Tags Posts tagged with "UNA"

UNA

0 388
Foto: Marcelo Soubhia Divulgação

O evento contou com a participação de grandes estilistas e proporcionou grandes possibilidades de negócios. 

 

*por: Joyce Oliveira e Ítalo Charles

 

“Tecendo Futuros” esse foi o tema escolhido para a 25ª edição do Minas Trend, que aconteceu entre os dias 21 e 25 de outubro no Expominas, em Belo Horizonte. O evento considerado o maior salão de negócios da América Latina, trouxe as propostas de tendências para o outono/inverno 2020. 

 

O Desfile de abertura que aconteceu no primeiro dia, apenas para convidados,  apresentou dezenas de looks de diversos estilistas, dentre eles as marcas da capital mineira Norb Brand, Valéria D Valéria e Florent. Com tonalidades em branco, prata e rosado, as peças carregavam uma pegada  fluida, soltas no corpo e com uso de maxi acessórios. A marca Norb é do estilista Norberto  Resende, aluno do curso de Moda, do Centro Universitário Una, que contou em entrevista como foi a experiência de participar desse momento especial. 

 

“O convite para que a Norb apresentasse as peças na passarela surgiu de forma inesperada. Recebi uma ligação do stylist Paulo Martinez me convidando. Foi uma satisfação enorme. Após um longo processo de desenvolvimento da coleção, em uma colab proposta por mim com vários alunos da Una. Tivemos a oportunidade de fazer todo o processo de criação até à passarela. Foi enriquecedor e para nós estudantes isso é uma importante conexão com o mercado.” avalia Norberto.

 

A programação oficial aberta ao público teve início na terça feira, dia 22 e foi muito além das passarelas. O evento também contou com palestras e oficinas dentro e fora de BH. A semana que é destaque no mundo da moda recebeu visitantes e expositores de várias partes do país e também estrangeiros. De acordo com dados da FIEMG (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais), edição o salão de negócios teve um crescimento cerca de 50% de marcas de diferentes segmentos da moda, isso inclui roupas, calçados e acessórios.

 

A apresentação das coleções assinadas por Lethicia Bronstein e Anne Est Folle marcaram o primeiro desfile da noite do dia 23. Conhecida internacionalmente, Lethicia costuma ser a escolhida das famosas, em moda festa e noivas. A paulista trouxe para o Minas Trend uma coleção espelhada na mulher forte, sexy, independente e sonhadora, com tons pastéis e utilização de rendas e tules com transparência. As modelos  Cintia Dicker, Barbara Berger e Renata Kuerten foram destaque no desfile com as criações da estilista. A platéia também contou com presenã vips, as atrizes Bia Arantes, Erika Januza e Mariana Rios conferiram todas as novidades atentas aos detalhes e tedências. Por outro lado, a grife Anne Est Folle apresentou a coleção Lotta Love, com roupas casuais e fluídas, que buscam conforto e elegância. O ponto chave dos looks foram a diversidade de estampas e texturas.

 

Na mesma noite, por volta das 21 horas, aconteceu o desfile da Passarela Têxtil, onde as  indústrias mineiras Cataguases, Cedro Têxtil, Fabril Mascarenhas, Santanense, Cia João Joanense e Tear Têxtil fizeram uma parceria com o SENAI MODATEC, e apresentaram mais de vinte looks com propostas de usabilidade que iam além das passarelas.

 

A estilista Denise Valadares, grande nome da moda festa mineira, abriu a noite de desfiles. Em parceria com o stylist Alberth Franconaid, a ideia uniu a ludicidade de Alberth e a criatividade de Denise originaram a coleção “Caminhos” que apresentou uma reformulação de peças de criações anteriores e peças que segundo a estilista, é comum se ter dentro do armário. 

