriminação dentro de faculdades, muitas vezes, já foram noticiados na grande mídia vários episódios de preconceito, piadas de mal gosto, trotes polêmicos. 

O Pretança traz para o Centro Universitário Una e para a comunidade em geral, por ser um projeto aberto ao público, um espaço de discussão sobre questões raciais, o reconhecimento da cultura negra, demonstra como o racismo é configurado na sociedade e como deve ser combatido, isso tudo através de debates, rodas de conversas, entrevistas, entre outros. Pretança é um espaço de acolhimento, diversidade, onde o aluno pode compartilhar suas dores e lutas, é um local de resistência em cima de um sistema que por anos os excluiu.

O começo

O Projeto de Extensão Pretança, idealizado pela professora e coordenadora do programa, Tatiana Carvalho Costa, na realidade, partiu de alguns movimentos anteriores realizados pelos alunos do campus Liberdade. Por volta dos anos de 2013 e 2014, devido a políticas federais, como o Fies, Prouni e as cotas, houve um aumento significativo de estudantes negros e de periferia nas faculdades particulares.

“Sobretudo no campus Liberdade, localizado em um lugar super elitizado, zona sul de Belo Horizonte, houve um estranhamento por parte de estudantes e professores brancos, daquela quantidade de pessoas negras ali, o aumento de pessoas não brancas em ambientes acadêmicos que historicamente são embranquecidos”, esclarece a coordenadora.

Devido a dois episódios específicos de racismo dentro da faculdade, as reclamações de atitudes preconceituosas cresceram, por isso, coordenadores e diretores do campus se uniram e tiveram a iniciativa de um evento para discussões de questões raciais.

 

“Foi incrível, a gente aprendeu muito coletivamente, e os alunos que organizaram esse evento, ainda criaram um coletivo de estudantes chamado ABUNA, Afro Brasileiros da Una, mas aí eles se formaram, algumas pessoas saíram da instituição e essa coisa acabou. Isso em 2015”, conta Tatiana.

Em 2016, depois de um semestre sem novas iniciativas sobre discussões raciais, na época, Tatiana, uma das poucas professoras negras do campus, se viu cobrada pelos alunos. Ela que sempre esteve engajada em outras ações fora da escola, próxima ao movimento negro no geral, resolveu tomar a frente e propor um projeto, que inicialmente seria somente para o curso de jornalismo.

“Basicamente, era um projeto de extensão para produção de conteúdo audiovisual, fotográfico e textual. Além disso, a ideia era promover rodas de conversas para que as pessoas participantes entrassem em contato com os principais conceitos e dessem conta de compreender a questão racial que se dava naquele momento”, relembra ela.

A ideia inicial era algo pequeno, no entanto, logo na primeira roda de conversa chegaram pessoas de vários cursos, inclusive colaboradores, e foi quando a instituição começou a entender a necessidade de se ter um espaço mais amplo de acolhimento para além do seu propósito inicial. Inspirados pelo Una-se contra a LGBTfobia (veja a matéria sobre o projeto), passaram a atuar em um tripé de acolhimento, incentivo e diálogo, com a verba do projeto adquiriram livros de discussão racial para a biblioteca e também passaram a promover eventos e participar de outros.

A evolução

Ao longo dos anos, o projeto Pretança cresceu e passou a ter reconhecimento externo, como as ações em parceria com o EDUCAFRO, o curso preparatório para Enem que discute questões de cidadania e direitos humanos e com a Comissão para a Promoção da Igualdade Racial, da OAB.

O projeto também se desdobrou em grupos de estudos, e realizam atividades em parceria com outros programas ligados ao Ânima Plurais, política de diversidade da Ânima Educação, como o Antirracismo na Rede que é a produção de material de referência para as redes sociais e promoção de discussão entre intelectuais e profissionais negros em diversas áreas do conhecimento, e o Cineclube que visa promover sessões comentadas com debates abertos de produções cinematográficas africanas.

“Com a presença forte do Ânima Plurais e desse marcador institucional de discutir questões raciais de maneira mais profunda, o Pretança se desdobrou, então segue o projeto a partir da Cidade Universitária, e levamos o Cineclube para o nível Ânima, já tivemos 240  pessoas inscritas de diversas escolas do grupo”, explica Tatiana.

