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Novembro azul ( Internet divulgação )

Por Matheus Dias 

Hoje, 17 de novembro, é comemorado o Dia Mundial de Combate ao Câncer de Próstata, a campanha ‘Novembro Azul’ que acontece nesta data é internacionalmente conhecida por dedicar todo o mês ao combate da doença. O movimento teve origem na Austrália em 2003 com objetivo de chamar a atenção para a prevenção e o diagnóstico precoce de doenças que atingem a população masculina e no Brasil  foi comemorado pela primeira vez em 2008. 

No Brasil, de acordo com o Ministério da Saúde,  depois do câncer de pele não melanoma, o câncer mais comum entre homens, sendo 29% dos diagnósticos, é o de próstata. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA) mais de 65 mil novos casos são esperados em 2022. 

O Dr. Bernardo Geoffroy, médico urologista, destaca a importância da campanha e diz que as ações e campanhas como a do Novembro Azul estimulam o homem a procurar os consultórios: “Ainda é um tabu na sociedade, que é machista, mas vem caindo aos poucos. Esse tipo de

Dr. Bernardo Geoffroy, médico urologista
Dr. Bernardo Geoffroy, médico urologista. ( Foto: Arquivo pessoal )

iniciativa ajuda a acabar com o tabu, a gente vê isso na prática, os pacientes buscam consultas por causa das campanhas”. 

PREVENÇÃO 

A busca do homem a um consultório médico para consultas e exames em geral é bem menor comparado à mulher, comenta o urologista. A ida periódica para realizações de exames e ter um estilo de vida saudável coopera para que se não tenha câncer na próstata, já que não tem uma medida milagrosa para prevenir, mas o diagnóstico mais precoce possível é essencial para que se não avance.  O tabagismo, excesso de álcool, dieta rica em gordura animal, obesidade e sedentarismo aumentam o nível do câncer na próstata. 

O Dr. Geoffroy destaca a recomendação da Sociedade Brasileira de Urologia de se fazer o rastreio do câncer de próstata a partir de 45 anos  para o grupo de fatores de risco e aos 50 sem os fatores, que também comenta de receber pacientes com uma idade menor em busca do exame: “vemos na prática nos consultórios a preocupação de pacientes já  aos 40 anos”. 

FATORES DE RISCO

Os pacientes com fator de risco são os que tiveram familiares de primeiro grau com a doença (pais e irmãos), sobrepeso e obesidade e a população negra. Questionado sobre o motivo da população negra estar nesse fator de risco, Dr. Bernardo nos diz que “se tem uma série de estudos, mas nada definido. É uma população com incidência maior e a doença é mais agressiva, por isso é importante ter um olhar mais cuidadoso”. 

SINTOMAS 

Por ser uma doença assintomática, quando surge algum sinal já está avançado. Os principais sintomas são: 

  • Presença de sangue na urina e/ou esperma; 
  • dificuldade de urinar; 
  • jato urinário fino;
  • frequência na vontade de urinar;
  • dor ósseas. 

 

EXAMES E TRATAMENTO

O Toque Retal é o exame físico que se faz a avaliação do tamanho e textura da próstata, é o famoso exame carregado de resistência e machismo, mas o Dr. Bernardo Geoffroy avalia que se tem diminuído o preconceito e medo dos homens. Também existe o exame de sangue – Antígeno Prostático Específico, o PSA, que mede a quantidade de uma proteína produzida pela próstata e que consegue identificar também outras doenças na próstata. 

Dr Geoffroy destaca que os exames são complementares e  após a identificação de alguma alteração nos exames, se faz uma biópsia da próstata, que somente assim se tem um diagnóstico final.  

“O tratamento depende de uma série de fatores, como idade do paciente, se o paciente tem doença associada, o que ele deseja e espera do tratamento e o estágio da doença”, conta o urologista. Pacientes com tumor muito pouco agressivo podem tentar uma vigilância ativa, que é acompanhar o paciente de perto com exames seriados e identificar a hora que esse tumor está avançando para tratar de forma definitiva. Pacientes com risco maior a indicação é a radioterapia ou cirurgia. Os tratamentos são oferecidos de forma integral e gratuita por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).

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Nomeado de Bem Viver, programa atua com apoio e tratamento para a comunidade local de Belo Horizonte 

Por Keven Souza

O Centro Universitário Una, integrante da Ânima Educação, está, hoje, presente não só na formação de futuros profissionais do mercado como instituição de ensino superior, mas também na vida da comunidade local que vive na região centro-sul de Belo Horizonte, através do projeto Bem Viver. 