 

O último desfile da temporada foi da grife Victor Dzenk, que apresentou a coleção ‘Heroínas da Odisseia”, inspirada em produções hollywoodianas que marcaram os gêneros ficcionais e futuristas. Os filmes ‘O quinto elemento’, ‘Blade Runner’ e ‘Matrix’ foram usados como referência para traduzir a mulher clássica, moderna e empoderada. Uma mistura que ressaltou a sensualidade, com o uso de fendas e transparências, e valorizou a moda clássica da alfaiataria, com mangas bufantes, blazers e trench coats.

 

As palestras e oficinas foram ministradas por grandes nomes do cenário mineiro e nacional. A presença do Estilista e Stylist Dudu Bertholini, que possui uma carreira consolidada no ramo, possibilitou ao público uma experiência única em uma palestra sobre a diversidade no mundo da moda.

 

Durante o evento, várias apresentações culturais também encantaram o grande público. O grupo Primeiro Ato, com sede em BH, proporcionou a quem assistia um instante de descontração com o espetáculo de dança contemporânea “Passagem”. Já o grupo Cisne Negro levou ao ExpoMinas o espetáculo “Trama”. 

 

A programação se encerrou com a Orquestra de Câmara SESIMINAS que contou com a participação dos músicos Flávio Venturini e DoContra. O MinasTrend fecha mais uma temporada com grandes tendências e aquecendo o mercado que cresce cada ano mais na capital, Belo Horizonte deixando os presentes já na expectativa para a próxima edição. 

 

  • Os alunos escreveram a matéria sob a supervisão da jornalista Daniela Reis

 

 

 

0 564
BH recebe 25ª edição do evento

Entre 21 e 25 de outubro BH recebe grandes nomes da moda

Por: Italo Charles e Joyce Oliveira

 

Destacar o setor têxtil fazendo do algodão o fio condutor das histórias contadas sobre as perspectivas da moda suscitou a criação do 25° Minas Trend, que acontece entre os dias 22 a 25 de outubro, no Expominas, em Belo Horizonte. Repleta de novidades, a semana de moda mineira, apresentará as propostas de tendências para o outono/inverno 2020. Com a participação de grandes marcas como Denise Valadares, Lethicia Brostein e Victor Dzenk, o evento promete agitar a capital.

 

A edição batizada de “Tecendo Futuros”, traz reflexões sobre inovação, democratização e a diversidade no mundo da moda. Com direção criativa de Rogério Lima, o evento, que é o maior salão de negócios do setor na América Latina, promete levantar discussões acerca do aperfeiçoamento da cadeia produtiva de moda, com uma programação que inclui palestras, oficinas e desfiles. Pela primeira vez, as indústrias têxteis serão as estrelas da passarela. Ao todo, seis empresas mineiras do ramo irão se apresentar em um desfile coletivo, composto de 20 looks confeccionados pela equipe técnica do Senai Modatec.

 

A marca Norb Brand, dirigida por Norberto Resende, estilista e estudante do curso de moda do Centro Universitário Una, é um dos destaques do desfile de abertura, que acontece na noite dessa segunda-feira (21). A marca eleita pela Codemge (Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais) como empresa tendência, estará presente no salão de negócios pela segunda vez consecutiva e de acordo com Norberto a inspiração vem das drags queens.

“A coleção foi inspirada no universo drag e nas pesquisas da Brigitte Baptiste, uma transexual que fala sobre os seres híbridos da natureza. As peças vão trazer muito volume e babado, seguindo a essência da Norb reforçando o exagero das drags”.

 

Coleção de aluno da Una é destaque

O estilista não trabalhou sozinho. Com ele há uma equipe de estudantes de moda da Una, que auxiliam no projeto de costura e modelagem.

“A gente montou uma equipe com vários alunos que participaram da produção, e acompanharam a ideia, desde sua criação no papel até sua chegada às passarelas. Foi uma experiência excelente que proporcionou a eles vivenciar  todos os desafios que é a produção completa de uma coleção”, salienta.

 

Fora da Capital

Uma grande novidade dessa edição é a extensão das atividades do Minas Trend para cidades do interior do estado. Com programação exclusiva e gratuita, que vai dia 14 de outubro a 09 de novembro, Tiradentes, Ouro Preto, Itaúna e Uberaba recebem palestras e oficinas.

