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Foto: Facebook/Casas de Belo Horizonte

Quem anda por Belo Horizonte pode encontrar pelas ruas inúmeras casas e prédios antigos que enfeitam e trazem um ar saudosista à cidade. Em meio às novas construções de aparências modernas e acinzentadas, os velhos prédios resistem – mesmo que, às vezes, sufocados por tanta modernidade – e compõem o cenário da capital.

“Casas de Belo Horizonte” é um projeto ainda em desenvolvimento que tem como objetivo despertar, por meio de fotos, o interesse das pessoas pelas casas antigas da cidade, que representam um grande patrimônio arquitetônico e histórico a ser valorizado. Arquiteto e Fotógrafo, o autor do projeto, que prefere manter sua identidade em sigilo, iniciou as postagens em seu perfil pessoal e ao perceber repercussão positiva, decidiu expandir as publicações para uma página específica do tema.

Foto: Página Casas de Belo Horizonte
Foto: Facebook/Casas de Belo Horizonte

As construções antigas estão por todas as partes de Belo Horizonte, e há décadas criam ligações entre épocas, famílias, pessoas e gerações, por isso, carregam em suas paredes muitas histórias pra contar. Como forma de resgatar as memórias “adormecidas” e despertar o olhar das pessoas para obras que muitas vezes passam despercebidas, a página – que funciona também como espaço para identificar essas casas – publica junto às fotos um breve relato sobre a origem e funcionamento das construções, que em alguns casos chegam a ultrapassar um século de idade. “Há alguns casos de leitores que apresentam algum vínculo familiar ou pessoal com a história das casas, o que é muito positivo”, relata o responsável pela página.

Em apenas uma semana a página alcançou mais de 40 mil acessos no facebook e tem despertado grande interesse do público pelos projetos arquitetônicos da cidade, “O apoio dos leitores superou muito as expectativas iniciais e temos recebido várias mensagens de pessoas interessadas no projeto, bem como indicações e sugestões de residências a serem fotografadas” conta o organizador.

Foto: Facebook/Casas de Belo Horizonte
Foto: Facebook/Casas de Belo Horizonte

“Percebemos que o projeto tem uma boa receptividade e, de acordo com a evolução e interesse na página, pensamos que é possível expandi-lo para outros formatos e mídias complementares.” O “Casas de Belo Horizonte” não conta com nenhum apoio financeiro e não tem vínculo com nenhuma instituição pública ou privada, mas caso a demanda seja crescente, podem procurar parcerias e suporte financeiro.

Por Marina Rezende

Caminhar pela cidade é o que milhares de pessoas fazem a todo o momento. É a rotina parcelada em 365 dias. Será que as pessoas têm consciência da importância de cada rua em que transitam e o quanto aquelas vias representam para sua vida?

A Rua da Bahia é a rua dos frequentadores do Maletta, dos famosos poetas, dos atletas do Minas Tênis Clube, dos casamentos na disputada basílica de Lourdes, dos pipoqueiros, dos escritores da Academia Mineira de Letras, dos estudantes, dos apreciadores dos bons happys hours, dos taxistas, dos moradores, e de todos os caminhantes que, por um momento ou outro, já passaram por ali.

Sem desmerecer a tradição do passado e de tantas histórias – é justo também mostrar a realidade do presente: o que a Rua da Bahia representa no cotidiano atual de alguns caminhantes? É nessa transição do passado para o presente que a rua ganha novos personagens que registram, de um modo invisível, uma parte de sua história nesse espaço urbano das cidades.

Hoje quem caminha com intimidade por ela é o atleta de vôlei Lucas Loyola, 19 anos, mineiro da cidade de Gouveia, interior do Estado, que desde os 15 anos sobe e desce Bahia todos os dias. Com passos tranquilos e um olhar sereno, Loyola transmite maturidade de quem sabe aonde quer chegar. O atleta acorda cedo, toma café da manhã em casa e se prepara para o treino no Minas Tênis Clube. A rotina começa com uma caminhada subindo Bahia em direção ao Clube, que dura cerca de 15 minutos. Sai de casa às 10h30. Entra pra treinar às 11h e sai às 14h. Almoça. Desce Bahia pra voltar pra casa. Toma um banho e sobe Bahia de novo pra ir pra Agência, localizada próximo ao Minas Tênis – onde há um ano iniciou uma carreira paralela como modelo.

