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TBT

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Por Daniela Reis 

Há 11 anos o nome do goleiro Bruno Fernandes e da modelo Eliza Samúdio estamparam as manchetes dos jornais em todo o país. O desaparecimento da jovem julgou e condenou culpados, porém mesmo após tanto tempo ainda paira no ar a pergunta: Onde está o corpo de Eliza Samúdio? 

As investigações e os depoimentos de testemunhas e envolvidos levaram à prisão o goleiro e os cúmplices Macarrão e Bola além da emissão de uma certidão de óbito, mesmo sem a principal prova do crime, o cadáver da mulher. Esse documento atesta que ela foi morta por esganadura no município de Vespasiano, localizado na região metropolitana de BH. 

Relembre

A modelo Eliza Samudio tinha 25 anos quando desapareceu misteriosamente em junho de 2010. A jovem passava por uma fase turbulenta devido a uma disputa por pensão alimentícia do filho com o goleiro Bruno Fernandes, do Flamengo. De acordo com a Justiça, ela foi levada à força do Rio de Janeiro por Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, amigo de Bruno, para um sítio do goleiro, em Esmeraldas (MG), onde foi mantida em cárcere privado junto com o filho bebê. 

Na noite de 10 de junho de 2010, Eliza foi levada para a casa do ex-PM Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola. A investigação policial concluiu que a modelo foi espancada e asfixiada até a morte.

Bruno ainda nega participação na morte da ex-amante. “Não mandei matar ninguém”. 

Após uma intensa investigação policial, além de buscas fracassadas pelo corpo de Eliza e a fase processual, os réus foram levados a júri popular no Fórum de Contagem, na Grande Belo Horizonte. 

Desfechos 

Bruno foi condenado, em 2013, por sequestro, ocultação de cadáver e por ser o mandante da morte de Eliza. A pena inicial era de 22 anos e três meses de prisão. Anos depois, o jogador de futebol teve a pena reduzida pela Justiça para 20 anos e nove meses. 

Dayanne Rodrigues, ex-mulher de Bruno, foi julgada ao lado do goleiro, mas absolvida por quatro votos a três pelo júri popular pela acusação de participação no sequestro e cárcere privado de Eliza. 

Macarrão foi condenado a 15 anos de prisão por envolvimento no crime, mas já cumpre a pena em regime semiaberto

Bola foi condenado a 22 anos de prisão no caso da morte da ex-namorada do goleiro Bruno. Atualmente, ele trabalha durante o dia e volta para a Casa de Custódia de Polícia Civil, em Belo Horizonte, para dormir. Em março de 2020, o detento foi autorizado a ir para o regime domiciliar devido ao risco de contaminação pelo novo coronavírus no sistema prisional. A medida vale por 90 dias. Em 2016, o ex-PM foi condenado a 12 anos de prisão pela morte do carcereiro Rogério Martins Novelo, ocorrida em 2000, na cidade de Contagem

Fernanda Gomes Castro, ex-namorada de Bruno, também foi condenada por participação no sequestro e cárcere privado da modelo. Ela foi sentenciada a cinco anos de prisão em regime aberto. Em 2013, Fernanda foi aprovada em vestibular para o curso de Direito, mudou o visual e começou a trabalhar em um escritório.

Hoje, o goleiro Bruno mantém os treinamentos para voltar ao futebol, seu grande objetivo. Em 2020, Bruno esteve perto de assinar contrato com o Fluminense de Feira (BA) e o Operário (MT). No entanto, ambos os clubes desistiram da contratação. Bruno não se abala com a opinião popular sobre a participação dele na morte da modelo. Atualmente, ele cumpre pena em regime semiaberto e tenta voltar ao futebol.

Bruninho, filho do relacionamento do goleiro com Eliza Samudio, está com 11 anos. Atualmente, o garoto vive com a avó materna, em Campo Grande (MS). A mãe da modelo, Sônia, ainda luta para saber o que houve com a filha e descobrir o paradeiro do corpo. O menino não tem contato com o pai. 

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Por Daniela Reis 

O TBT de hoje é uma grande conquista para os casais homoafetivos do mundo e vem para fechar a última quinta-feira do mês do Orgulho Gay.

No dia 26 de junho de 2016, a Suprema Corte dos Estados Unidos aprovava, em decisão histórica, a união de pessoas do mesmo sexo em todo o país. Naquela época 13 estados ainda proibiam o casamento gay, mas a votação de cinco votos contra quatro determinou a sentença para todos os 50 estados americanos.

