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Una 60 anos

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Por Keven Souza

Identificar e resolver problemas é uma capacidade desejada em todos os departamentos, agências e escritórios ao redor do mundo. No campo criativo não é diferente, a carreira de um publicitário ou de um designer gráfico é traçada pela curiosidade e a vontade de aprender coisas novas todos os dias, o graduando da área deve ser inquieto, ter disposição para correr atrás de referências e inovar com soluções que valorizem cada trabalho desenvolvido. 

No Centro Universitário Una, por ser uma área extremamente mutável e inovadora, a criação publicitária é um campo que tem crescido e transformado diversas ideias em excelentes resultados. Para a instituição, é imprescindível ofertar habilidades para além das exigidas na área, o esforço em aprimorar os domínios técnicos dos alunos é um viés estimulado para torná-los profissionais multifacetados com diversas possibilidades de atuar no mercado.

Como uma das séries de conteúdos dos 60 anos da Una, o Contramão traz uma agência que faz parte da Fábrica, que entre os laboratórios é o mais antigo, e se configurou como o núcleo dos cursos de Publicidade e Propaganda e Designer Gráfico. O laboratório que atua no mercado há mais de dezessete anos tem prezado em potencializar o crescimento profissional dos alunos, através do estágio supervisionado e dos projetos de extensão para proporcionar novos saberes aos estudantes.

A Fábrica Luna ou Laboratório Luna, é uma agência experimental, fundada em 2004 como Laboratório de Comunicação Integrada que acolhe os alunos dentro da própria academia e oferece serviços no setor de produção de conteúdo, além de estimular infinitas possibilidades aos estudantes de solucionar diversos tipos de demandas no campo dos sentidos visuais. 

Equipe Luna

Atualmente, está situada nas unidades da Una Liberdade (Cidade Universitária) e na Una Contagem, sendo gerida pela líder Larissa Santiago, que enquanto publicitária especialista em Inteligência de Mercado, está à frente da gestão do laboratório desde 2019, com o suporte da supervisora técnica Larissa Bicalho, formada em Design Gráfico, junto a um time inteiramente feminino composto pelas estagiárias Amanda Serafim, Emanuely Iolanda, Isadora Ayala e Jéssica Goés. 

A Luna ser uma agência experimental com participação da academia é um propósito desde o início, mas assim como a Una, têm se adaptado às tendências de mercado. Hoje, além de incluir os conhecimentos profissionais requisitados no setor, busca trabalhar ao lado dos alunos as soft skills de relacionamento interpessoal, a autoconfiança, a colaboração e o autoconhecimento para torná-los profissionais do futuro.

Por esta razão, obter a oportunidade de integrar o time da agência é única, capaz de construir uma experiência gradativa e enriquecedora que é favorável para fomentar o pensamento fora da caixa, aprimorar a organização, desenvolver a versatilidade e a ativar a criatividade. 

Aos alunos é uma vitrine ensejada de caráter introdutório no mercado de trabalho que promete fortalecer a postura profissional, além de atribuir conhecimentos e técnicas específicas exigidas no dia a dia do setor de criação. A oferta de uma vivência ávida ao lado da seguridade de enriquecer o portfólio com a elaboração de campanhas para uma instituição de reconhecimento nacional, como o grupo Ânima, é uma brecha para todos os estudantes engajados que sonham construir uma polida carreira de sucesso. 

Para o estudante João Lucas Moreira Soares, que foi um dos estagiários de criação de Publicidade e Propaganda no ano de 2020, a sua participação que durou cerca de um ano se tornou uma experiência extraordinária para iniciar sua entrada no mercado de trabalho. “A Luna foi o pontapé na publicidade pra mim, me permitiu experimentar muitas coisas, sair fora da caixa e pensar mais alto, nada era engessado, cada ideia era bem vinda que a longo prazo ajuda a você ter um olhar mais analítico que muitas vezes é exigido na profissão.” 

Segundo ele, a trajetória foi pautada em uma excelente relação ao lado da equipe, sua líder Larissa Santiago, na época foi uma das pessoas em que o fez entender sobre a diferença entre uma agência tradicional e uma agência experimental, e com ela pôde absorver na íntegra o significado de profissionalismo, carisma e acessibilidade enquanto liderança.

“Por conta da liderança que tive na Luna, hoje consigo liderar outras pessoas no meu trabalho, a minha líder me inspirou muito nessa parte. E fica a gratidão pela abertura que tive, porque nunca tinha trabalhado na área e tive a oportunidade que foi muito rica para mim”, desabafa João. 

João afirma que, na Luna, sempre existiu abertura para as alcançar novos horizontes e construir novas ideias, a oferta de uma visão macro da comunicação era destinada aos estagiários. E que através das funções que exercia como criador de peças gráficas, desenvolvedor de campanhas, social media e redator publicitário, construiu bagagem suficiente para dar um start no mercado de trabalho e iniciar um novo desafio como profissional. A sua participação se tornou uma porta de entrada para o então emprego, atual, em uma startup de franquia de reforço escolar como assistente de marketing. 

À vista disso, está à frente de tantas outras agências universitárias com foco na experiência do aluno, possui em um de seus pilares a prática e a teoria alinhadas com a vivacidade e em suma importância, cultiva a criatividade dos estudantes ao favorecer um ambiente pautado na colaboração que alimenta laços sociais significativos para a equipe. 

Na Luna, as conquistas ao longo do tempo enquanto agência, são plausíveis a todos os integrantes do time que fazem o trabalho acontecer de maneira fluida que são a partir um dos outros que ocorre o fortalecimento dos potenciais de cada um e se torna o lugar onde é possível crescer, se desenvolver de maneira profissional, e desejar novos desafios pessoais.

Jéssica Gabriella Góes, que está no quinto período de Publicidade e Propaganda e é estagiária há mais de oito meses da agência, diz que participar do laboratório propiciou desenvolver habilidades essenciais no mercado da publicidade, sua capacidade de compreender melhor o briefing foi a parte mais trabalhada que antes não o tinha muito apurado. 

“Antes de ser estagiária no laboratório não possuía nenhum tipo de experiência no mercado de trabalho, nem mesmo em outras empresas, por isso para mim foi e está sendo muito importante desenvolver as tarefas, principalmente em grupo”, explica. 

Para ela, a conexão entre a equipe trouxe a possibilidade de se comunicar com pessoas de diferentes ideias e pensamentos, e que é um exercício que tem agregado bagagem para prepará-la para chegar ao mercado. 

Além disso, o ambiente unido ofereceu a rica experiência de melhorar o cotidiano do curso e permitiu momentos inesquecíveis dentro da Luna. “Uma demanda que fiz e tenho muito orgulho foi a do Gastrouna. Logo quando entrei, estava um pouco acanhada, não sabia muito, mas ao longo do processo a Larissa foi me auxiliando e por fim tudo deu certo. Fiquei muito feliz, meu primeiro KV realizado”, desabafa Jéssica. 

Parcerias e demandas 

Por causa da pandemia de Coronavírus, o laboratório tem se adaptado para priorizar a prestação de demandas institucionais. Os serviços voltados a alcançar mais alunos e experienciar o trabalho dos estagiários é atualmente possibilitado através do auxílio no setor de marketing do grupo Ânima e funciona como “braço direito” em projetos ao lado dos cursos de jornalismo, cinema, relações públicas, arquitetura, moda e gastronomia. 

A criação de materiais gráficos é a engrenagem de eixo que move a atuação da agência que em sua jornada executa mais de duzentos e quatro materiais por mês e realiza em média de uma a duas campanhas para instituição e clientes externos. Em sua função, as principais demandas estão a produção de conteúdo, a gestão de redes sociais, o planejamento de campanhas, a produção audiovisual, a produção de podcasts, a produção de livros e e-books, além da comunicação corporativa e criação de identidades visuais. 

Em sua história o laboratório conta com diversas parcerias ao longo dos anos, na própria Una produz desde 2019 as campanhas de Volta às Aulas, e nos últimos anos, colaborou com a FIEMG, no desenvolvimento da identidade visual do Conecta Hub e no desenvolvimento conceitual e de identidade visual da Fábrica, enquanto Núcleo de Economia Criativa da Una que integra os laboratórios. 