O programa, que faz parte da Cidade Universitária e da Clínica Integrada de Saúde da Una, tem prestado atendimento às pessoas com transtorno alimentar (TA) na cidade, na promoção de saúde e prevenção de doenças. “Não temos nenhum centro de referência que acolha esses pacientes e a população que tenha esse perfil em Belo Horizonte. A ajuda é de extrema importância, pois os transtornos alimentares podem afetar tanto a saúde física, mental e todo comportamento social do indivíduo”, explica a nutricionista e professora da Una, Denise Alves Perez.

O Bem Viver possui o objetivo de acolher, oferecer e promover a assistência gratuita, adequada e humanizada àqueles que passam ou passaram pela dificuldade dos transtornos alimentares, que são doenças psiquiátricas relacionadas a comportamentos persistentes que afetam negativamente várias áreas importantes da vida. 

Ele atua em diferentes frentes para ajudar indivíduos com o distúrbio. Durante todos os atendimentos, profissionais agem de forma interdisciplinar a observar a complexidade dos transtornos, tendo o cuidado devido de acordo com as necessidades do próprio paciente. 

O processo funciona a partir da examinação e solicitação de testes para realizar o diagnóstico e, então, encaminhar aos devidos profissionais. Logo após, psicólogos fazem consulta posteriormente ao diagnóstico. E os nutricionistas podem propor alterações de consumo, padrão e comportamentos alimentares, completando assim, a equipe básica para o tratamento efetivo de um transtorno alimentar.

Para participar da consulta,  interessados que necessitem de ajuda com qualquer tipo de transtorno alimentar, devem preencher o formulário de atendimento e aguardar o contato da Clínica Integrada de Saúde da Una. Venha fazer parte!

Ensino teórico-prático 

Em seu escopo, o Bem Viver fomenta, ainda, o interprofissionalismo e o ensino teórico-prático de quem está no centro de toda a Una: os alunos. “Eles são extremamente beneficiados, pois dentro do projeto temos encontros semanais, com palestra, debates, discussões sobre o tema, além dos atendimentos, deixando esses alunos cada vez mais capacitados a lidarem com esse público (pacientes com TA) que só vem crescendo na população”, comenta Denise. 

Os estudantes das áreas da Saúde, que envolvem os cursos de Biomedicina, Enfermagem, Estética, Nutrição, Fisioterapia, Farmácia, Odontologia, Pedagogia e Psicologia, são aqueles que, sob supervisão de uma equipe de preceptores clínicos com expertise nos serviços ofertados, atendem a comunidade local e, acima de tudo, colocam em prática teorias absorvidas em sala, construindo uma formação ávida. 

Clínica Integrada de Saúde CDU 

Localizada na Rua dos Aimorés, 1451, na região centro-sul da capital mineira – no Campus Una Aimorés, a clínica contará com infraestrutura de última geração para quem precisa de uma atenção especial ligada à saúde. Possui clínicas de Fisioterapia, Estética, Farmácia e Odontologia, além de consultórios de Psicologia, Nutrição e laboratórios de práticas interdisciplinares, com recepção para atendimentos da comunidade local.

Horário de funcionamento: de segunda a sexta-feira, das 8h às 21h, conforme a agenda disponível. 

 

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Estrutura beneficiará todo o entorno e terá a interdisciplinaridade como um de seus pilares

Por Keven Souza

O Centro Universitário Una, instituição que integra o Grupo Ânima Educação, vai inaugurar na próxima quarta-feira (18/05) uma estrutura completa para o atendimento e cuidado clínico em Belo Horizonte. A Clínica Integrada de Saúde Cidade Universitária Una (CDU) será um espaço dedicado à consulta de cunho social e, também, ao ensino teórico-prático de alunos, com oferta de um rol de procedimentos e serviços médicos gratuitos. 

Localizada na Rua dos Aimorés, 1451, na região centro-sul da capital mineira – no Campus Una Aimorés, a clínica contará com infraestrutura de última geração para quem precisa de uma atenção especial ligada à saúde. “A clínica oferece quase 1500 metros quadrados de estruturas de atendimento, preparo e manutenção. Ao todo são mais de 20 profissionais envolvidos e mais de 2000 atendimentos esperados para o semestre, que continuam com o mesmo padrão de qualidade, porém em um espaço totalmente novo e com a adição dos atendimentos de odontologia, um serviço novo na Una”, afirma Eric Liberato Gregório, nutricionista e coordenador de cursos da Una. 

A nova estrutura possui clínicas de fisioterapia, estética, farmácia e odontologia, além de consultórios de psicologia, nutrição e laboratórios de práticas interdisciplinares, que diversos cursos poderão usar. Todos estes espaços terão também recepção para atendimentos.

Clínica fisiterapia 

Clínica odontológica 

Espaço tricologia (Estética)

Laboratório de prática interdisciplinar (LPI) 

*as imagens foram desenvolvidas pelos alunos de Arquitetura e urbanismo da Una, Ashley Coimbra, Daniela Cristina e Gabriel Benzaquen, bem como Fábrica NAU. 