A luta dos movimentos LGBT para oficializar o casamento entre pessoas do mesmo sexo já perdurava por mais de 40 anos. Em 1971, a Suprema Corte recebeu pela primeira vez um caso do tipo por parte de um casal homossexual de Minnesota. Em 1996, o Congresso americano aprovou a lei – depois assinada pelo então presidente Bill Clinton – da Defesa do Casamento, que proibia o reconhecimento federal de casamentos entre pessoas do mesmo sexo. O Estado de Massachusetts se tornou em 2004 o primeiro do país a legalizar o casamento homossexual.

A decisão

Os juízes tinham que considerar se os estados americanos seriam constitucionalmente obrigados ou não a emitir licenças matrimoniais e a reconhecer casamentos gays realizados fora das fronteiras estaduais.

Até então, a Lei de Defesa do Casamento impedia o governo federal de reconhecer casamentos de pessoas do mesmo sexo. Esses casais eram proibidos, por exemplo, de desfrutar de benefícios de programas federais, como pensões públicas e outros benefícios sociais, se seus parceiros morressem.

Comemoração entre famosos

Barack Obama, presidente dos EUA, no Twitter: “Casais de gays e lésbicas têm agora o direito de se casar, como todas as outras pessoas. #Oamorvence”.

Ellen DeGeneres, humorista e apresentadora, no Twitter: “O amor venceu. #Igualdadeparacasamentos”.

Hillary Clinton, pré-candidata democrata à presidência dos EUA, no Twitter: “Nosso novo mapa favorito. Dá RT se você mora em um estado em que o casamento gay é lei”. [No post, havia uma mapa dos EUA em que todos os estados são indicados como favoráveis ao casamento gay.]

J.K. Rowling, escritora conhecida por “Harry Potter”, no Twitter: “Uau. Mais um dia histórico para #IgualdadeParaCasamentos”.

Mark Zuckerberg, criador do Facebook, no Facebook: “Nosso país foi fundado sob a promessa de que todas as pessoas são criadas igualmente, e hoje nós demos mais um passo na direção de cumprir essa promessa. Estou muito feliz por meus amigos e todos da nossa comunidade que finalmente podem celebrar seu amor e ser reconhecidos como um casal perante a lei. Ainda temos muito o que fazer para atingir a igualdade total para todos em nossa comunidade, mas estamos caminhando na direção certa”.

Matt Bomer, ator assumidamente homossexual, no Twitter: “#Oamorvence. Hoje aconteceu um gigantesco passo adiante para o nosso país, e para minha família. Estou tão grato e feliz!”.

Mia Farrow, atriz, no Twitter: “Estou aqui sentada e chorando, e eu nem tenho uma mulher incrível com quem me casar. Ainda. Mas eu estou TÃO feliz por todos. E orgulhosa dos EUA #Igualdade”.

Shonda Rhimes, criadora de séries como ‘Grey’s anatomy’, no Twitter: “Igualdadeparacasamentos!!! Um passo gigante para que nosso país seja um lugar melhor para se viver”.

Neil Patrick Harris, ator de “How I met your mother”, no Twitter:
“É um novo dia. Obrigado à Suprema Corte. Obrigado ao juiz Kennedy. Sua opinião foi intensa, em mais formas do que você sabe”.

Cyndi Lauper, cantora, no Twitter:
“E sim! O amor vence! Obrigada”

Ricky Martin, cantor, no Twitter:
“URGENTE! Acaba de ser anunciada a igualdade para casamentos neste país”

Anna Kendrick, atriz, no Twitter:
“Hoje é lindo”

Tim Cook, CEO da Apple, no Twitter:
“Hoje marca uma vitória para a igualdade, perseverança e amor. As pessoas que são loucas o suficiente para achar que podem mudar o mundo são aquelas que mudam”

Michael Moore, cineasta, no Twitter:
“NUNCA MAIS vamos chamar de ‘casamento gay’. Agora chamamos de ‘casamento’.”

 

Revisão: Bianca Morais

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Por Bianca Morais 

Há dois anos, no dia 16 de junho de 2019, um domingo, o marido da deputada federal Flordelis (PSD), o pastor Anderson do Carmo de Souza, foi morto a tiros em sua residência, em Pendotiba, Niterói. No primeiro momento, a polícia iniciou a investigação como um latrocínio, roubo seguido de morte.