O atleta considera a rua bem completa porque apresenta várias opções para seu dia-a-dia: “Prefiro caminhar pela Rua da Bahia porque é movimentada – tem lanchonetes, restaurantes e academias funcionando o tempo todo. É uma rua que oferece opções culturais que outras ruas não têm; vejo pessoas de todas as classes sociais”.

Com um sorriso no rosto, Lucas conta que a Rua da Bahia foi a referência: “desde o primeiro dia que cheguei em BH, lembro que estava no centro e saí perguntando onde ficava o Minas – era o dia do meu teste pra jogador de vôlei, e todos respondiam: suba a Rua da Bahia até você ver o Clube”. O atleta hoje mora na Rua Espírito Santo, no centro, paralela à Rua da Bahia. “Mas já morei em Contagem e no bairro Caiçara e meu caminho era o mesmo: descia do ônibus no início da Bahia e subia até o Minas”. Para ele, a Rua da Bahia se tornou “o caminho da roça”.

Por: Juliana Costa e Samara Brasil

Foto: Juliana Costa

A rua da Bahia tem importância histórica para Belo Horizonte. Sendo a principal via de acesso para a Praça da Liberdade, a rua tem início na Avenida do Contorno, na Praça da Estação, e termina no bairro de Lourdes, um dos bairros nobres e tradicionais da capital mineira. Nesta rua existem edificações de importância como a igreja de Lourdes, Hotel Bahia e edifício Arcângelo Maleta que foi um empreendimento imobiliário na época de sua construção no final da década de 1950. E é nesse edifício que se encontra um dos mais tradicionais e históricos pontos da boêmia mineira: a Cantina do Lucas.

Um dos espaços que está presente desde os tempos de austeridade, a Cantina do Lucas, que em 1997 foi tombada pelo patrimônio histórico e cultural de Belo Horizonte, tem como clientes personalidades como Milton Nascimento e Paulinho da Viola, além de políticos e jornalistas, formadores de opinião e intelectuais. Gerente da Cantina do Lucas há sete anos e meio, Circéia Carvalho conta com sorriso na voz que “trabalhar na Cantina do Lucas foi um presente na minha vida”. A gerente trabalha no período da noite e conta que sua rotina é bem diferente dos funcionários da manhã pois o perfil de cliente muda.

“A gerência do dia e da noite são gerências distintas. De dia o gerente lida mais com fornecedores, já a noite a gerencia lida mais com clientes, a noite é mais tranquila”, explica. Circéia Carvalho preza por um tratamento cordial, acreditando que o cliente tem que sair do local satisfeito e com desejo de voltar. “Os clientes mais antigos comem determinados pratos e contam a história de quando comeram aquele prato”, explica Circéia. Mas nem tudo são flores, pois ela relata um problema com pessoas que entram na cantina apenas para utilizar o banheiro.

Quando está de folga, Circéia Carvalho gosta de se divertir e passar o tempo com sua família. “Como todo gerente de bar, eu gosto de tomar uma cervejinha, gosto de ir ao samba, gosto de cozinhar e também sou dona de casa”, conta Circéia. Além de gostar do seu trabalho a gerente tem prazer em viver bem. “A partir do momento que você faz aquilo que você gosta, você tem uma qualidade de vida legal. O mais importante é gostar de viver e eu  gosto”, ensina a gerente.

Por: Gabriel Amorim

Foto: João Alves

Desde que a Lei Seca passou a ser rigorosa o motorista que se recusa a soprar o bafômetro pode ser multado, a tolerância é zero ao  consumo mínimo de bebida alcoólica. Treze motoristas que foram aproveitar a noite do ultimo sábado (25) de maio, e descumpriram a Lei Seca, foram multados em R$ 1.915,40 e tiveram a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) recolhida.  Na noite anterior de sexta-feira (24), cinco motoristas foram detidos em Belo Horizonte após serem flagrados dirigindo com sinais de embriaguez. Eles foram abordados durante blitz da Lei Seca, na capital. Neste mesmo dia ,ao ir as ruas do bairro de Lourdes e conversar com responsáveis e clientes de principais bares, a equipe do jornal Contramão pôde observar a falta de incentivo ao cumprimento da lei de ambas as partes.