Já os serviços oferecidos, os principais são educação nutricional, acompanhamento farmacêutico e psicológico, grupos de apoio para algumas enfermidades – como transtornos alimentares, limpeza dentária, tratamento de cárie, substituição de restaurações inadequadas, entre outros diversos procedimentos. 

Os atendimentos são conduzidos pelos estudantes da instituição sob supervisão de uma equipe de preceptores clínicos com expertise nas áreas ofertadas. Será atendido toda a população local e para participar da consulta, os interessados podem se inscrever através do link: bit.ly/clinica_cdu. Feito o cadastro, é só aguardar o contato da clínica. 

O horário para tais consultas é de segunda a sexta-feira, das 8h às 21h, conforme o horário de funcionamento da clínica e a agenda disponível. 

Teorias e práticas alinhados 

Com a inauguração, a Clínica Integrada de Saúde CDU além de equipar Belo Horizonte com um espaço de referência, fomentará mais um modelo acadêmico exemplar para alunos da área da Saúde exercitarem seus conhecimentos obtidos em sala de aula na estrutura disponível.

Segundo Eric, essa é a premissa do novo espaço, interdisciplinaridade. “Termos uma clínica escola em funcionamento na Una significa um grande ganho. Aos alunos é uma excelente opção de realização de estágios ou projetos de extensão, com a estrutura e diferenciais acadêmicos da instituição”, diz. 

Além disso, é o ensejo para os estudantes atuarem com o atendimento de cunho social. É o que pontua Eric. “Para além de serem laboratórios de aulas, as clínicas proporcionam mudança na vida das pessoas, como pacientes e alunos aprendizes. E isso para a cidade é uma oportunidade de participação na saúde coletiva, super importante!”, conclui. 

 

Saiba mais sobre o espaço e um pequeno resumo dos serviços oferecidos pela Clínica Integrada no canal TV Una Fábrica:  https://www.youtube.com/watch?v=tvHBi5aI6zs 

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Capacitismo no ambiente acadêmico dificulta relacionamentos, aprendizados e vivências de pessoas com deficiência 

Por Milena Vieira

Ativista feminista, mestranda no programa de pós-graduação em Comunicação Social da UFMG e criadora do blog “Disbuga”, Fatine Oliveira tem distrofia muscular e é cadeirante desde os oito anos. Trata-se, hoje, de importante voz sobre a experiência da mulher com deficiência, assim como em relação às atitudes e aos comportamentos preconceituosos dentro e fora do ambiente escolar. Ao longo dos anos, houve momentos em que Fatine foi infantilizada, submetida a olhares curiosos e a excessos de elogios, por fazer atividades normais ou impedida de participar de exercícios coletivos por não serem aptos às suas necessidades. 

À forma de Fatine, milhões de brasileiros lidam, todos os dias, com situações capacitistas. O capacitismo pode ser definido como toda forma de discriminação contra as pessoas com qualquer tipo de necessidade especial, seja ela física, seja auditiva, visual, mental e/ou múltipla. Tal comportamento nasce de um sistema excludente, opressivo e preconceituoso, no qual se enxerga a diferença como tradução de indivíduos incapazes de pensar por si mesmos e de atuar em sociedade. Revela-se no cotidiano, sobretudo nos meios acadêmico e profissional, por vezes inconscientemente, como em falas ou atitudes que expõem sentimentos de pena, proteção excessiva e/ou inferioridade, o que afeta violentamente a vida desses cidadãos.

Em uma sociedade, tudo que está fora ao que é posto como “padrão normal” pode sofrer preconceito e discriminação. Pessoas que não aderem às “normas” costumam ser invisibilizadas, marginalizadas e pouco aceitas nos espaços sociais, seja de maneira óbvia e transparente, seja de forma velada e não explícita.

No ambiente acadêmico, onde muitos indivíduos passam grande parte de seu tempo, as pessoas aprendem, ensinam, trocam experiências, constroem laços e memórias, além de lidar com as diferenças. Para que isso aconteça, é preciso que tal espaço seja inclusivo e acessível a todos. 

Segundo Welder Rodrigo Vicente, líder do Núcleo de Apoio Psicopedagógico e Inclusão (NAPI) do Centro Universitário UNA, é determinado por lei que escolas e universidades tenham adaptações em seus ambientes, o que inclui materiais e metodologias, para que atendam às pessoas com deficiência (PCDs), tanto alunos quanto professores e funcionários.