A edição se encerra no dia 24 de outubro (quinta-feira) às oito e meia da noite com a Orquestra de Câmara do SESI e com o músico Flávio Venturini. Os ingressos para o público estão a preços populares nos valores de 20 reais a inteira, e 10 reais a meia entrada. Já palestras e oficinas são gratuitas. Mais informações e inscrições no site do Minas Trend.

 

 

*(Os estagiários escreveram a reportagem sob a supervisão da jornalista Daniela Reis)

Lasar Segall - Vilna, Lituânia 1891 - São Paulo, Brasil, 1957 (Foto por Henrique Faria)

Por: Henrique Faria

A exposição “Entre nós”, que aborda, em linhas gerais, o retrato da figura humana, passando por várias culturas diferentes e assim também por diversos tipos de artes, está fazendo sucesso dentro do Circuito Cultural de Belo Horizonte. Nos finais de semana a fila de espera está ultrapassando as portas de entrada do Centro Cultural Banco do Brasil – CCBB. A mostra que já supera os visitantes da mesma exposição feita no estado do Rio de Janeiro (realizada pelo mesmo Centro Cultural), sendo assim, analisa-se que a cidade continua interessada em diversos modos da cultura, fugindo do padrão de bares e do clube da esquina.

A Educadora Agnes Antunes (23), do CCBB, explica esta diversificação entre artes e artefatos. No início da exposição, pode-se encontrar os Ibejis, que são artefatos criados na religião do Candomblé, a definição das estátuas está ligado ao nascimento de gêmeos que, normalmente são pares ou trios, significando os filhos desta mãe, porém só são feitas quando um dos dois morrem.

Nas próximas salas, é visto diferentes tipos de pinturas e fotografias, que retratam, em sua maioria, europeus – Duques e membros da burguesia. Também é encontrado obras que referem a negros e índios, assim como materiais utilizados para criação das obras.

O Engenheiro Civil, Antônio Costa Filho, de 60 anos, veio do Mato Grosso, onde reside, para ver a exposição e afirma que nesta mostra de arte, teve a oportunidade de ver obras que só imaginava ver pela nos livros de história e pela Televisão, abaixo ele aprecia uma das obras expostas.

(Foto por Henrique Faria)

Os coordenadores da exposição, parecem não ter se preocupado com o peso dos artistas e colocou as obras em ordem de sua preferência, pois não é visto as pinturas de Van Gogh e Édouard Manet com salas separadas ou em evidência, mas sim, sendo bem distribuídas entre as outras obras menos conhecidas.

via GIPHY

Informações da Exposição:

Disponível entre os dias 26/04 E 26/06.
Horário de Funcionamento: de 09h às 21h
Endereço: Praça da Liberdade, 450 – Funcionários, Belo Horizonte
Entrada Franca.

0 668

Texto escrito: Melina Cattoni                                                                                  

Insegurança s.fem.: 1. Sentimento controlado apenas por você. 2. Sensação alimentada por seus monstros e experiências 3. Caso a deixe crescer, pouco a pouco, ela te engole e você se aprisiona.

Aprisionar é um verbo muito forte, não?

Não!

É o que acontece e é a situação de impotência mais triste que existe. Sabe o porquê é a pior? Simplesmente porque é você que se coloca nesta situação, e por mais que surja uma nova oportunidade, e você a enxergue e quer vivê-la, sua prisão particular grita e te controla.

Cabe ao ser humano aproveitar cada segundo como se fosse o último. A partir do momento que nos libertarmos dos nossos medos, estamos prontos para nos entregar e arriscar em chances que aparecem como uma simples caixinha de surpresa. Basta ter coragem para abri-la e viver o desconhecido.

Medo, esse é o verdadeiro motivo para a insegurança.