Em um bar da Rua da Bahia com Bernardo Guimarães, conhecido pelos frequentadores como “Postinho”, a gerente Jaqueline Mendes reconhece não ter nenhuma iniciativa para orientar os motoristas ao não consumo de álcool  e que até o momento não há planos para implantação de algo do tipo, porém acha muito importante. A cliente Juliana Fernandes (24), auxiliar de arquivo, habilitada diz que bebe sempre com os amigos, porém volta de táxi.

No quarteirão abaixo, no Western House, a operadora de caixa  Maria Aparecida (43), diz que  o bar não tem nenhuma iniciativa para incentivar o não consumo de álcool, pelos motoristas afirma também que já deu a ideia para o proprietário, e que seria uma boa iniciativa, já que a clientela caiu bastante depois da tolerância zero da lei .

Os clientes,  2 casais de amigos, frequentadores do local: Ismael neto(40), advogado, motorista, diz que Prefere ir em bares próximos a pé, ou  de táxi, porém assumi que já bebeu e dirigiu, sabe dos riscos e procura se virar sempre para fugir deles. Sua esposa Daniele Alvarenga (31), administradora fala que “a lei o faz refletir”, e que de vez em quando faz a gracinha de busca-lo. Ele diz também que pensa em não fazer uma “porcaria” com outras pessoas, não agredi .

Outro integrante do quarteto, Tiago Correia (31), também advogado assume que as vezes tem consciência,mas não segui  “não penso nos outros, só na multa, e no meu carro”, não se preocupa em beber e dirigir, afirma só andar bebo dentro do próprio Bairro. Sua acompanhante Luciana Carneiro (35),Enfermeira também disse que as vezes bebi e dirigi, porém bebi menos quando está dirigindo. Reconheci os riscos, principalmente por ser profissional da saúde, já sofreu um acidente na BR 040, quando uma motorista bêbada atravessa a contramão e bati de frente com seu carro a 7 anos atrás, se viu na condição de paciente e diz que não é fácil.

Com esse levantamento, observamos os riscos que  enfrentamos no dia-a-dia, não só  quem é motorista “por esporte”, mas também pedestres e profissionais  pois estamos sujeitos a falta de responsabilidade alheia. Ser motorista hoje é uma divisão de aguas, porque a consciência tem que ser mutua, os motoristas profissionais na área que dependem da carteira para seu sustento como o Carreteiro Edvaldo Cerqueira (30), relata que “ A lei seca é boa, porém falta a conscientização da população, e que na estrada não há nenhum tipo de iniciativa para a prevenção de acidentes por álcool e direção”.  Afirma “ Você vai na lua e volta, e ninguém te para”. Ele também fala que já bebeu e dirigiu, mas agora prefere seguir a lei, para não sofrer as consequências.

Outro adepto da profissão Marcos Xavier(33), motorista Rodoviário diz que não há nenhuma campanha nas estradas, postos de combustíveis e paradas para alertar os motoristas do perigo da combinação e como os outros assumi que também já bebeu e dirigiu. No Brasil há a lei a ser cumprida, porem sem nenhuma preocupação dos dependentes dela no site há mais informações sobre a posição da lei não afrontar a liberdade dos proprietários de bares.

Em prol de uma iniciativa que ajude na campanha de conscientização dos cervejeiros de plantão a agência RC comunicação, em parceria com outras empresas inova com um produto, uma bolacha magnética, com dois lados “Se beber, não dirija.” e  “Se beber, chame um táxi.” alerta os motoristas como os nossos entrevistados a repensarem seus conceitos. Não podia faltar uma ação simples, divertida e objetiva na tão conhecida capital dos botecos,  Belo Horizonte.

A aceitabilidade da clientela foi muito boa, segundo Igor que é redator da agência e um dos idealizadores do projeto, também afirma que os pedidos de taxi aumentam quando tem o uso da bolacha, já que quem aderi a campanha tem 10% de desconto na conta. Lorena Campolina que faz parte da imprensa da choperia Albanos onde é implantado a campanha, explica que esse desconto contínuo,é quando o cliente vai pagar a conta os garçons oferecem a proposta e se optarem a pegar o táxi os 10% de desconto é passado em dinheiro ao cliente para ajudar na despesa com o meio de transporte.