Além das parcerias, o Pretança tem uma bagagem de muitas realizações, já estiveram presentes em comunidades quilombolas, participaram de eventos como a Taça da Favela, o Festival de Arte Negra, durante a pandemia promoveu palestras com profissionais negros, sobre empreendedorismo, mulheres negras. No último semestre o projeto desenvolveu um podcast que irá estrear em breve e abordará diversos temas, como lugar de fala, violência policial, entre outros.

“Quando a gente fazia cobertura de eventos, amplificávamos esses eventos, como Prêmio Lei Leda Martins, Mostra de Cinema que tratavam especificamente de filmes negros, nós demos uma pequena contribuição ali, e ao mesmo tempo, também tivemos um retorno interno muito importante que foi trazer para dentro da escola, principalmente para as pessoas que participaram do projeto, um contato maior com essas questões, foi muito bonito, em questão de afirmação da identidade, do desenvolvimento de autoestima dos alunos e dessas percepções mais ampliadas das possibilidades de atuação”, completa Tatiana.

Durante uma cobertura do evento Festival de Arte Negra, uma aluna do curso de Jornalismo entrevistou Djamila Ribeiro, durante a conversa a ativista feminista negra, comentou como queria ter tido a oportunidade de ter um programa como o Pretança na sua época de faculdade. Ela gostou tanto do projeto que até hoje segue de longe com uma parceria.

“Ela lançou uma plataforma, Feminismos Plurais, a gente participou de uma ação dela Junto pela Transformação, acabamos ganhando algumas bolsas de estudo para alguns estudantes ligados ao Pretança fazerem os cursos de formação na plataforma, foi bem massa”, lembra ela.

A importância do Pretança

O Pretança sempre foi um espaço de acolhimento e compartilhamento de experiências, aberto à participação de todos aqueles dispostos a aprender sobre pautas de questões étnico raciais. São pessoas negras e não negras motivadas a encarar essa discussão, aprendendo mais e agindo em diversas frentes. 

Com um perfil de sempre propor ações, o projeto muitas vezes lida com assuntos delicados, situações pessoais de violência, camadas complexas do racismo institucional e estrutural, colorismo, feminismo negro, e com isso, ele se torna um espaço de compartilhamento, onde todos entendem que não estão sozinhos.

“São pessoas que se sentem absolutamente à vontade para abrir o coração e falar de problemas de autoestima que sempre enfrentaram e a maneira como o projeto foi acolhedor para a pessoa dar conta. Tem gente que acaba mudando, se compreendendo como negra, pessoas que entram ‘ah sou parda’, por ter ouvido a vida inteira que ser negro é algo ruim e acabou negando isso e acaba mudando de opinião sobre si mesma assim, aceitando mais sua identidade, tendo orgulho assim”, diz Tatiana.

O projeto cria um ambiente para que as pessoas possam se ver como propositivas, e coletivamente também propõe temáticas para contribuir no combate contra o racismo, a luta antirracismo e para estudantes que não são negros colaborarem com a luta antiracista, entender um pouco as dimensões do racismo na sociedade e se entender como pessoas aliadas, poder contribuir, primeiro para a descontrução do racismo em si e ainda como pensar de maneira mais ampla na atuação, no seu entorno imediato.

“Ele tem uma importância grande para os estudantes, sobretudo os negros, nesse lugar de se ver ali, de se ver em outras pessoas, de terem suas demandas acolhidas, de ter gente que entende quando essa pessoa fala ‘eu sofri racismo’, ‘eu passei por essas situações’, ‘é difícil estar aqui como uma pessoa negra’,’é difícil ter chegado aqui’, comenta a idealizadora do projeto.

A luta contra o racismo

Segundo a professora Tatiana, os sistemas econômico e político, e a maneira como a sociedade funciona depende do racismo, são necessários marcadores hierárquicos e um deles é a raça.

“É muito cruel a maneira como a sociedade brasileira foi construída numa ideia de progresso que é racista, porque o progresso brasileiro é o genocídio indígena, é a escravização de pessoas negras e depois a subalternização sucessiva delas ao longo do tempo, não à toa a maior parte das pessoas pobres, 75% das pessoas que estão perto da linha da miséria no Brasil são pessoas negras, de acordo com os dados do IBGE. Então não tem jeito de ser eliminado de vez nessa geração quiçá na outra”, desabafa a professora.