A vida se compara a uma montanha russa com subidas, descidas e reviravoltas, a parte mais gostosa é quando está no topo e sente aquele frio na barriga ao olhar para baixo. E de repente, você se liberta para sentir aquele sentimento de felicidade ao descer com toda velocidade. Quando chega em terra firme você está com um sorriso igual ao de uma criança. E apesar dessa situação, quando acorda no outro dia, você sente o mesmo medo.

“Abra suas asas, solte suas feras, caia na gandaia, entre nessa festa”. Todos já ouviram e cantaram esse verso em algum momento. Quem ainda não ouviu, com certeza ouvirá. E sabe por quê? É a descrição fiel dos sentimentos e da liberdade que todos nós queremos alcançar um dia.

O Laboratório Ecossistêmico Interdisciplinar de Aprendizagem, conhecido como LEIA, inaugurou seu primeiro espaço comunitário na cidade de Belo Horizonte. Durante a tarde do dia 29, alunos, professores e idealizadores do projeto abriram as portas para apresentá-lo à comunidade. O local, o terraço de um prédio, está localizado na avenida João Pinheiro, nº 580, região centro-sul da capital.

Integrando quatro cursos do Centro Universitário UNA, o LEIA foi criado para o desenvolvimento de hortas urbanas e a reinvenção dos espaços da cidade. Os alunos da Arquitetura foram os responsáveis em elaborar os projetos das hortas. O principal objetivo foi a criação de um modelo funcional e compacto, que seja viável e sustentável para a sua implementação em espaços do cotidiano.

Fotografia: Lucas D’Ambrosio.
Fotografia: Lucas D’Ambrosio.

Membros dos cursos de Biologia e Nutrição dedicaram os trabalhos para desenvolver técnicas de plantio e cultivo das espécies utilizadas nas hortas. Além disso, participaram com a indicação de métodos de manutenção da compostagem adequada para o plantio. Por fim, o curso da Gastronomia ofereceu os seus alunos para auxiliar no plantio, na colheita e na utilização dos alimentos produzidos pelas hortas urbanas do projeto, na elaboração de pratos e receitas.

Interação de disciplinas: a gênese do LEIA

A professora do curso de Arquitetura e Urbanismo, Luiza Franco é uma das coordenadoras do projeto. Ela explica que uma das razões que a motivou foi levar, para fora da sala de aula, os alunos de Arquitetura. “Eles fazem muitos projetos, mas a gente não coloca na prática, literalmente não coloca a mão na massa e a arquitetura é um meio de construir”, explica.

Para ela, a interação com outros cursos foi fundamental, “A UNA tinha um projeto de hortas urbanas, mas de fazer o mapeamento delas, pela cidade. Houve o convite para a Gastronomia, e eles sentiram que outras disciplinas também poderiam agregar. É preciso conhecimento amplo, a horta em si, necessita do conhecimento em diferentes áreas. Como convidada da Arquitetura, eu topei na hora”, ressalta.

A professora Luiza Franco destaca a importância da integração entre diferentes disciplinas que formam o projeto LEIA. Na foto, ela mostra o trabalho realizado pelos alunos do curso de Moda. Fotografia: Lucas D’Ambrosio.

Rosilene Campolina, professora do curso de Gastronomia, é também uma das idealizadoras e coordenadoras do projeto. Compolina destaca que o espaço é aberto à comunidade, “É extremamente importante fixar isso. É um projeto de extensão que nós queremos disseminar essas práticas, aprendidas aqui e que a gente possa levar e externalizar esse conceito para atrair a comunidade. Que isso possa se tornar prática nas escolas, no seu condomínio, na sua casa, na sua empresa, no seu escritório, onde quer que você esteja”, finaliza.

Rosilene Campolina, professora e coordenadora do projeto LEIA. Fotografia: Lucas D’Ambrosio.

Projetos, histórias e oportunidades

Durante o evento, os alunos do curso de Gastronomia participaram de uma feira apresentando e comercializando pratos que foram elaborados ao longo do semestre. Além da feira culinária, as hortas que foram desenvolvidas pelos alunos de Arquitetura também estavam expostas para o público visitante. Além de conhecer o projeto de cada um dos grupos, quem visitava a feira poderia participar de um concurso para eleger o melhor prato e o melhor projeto de horta.