E com ineditismo há a parceria com as rádios Una Fábrica e Una Contagem que estrearam em Julho deste ano e são extensões universitárias em parceria com a Fábrica, ao lado do projeto de rebranding do café “Manní Cafés Especiais”, alocado na Una Cine Belas Artes.

Isadora Cristina Bicalho Ayala, que está indo para o segundo período de Design Gráfico e faz parte da equipe a três meses, afirma que descobriu novas possibilidades de atuar no mercado além da sua área e que em particular sua participação foi essencial para acrescentar conhecimentos ao seu curso e alinhar a teoria com a prática. 

“Meu curso necessita de habilidades específicas como os softwares de criação e de ilustração, dentro da Luna consigo desenvolvê-los e levar novas habilidades, onde também a criatividade conta muito e na agência a esse estímulo” explica.

Para ela entregar as demandas dentro do prazo solicitado e receber um feedback positivo, ajuda no estímulo pessoal, além de significar que está no caminho certo ao lado de pessoas que tem a agregar profissionalmente.   

E conclui que, fazer parte do time e poder realizar as demandas, o sentimento que resta é o de orgulho. 

A proposta da Luna é ser mais do que uma agência comum, é ser um lugar que sintetize a vontade do aluno de crescer profissionalmente ao lado de oportunizar uma experiência  ímpar nas diversas ações no campo da publicidade, e também no próprio ambiente acadêmico. 

Por isso, vai além do tradicional, é uma agência multidisciplinar que se preocupa na íntegra com a experiência do graduando e está há muito tempo no mercado cultivando e aprimorando os vários lados de um profissional. O que simplifica para a instituição que obter agências disruptivas como a Luna, é a maneira imprescindível de capacitar e desenvolver uma visão macro de possibilidades de atuação a todos os estudantes.    

Com a palavra, a líder

Larissa Santiago, publicitária e líder da Luna

“Pensar que estamos a contribuir para o sonho de quem está entrando para a faculdade buscando um futuro melhor para si, para a família e que com um laboratório com o propósito como o da Luna conseguimos de fato apoiar esses alunos, a sensação é de trabalhar com propósito e é emocionante. Em suma, a Luna poderia ser definida no conjunto das palavras: experimentação, crescimento, aprendizados, criatividade, apoio e futuro. Um lugar para alinhar teoria e prática com vivacidade” – Larissa Santiago.

 

Edição: Daniela Reis 

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Por Bianca Morais

O Centro Universitário Una, muito além de instituição de ensino superior, tem como um de seus pilares a inclusão. A série de reportagens sobre 60 anos da Una, mostra diversos projetos de extensão que promovem essa rede de apoio e troca. 

Dando continuidade a série, o Contramão traz hoje uma iniciativa muito importante da instituição que, desde 2016, estimula o diálogo e combate ao racismo. Batizado de Pretança, o projeto mostra mais uma vez como, além de educar e preparar alunos para o mercado de trabalho, a Una quer formar cidadãos conscientes de seu papel na sociedade oferecendo a eles uma formação humanista.

Racismo é um assunto extremamente delicado, principalmente dentro de instituições de ensino. Não é de agora que estudantes negros sofrem discriminação dentro de faculdades, muitas vezes, já foram noticiados na grande mídia vários episódios de preconceito, piadas de mal gosto, trotes polêmicos. 

O Pretança traz para o Centro Universitário Una e para a comunidade em geral, por ser um projeto aberto ao público, um espaço de discussão sobre questões raciais, o reconhecimento da cultura negra, demonstra como o racismo é configurado na sociedade e como deve ser combatido, isso tudo através de debates, rodas de conversas, entrevistas, entre outros. Pretança é um espaço de acolhimento, diversidade, onde o aluno pode compartilhar suas dores e lutas, é um local de resistência em cima de um sistema que por anos os excluiu.

O começo

O Projeto de Extensão Pretança, idealizado pela professora e coordenadora do programa, Tatiana Carvalho Costa, na realidade, partiu de alguns movimentos anteriores realizados pelos alunos do campus Liberdade. Por volta dos anos de 2013 e 2014, devido a políticas federais, como o Fies, Prouni e as cotas, houve um aumento significativo de estudantes negros e de periferia nas faculdades particulares.

“Sobretudo no campus Liberdade, localizado em um lugar super elitizado, zona sul de Belo Horizonte, houve um estranhamento por parte de estudantes e professores brancos, daquela quantidade de pessoas negras ali, o aumento de pessoas não brancas em ambientes acadêmicos que historicamente são embranquecidos”, esclarece a coordenadora.

Devido a dois episódios específicos de racismo dentro da faculdade, as reclamações de atitudes preconceituosas cresceram, por isso, coordenadores e diretores do campus se uniram e tiveram a iniciativa de um evento para discussões de questões raciais.

 

“Foi incrível, a gente aprendeu muito coletivamente, e os alunos que organizaram esse evento, ainda criaram um coletivo de estudantes chamado ABUNA, Afro Brasileiros da Una, mas aí eles se formaram, algumas pessoas saíram da instituição e essa coisa acabou. Isso em 2015”, conta Tatiana.

Em 2016, depois de um semestre sem novas iniciativas sobre discussões raciais, na época, Tatiana, uma das poucas professoras negras do campus, se viu cobrada pelos alunos. Ela que sempre esteve engajada em outras ações fora da escola, próxima ao movimento negro no geral, resolveu tomar a frente e propor um projeto, que inicialmente seria somente para o curso de jornalismo.

“Basicamente, era um projeto de extensão para produção de conteúdo audiovisual, fotográfico e textual. Além disso, a ideia era promover rodas de conversas para que as pessoas participantes entrassem em contato com os principais conceitos e dessem conta de compreender a questão racial que se dava naquele momento”, relembra ela.

A ideia inicial era algo pequeno, no entanto, logo na primeira roda de conversa chegaram pessoas de vários cursos, inclusive colaboradores, e foi quando a instituição começou a entender a necessidade de se ter um espaço mais amplo de acolhimento para além do seu propósito inicial. Inspirados pelo Una-se contra a LGBTfobia (veja a matéria sobre o projeto), passaram a atuar em um tripé de acolhimento, incentivo e diálogo, com a verba do projeto adquiriram livros de discussão racial para a biblioteca e também passaram a promover eventos e participar de outros.

A evolução

Ao longo dos anos, o projeto Pretança cresceu e passou a ter reconhecimento externo, como as ações em parceria com o EDUCAFRO, o curso preparatório para Enem que discute questões de cidadania e direitos humanos e com a Comissão para a Promoção da Igualdade Racial, da OAB.

O projeto também se desdobrou em grupos de estudos, e realizam atividades em parceria com outros programas ligados ao Ânima Plurais, política de diversidade da Ânima Educação, como o Antirracismo na Rede que é a produção de material de referência para as redes sociais e promoção de discussão entre intelectuais e profissionais negros em diversas áreas do conhecimento, e o Cineclube que visa promover sessões comentadas com debates abertos de produções cinematográficas africanas.

“Com a presença forte do Ânima Plurais e desse marcador institucional de discutir questões raciais de maneira mais profunda, o Pretança se desdobrou, então segue o projeto a partir da Cidade Universitária, e levamos o Cineclube para o nível Ânima, já tivemos 240  pessoas inscritas de diversas escolas do grupo”, explica Tatiana.

Além das parcerias, o Pretança tem uma bagagem de muitas realizações, já estiveram presentes em comunidades quilombolas, participaram de eventos como a Taça da Favela, o Festival de Arte Negra, durante a pandemia promoveu palestras com profissionais negros, sobre empreendedorismo, mulheres negras. No último semestre o projeto desenvolveu um podcast que irá estrear em breve e abordará diversos temas, como lugar de fala, violência policial, entre outros.

