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Rosa Neon

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*Por Bianca Morais

Se você gosta de dançar ao som do Lamparina, você também vai gostar de dançar ao som do Rosa Neon. E vice-versa.

Pop-Popular. Intitulados como safadeza suave, o som deles também pode ser conhecido como pop tropical.

Cheios de malemolência, cor, saliência.

Uma libriana, um leonino, um taurino.

Marina determinada, Marcelo debochado, Luís durão.

Todo mundo é cantor, todo mundo é compositor e todo mundo vive só de música.

Essa banda é marcada por três integrantes de personalidade marcantes e diferentes que juntos vem encantando multidões pelo Brasil inteiro e o mundo. Descritos pela revista Rolling Stones como “banda pop queridinha do Djonga”, eles foram apadrinhados pelo rapper que, assim como ele, correm muito atrás do que querem e sonham alto.

E quando eu digo alto, eu digo nível Anitta. O grupo ficou muito conhecido pela produção de um clipe por mês, assim como a cantora pop fez. Acontece que a Anitta é milionária e para ela um trabalho desses é algo comum. Agora pega uma banda independente de Belo Horizonte sem dinheiro que resolve fazer um clipe por mês.

E deu certo.

Depois da gravação do clipe Fala lá pra ela, o primeiro single da banda, eles gostaram tanto do trabalho que produziram, da correria e da raça que colocaram nele que alguém soltou ali:

“Vei, a gente tinha que fazer isso pelo menos uma vez por mês”.

No começo aquilo soou como loucura (e realmente era). Mas foi uma loucura que deu muito certo. De gênio e de louco todo mundo tem um pouco. Eles são loucos por terem tido a ideia, mas principalmente gênios por terem conseguido colocá-la em ação. Entraram de cabeça no projeto e conseguiram sucesso e reconhecimento.

O segredo por trás de tudo é ser criativo. Com ideias simples, mas inovadoras, você consegue alcançar tanta gente quanto um artista com muito dinheiro.

De novembro de 2018 a junho de 2019 a banda lançou 8 clipes (1 por mês), todos na pegada mais pop possível, trabalhados no audiovisual. Trouxeram com eles muitas referências, principalmente de artes plásticas. Junto ao pop, também uniram elementos das músicas eletrônicas, com muito beat e diálogo com músicas brasileiras.

Como eles próprios falam, suas referências vão de Caetano Veloso a Claudinho & Buchecha, de Marília Mendonça a Gal Costa. É um som diferente que em uma primeira escuta você não consegue identificar o que é. Da segunda vez também não, mas que é gostoso, é.

A primeira faixa do disco foi lançada e em menos de 24 horas tinha dado quase 10 mil views. Algo que não tinha acontecido em nenhum trabalho solo de cada um deles. A partir disso, perceberam que juntos eram muito mais fortes. A sensação de “não tem como dar errado”.

Foram lançando mais músicas e o retorno do público só aumentando, com mais views e pessoas comentando na internet.

O álbum completo foi lançado no dia 5 de setembro de 2019 e a capa prestou homenagem aos Doces Bárbaros, disco lançado em 1976 pelo quarteto: Caetano Veloso, Gal Costa, Gilberto Gil e Maria Bethânia.

Faixas:

Fala lá pra ela

Estrela do Mar

Vai Devagar

Brilho de Leão

Picolé

Embalagem

Pirraça

Ombrim

Rosa Neon

Cê Não tem dó de mim

A banda começou lá em 2018. Todos os membros, na época o Luiz Gabriel Lopes, o Marcelo Tofani, a Marina Sena e a Mariana Cavanellas (aquela do Lamparina e a Primavera), já tinham seus trabalhos e um público fiel. Dali já era um passo para o sucesso. Quando eu digo um passo, eu digo turnê na Europa. Mas falo disso mais para frente.

Foi em um show em julho daquele ano, em Milho Verde, que os quatro integrantes se apresentavam com seus respectivos trabalhos e se encontraram. Em determinado momento do show, subiram ao palco do festival que acontecia e cantaram “Rosa Neon”, uma música que a Mariana Cavanellas já tinha. No momento em que cantaram juntos sentiram uma energia, uma conexão forte, aquele arrepio na espinha. A partir dali resolveram seguir juntos.