“O NAPI foi pensado, inicialmente, para atender uma demanda de inclusão, a partir do movimento dos alunos com deficiência, principalmente auditiva, realizado no final de 2010, de forma mais intensa. A partir da necessidade do estudante surdo, viemos a olhar para outras necessidades. Se tenho 50 alunos com algum tipo de deficiência, tenho que atender aos 50; se não, não estarei incluindo”, destaca. 

De acordo com estudo feito pela plataforma QEdu, a partir de dados do Censo Escolar 2016, apenas 26% das escolas públicas e 35% das instituições particulares estão aptas, nas cidades brasileiras, à criação de ferramentas de inclusão e acesso, para que as pessoas possam ter um ensino de boa qualidade. 

Já para falar sobre processos inclusivos nas universidades, é preciso, antes, levar em consideração a desigualdade social, fruto do sistema capitalista e da falta de investimento nas áreas sociais, culturais, de saúde e educação. 

Fatine Oliveira, por exemplo, foi uma jovem estudante de baixa renda, e ressalta a importância de discutir o assunto: “Não posso, simplesmente, virar e falar que tive acesso, ou não tive. Quero que entendam que a deficiência não é o pior. Vários outros tópicos da questão social também são ruins. Não consegui entrar na faculdade por falta de acesso. A maioria das pessoas com deficiência pertence a classes baixas, o que interfere mais ainda em sua vivência. Muitas pessoas não conseguem ver a dificuldade estruturada na sociedade. É muito complicado não ter esse apoio político do governo” 

Além de todas as complicações para ingressar no meio escolar, as pessoas com deficiência são, por vezes, expostas a expressões capacitistas de todos os tipos, dos velados aos ostensivos. Uma das vertentes do capacitismo no ambiente escolar diz respeito ao momento em que as pessoas olham para aquelas com algum tipo de deficiência, enxergando-as como “coitadas”, “vulneráveis” ou “inocentes”.

No caso de crianças, aliás, todas são inocentes, e não só quando têm deficiência; no caso de jovens e adultos, eles acabam infantilizados. Deve-se pontuar que o capacitismo não acontece somente em situações ligadas ao corpo físico. Pessoas com deficiências não visíveis também são questionadas quanto à capacidade e à inteligência.

“Em minha vida acadêmica, só me incomodavam as pessoas que olhavam para mim fixamente. Às vezes, riam de mim e tiravam sarro, criticavam. A gente tem que passar por cima, mas havia coisas de que não gostava, mesmo. Eu ignorava, deixava para lá, pois tem coisas que precisamos superar”, conta Letícia Diniz, 22 anos, que tem Síndrome de Down e é estudante de Jornalismo no Centro Universitário UNA.

É possível que, em algum momento, qualquer um tenha presenciado ou feito declarações capacitistas. Frases do tipo “Dar uma de João sem braço”, “Você só pode ser retardado!”, “Está mais perdido do que cego em tiroteio”, dentre outras, são naturalmente usadas no dia a dia, sem que se considere o quanto reforçam a imagem da pessoa com deficiência como incapaz.

Outro gesto capacitista é tomar como superação os feitos de sucesso, esforços e conquistas realizadas por PCDs, a exemplo de frases como “Eu reclamando da vida e olha você aí, vivendo, apesar de tudo”, “Ela é tão inteligente, nem parece ser especial”, “Te acho tão guerreira por chegar até aqui”. A deficiência, porém, não impede a pessoa de alcançar seus objetivos. Exemplo disso são os Jogos Paraolímpicos, um dos maiores eventos esportivos do mundo a envolver PCDs, que mostram que qualquer indivíduo é capaz de descobrir (e superar) novos limites.

Em palestra sobre capacitismo, realizada na plataforma do YouTube, no canal TV FEC SC, Federação Espírita Catarinense, o pedagogo Eduardo Torto Meneghelli, mestre em educação, conta que, na Antiguidade, acreditava-se que os indivíduos que nasciam com alguma necessidade não agradavam aos deuses e não tinham alma. A deficiência era vista como castigo, e muitos acabavam abandonados, ou mortos, pelas próprias famílias.

Tal violência não acabou com o passar do tempo. No Brasil, em meio à pandemia, registrou-se crescimento de ataques contra pessoas com deficiência, sendo a maior parte vítima de familiares e conhecidos. Segundo Cleyton Borges, supervisor do Centro de Apoio Técnico da Delegacia de Polícia da Pessoa com Deficiência em São Paulo, o isolamento fez com que tais pessoas ficassem mais expostas. Ele reforça a necessidade de conscientização da população quanto às denúncias, que podem ser feitas, de qualquer parte do país, pelo Disque 100.