“Quando a gente fazia cobertura de eventos, amplificávamos esses eventos, como Prêmio Lei Leda Martins, Mostra de Cinema que tratavam especificamente de filmes negros, nós demos uma pequena contribuição ali, e ao mesmo tempo, também tivemos um retorno interno muito importante que foi trazer para dentro da escola, principalmente para as pessoas que participaram do projeto, um contato maior com essas questões, foi muito bonito, em questão de afirmação da identidade, do desenvolvimento de autoestima dos alunos e dessas percepções mais ampliadas das possibilidades de atuação”, completa Tatiana.

Durante uma cobertura do evento Festival de Arte Negra, uma aluna do curso de Jornalismo entrevistou Djamila Ribeiro, durante a conversa a ativista feminista negra, comentou como queria ter tido a oportunidade de ter um programa como o Pretança na sua época de faculdade. Ela gostou tanto do projeto que até hoje segue de longe com uma parceria.

“Ela lançou uma plataforma, Feminismos Plurais, a gente participou de uma ação dela Junto pela Transformação, acabamos ganhando algumas bolsas de estudo para alguns estudantes ligados ao Pretança fazerem os cursos de formação na plataforma, foi bem massa”, lembra ela.

A importância do Pretança

O Pretança sempre foi um espaço de acolhimento e compartilhamento de experiências, aberto à participação de todos aqueles dispostos a aprender sobre pautas de questões étnico raciais. São pessoas negras e não negras motivadas a encarar essa discussão, aprendendo mais e agindo em diversas frentes. 

Com um perfil de sempre propor ações, o projeto muitas vezes lida com assuntos delicados, situações pessoais de violência, camadas complexas do racismo institucional e estrutural, colorismo, feminismo negro, e com isso, ele se torna um espaço de compartilhamento, onde todos entendem que não estão sozinhos.

“São pessoas que se sentem absolutamente à vontade para abrir o coração e falar de problemas de autoestima que sempre enfrentaram e a maneira como o projeto foi acolhedor para a pessoa dar conta. Tem gente que acaba mudando, se compreendendo como negra, pessoas que entram ‘ah sou parda’, por ter ouvido a vida inteira que ser negro é algo ruim e acabou negando isso e acaba mudando de opinião sobre si mesma assim, aceitando mais sua identidade, tendo orgulho assim”, diz Tatiana.

O projeto cria um ambiente para que as pessoas possam se ver como propositivas, e coletivamente também propõe temáticas para contribuir no combate contra o racismo, a luta antirracismo e para estudantes que não são negros colaborarem com a luta antiracista, entender um pouco as dimensões do racismo na sociedade e se entender como pessoas aliadas, poder contribuir, primeiro para a descontrução do racismo em si e ainda como pensar de maneira mais ampla na atuação, no seu entorno imediato.

“Ele tem uma importância grande para os estudantes, sobretudo os negros, nesse lugar de se ver ali, de se ver em outras pessoas, de terem suas demandas acolhidas, de ter gente que entende quando essa pessoa fala ‘eu sofri racismo’, ‘eu passei por essas situações’, ‘é difícil estar aqui como uma pessoa negra’,’é difícil ter chegado aqui’, comenta a idealizadora do projeto.

A luta contra o racismo

Segundo a professora Tatiana, os sistemas econômico e político, e a maneira como a sociedade funciona depende do racismo, são necessários marcadores hierárquicos e um deles é a raça.

“É muito cruel a maneira como a sociedade brasileira foi construída numa ideia de progresso que é racista, porque o progresso brasileiro é o genocídio indígena, é a escravização de pessoas negras e depois a subalternização sucessiva delas ao longo do tempo, não à toa a maior parte das pessoas pobres, 75% das pessoas que estão perto da linha da miséria no Brasil são pessoas negras, de acordo com os dados do IBGE. Então não tem jeito de ser eliminado de vez nessa geração quiçá na outra”, desabafa a professora.

Acabar com o racismo é algo complicado, mas é necessário diminuir a violência, e começar pelo entorno. Em uma instituição de ensino, responsável por educar pessoas para o mundo, é primordial a discussão desse assunto, e o Pretança é fundamental nessa batalha. No sentido institucional, a faculdade Una, vem buscando diversas maneiras para minimizar as situações de racismo, mesmo sabendo que é uma situação difícil.

“Por isso que eu gosto de olhar para o Pretança como lugar de acolhimento, porque combater essa violência é quase impossível do ponto de vista da tentativa de eliminá-lo, então a gente se acolhe, se fortalece mutuamente, traz pessoas aliadas para ajudar nessa luta, porque é uma luta e é preciso entender a dimensão dessa luta, cotidianamente as pessoas brancas desconstruindo o racismo dentro de si mesmas, as pessoas que estão à frente da gestão da instituição entendendo a dimensão do racismo institucional, as pessoas à frente de lugares de liderança, e poder em qualquer local entender como podem fazer diferença para diminuir as desigualdades”, conclui Tatiana.

O Pretança está sempre de portas abertas a todos, visite as redes sociais do projeto, no Facebook, Instagram e Youtube.

https://www.facebook.com/projetopretancauna

https://www.instagram.com/projetopretanca/

https://www.youtube.com/channel/UCOZraLVoSABf8NWSICwbYsg

 

Edição: Daniela Reis 

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Por Keven Souza

É com a postura vibrante e contente que o Contramão, celebra hoje, em dose dupla o sexagésimo aniversário do Centro Universitário Una, ao lado da aluna recém-formada  que acredita, assim como a instituição, que o conhecimento é um instrumento poderoso na transformação do mundo.

Shirley Benedete de Figueiredo, que coincidentemente também comemora os seus sessenta anos, é uma mulher de trajetória edificante que radia superação e finalizou neste semestre a graduação de Gastronomia. Essa nova etapa em sua vida, significa que a determinação é o substantivo que realça seu caminho a não se limitar à idade, ela representa todos aqueles que compreendem a idade como uma contagem biológica que não se limita à velhice.

Shirley Benedete

Em sua história de vida, desde muito nova, percebia o sentimento de felicidade que agitava em seu coração através de sua afinidade com a cozinha, o seu carinho pelo ambiente é uma relação pura e admirável, que permite salientar que o amor pelo universo gastronômico não é algo atual.

Para ela, a grande inspiração para adentrar na arte culinária veio de sua tia-avó Cecília, que percebia o gosto da sobrinha pela cozinha desde pequena e lhe ensinou conhecimentos incomuns e difíceis de se encontrar nos livros hoje em dia. Ao perceber sua paixão por receitas, a tia lhe deu o seu primeiro livro de culinária “Sei Cozinhar” de Maria Rosalina, que naquela época era o principal contato que estimulava seu dom pela elaboração de alimentos.

Com o passar do tempo, as experiências, as técnicas e o ato de cozinhar da Shirley foram sendo moldados conforme frequentava diferentes cursos e palestras gratuitas que saciavam o desejo de se especializar em Gastronomia.

Embora ardia em seu peito a paixão pela culinária, Shirley possui uma história de vida que foi conduzida por uma luta árdua entre suas escolhas pessoais e a de sua família. Por muito tempo, ingressar na graduação era sonho distante, já que aos 33 anos de idade se tornou mãe solo após o falecimento de seu marido.

“Minha vontade de fazer Gastronomia ficou guardada por muito tempo, em uma “gaveta”, eu que tinha quatro anos de casada em 1994, perdi meu marido, que faleceu me deixando com dois filhos pequenos”, explica.

Naquela época a falta do esposo, trouxe para sua família uma situação complicada e a opção mais viável era trabalhar e cuidar dos filhos. Os estudos se tornaram uma de suas últimas prioridades naquele momento.

Sua relação com a Una

Prato desenvolvido por Shirley em uma aula prática do curso de Gastronomia

Em 2017, quando estava decidida a dar seguimento em seus estudos, um longo período de pesquisa e indecisões para escolher qual escola de ensino superior se matricular, atordoou Shirley, que após dois anos, em 2019 iniciou o curso de Gastronomia na Una. Um dos critérios decisivos foi o índice de qualidade e o ambiente inspirador da instituição.