Acabar com o racismo é algo complicado, mas é necessário diminuir a violência, e começar pelo entorno. Em uma instituição de ensino, responsável por educar pessoas para o mundo, é primordial a discussão desse assunto, e o Pretança é fundamental nessa batalha. No sentido institucional, a faculdade Una, vem buscando diversas maneiras para minimizar as situações de racismo, mesmo sabendo que é uma situação difícil.

“Por isso que eu gosto de olhar para o Pretança como lugar de acolhimento, porque combater essa violência é quase impossível do ponto de vista da tentativa de eliminá-lo, então a gente se acolhe, se fortalece mutuamente, traz pessoas aliadas para ajudar nessa luta, porque é uma luta e é preciso entender a dimensão dessa luta, cotidianamente as pessoas brancas desconstruindo o racismo dentro de si mesmas, as pessoas que estão à frente da gestão da instituição entendendo a dimensão do racismo institucional, as pessoas à frente de lugares de liderança, e poder em qualquer local entender como podem fazer diferença para diminuir as desigualdades”, conclui Tatiana.

O Pretança está sempre de portas abertas a todos, visite as redes sociais do projeto, no Facebook, Instagram e Youtube.

https://www.facebook.com/projetopretancauna

https://www.instagram.com/projetopretanca/

https://www.youtube.com/channel/UCOZraLVoSABf8NWSICwbYsg

 

Edição: Daniela Reis 

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Por Bianca Morais 

A Una Pouso Alegre está sempre em busca de promover Projetos de Extensão que acrescentem benefícios, não apenas aos alunos, mas a toda a população local. A unidade já foi destaque aqui no Jornal Contramão com o Projeto Cidadania, que atende pessoas em situação de vulnerabilidade e leva a eles acesso ao conhecimento da democracia.

Pensando nessas boas práticas, apresentamos hoje ações desenvolvidas pelos alunos de Arquitetura e Urbanismo, Engenharia Civil e Nutrição, esses cursos que crescem a cada dia mais na instituição, se uniram em um trabalho e mostraram a importância da interdisciplinaridade no aprendizado.

A unidade tem tanto destaque na área de seus projetos, que já foram reconhecidos e premiados nacionalmente e a cada dia vêm desenvolvendo novos. 

Conheça agora mais sobre eles em mais uma matéria em comemoração aos 60 anos da Una.

Reconhecimento da memória local

No segundo semestre de 2020, o Centro Universitário Una de Pouso Alegre, promoveu o projeto de extensão Memória e Patrimônio da Cidade. Realizado em parceria entre os cursos de Arquitetura e Urbanismo, Engenharia Civil e Nutrição, com o apoio do Conselho de Políticas Culturais e Patrimoniais do município. O programa levantou a importância da preservação da memória e do patrimônio nas cidades, os alunos encararam a temática e através do ensino e da pesquisa se aprofundaram na educação patrimonial, que é parte da preservação da história do lugar em que vivem. 

Coordenado pelo Professor Gustavo Reis Machado, com apoio dos professores Amon Lasmar, Carlos Pereira do curso de Arquitetura e Urbanismo e Engenharia Civil; e as professoras Patrícia Fonseca e Sara Fiorini do curso de Nutrição, o projeto nasceu com o principal objetivo de promover a preservação do patrimônio arquitetônico e culinário da cidade. Ele atendeu a uma demanda da comunidade de difundir através da educação, o reconhecimento da cultura da região e garantir que as atuais e futuras gerações possam conhecer a origem de onde vivem, suas crenças, comidas, arquitetura, design e história.

O projeto teve quatro eixos de desenvolvimento correspondentes aos cursos que o abrangeram, sendo eles:

  • Análise das Patologias dos Edifícios Tombados: nessa etapa do projeto produziram-se mapas de danos patológicos nas edificações e envolveu os alunos de Engenharia Civil e Arquitetura e Urbanismo;
  • Levantamento Fotométrico de Objetos Móveis tombados (imagens sacras) do Santuário do Imaculado Coração de Maria: executado também pelos alunos de Arquitetura e Urbanismo, elaboraram-se modelos 3D para compor inventários;
  • Criação de roteiros culturais pelo centro: através de mapas e rotas turísticas do centro de Pouso Alegre, os alunos de Arquitetura e Urbanismo produziram os roteiros;
  • Registro da Cozinha Mineira Regional: os alunos do curso de nutrição produziram vídeos com os modos de fazer da cozinha regional e valorização dos itens da cozinha.