Naquela madrugada, logo após ser alvejado, Anderson foi levado ao  hospital por familiares, mas não resistiu aos ferimentos. Até então,  o assessor da deputada dava nota à imprensa afirmando que ela estava muito abalada. 

A nota dizia:

“A família Flordelis, com dor, comunica o falecimento repentino do Pastor Anderson do Carmo, um servo de Jesus Cristo. A deputada Flordelis, muito abalada, ainda não tem como se pronunciar. Neste momento, apertamos as mãos de Deus e imploramos o conforto Dele. O Pastor Anderson estava cumprindo um ministério maravilhoso de redenção de almas, em uma luta diária para evitar que o ódio continue a ceifar vidas por falta de Deus no coração dos seres humanos. Hoje é um domingo muito triste, muito triste em nossas vidas”.

Flordelis estava com o marido no momento do crime,  os dois voltavam de uma confraternização, ao chegar e já dentro da casa, Anderson voltou à garagem para buscar algo, momento em que foi baleado. De acordo com a esposa, ela ouviu os tiros. Testemunhas relataram à PM que a deputada teve a sensação de estar sendo seguida por duas motos durante a volta do evento. 

Reviravolta

Após a liberação do  laudo do IML, que informou que o pastor havia levado 30 tiros, os investigadores passaram a desacreditar na versão do crime de latrocínio e que quem atirou em Anderson, fez com o propósito de matá-lo. As câmeras de segurança da casa da família não mostraram ninguém diferente entrando ou saindo do local, o que levantou a questão de que alguém de dentro efetuou os disparos. 

No dia do enterro, o filho de Flordelis foi preso e segundo a polícia ele tinha um mandado de prisão em aberto por violência doméstica. 

Quatro dias após a morte de Anderson, o filho de Flordelis, Flávio dos Santos, deu seu depoimento à Polícia Civil e admitiu ter sido ele quem disparou seis tiros contra o padrasto. Ele ainda afirmou que o irmão, Lucas do Santos, o teria ajudado a conseguir as armas. Os dois foram presos.

A versão dos irmãos fugiu um pouco do laudo do IML e cabia à investigação descobrir o que motivou aquela atrocidade.

Os dois filhos da deputada foram denunciados pelo Ministério Público do Rio, pelo assassinato de Anderson, eles foram acusados de homicídio qualificado com pena prevista de 12 a 30 anos.

De viúva a vilã

Depois de prender os irmãos iniciou-se uma segunda fase das investigações, nela todo o contexto familiar seria investigado. Isso porque Flordelis e o falecido marido, tinham uma família grande, com 55 filhos adotados, até então todos seriam suspeitos.

A cada depoimento prestado, a deputada caia em contradição. Em um primeiro ela dizia que dormia e acordou com tiros, como moravam perto de uma comunidade e sempre escutava os barulhos voltou a dormir, minutos depois foi acordada por gritos dentro de sua casa e foi quando encontrou o esposo morto. 

Ainda neste depoimento, ela se contradiz, ao dizer que tinha saído com o Anderson e ao retornar para casa, entrou primeiro e depois ouviu os tiros vindo da garagem.

Novas revelações feitas por um dos filhos, fizeram a polícia desconfiar cada vez mais da participação da esposa na morte do marido. Segundo ele, a mãe e três irmãs colocavam veneno na comida de Anderson, e por isso, o homem sofria de muitos problemas de saúde. O mesmo garoto também afirmou que o irmão recebeu 10 mil reais para matar o pastor.

Nesse depoimento, um filho, que não foi identificado, afirmou que na noite do crime, viu o irmão Flávio, ao lado do corpo ensanguentado e recolhendo o telefone do pastor que foi entregue à mãe. Celular inclusive de grande importância para a investigação e que nunca foi encontrado. 

Cerca de um mês depois do crime, o inquérito concluiu que o pastor foi morto por questões financeiras e poder na família, e que a deputada federal Flordelis, foi a mandante do crime, porém não pode ser presa devido sua imunidade parlamentar. A mulher também foi responsável por fraudar uma carta em que um de seus filhos confessou ter matado Anderson a mando de um dos irmãos.