Discutir o capacitismo não é somente um dever das pessoas especiais. A conscientização é popular. Para cortar as raízes estruturais do preconceito, é necessário que todos estejam dispostos a se pôr em posição de escuta e aprendizado. Além disso, é vital cobrar do Estado a garantia dos direitos humanos, para que, então, seja construída uma sociedade em que todas as pessoas consigam viver dignamente. “Um caminho para aprender mais sobre as diferenças seria assumir uma postura de abertura, em que o olhar superasse os limites do conhecido e alcançasse a potência de novos aprendizados, que só o outro pode oferecer”, destaca Fatine Oliveira. 

Manifestação pelo direito das pessoas com deficiência em 2013, na cidade de São Paulo (foto: Danilo Verpa/Folha S.Paulo)

 

 

 

 

 

 

 

Conscientização nas redes

Desde o início da pandemia, nota-se crescimento de conteúdos produzidos nas redes sociais, em apps como TikTok e Instagram. Em consequência do isolamento social, o número de visualizações e engajamento tem tido aumento relevante, se comparado aos anos anteriores. Mais do que apenas conteúdos, alguns influenciadores têm conseguido abordar assuntos delicados e importantes por meio do humor.

É o caso da influenciadora digital e psicóloga Lorrane Silva, mais conhecida como “Pequena Lô”, diagnosticada com displasia óssea. Ela tem quase 10 milhões de seguidores em suas redes sociais, e, em vídeos humorísticos, aponta os problemas sociais enfrentados por pessoas com deficiência. Além de se divertirem, as pessoas acabam conscientizadas com o conteúdo. 

“O preconceito ainda está longe de acabar. Muitas pessoas têm um pensamento muito fechado. Estou na internet para mudar essa visão em relação a nós, pessoas com deficiência. Quando comecei, impactou muito. Uma pessoa com deficiência, que dança, faz humor, formada em psicologia, não é todo dia que a gente vê. As pessoas com deficiência não ficam reunidas em um só lugar, mas, hoje, conheço muitas que estão na internet, pondo a cara à tapa para apresentar essas informações”. 

Origem do “capacitismo”

A palavra capacitismo é a tradução do inglês “ableism”, que, em português, significa “capaz”. Segundo a BBC, o termo foi usado, pela primeira vez, nos Estados Unidos, na década de 1980, e era mais conhecido dentro de organizações políticas pelo direito à igualdade. No Brasil, apesar de também existirem movimentos ativistas de pessoas com deficiência pela reivindicação de seus direitos, desde os anos 1980, o termo se popularizou em 2016, quando um grupo de jovens com deficiência se reuniu nas redes sociais e criou a hashtag #ÉCapacitismoQuando, com o objetivo de ampliar a discussão sobre a discriminação contra pessoas com deficiência. É importante que exista a denominação do preconceito, para que ele seja exposto e confrontado. 

Nas telas

Confira dicas de filmes e seriados que retratam a vivência de pessoas com deficiência e os efeitos de uma sociedade capacitista 

The Good Doctor (O bom doutor)

A série tem como protagonista Shaun Murphy, jovem autista formado em medicina, que sonha em ser cirurgião e tem suas habilidades questionadas e postas à prova o tempo todo, por colegas e superiores, após começar a trabalhar em um hospital famoso.

Extraordinário
O filme narra a história de Auggie Pullman, garoto de 10 anos, que nasceu com uma deformidade genética no rosto e precisou passar por 27 cirurgias plásticas. Com o apoio da família, Auggie começa a frequentar a escola pela primeira vez. 

Hoje eu quero voltar sozinho

Um romance brasileiro. Conta a vida de Leonardo, jovem estudante do ensino médio com deficiência visual. Aborda os desafios para a inclusão e os questionamentos sobre a própria sexualidade, após o protagonista conhecer Gabriel, novo aluno da escola. 

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Por Bianca Morais 

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 12 milhões de brasileiros sofrem com depressão, a população está adoecendo em quantidade e velocidade preocupantes. Janeiro é o mês dedicado a conscientização para os cuidados com a saúde mental, cuidar da mente é cuidar da vida, o ser humano é um conjunto de corpo, mente e espírito, muitas vezes acaba se cuidando apenas do corpo e se esquece de cuidar da mente, sendo que ela influencia diretamente no corpo, se a saúde mental não está boa, ela pode atingir o corpo, abaixando a imunidade, por exemplo.

Em 2014, com objetivo de conscientização da promoção e proteção da Saúde Mental,  psicólogos da cidade de Uberlândia em Minas Gerais criaram o termo “Janeiro Branco”, uma campanha brasileira que tem o propósito de dar visibilidade para o tema e fazer com que as pessoas busquem ajuda, para cuidar do psicológico.

Nos últimos dois anos, com a pandemia que ocasionou o isolamento social, muitas pessoas descobriram que “saúde mental” não é brincadeira. Sofrer em silêncio não é saudável, desabafar com os amigos é bom, mas é necessário a consciência de que um apoio profissional é muito importante. 