Na época, a visita da então estudante na Cidade Universitária, no campus Liberdade, foi um momento encantador para reforçar ainda mais o amor que sente pela culinária e compreendeu que aquela era a ocasião de retirar o seu sonho do papel. “Fiquei mais encantada e não tive dúvidas, já fiquei ansiosa para ter aula, mas tive que esperar até iniciar o período para vivenciar essa experiência e com isso reforçar o amor que eu sempre senti pela Gastronomia”, explica.

O vínculo da Shirley com a Una, amplifica os seus ideais e sua paixão pela cozinha, existe uma relação de carinho com a instituição, que segundo ela se aproxima da extensão de sua casa, e oportuniza o sentido em sua vida.

Sua conexão com os professores, docentes e colegas é formada por uma excepcional comunicação e uma ativa participação nos eventos institucionais, que desde o início obteve uma experiência formidável em relação ao curso e construiu laços amizade, capazes de auxiliar o seu crescimento pessoal e ampliar o network de sua área.

Além disso, no ambiente escolar, pratica a “cozinhaterapia” e incentiva alunos e professores a promoverem desafios gastronômicos, sendo exemplo de jovialidade que transparece apreço pela profissão até nos pratos e nas receitas, uma sonhadora pronta para novos horizontes e novos ciclos.

Rosilene Campolina, que é professora de Gastronomia e idealizadora do projeto Gastrouna, afirma que, é uma honra ser professora da Shirley e tê-la na turma é uma maneira de mostrar o quanto a Una navega em vários tipos de idade, classe social e poder econômico, que torna a sala de aula um ambiente inclusivo e plural.

Para ela, alunos como a estudante obtêm a oportunidade de fazer parte de turmas ecléticas que trocam sabedorias e conhecimentos únicos, essenciais para a formação, mas também para a vida toda.

“É um prazer dar aula para alguém tão engajada, comprometida e disciplinada. Às vezes lançamos ideias ou damos um trabalho, e você acaba tendo um retorno daquele aluno engajado que se interessa, e ela é assim. É um prazer dar aula pra ela” explica a professora.

Shirley e a professora Rosilene Campolina

Shirley completar sessenta anos finalizando a graduação, é relevante para desmistificar os limites impostos pela sociedade em relação a idade, demonstra que chegar ao sexagésimo aniversário é completar mais um ciclo de vida e que em qualquer idade, as pessoas são livres a seguirem seus sonhos e objetivos, sem ser dependentes.

Sua energia e seu empenho, a torna um exemplo plausível de força de vontade que muitas pessoas se identificam e se orgulham através de sua trajetória, e rompe com o tabu social de que um indivíduo chegar a uma idade avançada, significa ser uma pessoa incapaz e inválida na sociedade.

Por conseguinte, Shirley afirma que, a conclusão do curso de Gastronomia neste semestre, ficará marcada na sua história para além do currículo, o seu carinho e amor pelos colegas e professores da Una, permaneceram dando sentido a sua vida e que a partir de agora pretende seguir a carreira de Personal Chef, nos afazeres de almoços ou jantares esporádicos para conseguir otimizar o seu tempo e aproveitar a vida e sua aposentadoria.

“Sigam em frente, invistam nos talentos natos, promovam desafios gastronômicos para incentivar cada vez mais os Alunos e Professores”, diz a estudante para a instituição.

Receita

Ratatouille do Cerrado

Rendimento: 6 porções

Ingredientes:

225 g de cebola

150 g de batata-doce polpa roxa

350 g de batata-doce casca roxa

350 g de abóbora de pescoço

350 g de abóbora menina

120 g de maxixe

500 g de mandioca

400 g de carne seca

45 g de queijo coalho ralado

45 g de manteiga de garrafa

100 ml de creme de leite

sal a gosto

18 g de licuri picado grosseiramente

30 g de melado de cana

20 g de sementes das abóboras

Farinha de mandioca QB (quanto baste)

Azeite QB (quanto baste)

Modo de Preparo:

Picar a carne seca em cubos e deixar de molho em água no dia anterior, no dia seguinte cozinhar por 20 min, posteriormente desfiar. Refogar em 2 colheres (sopa) de manteiga de garrafa.

Cortar os legumes: em rodelas de 1 cm, cozinhar (separadamente) por uns 10 minutos, o ponto do cozimento deve ser al dente. Selar todas as rodelas em frigideira aberta com um fio de azeite.

Cortar o maxixe em rodelas de 0,5 cm, passar levemente na farinha de mandioca e selar em um fio de azeite para ficar crocante.

Cortar a mandioca em cubos e cozinhar em água com sal, até a mesma ficar bem macia. Em seguida escorrer e espremer ainda quente.

Fazer um purê, colocando numa panela aquecida 3 colheres (sopa) de manteiga de garrafa, a mandioca, o creme de leite, 2 colheres (sopa) de queijo coalho ralado grosso, sal à gosto.

Cortar a cebola Ciseler, refogar numa panela com um fio de azeite, mexer para não queimar, até ficar translúcida, acrescentar 2 colheres (sopa) do melado de cana.

Picar grosseiramente o licuri, as sementes de abóboras devem estar secas, juntá-las com o licuri e levar para uma frigideira aquecida para dourar e ficar tipo uma farofinha crocante.

Ralar o queijo em ralo grosso e reservar.

Iniciar a montagem na travessa, fazendo uma cama com a cebola caramelizada.

Colocar por cima a carne seca e em seguida o purê de mandioca. Após ir distribuindo alternadamente os legumes.

Finalizar colocando o queijo ralado e a farofinha (mistura do Licuri e as sementes de abóboras crocantes).

Levar ao forno para gratinar por 20 a 25 minutos à 200º C.

Servir ainda quente.

 

Edição: Daniela Reis 

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Por Keven Souza 

O mercado de trabalho vive uma constante evolução em relação a qualificação dos profissionais, e tem exigido indivíduos cada vez mais comprometidos e capazes de operar em diferentes âmbitos ocupacionais. No Centro Universitário Una, as agências, os projetos de extensão e a Fábrica, que é o coletivo dos laboratórios de Economia Criativa, fazem parte dos núcleos que  desenvolvem habilidades consistentes aos alunos e proporcionam experiências profissionais reais e diversificadas.

E o Contramão traz hoje uma agência que faz parte da Fábrica e que se configurou como o núcleo do curso de Relações Públicas, mas que abrange diversos cursos acadêmicos com o objetivo de conceder aos alunos destaque no mercado de trabalho, mediante a participação na produção de eventos, para capacitá-los profissionais de diversas formações e habilidades.

A Una 360 é uma agência multidisciplinar, situada na Cidade Universitária Una, no campus Liberdade e atua no mercado desde 2014. Os serviços fornecidos no setor de produção, aprimoram a experiência dos estudantes ao conhecerem a estrutura dos grandes eventos em etapas de organização, logística, cobertura fotográfica e jornalística e até mesmo o resultado final.

Alunos em cobertura jornalística

Atualmente, a 360 é gerida pela líder interina Larissa Santiago, que está cobrindo provisoriamente a licença maternidade de Débora Lisboa Quirino (líder efetiva), com o suporte de treze extensionistas de diferentes cursos da área de comunicação e de outros como Arquitetura, Design Gráfico, Cinema e Direito. 

Segundo Larissa Santiago, líder interina e coordenadora da agência LUNA, a Una 360 desenvolve profissionais para o futuro, que além das habilidades técnicas, possuem uma visão humanística nas relações e produções, e entendem a importância de suas ações nas reflexões culturais. Em que, os extensionistas são uma equipe unilateral que trabalha em conjunto nos projetos, e a diversidade de contextos sociais, fortalecem a equipe que é vibrante, múltipla, expansiva e colaborativa. 

Na Una 360 o foco é treinar e revelar novos talentos mediante as produções realizadas, sendo um meio de exposição no que diz a respeito aos extensionistas saírem da agência, na maioria dos casos contratados, em que ambos têm a oportunidade de crescerem profissionalmente e serem reconhecidos no mercado de trabalho em virtude de sua participação no núcleo.