Os quatro eixos do projeto foram desenvolvidos com oficinas de produção do material, que envolveu docentes, discentes, técnicos e também a população local. A comunidade nesse projeto é envolvida na figura do Conselho de Políticas Culturais e Patrimônio do Município, e os alunos, selecionados através de um edital, tendo na metodologia embasamento teórico e prático nas oficinas, mantiveram contato estreito com os membros do conselho, da superintendência de cultural e do Museo Municipal Tuany Toledo.

A mesa de abertura do Memória e Patrimônio da Cidade apresentou o projeto aos alunos e ressaltou a importância no processo de preservação e conservação, o evento contou com convidados especiais de cada área envolvida no projeto, entre eles, Clarice Líbano, professora e diretora de Promoção do Instituto de Patrimônio Histórico e Cultural de Minas Gerais – Iepha/MG; Edson Puiati, Chef e professor; Luana Maris, professora e engenheira civil; e Elaine Luísa de Faria, conselheira e membro titular do Conselho de Políticas Culturais e Patrimoniais de Pouso Alegre. Apresentaram-se projetos de referência no tema da educação patrimonial e como diversas áreas podem trabalhar juntas e a importância dessa união.

Gabriela Paula Freitas da Costa é aluna da faculdade e junto com seu grupo participou do projeto e garante que ele agregou muito em sua vida e trouxe lições valiosas. “Meu grupo começou desenvolvendo um trabalho super simples mas com muita persistência, fomos lapidando o projeto e aprendendo juntos. Tudo aquilo que se insiste, se aprimora, colhe-se bons frutos. Foi incrível acompanhar a nossa evolução e não somente a nossa, mas a de todos os nossos colegas que fizeram excelentes trabalhos”.

A jovem é moradora de uma cidade próxima a Pouso Alegre e desde sempre viu o local como referência, frequentemente a garota ia para lá mas não tinha conhecimento de todos os patrimônios arquitetônicos que ela tinha e apenas com o desenvolvimento do projeto que passou a conhecê-los. “Foi realmente muito engrandecedor e trouxe uma nova perspectiva sobre a cidade. Projetos de extensão são excelentes maneiras de inserir os alunos na comunidade de maneira espontânea e leve, foi um trabalho lindo que eu enquanto aluna e moradora da região, adorei desenvolver”, comenta.

Juliana Cortez é coordenadora do curso de Engenharia Civil da Una Pouso Alegre e vê com bons olhos esse projeto em relação ao retorno para os alunos. “Foi muito positivo e gratificante. Com os feedback foi possível verificar que a metodologia utilizada alcançou o seu objetivo. Além da produção de um material com excelente qualidade, os alunos se envolveram e engajaram no projeto”, diz ela.

Cursos premiados nacionalmente

Quando se trata de projetos bem sucedidos na unidade, Juliana Cortez, também esteve presente na conquista do Prêmio Ozires Silva pelos alunos do curso de Engenharia Civil. Em sua 13ª edição, o prêmio promovido pelo ISAE Escola de Negócios, que é considerado um dos principais de sustentabilidade do Brasil e reconhece ideias que colaboram com ações mais conscientes, sustentáveis e, consequentemente, para que as pessoas vivam em um mundo melhor, foi conquistado pelos alunos.

Marcos Henrique Sabino, Wellington Augusto Ferreira Caetano e Bruno Rocha Venâncio, foram responsáveis pelo projeto “Construção de Casas Emergenciais com Blocos Celulares” que visa o atendimento de diversas famílias após desastres, como o de Brumadinho, em 25 de Janeiro de 2019, que ocasionou a fatalidade de mais de 250 vítimas. Os estudantes concorreram na categoria Graduação e tiveram, ainda no processo de desenvolvimento, o apoio dos alunos Diego Lopes, Rafael Jonas Aparecido e Raik Dias de Aguiar, junto a coordenação da professora Juliana Cortez e acompanhamento dos professores Drica Nunes e Wantuir Teixeira.

Wellington Augusto, um dos alunos vencedores do prêmio, confessa que para ele receber uma premiação com o nome de um dos maiores engenheiros do país, em suas palavras, “ícone da engenharia” e responsável pela fundação da Embraer, é uma grande honra e o motivou ainda mais a buscar a excelência na área da engenharia. “Além de acrescentar um peso ao currículo, em especial na área acadêmica, receber o prêmio foi uma responsabilidade, motivou minha equipe e eu a buscarmos a cada dia mais excelência nos projetos e estar sempre nos qualificando para sermos engenheiros melhores e podermos revolucionar o país através da engenharia” disse o estudante.