Em entrevista ao Jornal Contramão, a psicóloga Nicole Ornellas Nunes, psicoterapeuta com especialização em transpessoal sistêmica com ênfase em Relacionamento Abusivo e Violência Doméstica – Formada pela Acadêmia Forense em Sexologia Forense, Crimes, Psicopatologia Forense, Mediação de Conflitos e Gerenciamento de Crise responde questões sobre o Janeiro Branco e sobre saúde mental.

 

  1.       O que é o Janeiro Branco?

Janeiro branco é uma campanha voltada para a prevenção da saúde mental, visa dentro da saúde, não só a ausência de transtornos psicológicos, mas seu bem-estar e a forma como você se percebe entre as situações da vida, como você lida com seus sentimentos e emoções.

  1.       Quando essa campanha teve início?

Surgiu em 2014 por psicólogos e estudantes de psicologia em Uberlândia, Minas Gerais. No primeiro ano da campanha, as ações foram realizadas através de mini palestras, roda de conversa entre outras ações, já em 2016, tomou maior proporção com a ajuda das redes sociais e outros profissionais da saúde mental também de outros estados.

  1.       Por que a cor branca?

O Branco traz clareza, paz e tranquilidade. É uma cor que sugere libertação, que ilumina o lado espiritual e restabelece o equilíbrio interior. Por ser ausência das cores, acredita-se que como em uma “folha ou em uma tela em branco”, todas as pessoas podem ser inspiradas a escreverem ou a reescreverem as suas próprias histórias de vida, colocando cores, detalhes e alegrias.

  1.       O que você acha sobre as promessas de ano novo? Você acredita que elas possam causar frustrações?

Sou a favor, desde que todos estejam abertos para as mudanças. Mas o que vem acontecendo ultimamente são pessoas que não saem da sua “zona de conforto” e repete as mesmas ações de anos anteriores, e desta forma se torna inviável uma colheita diferente. Sim, as frustrações surgem quando coloca-se muita expectativa nos processos, e dentro das promessas para um novo ano, existe uma autocobrança enorme e uma baixa tolerância a aceitar falhas que em outras palavras são as” frustrações”. Tudo bem se você falhar!

  1.       Como psicóloga, qual sua opinião sobre a importância do Janeiro Branco?

É importante para conscientizar as pessoas de que os cuidados com a saúde mental começa de cada um,  que nossas ações ou a ausência delas, refletem na vida do outro, ter responsabilidade afetiva, empatia, são pilares fundamentais que contribuem para essa campanha.

  1.       Você percebe um aumento na procura de atendimento psicológico nos últimos anos? Se sim, ao que se deve isso?

Sim, sempre existiu um tabu dentro da psicologia, e, todos esses preconceitos foram sendo desmistificados ao longo dos anos, acredito que a internet e suas redes sociais tem muita influência para esse crescimento. Hoje qualquer ser humano tem acesso as informações e por conseguinte tirar suas dúvidas e se inteirar nos assuntos pertinentes a área, o que antes muitas vezes eram velados.

  1.       Como reconhecer que está na hora de procurar um psicólogo?

Temos uma cultura onde precisamos ter determinado “problema” para buscar ajuda, e não necessariamente. Não existe um momento exato, o trabalho de nós profissionais em teoria era para ser voltado para a prevenção, mas na prática, as pessoas procuram na UTI.

  1.       Qual o maior receio das pessoas em buscar ajuda de psicólogo? E como resolver isto?

O medo do desconhecido, por nunca ter feito, além do preconceito e crenças que existem na sociedade onde dizem que terapia é para “doido” ou terapia é um “luxo”. Só tiramos os receios e medos confrontando com verdades, pesquisem na fonte e só assim podem ter uma clareza sobre como funciona o processo.

  1.       O que se pode fazer para cuidar da saúde mental diariamente?

Ter uma saúde mental equilibrada requer muito mais de nós do que dos outros, ou seja tem muito a ver com nossos hábitos e comportamentos, diante disso, não gastar energia com aquilo que não podemos mudar, se colocar em primeiro lugar, saber dizer não, ter uma alimentação mais próximo do saudável possível, dormir bem, praticar atividade física, entre outras.

  1.     Em relação aos jovens e adolescentes, como os pais ou família podem identificar que os mesmos precisam de acompanhamento psicológico?

A fase da adolescência em si, já se torna um motivo para buscar ajuda de um profissional, principalmente por ser uma fase onde o jovem entra em conflito com sua própria identidade por ter muitas cobranças, não se ver como criança, mas também não é adulto.  Hoje em dia os pais não precisam lidar com eles sozinhos, e pedir suporte é de extrema importância para ajudar no desenvolvimento de cada um.