No dia seguinte já estavam escrevendo a segunda música da banda, Estrela do Mar, sentados à beira de uma cachoeira, e então não pararam mais.

O nome da banda, claro, veio então da primeira música que cantaram juntos.

Como todo mundo já tinha outros trabalhos, eles não partiram exatamente do zero como outras bandas que contei aqui. Eles tinham público e contatos, e se você chegou até aqui neste almanaque sabe que esses são elementos fundamentais para uma banda.

Com a banda já formada, fizeram cerca de 4 shows no Brasil e foram convidados a tocar na Europa. Sim, isso mesmo, na Europa. Mas isso tem um porquê.

No começo da banda eles não tinham um assessor de imprensa, mas tinham contatos. Então criaram um mailing com todos os contatos de imprensa, festivais e produtores e mandaram os lançamentos com o release dos clipes, falando sobre a banda.

O Luiz já tocou na Graveola, conceituada banda de Belo Horizonte (confira o som deles nas plataformas de streaming), que já fez algumas turnês mundiais.

Pois bem, em um belo dia, um sujeito dono de uma rádio lá do interior da Alemanha, onde a Graveola tocou há uns 10 anos atrás, escutou o Rosa Neon e gostou.

A rádio estava organizando um festival no interior do país e convidou os músicos. Seriam quatro cidades, eles receberiam um X valor de cachê e teriam que se virar com ele.

Eles fecharam, é claro, e a turnê deu certo. Acabaram fazendo outros shows em Portugal e no final foi tudo perfeito. Levaram o nome Rosa Neon para o mundo.

Para registro, o dinheiro do cachê ficou por lá mesmo. Compraram equipamentos e garantem que voltaram felizes.

Atualmente, a banda é um trio, o Luís, o Marcelo e a Marina (Luís e Marina são um casal, mas ser vela não é um problema para o Marcelo). A Mariana saiu para se dedicar a sua carreira solo.

Os três são muito amigos e juntos exalam sucesso. Tocaram este ano no palco do festival Sensacional no Mineirão ao lado de nomes grandes como Elba Ramalho, Emicida, Baiana System e dos amigos Hot e Oreia.

Os três são a prova de que é possível, sim, viver apenas de música.

*Vale lembrar que os três também têm trabalhos solos*

Mas são três indivíduos completamente apaixonados por música e que, segundo eles próprios, não sabem fazer outra coisa. (letra maior)

A vontade de entrar em uma toca e viver como um monge por lá acontece muitas vezes. O mundo da música é cercado de muita pressão, perrengues, noites mal dormidas e show atrás de show. Mas por trás de tudo isso, existe algo significante em fazer o que ama, e é isso que mantêm os três firmes e fortes. Não existe algo que amem mais que música.

O segredo do sucesso deles é muito parecido com o da Lamparina e a Primavera, quando dizem sobre ser você mesmo e seguir sua essência. Para o Rosa Neon, muita gente segue algo que está na moda e pensa “vou fazer igual”, mas acaba morrendo afogado.

A metáfora em questão é: faça o que você gosta e, quando a onda vier, você vai surfar nela. Mas se a onda tiver passando e você tentar entrar apenas para fazer sucesso, meu amigo, você vai levar um caldo.

Rosa Neon está nessa onda, surfando da melhor maneira possível, fazendo um som diferente que agrada a muitos. São três compositores que carregam bagagem e a colocam nas letras que produzem, cada um deixando seu pedaço ali e se ajudando.

Muita música de amor e muito ginga. A gente sente muita coisa boa ao escutar essa banda. Com um base boa de fãs, eles não têm “medo de ser feliz”, se jogam, fazem o que querem, quem gostar, gostou, e claro, evoluindo, aprendendo e crescendo cada vez mais.

Agora vai lá escutar Ombrim e vê se não dá uma vontade de dançar e depois postar um foto no Instagram com a legenda: ai que delícia o verão, a gente mostra o ombrim.

 

*Esse produto resultado do Trabalho de Conclusão de Curso do Centro Universitário Una da Jornalista Bianca Morais.