Para o estudante Patrick Bryan Ferreira do Nascimento, que foi um dos extensionistas de jornalismo no ano de 2019, sua participação foi inesquecível e trouxe muitas propostas de trabalho. “Trabalhei para a Rede Minas, por indicação de um colega que trabalhava com a gente nos eventos, e hoje estou indo para uma nova proposta, já formado, pela experiência que tive na Una”, afirma. 

Segundo ele, suas funções eram deliberadas a partir de sua formação, e desenvolveu habilidades fundamentais como profissional e que sua atuação como assessor de imprensa e social media na Una 360, trouxe a oportunidade de cobrir eventos e entrevistar famosos como a Ivete Sangalo, Fernanda Gentil, Iza, Seu Jorge, Melim e outros, nos mais de duzentos eventos produzidos ao longo de sua participação. 

“Sempre fui interessado no entretenimento desde criança e de repente, tão cedo, você estar na produção de um mega show, na sala de imprensa com artistas que você sempre ouviu e admirou é muito emocionante”, explica Patrick. 

À frente de tantos outros projetos focados na produção de eventos, a Una 360 viabiliza contribuir com a experiência e o network dos alunos, e amparar na prática os conhecimentos aprendidos em sala de aula com assertividade. 

As oportunidades são únicas, capazes de ofertar o contato com o mundo exterior, que ao convergir com o amadurecimento profissional, acarreta no estímulo dos sonhos dos alunos de prestarem serviços à grandes festivais. Por essa razão, promover eventos corporativos ou de entretenimento na agência, é construir experiências enriquecedoras, inesquecíveis e divertidas, que auxiliam os estudantes a iniciarem as carreiras. 

Isabella Rosa Tavares, que está no décimo período do curso de Direito, afirma que, o que a levou ser extensionista da Una 360, e possuir jornada a mais de três anos na equipe, foi a possibilidade de trabalhar com eventos dentro de sua área, focada em otimizar seu tempo aos estudos e agregar conhecimento acadêmico.

Para ela, a agência motivou o seu sonho de produzir eventos, porque durante as festividades lidava com pessoas e grupos distintos, e se permitiu descobrir que é ótima em trabalhar com o público. E, que hoje ama participar dos eventos e o sentimento que permanece a cada produção é o de dever cumprido.

“Me sinto realizada e preparada para encarar o que vier pela frente, porque foi exatamente essa junção de teoria e prática que abriu não só o leque do conhecimento, mas também me tornei uma pessoa muito melhor do que a Isabella que ingressou no início da graduação”, desabafa Isabella.

Parceria e serviços 

Devido ao cenário imposto pela pandemia de Coronavírus, o setor de eventos é um dos mais afetados e as produções externas permanecem estagnadas para a realização de festividades. Entretanto, os principais serviços prestados pela Una 360 dão oportunidades aos extensionistas de participarem ativamente de ações como planejamento de espaços e plantas arquitetônicas, atendimento em postos médicos, assessoramento digital, cobertura fotográfica e produção de filmagem, coletivas de imprensa, acompanhamento e interface com fornecedores contratados, processos de marketing, apoio logístico, gestão de contratos e uma infinidade de outras tarefas que fazem parte da realização de um grande evento. 

Neste momento, a agência tem se adaptado para executar exclusivamente projetos de caráter online, que viabilizam a prestação de serviços seguindo as normas de segurança contra a Covid-19, e atividades como a gestão de redes sociais, cenografia, websérie, produção de conteúdo, cobertura fotográfica e audiovisual, têm sido as principais tarefas realizadas atualmente. 

Em Belo Horizonte, a Una 360 cresceu no mercado diante da sua trajetória, e reúne em média mais de duzentos eventos anuais com parcerias entre produtores de pequeno a grande porte, como o Planeta Brasil, Sarará, Prazeres da Mesa, Bloco Pirraça, Tardezinha e tantos outros renomados do setor de produção. Além de realizar eventos institucionais do Centro Universitário, como o GastroUna (gastronomia) e o UnaTrends (moda). 

Para a estudante Thalia Aparecida da Costa, que está no sexto período do curso de Relações Públicas, é através dos serviços realizados ao longo de sua participação na 360, que alcançou uma maior agilidade na resolução dos problemas que surgem durante os eventos, sua postura firme foi trabalhada diante das situações que lidava com o público diretamente. E afirma que atualmente a habilidade que mais tem desenvolvido é a sua criatividade na criação de conteúdos.

Segundo ela, ter a possibilidade de se conectar com a profissão, ainda na faculdade, é uma maneira de abranger o seu conhecimento e entendimento da área, além de auxiliar no networking para o mercado de trabalho.

Um dos eventos realizados pela agência foi o Festival internacional de jazz, que antes da pandemia de Covid-19, trazia para Belo Horizonte artistas nacionais e internacionais, privilegiando o jazz clássico de New Orleans, anualmente na Praça do Papa com apresentações gratuitas. 

Na época, a atuação da Una 360 ocorreu desde os anos de 2016 a 2020 (última edição realizada por causa da pandemia), sendo contratados para enviar convites, confirmar presenças, apoiar no desenvolvimento da planta arquitetônica e montagem do evento, identificar os convidados na portaria do evento, apoiar na logística do traslado dos convidados, fiscalizar e apoiar durante o coquetel, quick massage, fotografia e filmagem do evento. 

I Love Jazz – Foto: Marcos Vieira
I Love Jazz – Foto: Marcos Vieira

Vércia Oliveira, que é Gerente de Eventos do Grupo Diários Associados de Minas Gerais e a responsável pela contratação da Una 360 neste festival, afirma que a parceira é uma mão de via dupla, que além se ter o custo-benefício em relação a mão-de-obra para o organizador, é ofertado diretamente a oportunidade ávida dos alunos vivenciarem momentos reais com ação proveitosa para proporcionar o crescimento imprescindível para torná-los profissionais mais completos. 

Para ela, as inúmeras parcerias com a agência são sempre muito enriquecedoras e ao longo dos anos muitas produções aconteceram e em todas elas o comprometimento da equipe foi excepcional para serem reconhecidos no setor de eventos.

“Eu espero, em todas as produções, ter passado um pouco de nós pra eles, pois sempre deixaram muito deles conosco.  Somos muito gratos às parcerias realizadas com a Una 360!” diz Vércia. 

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Por Bianca Morais 

Com a proposta de sempre buscar inserir o aluno no mercado de trabalho,o Una Trendsetters é um projeto do curso de Moda do Centro Universitário Una e é uma grande vitrine para estudantes apresentarem suas coleções como trabalho de conclusão de curso.

Criado em 2010, inspirado pelo formato de outras escolas de moda do país, o então professor Aldo Clécius e o coordenador Júlio Pessoa. O projeto nasceu com o principal objetivo de apresentar os formandos de Moda da Una para o mercado de trabalho. Os alunos, assistidos pelos professores em todo o processo de produção, escolhiam um tema, trabalhavam em cima dele e depois materializavam aquilo em produtos de moda, toda a coleção era desenvolvida, desde roupas até acessórios, e exibidos em um grande desfile para importantes nomes do meio, de influenciadores na área da moda, a empresários e jornalistas.

Como a grande maioria dos eventos da instituição, o Una Trendsetters apresenta uma proposta multidisciplinar, que permite aos estudantes de outros cursos colaborarem com a sua participação. Cinema registrando as edições através de vídeos, a Estética ajuda no preparo dos modelos que irão desfilar no dia, a Gastronomia fica a cargo do coquetel de entrada,o Jornalismo faz a cobertura,  Publicidade e Propaganda e Relações Públicas ajudam na divulgação e a Arquitetura pensa no espaço, todos trabalham em união para conceber e realizar a parte executiva. 

O evento é destinado aos alunos concluintes do semestre de cada edição, na maioria das vezes todos eles eram agraciados com a participação, no entanto, quando a turma tinha um alto número de pessoas, eles eram submetidos a uma banca de avaliação e, em seguida, os melhores selecionados para participarem como forma de premiação.

Sempre de maneira muito profissional, o Una Trendsetters mostrava a qualidade dos trabalhos produzidos por aqueles estudantes, os apresentando a grandes nomes e marcas da moda mineira. Desde sua primeira edição, ele evoluiu tanto que passou a contar com apoio de voluntários, aprendizes de outras escolas de nível técnico, parcerias com o SENAC, entre outros, o que fez ele ser lembrado por todos.