  1.     Como as doenças emocionais podem influenciar no cotidiano das pessoas?

Influenciam na mudança da rotina de uma forma que deixa de te trazer benefícios, se antes por exemplo, você produzia 10, e caiu para 6, é um dado a se observar, qual conflito não assimilado está sugando sua energia a esse ponto? A falta de motivação, ansiedade e estresse, libera descarga de adrenalina no corpo, e com o tempo esse excesso pode te deixar hipervigilante, ou seja, em estado de alerta sempre, e por consequência, insônias, aumento ou diminuição do apetite entre outros que com certeza desestabiliza não só o cotidiano, mas a vida.  

  1.     Qual dica você daria para que o tema saúde mental não seja lembrado apenas em janeiro, mas durante todo o ano?

É uma força tarefa, acredito que todos devem fazer sua parte nessa divulgação, tanto os profissionais sempre estarem lembrando em suas plataformas, como as políticas públicas com mais e mais campanhas nas comunidades para quem não tem acesso à internet, a própria sociedade criar esse interesse/ curiosidade para buscar e repassar por diante. A dica? Olhe para o lado, não chame a dor do outro de drama e nem “mimimi”, dessa forma vocês estariam não só lembrando, mas colocando em prática o que a campanha tem como objetivo.

  1.     Pensando na pandemia, existem algumas alternativas para manter a saúde mental durante este momento?

Existe sim, vale lembrar que não temos histórico na nossa memória de nada parecido com o que estamos vivendo hoje, portanto o desconhecido já desestabiliza, nosso cérebro tende a buscar sempre por fatos passados para repetir o comportamento seja de fuga ou enfrentamento, nesse caso ficamos paralisados e angustiados. Portanto, alguns “paliativos” ajudam como: evitar ver notícias onde disseminam o caos certificando-se da fonte, não sofrer por antecipação, ocupar a mente com cursos, leituras, assistir filmes que fujam do padrão de violência, além de manter uma alimentação saudável, meditação entre outras alternativas, vale aquilo que te traz bem-estar e que faça sentido para sua vida.

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Por Bianca Morais

A diabetes é uma doença global, pelo mundo milhões de pessoas vivem com ela, e não necessariamente é causada pelo consumo excessivo do açúcar, mas por fatores genéticos, comportamentos sedentários, obesidade, hipertensão entre outros.

Um diagnóstico de diabetes não deve significar o fim do mundo, ao contrário, é uma possibilidade de viver uma vida saudável, sem ter que abrir mão de tudo, mas aprendendo a se controlar e ter cuidados.

 A Sociedade Brasileira de Diabetes mostrou que em 2019, mais de 13 milhões de pessoas viviam com a doença no país. E apesar dos obstáculos, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece tratamento gratuito para a doença, fazendo a distribuição de insumos matérias como aparelho de medir glicose, tiras reagentes, insulina, seringas e agulhas. 

A luta contra a diabetes é algo constante e o autocuidado preventivo é essencial, afinal ela é uma doença crônica que precisa de cuidados por toda a vida. No dia 14 de novembro, é celebrado o Dia Mundial da Diabetes, como uma forma de conscientização a respeito do assunto.

Em comemoração a data de hoje, o Jornal Contramão traz uma entrevista com a jovem Beatriz Porto, de apenas 14 anos. Ela estudante do Ensino Fundamental e convive com a doença ainda bebê. Como convive desde muito nova com a doença, Beatriz não vê sua condição como um problema. Viver com diabetes não a impede de fazer o que gosta, como praticar vôlei, sair com os amigos e primos e assistir suas séries favoritas.

Confira a seguir a entrevista com a adolescente.

Com quantos anos você descobriu a diabetes e como foi? 

Eu descobri que tinha diabetes com um ano e meio de idade, não lembro como foi, pois era muito nova, mas pelo que me contam foi algo surpreendente. 

Minha mãe diz que no dia em que descobrimos eu estava na natação da minha irmã mais velha, a Brenda, e estava muito quietinha em um canto, quando saímos fui para casa da minha avó e ela disse para minha mãe me levar na minha pediatra, a doutora Helena. 

Ao chegar lá, minha mãe contou sobre os sintomas e imediatamente a doutora me mandou direto para o hospital e falou que podia internar que eu tinha diabetes, ela mesma já sabia e fizemos o exame só para confirmar. No hospital, minha mãe disse que eu chorava muito e não queria ficar com ninguém.

Como foi a reação da sua família? 

Minha família ficou meio assustada, porque foi de repente que eles descobriram que eu tinha diabetes, mas eles me apoiaram e me apoiam até hoje.

Alguém da sua família tinha diabetes?

Na minha família nós temos predisposição, só que o tipo de diabetes que temos predisposição é o tipo 2, no qual a gente toma remédio, no meu caso minha diabetes usa a insulina, então é diferente, a minha diabetes não foi por família.