Até o momento foram realizadas três campanhas sem nenhum projeto de expansão em mente, atualmente o número de bolachas atende a demanda de clientes da casa. Lorena Informa que o uso das bolachas ”Vai muito de acordo com o dia, depende do movimento da casa a intenção é surpreender o cliente, os garçons também são orientados a utilizar a bolacha com os clientes quando vê que a situação é propicia”.

A campanha teve uma ótima repercussão nos meios de comunicação, já que bebida e direção não combinam, e tudo que envolve esse tema  chama a atenção em relação com a lei seca em todo país.

Pesquisa do Ministério da Saúde, sobre o impacto  do álcool e a relação com o trânsito, revela que 21% dos acidentes de trânsito estão relacionados ao consumo de álcool. De acordo com o MS, uma em cada cinco vítimas de acidente de trânsito atendidas nos prontos-socorros do País estava sob efeito de bebida alcoólica, o que causa um forte impacto nos atendimentos de urgência e emergência do Sistema Único de Saúde (SUS) do país. Mais informações no site.  A ultima iniciativa é a Operação Labirinto da Lei Seca que vai tomar conta de BH, já que foi aprovada pela secretaria a megablitz que fecha todos os acessos ao Bairro de Lourdes nos fins de semana. Barreiro, Pampulha e outros bairros da Zona Sul serão próximos alvos de ação quinzenal. Assim todos os caminhos levam à blitz,  na área nobre que também foi aprovado pelos  moradores, mas assustou frequentadores derrubando o movimento

Em relato ao site, o Subsecretário de Integração de Promoção da Qualidade e Integração do Sistema Defesa Social, Daniel de Oliveira Malard, a intenção deste cerco é garantir a eficácia da fiscalização da Lei Seca. “Nós temos que incutir no cidadão o sentimento de que isso (misturar bebida e volante) é inadequado e pode gerar um dano grande ao próximo ou a ele próprio”.

Por: Aline Viana e Juliana Costa

Foto Juliana Costa

Esse ano a marcha das vadias de Belo Horizonte superou as expectativa  de todos inclusive das articuladoras como relata em seu site Adriana Torres, ativista do Movimento Nossa BH e uma das participantes da Marcha, “foi de encher os olhinhos d’água ver mais de mil pessoas – jovens, nem tão jovens, cis, trans, mono, hétero, crianças, unidos com alegria e irreverência na defesa da liberdade e contra a violência”.

 A concentração que começou na Praça Rio Branco,as 13 horas em frente à rodoviária da Capital Mineira, passou pela Praça da Estação, Rua da Bahia, Praça da Liberdade, Savassi. o evento esse ano cresceu, conquistou, e trouxe as ruas o encanto do afeto humano em prol de um só ideal. E agora pressiona, e convida a ir além. A formar uma base de um mundo diferente para nós e para os próximos habitantes desse globo de poucos, loucos, por um intelecto em comum.

As políticas públicas relacionadas à violência contra a mulher está mais focada no “pós-violência”. “Temos poucas ações para conscientização, prevenção e conhecimento de que o machismo, a cultura patriarcal, é um dos principais fatores dessa violência”, afirma Adriana torres.

Vejo que essa reflexão deve começar dentro de nós, transformando em atitudes não machistas, não homofóbicas e não racistas no nosso dia a dia. É fácil admitir isso, não é fácil é olhar para nosso espelho interior e assumir uma postura mais humana, olhando para os outros e menos para nosso próprio umbigo.

No ultimo sábado (25), As ativistas usaram roupas curtas e algumas deixaram os seios a mostra e  o próprio corpo usado como meio de vincular o protesto para contestar o machismo. Com palavras pintadas pelo corpo, cartazes nas mãos e uma grande mistura entre muitos  homens,Crianças , mulheres e afins defendendo que é preciso aprender a respeitar não só as mulheres mas todos os seres que o merecem.