“O Una Trendsetters ganhou essa vida própria, essa autonomia ao longo dos anos por ter se mostrado um evento do ponto de vista interno, capaz de trazer oportunidade para o aluno de experimentar algumas atividades profissionais, em suas respectivas áreas, um celeiro de chances e de aprendizados para eles”, comenta a professora e co-criadora Renata Canabrava.

A evolução do Una Trendsetters

Marca: Madô – A Estética de Erté – Por Amanda Barbosa

Sua primeira edição aconteceu na Casa Una, com clima de aconchego, o prédio histórico foi o palco daquele evento que ao longo dos anos se revelaria gigante. O Una Trendsetters já passou pelo Iate Tênis Clube, Ilustríssimo, CentoeQuatro e se tornou tão gigante que não tinha outro espaço para ocupar a não ser o Mineirão. Para aquela cerimônia que começou de forma tímida dentro do campus, migrar algumas de suas edições para o Salão Panorâmico do maior estádio de futebol da capital, foi uma grande conquista.

Marcante e grandioso, são as palavras usadas pela professora Renata, que viu o projeto crescer com os anos, para descrever aquele momento.

“Ele ganhou atenção institucional, reforço e recebeu aporte, desde a seleção de equipamentos, a gente conseguiu melhorar a qualidade da iluminação, do som, das locações onde ele vinha sendo realizado, ampliar o público presente no evento, e com isso,  envolver mais áreas do conhecimento na concepção e outras características ao longo de sua realização”, completa ela.

Dentro do mercado da moda, o Una Trendsetters passou a ganhar projeção e ser notado, se tornou algo esperado pelos jurados e as pessoas que o avaliavam. A cada ano eles eram surpreendidos por uma apresentação repleta de surpresas e performances pouco convencionais. 

“Tentamos trazer um olhar diferente para esse evento, fazer as coisas não apenas do modo tradicional, o desfile não era só como a gente tinha concebido em mente, mas ele sempre vinha meio performático, com elementos surpreendentes e isso chamava muito a atenção do público”, relembra Renata Canabrava.

“O Una Trendsetters é um marco na história do curso de Moda da Una, pessoas dentro e fora da área aguardam por ele, conseguimos nos colocar em um lugar, onde somos responsáveis por proporcionar a experiência e emoção de estar presente em um desfile com toda a pompa e estrutura que um grande desfile de marcas reconhecidas oferecem, mas agora acessível a toda a comunidade” acrescenta Letícia Dias.

O curso de Moda 

Fruto de muito trabalho, o curso de Moda da Una, foi o primeiro bacharelado a conquistar a nota 5 do MEC no estado, resultado construído de forma coletiva pelos alunos, professores, colaboradores, coordenação e direção. Essa nota teve um sentido muito além do mercadológico, mas foi o reconhecimento acadêmico da qualidade que todos os profissionais envolvidos investiram para que o curso formasse tantos talentos. 

Referência em Minas Gerais na qualidade de ensino, acolhimento, inclusão, diversidade e na estrutura oferecida para a realização das atividades práticas acadêmicas, extracurriculares e desenvolvimento pessoal, o curso tem três laboratórios com equipamentos novos, de alta qualidade e performance e abertos para utilização dos estudantes. 

Desde 2004 o curso de Moda tem o seu próprio Laboratório de Moda, Têxtil e Fotografia. Ele começou dentro do Núcleo Laboratorial da Una, situado no Campus Liberdade, com a necessidade de mais espaço foi remanejado para o ICBEU, e em 2018 transferido para o Campus João Pinheiro 2, onde está até hoje.

Atualmente nomeado Numo, Núcleo de Moda, faz parte da Fábrica, coletivo dos laboratórioa de Economia Criativa.

“A missão do Numo é acolher os nossos alunos e complementar o processo de formação acadêmica com práticas relacionadas a todo o universo que envolve a Moda. O objetivo é oferecer um espaço colaborativo para práticas, brainstorm, conexões, network e que os nossos estudantes sintam-se à vontade para pertencer e compartilhar”, explica Letícia, líder do laboratório.

O Numo trabalha ativamente nas edições do Una Trendsetters, e enquanto nas passarelas apenas podem subir os formandos, o laboratório dá a oportunidade a todos os aprendizes do curso de moda, independente da experiência, a emergirem no processo de produção do evento, como na criação e confecção de bolsas para o PressKit , destinado a Imprensa Brasileira, influencers e empresários, e nos backstage, envolvendo-os nas etapas necessárias para que o desfile da marca aconteça. 

Abrindo portas para o mercado

Marca: OSZ Eduardo Oldzelweski

Todos os alunos que já passaram pelas passarelas do Una Trendsetters se mostraram profissionais de grande excelência para o mercado, é ali que eles dão seus primeiros passos, que idealizam, concebem e executam todo o desfile, é onde o mercado vai enxergá-los pela primeira vez, o projeto gera conexões e é uma verdadeira vitrine de talentos. Muitos são os formandos que saíram do desfile com convites para trabalhar em empresas, desfilar em semanas de Moda renomadas no exterior.

Trabalhos de vários estudantes saíram do papel e se tornaram profissionais, um exemplo deles é o da aluna Maria Cepellos. A garota apaixonada pela moda, costurava e sempre teve a vontade de se envolver mais em todo o processo, da criação até a produção, por isso, ingressou na faculdade de moda da Una. 

Modelo desfila look da Maria Cepellos

No segundo semestre de 2019, a jovem participou do UnaTrend, com sua coleção de tema “Grafitte”, o desfile foi um sucesso, mas o que ela jamais poderia imaginar era o que estava por vir. Primeira ela recebeu um convite para se apresentar no Vancouver Fashion Week, a maior semana de moda do Canadá e segunda maior da América do Norte. 

No ano passado, veio o convite para se apresentar em Nova Iorque, na Curate, e fazer parte do showroom como a primeira brasileira no evento. Em 2021, o convite para participar do New York Fashion Week em 09/2021 ou 02/22.

“Una Trendsetters está em meu currículo, participar dele foi sensacional, me abriu portas e possibilidades que eu jamais imaginei que aconteceria, embora desejasse. A quem está começando o curso agora eu digo, se dediquem, aproveitem ao máximo o conhecimento desses grandes mestres que aí estão porque as oportunidades virão”, diz a designer de moda.

Vitrine de talentos

Rene Benjamin sempre sonhou com o Una Trendsetters. Antes de desfilar com sua coleção, o rapaz foi voluntário durante três anos consecutivos como camareiro e para ele aquele dia marcou sua vida.

Rene comemora o sucesso da sua coleção nas passarela

“ O Una Trendsetters representa muito pra mim, foi como o dia do meu casamento , eu lembro que eu vivi para aquele momento, meu pai conseguiu ir, minha prima-irmã, algumas das minhas melhores amigas, todas as professoras e colegas estavam ali, formei do lado de pessoas maravilhosas, e com aquele gosto de dever cumprido, foi emocionante”, compartilha Rene. 

ANUM foi a marca de roupas criada por ele, voltada para o público masculino NightWear/Urbano.“Criei o conceito de urbano rural e fui construindo as bases para a minha marca em cima da minha história. Nasci no interior de Minas e depois fui para grandes centros urbanos, a minha marca é urban/streetwear, mas com temas de folclore regional. O símbolo da minha logo é o Anú, um pássaro muito comum no interior onde cresci admirando-o ele. Na minha coleção e na minha marca eu abordei temas como o Folclore e o Cyberpunk”, explica o designer que é apenas um dos exemplos de como o UnaTrend permite ao estudante explorar toda sua criatividade.

“O Una Trendsetters me deu muita bagagem como criador, também como camareiro, fotógrafo e etc. O Network de pessoas é muito bom, e gostaria que depois que essa pandemia acabasse pudessemos nos reunir em BH e dar continuidade a isso”, completa o jovem. 