“Esse prêmio veio de um desafio lançado em uma disciplina na qual os alunos são os principais agentes no processo de aprendizagem. Isso mostra como eles são capazes”, comenta a orientadora Juliana. 

“Os alunos conseguiram unir numa multidisciplinaridade o que aprenderam em sala de aula, na prática e puderam utilizar isso de maneira útil, numa realidade caótica quando em campo puderam constatar a dimensão do desastre de Brumadinho”, destaca a professora Drica.

Reconhecendo o Risco

E os projetos da unidade Pouso Alegre não param por aí. Com o bom resultado tido no Memória e Patrimônio, eles já deram início a outro. O Reconhecendo o Risco, está sendo coordenado pela professora Carolina Galhardo e o professor Daniel Casalechi, e se encontra na fase de coleta de dados através de um questionário elaborado pelos alunos. 

Esse documento possui perguntas gerais a respeito das enchentes e inundações ocorridas no município e sobre o que o cidadão conhece acerca de planejamento urbano, plano diretor e defesa civil, além disso, investiga se as pessoas saberiam como se comportar diante de um desastre e se já receberam algum treinamento ou informação a respeito. A partir da análise das respostas coletadas, os alunos irão gerar informações para a elaboração de uma cartilha que será divulgada em redes sociais com o apoio da Defesa Civil de Pouso Alegre.

Esse novo projeto partiu, principalmente, da necessidade de um tipo de matéria mais direcionado para esses desastres na grade curricular. Até o momento, foram realizadas palestras e aulas acerca do assunto com o intuito de introduzir o tema e apresentar conceitos e estudos aos alunos.

“Não só em Pouso Alegre, mas em todo nosso país, possuímos amplo histórico de desastres como enchentes, inundações, alagamentos e deslizamentos. Sabendo-se que o conhecimento é uma ferramenta de extrema importância quando pensamos em prevenção, resposta e gestão do desastre, trazer à luz informações  claras e concisas para a população foi o que motivou a criação do projeto”, ressalta Juliana.

A cartilha contará com informações como quais são os principais órgãos responsáveis pelas ações tomadas em ocorrências de desastres, a relação dos desastres com o planejamento urbano, ações estruturais já efetuadas a fim de se sanar as inundações, entre outros.

O projeto já teve a honra de receber o professor Dr. Osvaldo de Moraes, atual diretor do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), Adriano Mota, doutorando e desenvolvedor do estudo acerca do tema nesta mesma instituição e Duarte Júnior, ex Prefeito da cidade de Mariana, que estava no comando da prefeitura quando houve o rompimento das barragens e culminou em um dos maiores desastres ambientais já ocorridos no país.

“As palestras abordaram os assuntos em seus mais mínimos detalhes, muito se discutiu sobre o papel do arquiteto nesta dinâmica e o quão desafiador é colocar em prática soluções relativas ao planejamento urbano que interferem diretamente na ocorrência de alguns desastres. Os alunos demonstraram bastante entusiasmo nas palestras, que trouxeram à tona temas que não fazem parte do cotidiano da graduação”, concluiu a coordenadora.

Michel Rodrigues da Silva, é aluno de arquitetura e urbanismo e é um dos participantes do projeto Reconhecendo o Risco. Para o estudante, entender o conceito e como funciona essa questão dos desastres naturais e seus riscos é muito importante para quem está em um curso como a arquitetura. “Estou no terceiro período, e por isso não tinha muita informação sobre o assunto, confesso que era bem leigo antes de começar a me interessar por arquitetura e urbanismo, então vendo tudo isso acabo aprendendo mais como funciona as projeções de desastres, como pode ser evitado e como a população está carente desse tipo de informação”, comenta

Para informar é preciso conhecer, trabalhar conceitos básicos e fazer um panorama geral sobre determinados assuntos. Ao pensar nisso, a Una Pouso Alegre está sempre investindo em diferentes projetos de extensão, para além de ajudar a comunidade local ao prestar diferentes serviços, enriquecem aquele aluno para no futuro se tornar um profissional de excelência.