A operação contra a família de Flordelis, ficou conhecida como “Lucas 12” e na época do crime chegou a prender diversos membros da família por participação, entre eles: Marzy Teixeira da Silva (filha adotiva) e Simone dos Santos Rodrigues (filha biológica), como participantes no envenenamento; André Luiz de Oliveira (filho adotivo) ex-marido de Simone, foi flagrado em conversas com Flordelis combinando o envenenamento; Carlos Ubiraci Francisco Silva (filho adotivo) por participação no planejamento da morte;

Adriano dos Santos (filho biológico) auxiliou no episódio da carta falsa; Andreia Santos Maia (mulher do ex-policial Marcos) auxiliou no episódio da carta falsa; Rayane dos Santos Oliveira (neta) buscou por assassinos para as tentativas anteriores; Marcos Siqueira (ex-policial) auxiliou no episódio da carta falsa; além de Flávio autor dos tiros, Lucas por participação e a mãe Flordelis dos Santos como mentora do crime.

No dia 8 deste mês, o Conselho de Ética da Câmara, decidiu por 16 votos a 1 cassar o mandato da deputada Flordelis, mas é o plenário da Casa que dará o resultado final, para que ela perca o mandato são necessários 257 votos.

Flordelis hoje anda com tornozeleira eletrônica e responde por homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, emprego de meio cruel e de recurso que impossibilitou a defesa da vítima), tentativa de homicídio, uso de documento falso e associação criminosa armada. 

 

Edição: Daniela Reis

 

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Por Keven Souza

Há uma grande questão no Brasil que é o impacto da violência na vida de pessoas que utilizam o transporte público. Segundo dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), até setembro de 2019, uma pessoa foi assaltada dentro do ônibus a cada 33 minutos na capital carioca. 

E o nosso TBT de hoje é de um caso desse tipo de violência que aconteceu há vinte anos e foi manchete em todo Brasil e também no cenário internacional. O famoso e trágico sequestro do ônibus 174, na cidade do Rio de Janeiro. 

Na tarde do dia 12 de junho de 2000, o jovem Sandro Barbosa do Nascimento protagonizou o sequestro de dez reféns na linha 174, rota para Gávea-Central. O indivíduo, que usava roupas simples, embarcou no bairro Jardim Botânico com a finalidade de efetuar um assalto

Às 14h20min, com ação motivada por sinal de um dos passageiros, uma patrulha da Polícia Militar interceptou o veículo e a partir daquela operação o pânico já havia se instalado. Sem ter para onde fugir, Sandro fez passageiras de reféns, com o intuito de chamar a atenção da mídia e negociar a preservação da sua vida junto aos policiais. 

O sequestrador que naquela altura  estava sob vários holofotes da mídia e com transmissões ao vivo pela televisão, utilizou a estudante Janaína Lopes Neves, 23 anos, como porta-voz e escudo dentro do coletivo.  Ali apontou a arma na cabeça da vítima e a fez escrever nas janelas, com batom, frases como: “Ele vai matar geral às seis horas” e “ele tem pacto com o diabo”. 

Após horas de tensão dentro do veículo, aproximadamente às seis da tarde, o assaltante decidiu sair do ônibus usando a professora Geísa Firmo Gonçalves como escudo. Ao descer, um policial do Grupamento de intervenção tática, obteve uma ação precipitada, que almejou pará-lo com uma submetralhadora, acabou errando o tiro e acertou a refém de raspão no queixo. Tendo em vista a confusão, a moça de 20 anos levou outros 3 disparos nas costas promovidos por Sandro, e acabou falecendo.

Resultado do sequestro

A situação ao todo durou cerca de cinco horas consecutivas, e Sandro por sua vez foi morto por asfixia mecânica, quando cinco policiais militares tentaram imobilizá-lo no camburão que seguia rumo ao Hospital Souza Aguiar. Após alegações de que sua morte foi ocasional por parte da familia, os policiais responsáveis pelo óbito de Sandro foram levados a julgamento por assassinato e foram declarados inocentes. 

O caso do ônibus 174, desencadeou uma série de ações, iniciativas, eventos e mobilizações por partes civis e da população carioca. A sociedade, na época, se mobilizou em algumas passeatas, uma delas realizada pela organização não-governamental (ONG) Viva Rio, que promoveu um calendário de manifestações a partir do slogan “Basta! Eu quero paz!”.

É notável o esforço da prefeitura do Rio de Janeiro, na troca da linha, visto que no ano seguinte (2001), a linha 174 mudou de número para 158 e no ano de 2016, para Troncal 5. O objetivo talvez seja fazer com que a linha inicial do coletivo não desencadeasse, na sociedade, lembranças daquele episódio violento que foi o sequestro do ônibus 174.