Vanessa Araújo passou pelo Una Trendsetters e deixou seu estilo romântico registrado no evento. Voltada para noivas da classe C, com o nome de Afetiva Dress, a designer desenvolveu uma marca onde as noivas pudessem contar sua história através da roupa com um preço acessível e boa qualidade no acabamento.  

Modelo desfila com vestido criado por Vanessa

Com o tema “Deusa nos contos”, faz um paralelo entre as deusas da Grécia Antiga e as princesas dos contos clássicos, sua coleção veio com bordados artesanais em flores, silhuetas em A, tecidos fluidos e com releituras do véu clássico da noiva. 

“No desfile foi um turbilhão de emoções. Quem vê todo o glamour não imagina como nos bastidores tem todo um trabalho árduo mas prazeroso. O UnaTrend é muito bem organizado, cada um na sua função ajudando uns aos outros. O desfile foi muito importante para nós alunos formandos, tivemos a oportunidade de mostrar nosso trabalho para pessoas importantes e influencers locais”. 

Segundo Vanessa, a chance que teve de realizar um desfile logo no início de sua carreira foi incrível, afinal, os novos designers geralmente demoram um tempo para serem vistos no mercado da moda, e para se fazer um desfile, deve haver um investimento que quem está começando no mercado, ainda não tem condições.

“Com o UnaTrend, tivemos essa oportunidade oferecida pela Una, hoje seguimos na luta de realizar nossos sonhos e colocar nossa criatividade para agregar na moda mineira”, diz ela.

Samile Fernandes é dona da marca que recebe seu nome, e teve a coleção inspirada em suas memórias afetivas. O tema escolhido pela designer foi “De Açucena para o mundo: Memórias Afetivas do Café”, onde falou sobre as memórias que carrega consigo de seu pai Nelito e seu avô Sebastião.

“O elemento que os dois tinham em comum era o cultivo do café para consumo próprio e o gosto que ambos carregaram por toda a vida pelo produto, o que virou matéria prima para a coleção. Além dos dois serem de Açucena, uma cidade no leste de Minas , outro símbolo que usei foi a flor de Açucena, que além de linda, retrata nobreza e simboliza a dor da perda de um grande amor, no meu caso os dois falecidos”, conta Samile.

Sua coleção retrata a casa de pau a pique, local onde o avô morou por toda a vida e criou os filhos, as memórias que eles deixaram, as raízes que simbolizavam seu sentimento foram retratadas em bordados e pedrarias. Pai e avô usavam muito blazer, por isso, ela decidiu usar a alfaiataria como norte, e no dia do desfile usou o blazer do casamento de seu pai. 

“Abrir o desfile foi desafiador, emocionante e uma grande responsabilidade. Marcou a minha vida, porque ali eu tive a oportunidade de falar de dois heróis, de mostrar a importância deles na minha formação como pessoa e profissional. Eu tinha propriedade para citar o quanto tem pessoas que nos inspiram, nos dão força de seguir, nos dão o ar e na coleção, eu quis que ficasse claro o quão precioso foi trazer a memória deles para todos, o meu sentimento foi passado para cada peça”, conclui.

O UnaTrend traz ao Centro Universitário Una um reforço de imagem e reputação muito grande, é mais uma vez a instituição colocando a cara no mercado, mostrando ao mundo o que os alunos da faculdade são capazes, de produzir, criar, educando da maneira certa os estudantes e os transformando em profissionais de excelência que levam o nome Una ao redor do mundo.

 

Edição: Daniela Reis

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Por Keven Souza

Há muito tempo a arquitetura se empenha para ser um instrumento transformador de realidade na qual se aplica conforto e bem-estar às pessoas, e se a essência consiste em pensar e projetar espaços para as atividades humanas, é importante que arquitetos e urbanistas desenvolvam uma visão plural e aberta das diferentes realidades que se pode encontrar em termos de habitação. 

Segundo o relatório lançado pelo Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos, o Brasil possui cerca de 33 milhões de pessoas sem moradia, e desse número, cerca de 24 milhões que não possuem habitação adequada ou não têm onde morar, vivem nos grandes centros urbanos. Por isso, tomar consciência de que, grande parte da população não tem acesso a um projeto arquitetônico bem feito, com aspectos técnicos e funcionalidade, por falta de habitação é indispensável. 

Pensando nisso, o Escritório Modelo é uma proposta extensionista criada pela Federação Nacional dos Estudantes de Arquitetura e Urbanismo (FeNEA), que tem buscado maneiras de atender a população de baixa renda, além de proporcionar vivência prática na formação profissional dos estudantes.

O papel do Escritório Modelo no Centro Universitário Una, desempenhado pelo curso de Arquitetura e Urbanismo, é de um espaço de atendimento que busca não só unir a prática acadêmica ao exercício do trabalho comunitário e de extensão, mas atuar sobretudo com parcerias solidárias. Além disso, é uma iniciativa que busca auxiliar as comunidades, bem como a arquitetura social, e subsidiar o apoio aos alunos na multidisciplinaridade e no desenvolvimento de projetos, com suporte aos professores e serviços administrativos nas áreas de arquitetura da Una. 

Fábrica NAU

O NAU é o Núcleo de Arquitetura e Urbanismo da Fábrica e está situado na Una Liberdade, em Belo Horizonte. O laboratório que atua desde 2014, atualmente é gerido pela líder Ana Karolina de Oliveira Carvalho (arquiteta e urbanista com especialização em gestão estratégica de projetos) com o suporte das estagiárias Maria Luiza Azevedo, Gabriela Sabrina de Souza Oliveira e Renata Barbosa Botelho. 

O laboratório faz parte da Fábrica – coletivo dos laboratórios de Economia Criativa –  e é um importante projeto da Cidade Universitária, sendo referência para outros escritórios da instituição, e até mesmo do Ecossistema Ânima, sendo exemplo a seguido, com pilares de organização, fluxos e resultados. 

Com ação múltipla, o NAU vai além de um Escritório Modelo, estimula a arquitetura solidária, com o compromisso de fomentar o contato do laboratório com os alunos, e na universidade tem o papel de oferecer oficinas e promover eventos de maneira que o conhecimento seja amplificado para aperfeiçoar as técnicas adquiridas ao longo dos cursos de Arquitetura e Urbanismo e Design de Interiores.

Além do contato praticado entre o laboratório e a instituição, há também a prestação de serviços para a comunidade externa. Os atendimentos seguem todas as etapas de um projeto arquitetônico e urbanístico, com construções de plantas e maquetes eletrônicas, visitas técnicas e elaboração de planilhas de orçamento. No entanto, estão elegíveis a solicitação do apoio famílias que possuem renda de até três salários mínimos, que se enquadre dentro da Lei da Assistência Técnica, e caso se trate de alguma instituição sem fins lucrativos voltada a um coletivo, há também a possibilidade de atendimento.

Na visão da líder, Ana Karolina de Oliveira Carvalho, o laboratório é uma oportunidade dos alunos experimentarem a arquitetura social, que é pouco vivenciada na maioria dos cursos de arquitetura, só que com desenvolvimento técnico e psicológico prontos para transformarem a visão da sociedade em relação ao “o que é” a arquitetura e onde ela pode chegar. 

“Eu definiria o NAU como um escritório que pensa na democratização do acesso à Arquitetura e Urbanismo, que pensa em uma melhor qualidade dos espaços para a cidade e principalmente para as pessoas”, explica Ana.

Para ela, o escritório além da prática, existe a reflexão acadêmica, em que a pesquisa, a produção de artigos científicos baseado na experiência dos alunos, ou conteúdos para as redes sociais, é uma realidade constante no laboratório.  

No NAU, a arquitetura não é só um meio que auxilia para condições estéticas e funcionais, favoráveis à habitação, utilização e organização dos ambientes, é um escritório que possui conexão cooperativa e solidária, com estudantes comprometidos em melhorar o futuro das comunidades.

Para Maria Luiza Azevedo, que está no nono período do curso de Arquitetura e Urbanismo, ser estagiária do laboratório a mais de um ano lhe permitiu desenvolver diversas habilidades, e que lidar com projetos reais é estar mais preparada para o mercado de trabalho.