A Marcha das Vadias teve início em 2011 na cidade de Toronto, no Canadá, organizada por estudantes da universidade local. Após uma declaração de um policial na instituição que disse que se as mulheres se vestissem como “vadias” poderiam estimular o estupro.

Como explica o site.

O manifesto pacífico e bem humorado  também foi marcado em São Paulo,Recife e Curitiba, e já teve diferentes versões em diversos países. Assim a marcha chama a atenção da população, para que o preconceito seja banido dos pensamentos controversos dessa sociedade imperfeita.

A nossa conduta não deveria ser alvo de julgamentos, principalmente, porque o defini o caracter de um ser, não é constituída por “fora”, pela “casca” e sim pela essência da integridade sentimental que compartilhamos. Para se juntar a marcha não é preciso se despir, bastar estar confortável, todos são bem vindos desde que venha com alma e coração aberto a liberdade de expressão.

Por: Aline Viana

Foto: Aline Viana

Os vendedores de rua estão presentes em nosso cotidiano. Diariamente, os vemos e ouvimos anunciando itens que nos interessam ou não, mas estamos sempre apressados e focados em nossa existência que não prestamos atenção nesses “personagens” que nos circundam e podem revelar boas histórias de vida.  Há 29 anos, João Alves da Rocha (69) tem sua banca de frutas e doces no mesmo ponto, na Rua Gonsalves Dias em frente ao antigo prédio do IPSEMG, uma banca de estrutura simples, asseada, tratada com esmero.

O comerciante diz que a rua é “um presente de Jesus”. Ao longo do tempo Alves conquistou clientes fiéis e amigos. “Eu tenho uma família, alguns desgarraram de mim, mas de vez em quando chegam aqui com a família.”, afirma. Residente do bairro Santa Teresa, João Alves está no segundo casamento, é cristão, pai de 10 filhos a maioria casados, trabalha sozinho, de segunda a sexta, das 7h às 17h.  Para chegar à Praça da Liberdade, ele usa duas conduções, o metrô e um ônibus. Todas às segundas ele vai até o CEASA comprar as frutas e faz todo o percurso utilizando o transporte público.

 Os alimentos são armazenados com cuidado no estacionamento onde guarda o carrinho “é um lugar bem asseado, não tem rato, barata é bem ventilado e detetizado.” ressalta o comerciante. Sobre a violência João Alves conta que “uma pessoa foi pagar uma compra de cinco reais com uma nota de dez reais, a nota sumiu no ar, o cara saiu pulando entre os carros, eu fiquei com dó da dona perdoei o valor da compra e dei a ela cinco reais”.

Para se divertir João gosta de ir ao clube aos finais de semana com o neto. “Vou ao clube da copasa com meu netinho, ficamos lá o dia inteirinho”, conta. O comerciante se considera muito feliz, tem casa própria, e com o dinheiro que ganha com sua banca paga faculdade de uma de suas filhas e vê o trabalho como uma terapia e tem vontade de chegar aos 100 anos.

Há poucos metros do senhor João, conhecemos também outro trabalhador diário, Rogério José dos Santos. Vendedor de pipoca e guloseimas na porta do Centro Universitário Una da Rua da Bahia, diz que antes teve apenas dois empregos e herdou do pai o carrinho em 1949 aos 15 anos. Desde, então, não tem outra atuação profissional que não seja ser pipoqueiro. “Estou, há 20 anos trabalhando aqui, e a maioria dos meus clientes são alunos, ex-alunos e a família deles que por tradição compram em minha mão desde a infância”, afirma. O único filho de Santos não tem interesse em seguir os caminhos do pai, mas parece não se incomodar com isso. Em suas horas vagas gosta de viajar, principalmente para “Roça”, como diz.

A vida de ambos é bem diferente e ao mesmo tempo parecida, pois além de exercerem a mesma profissão, são distintos em comportamento. Seu João é falante, gosta de demostrar o que senti e o que pensa. Já seu Rogerio é pacato um pouco tímido e objetivo. Mas a maneira como vivem o cotidiano em meio ao transtorno do movimento urbano chama a atenção por simplesmente concordarem em ser felizes.

 Por: Aline Viana e Gabriel Amorin

 Foto: João Alves