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Por Daniela Reis 

O TBT de hoje é uma viagem pela história lá na década de 60. O chamado Maio de 1968 é um conjunto de eventos e manifestações que aconteceram pelo mundo e que tiveram início em uma universidade nas proximidades de Paris. Os fatos de maio de 1968 também ficaram internacionalmente conhecidos por terem motivado a continuidade de movimentos revolucionários em outras partes do mundo.

A onda de protestos começou pela busca de reformas no setor educacional, mas cresceu tanto que evoluiu para uma greve de trabalhadores que balançou o governo do então presidente da França, Charles De Gaulle. 

Contexto Histórico 

Como muitos sabem, os conflitos mundiais ocuparam quase toda a primeira metade do século XX. A Primeira Guerra Mundial (1914-1918) aterrorizou o mundo e, apesar de não ser possível à época imaginar um cenário pior, um conflito ainda mais violento e de proporções inimagináveis deixou a humanidade desconsolada: a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Nesse sentido, as duas grandes guerras fortaleceram o pessimismo global de um terceiro conflito trágico para todos.

Não é a toa que no contexto da Guerra Fria (1947-1991), durante o auge do enfrentamento ideológico entre os Estados Unidos e a URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas), houveram mais momentos em que uma nova guerra traumática parecia novamente estar muito próxima.

Essa sensação de insegurança bem como os fatos ocorridos eram vistos como fruto da insensatez humana proporcionada pelos adultos da época e representou o início da insatisfação dos jovens estudantes.

Neste cenário, divisões profundas começaram a acontecer. Os protagonistas daquela geração estavam em confronto aberto com os valores dominantes da sociedade, que não mais representavam suas ideias, vontades e visões de mundo.

Pelo Mundo

Maio de 1968 disseminou no mundo diversos ideais. Nos EUA, fortaleceu o movimento pela defesa dos direitos civis dos negros, de mulheres e de homossexuais e a revolta negro-americana depois do assassinato de Martin Luther King Jr.

As lutas também se desenvolveram no país no contexto da rejeição à Guerra do Vietnã. Afinal, em várias universidades, era denunciado o recrutamento de estudantes em projetos de pesquisa encomendadas por fornecedores de material bélico e por isso se questionava o papel acadêmico no fortalecimento da indústria bélica-militar.

Já na América Latina se conectou a luta dos estudantes e dos trabalhadores. Por exemplo no México, tais grupos reivindicavam por mudanças políticas no país, que desde 1929 estava nas mãos do PRI (Partido Revolucionário Institucional). As mobilizações chegaram a reunir mais de 180 mil pessoas reivindicando por maiores liberdades civis e a punição de casos de repressão policial.

No Brasil

Foi exatamente nesse período que o movimento estudantil universitário brasileiro se transformou em um importante foco de mobilização social. Sua força sucedeu-se da capacidade de mobilizar expressivos contingentes de estudantes para participarem da vida política do país. 

Porém, por aqui, a questão ia muito além, já que vivíamos em plena Ditadura Militar e jovens e estudantes já se organizavam em protestos contra o governo. O que muitos historiadores dizem é que maio de 68 no Brasil não foi um mês, mas um ano. 

 

Edição: Bianca Morais 

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Por Bianca Morais 

Há seis anos, o termo Fake News ainda não era muito usado e nem tinha a visibilidade que tem atualmente. As conhecidas “notícias falsas” foram responsáveis por manipular eleições, destruir reputações e até vidas. Acontece que as fake news sempre estiveram presentes em nossa sociedade, porém com o avanço da internet ela passou a alcançar um número muito maior de pessoas.

Em 2014, um caso teve grande repercussão no Brasil e ficou conhecido como um dos primeiros episódios da nossa história em que uma postagem falsa na internet acabou com uma vida. O linchamento de Fabiane Maria de Jesus, 33 anos, aconteceu no dia 3 de maio daquele ano, a mulher foi confudida com uma raptora de crianças e, por isso, brutalmente assassinada por dezenas de pessoas que resolveram fazer justiça com as próprias mãos. 

Conheça o caso

Fabiane era casada e mãe de duas filhas, dona de casa e muito religiosa. Naquele sábado, dia 3 de maio, ela levantou pela manhã e foi até a igreja que frequentava no bairro Matozinhos, na periferia da cidade de Guarujá (SP), buscar a bíblia que tinha esquecido. A mulher também passou no trabalho do marido. Depois dali ela andou até o mercado, comprou bananas e seguiu seu caminho.