“Tudo o que eu desenvolvia de prática dentro da arquitetura era somente nas aulas da faculdade e por isso sentia um certo receio, porque nunca tinha lidado com um projeto real que realmente seria edificado.” explica. 

Segundo ela, o trabalho do NAU tem sido essencial no auxílio à comunidade, pois tem ajudado várias pessoas a conseguirem o direito de moradia digna e afirma que a arquitetura é uma ferramenta que mexe com os sonhos e a qualidade das pessoas.

“Trabalhar com arquitetura social é um grande desafio, mas é totalmente recompensador fazer alguma diferença na vida de alguém que precisa, mesmo que pequena, não tem preço” desabafa Maria. 

É admirável que um dos objetivos do NAU seja ecoar na camada social de baixa renda para induzir a arquitetura para aqueles que ainda não tem acesso, para isso se envolver com demandas de Vilas, Favelas, Bairros periféricos, ONGs e prefeituras de forma inteiramente gratuita, é uma maneira de democratizar a arquitetura como uma linguagem acessível a todos.

Um dos projetos desempenhados recentemente pelo laboratório, é referente à casa dos moradores da Vila Acaba Mundo, em Belo Horizonte, que trouxeram a demanda pautada na queixa de não possuírem terrenos divididos corretamente, fazendo com que existam restrições de espaço dentro dos lares, e neste projeto o laboratório trabalha junto a comunidade em formas de obter melhorias no quesito de ventilação aos ambientes, tal como evitar mofos e conseguir aproveitamento do espaços das casas.

A reclamação da comunidade é corriqueira, e a muito tempo buscam alternativas para melhorar a vida de todos ali, entretanto neste projeto a Casa da Raquel, Casa do Laerte e Casa da Claudinha, são os lares que fazem parte do planejamento. 

Laerte Gonçalves Pereira, que é um dos moradores atendidos pelo NAU, e afirma que antes do apoio do laboratório, a maioria da vila não teria condições financeiras de arcar com uma consultoria particular de um arquiteto, no qual existiu um trabalho árduo de aceitação por parte da comunidade com relação a ter acesso aos projetos, mas que agora é um sonho coletivo.

“A sensação que resta do apoio é saber que o meu sonho está saindo do papel, e existe, principalmente, uma segurança de que lá na frente minha casa vai estar pronta por causa de um planejamento bem feito”, desabafa.

Segundo ele, boa parte dos moradores se edificam com a parceria, posto que muitos não compreendem sobre projetos arquitetônicos e que às vezes atrasam a obra por falta de conhecimento técnico, mas que o comprometimento dos alunos simplifica muito o entendimento do processo.

“Os alunos vêm com muita boa vontade de ouvir as nossas dificuldades, nos mostram a planta e nisso acabamos compreendemos mais sobre projetos e até mesmo sobre obra, por isso é importantíssimo entendermos que é necessário fazer uma casa com planejamento para que nós não nos percamos em meio à obra”, explica Laerte.

E conclui que o projeto é uma felicidade para todos os moradores que almejavam ver a comunidade mais bonita. 

Escritório EMAU 

O Escritório Modelo de Arquitetura e Urbanismo (EMAU) é uma agência gerida pelos alunos do curso de Arquitetura e Urbanismo, do Centro Universitário Una de Pouso Alegre, que em escalas de unidade habitacional ou da cidade, gerencia projetos que visam a interação entre a universidade e a sociedade.

Com atuação desde novembro de 2020, o papel desempenhado pelo escritório tem como objetivo alinhar o conhecimento acadêmico à realidade da profissão de arquiteto e urbanista, através de assessoria e assistência técnicas voltadas para a população de vulnerabilidade social, sendo o atendimento totalmente gratuito àqueles que buscam a parceria do escritório.

Atualmente, existe autonomia na seleção dos projetos por parte do EMAU, portanto todos os serviços realizados são por demandas levantadas pela comunidade local. Dentre os atendimentos às instituições sem fins lucrativos ou organizações civis como prefeituras, paróquias e escolas, que necessitam de diagnóstico sobre elementos arquitetônicos, podem entrar em contato e solicitar o atendimento. 

Gustavo Reis Machado, que é professor e coordenador do EMAU, acredita que o Escritório Modelo traz um impacto positivo na formação dos alunos como profissionais, cidadãos e como arquitetos transformadores que vão atuar dentro da sociedade sabendo que a sua profissão pode ter um efeito único na vida de vários indivíduos.

“A ideia é que o projeto seja horizontal, sem hierarquias, como professor estou ali para orientá-los. Colaboro sim! Mas a produção é deles. Ali é um ensinando o outro e compartilhando experiências”, explica o professor. 

Para ele, um dos pilares que compõem o EMAU é a solidariedade, sendo uma extensão acadêmica em que o aprendizado está ligado à realidade das pessoas, e que só existe porque a sociedade necessita do atendimento.

“O EMAU é o melhor exemplo de extensão para um curso de Arquitetura e Urbanismo, é muito transformador porque o que faz gerar os projetos e as demandas, é a comunidade local”, complementa. 

A comunidade local tem sido parceira do escritório na troca de experiências, com isso além do planejamento para espaços físicos, há uma maneira de apoiar o bem estar social das pessoas que vivem ali.

Um dos projetos realizados pelo escritório atendeu ao Centro Educacional Infantil Municipal (CEIM) Professora Evangelina Meirelles de Miranda, situado no bairro Cidade Jardim, em Pouso Alegre, que atende alunos de creche, pré-escola e educação especial.

O “Projeto Crescer” trouxe o conceito “Mundo Imaginário da Natureza”, que propôs a revitalização das áreas livres e de convivência dos alunos, realizou um estudo preliminar de cunho pedagógico a fim de entender como ocorre o desenvolvimento físico, cognitivo e psicossocial desta faixa etária visando a melhoria do espaço de brincar, de modo a otimizar o desenvolvimento das crianças. 

Para Ana Lúcia Clemente Gonçalves, que é professora e a atual gestora da escola, a ideia da parceria surgiu com a necessidade de mudar a estrutura do parque (local antigo), sendo uma área atrativa da escola e que precisava de renovação que promovesse a imaginação e a criatividade dos alunos. 

“Foi desenvolvido para atender melhor os estudantes de três a cinco anos e incentivar a exploração do mundo por meio do corpo, aprimorando o motor amplo, através de experiências, ou seja, tendo contato com diversos materiais, texturas, formas e cores”, informa Ana.

Segundo ela, neste momento a escola está passando por uma reforma geral e estão se organizando para colocar o projeto em prática, assim que ela for concluída. Além disso, expressa que o sentimento em relação a parceria é o de gratidão. 

“Essa parceria só traz benefícios para a comunidade, como a união da comunidade escolar junto com as famílias dos alunos, a interação ainda maior entre os funcionários da escola, e a motivação para sempre querer melhorar os espaços físicos dentro da escola.” desabafa ela.

Neste caso, a arquitetura atuou como peça fundamental no ensino, motivação e inspiração das crianças, e transcende a utilização do espaço como um agente ativo que influencia positivamente aqueles alunos que irão utilizá-lo.

Mayron Tadeu Costa, que é estudante e participa há oito meses do escritório, diz que atuar no projeto para o CEIM foi importante para aprimorar a vivência entre o seu contexto social-econômico, e que não sentiu dificuldade em elaborar o projeto para a escola infantil. 

“Tive pouca dificuldade. Nosso orientador, o professor Gustavo Reis, nos preparou tanto com referências bibliográficas, quanto com ensinamentos a partir de sua experiência profissional. Além disso, contei com auxílio dos meus colegas que foram essenciais para realizar a prática da melhor forma possível”, informou Mayron.

Segundo ele, os projetos desempenhados pelo escritório, além de reconstruir espaços físicos, busca também influenciar aquele que utiliza o espaço, seja na praticidade, na organização espacial ou na sensação do ambiente, e que a arquitetura como resultado estimula o sonho de muitas pessoas. 

 

 

Revisão: Bianca Morais

Edição: Daniela Reis