Qual seu tipo de diabetes? E o que isso significa?

O tipo de diabetes que eu tenho é o tipo 1, mas conversando com minha médica ela entendeu que meu caso é tipo mody, que é um pouco diferente. A diabetes tipo 1 é aquela que faz uso de insulina porque o pâncreas não funciona, ele funciona a zero por cento e isso significa que você precisa injetar insulina em si mesmo. 

A diabetes tipo 2 é a que você usa o remédio, o pâncreas funciona mas a célula que precisa introduzir a insulina dentro do sangue não consegue captar essa insulina, precisando do remédio para funcionar. 

A diabetes tipo mody, que é a que eles acham que é a minha, é assim, meu pâncreas funciona na hora que ele quiser, parece ter vida própria.

Você descobriu a diabetes muito nova, consequentemente acabou crescendo e aprendendo a viver com ela. Quando mais nova seus pais conseguiam controlar sua alimentação, e agora que você está maior você sente dificuldades em se controlar sozinha?

Não, eu não sinto nenhuma dificuldade em controlar a minha alimentação sozinha. A minha alimentação é um pouco diferente, ela não é igual a de alguém que não tem diabetes, mas também não é igual a uma pessoa que tem diabetes, como meu pâncreas funciona na hora que ele quer, é um pouco mais difícil de controlar, mas ainda dá super certo.

Como é viver com diabetes?

Viver com diabetes é um pouco complicado, porque você tem que estar sempre se controlando, se a glicose estiver um pouco baixa você começar a sentir dor de cabeça, começar a ficar tonta. E quando você fica com ela muito alta pode acontecer a dor de cabeça e também a agitação provocasa pelo excesso de açúcar no sangue. 

Depois de descobrir a diabetes você teve algum caso de urgência ou precisou ir ao hospital?

Sim, uma vez quando eu era muito novinha, era festa de aniversário do meu primo, eu estava brincando no parquinho e tinha uma mesa de doces próxima, porque era festa de crianças, e como eu era pequena ainda não sabia o que era diabetes eu só estava comendo muito doce, e acabou que essa foi a primeira vez que eu fui parar no hospital depois de descobrir a doença.

Como foi chegar na escola pela primeira vez e perceber que seus colegas não eram como você?

Como eu tenho diabetes há muito tempo, a primeira vez que eu fui a escola eu não me lembro ao certo, mas perceber que meus colegas tinham um jeito diferente foi um pouco assustador, porque eu achava que todo mundo era assim e descobri que não. Com isso, fuime aprofundar um pouco mais e entendi mais ou menos o que estava acontecendo.

Você procura se informar sobre sua doença?

Sim, procuro me informar e muito, faço várias pesquisas e converso muito com minha médica.

Você sente medo? 

O medo em si eu não sinto, eu sinto mais ansiedade, desconfiança, tentando descobrir o que pode mudar essa situação que eu vivo, não sei muito expressar, às vezes fico com raiva e pensando porque não posso comer aquilo se todo mundo pode. 

Qual a pior parte de ter diabetes?

A parte mais ruim é eu ter que me furar todo dia, ter que tomar insulina, ter que furar o dedo para olhar a glicose, essa é a parte mais ruim.

Seu tratamento é caro?

O tratamento em si é caro, mas só que eu consigo o suporte do SUS. Então, a gente sempre consegue pegar a insulinas, os exames, as fitinhas, daí não gastamos muito, mas de vez em quando acontece do governo não mandar a insulina e termos que comprar, e é muito caro.

Como é sua rotina? Segue alguma dieta específica?

A minha rotina ela é bem centrada, eu vou para escola, faço minhas tarefasm assisto tv, tenho que fazer alguma atividade física todos os dias para tentar sustentar a glicose no sangue. Sim, eu sigo uma dieta específica, até pouco tempo atrás eu não seguia, porque eu ainda não tinha conseguido uma nutricionista para mim, só que depois consegui sigo uma dieta super especifica e controlada.

Você sente vontade de comer alguma coisa e não pode?

No meu caso como eu expliquei, a minha diabetes é tipo mody, a minha alimentação é diferente de um diabético tradicional. Eu posso comer doce à vontade, eu só preciso controlar com a insulina. Um diabético tradicional não pode comer doce de forma alguma, a não ser que sua diabetes esteja baixa, mas eu nunca senti vontade de comer algo que eu não possa, porque sempre fui liberal, sempre pude comer tudo.

Qual sua dica para viver bem com a diabetes?

Minha dica é sempre se controlar, usar a insulina da forma correta como o médico explica, usar todo o equipamento, fazer exame controlado, deixar o açúcar correto no sangue, e sempre controlar açúcar no sangue.