Não se sabe ao certo como tudo teve início, mas segundo relatos a mulher ofereceu uma banana para uma criança na rua, ao ver a cena a população ao redor a confundiu com a “bruxa do Guarujá” e avisou um rapaz da biqueira, que já chegou agredindo Fabiane. Em pouco tempo, o linchamento começou a tomar proporções gigantescas, já não era possível mais saber a quantidade de pessoas que assistiam enquanto a mãe de família era arrastada, chutada e espancada. Homens, mulheres e crianças assistiam ao massacre.

A Bruxa do Guarujá

Dias antes do linchamento, uma publicação em uma página no Facebook, com cerca de 56 mil curtidas, chamada Guarujá Alerta, dizia que uma mulher estava raptando crianças para realizar magia negra. Na postagem ainda havia um retrato falado e a foto de uma loira, seguidos da frase: “se é boato ou não devemos ficar alertas”. Nenhuma das mulheres mostradas se pareciam com Fabiane, mesmo assim ela foi confundida e atacada. 

A criminosa mencionada no Guarujá Alerta nem sequer existia, posteriormente a polícia descobriu que não havia nenhuma denúncia recente de sequestro de crianças em Guarujá, e quanto a foto do auto-retrato, se tratava de um crime ocorrido no Rio de Janeiro, dois anos antes.

Uma semana antes de sua morte, Fabiane, que tinha os cabelos compridos e pretos, teria cortado na altura dos ombros e tingido de ruivo, como não gostou do resultado, na noite anterior ao linchamento os descoloriu de modo a voltar a cor preta. Os cabelos descoloridos fizeram com que ele remetesse ao loiro, assim como o da foto da mulher que circulava no facebook.

A pena de morte à Fabiane

Durante quase três horas, Fabiane Maria de Jesus sofreu diversos tipos de agressões. O povo ao redor nada fez para ajudá-la e muitos ainda gravaram com seus celulares todas as atrocidades cometidas. Nenhum daqueles moradores se preocupou em checar a veracidade da notícia ou confirmar se aquela espancada na frente deles era realmente a das fotos. A única preocupação deles ali era condenar uma pessoa que eles acreditavam ser a culpada de um crime que nunca existiu.

Enquanto era espancada a socos, chutes, pauladas e até uma bicicleta atravessada sobre sua cabeça, a multidão em sua volta viu a bíblia que ela carregava em suas mãos e diziam ser um livro de magia negra e os santinhos dentro dela, fotos das crianças que ela sequestrou.

Uma viatura da polícia e uma equipe de resgate tentaram chegar ao local, porém foram impedidos pelos populares que exigiam a presença da imprensa para registrar a captura da criminosa. A TV Record foi até o local e fez a gravação.

Fabiane chegou a receber atendimento médico, mas morreu na manhã de segunda-feira. As lesões foram tão graves que os médicos disseram que caso ela sobrevivesse iria apresentar sequelas para o resto da vida.

Julgamento

As gravações feitas pelos celulares e divulgadas na internet ajudaram a identificar os culpados. Cinco homens foram condenados a penas de até 40 anos, entre eles: 

Lucas Rogério Fabrício, passou a bicicleta por cima dela;

Carlos Alex Oliveira de Jesus, bateu a cabeça dela contra o chão várias vezes;

Abel Vieira Batalha Junior, proferiu diversos golpes a cabeça da mulher;

Jair Batista dos Santos, jogou Fabiane da passarela;

 

Valmir Dias Barbosa, aplicou pancadas com um pedaço grosso de madeira na cabeça da vítima. Esse último pegou menos anos de prisão por ter confessado o crime.

Todos os acusados alegam que não tiveram a intenção de matar e agiram pela revolta ao saberem que a mulher  sequestrava crianças para praticar magia negra. 

O Brasil é um dos países onde mais acontecem linchamentos no mundo, o perfil dos linchadores é sempre o mesmo, pobres, habitantes de comunidades carentes e periféricas, onde o Estado não se faz presente. O boato que circulava entre os cidadãos daquela comunidade era que a sequestradora pegava crianças para arrancar-lhes o coração em rituais de magia negra. O medo tomou conta daqueles moradores, as mães temiam os filhos brincarem na rua, afinal, não tinha quem os proteger a não ser eles mesmos.

Com certeza hoje, sete anos após a morte de Fabiane, muitos indivíduos daquela multidão furiosa guardam remorsos e uma consciência pesada. Agiram de forma injusta, julgaram e mataram uma inocente. O ser humano erra e a justiça é falha, pena de morte deve ser muito bem aplicada, pois como no caso de Fabiane, o julgamento foi errado.