Fotografia: Lucas D’Ambrosio.
Fotografia: Lucas D’Ambrosio.

O aluno da Arquitetura, Samuel Morais, 22 anos, era um dos expositores do evento e defende que a cidade pode trazer elementos que pertencem ao campo. Acredita que o cultivo pode ser algo renovável e possibilita na criação e produção pela população, do seu próprio alimento. “O desenvolvimento do LEIA é isso: criar hortas urbanas que possam ser utilizadas no meio urbano. Hortas que possam estar em apartamentos, casas e até mesmo com a interação da família, inseridas em escolas”, ressalta.

O projeto desenvolvido pelo grupo do estudante se chama “Horta Bambulê”. Ela foi criada e pensada para ser utilizada em ambientes escolares. Para Morais, é algo que pode despertar o interesse dos alunos, desde o ensino fundamental até o ensino médio. Ele destaca, também, a utilização de materiais sustentáveis, como o bambu e latas de alumínio. “É muito fácil de ser encontrado e a utilização de latas de qualquer tipo, no caso, para a plantação, incentiva a reciclagem dentro de casa”, destaca.

O aluno do curso de Arquitetura, Samuel Morais, apresenta o projeto de horta “Bambulê”.

Além de recepcionar os projetos acadêmicos, o espaço também abriga campanhas de conscientização ambiental e sustentável. Sentado em uma mesa coberta com latas de refrigerante e ferramentas, Damião Moisés, também estava presente no evento. O artesão de 42 anos representa a conhecida “criatividade do povo brasileiro”. Convidado para participar da inauguração do espaço LEIA o senhor, de mãos firmes e olhar atento, se concentrava na criação de suas peças.

Cortando e moldando as latas de alumínio, ele conta sobre o seu ofício. “O que faço é aproveitar as latinhas. A maioria delas a gente pega nas ruas. Eu vim da ASMARE (Associação dos Catadores de Papel, Papelão e Materiais Reaproveitáveis de Belo Horizonte) e há dez anos eu trabalho com a reutilização de materiais que possam ser reciclados”, conta.

Fotografia: Lucas D’Ambrosio.
O artesão Damião Josué trabalha na coleta de materiais recicláveis para a realização de seus trabalhos artesanais. Fotografia: Lucas D’Ambrosio.

No final de todo o processo, Moisés mostra o resultado final do seu esforço: depois de trinta minutos produzindo uma peça, a latinha que seria destinada para o lixo se transforma em uma coleção de peças decorativas. Conforme a criatividade do mestre artesão, as latas se moldam em panelas de pressão, bules de café e regadores de hortas e jardins, que são comercializados individualmente ou por meio de kits.

Reportagem produzida pelos alunos do curso de jornalismo do Centro Universitário UNA: Isabela Carvalho, Ingrid Oliveira, Gabriella Germana, Lucas D’Ambrosio e Thainá Hoehne. 

 

 

 

Encontrar alternativas destinadas à produção orgânica de alimentos, principalmente na agropecuária, tem sido um desafio presente na sociedade. A meta de especialistas, ambientalistas e pessoas que estão preocupadas com o tema é criar meios para afastar a aplicação de agrotóxicos nos alimentos destinados ao consumo, priorizando entre outros, a produção caseira dos mesmos.

De acordo com dados apresentados pelo Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas (SINITOX), que é vinculado à Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ), somente no ano de 2009, 170 pessoas vieram a óbito em decorrência de intoxicação causada por agrotóxicos, de um total de 5.204 casos registrados no mesmo ano.

No dia 14 de setembro, foi divulgada a aquisição da empresa fabricante de bioquímicos Monsanto, pela Bayer, que é destinada à produção farmacêutica. A Monsanto é uma multinacional de agricultura destinada para a produção e comercialização de agrotóxicos em países da África, Europa, Oceania, Américas do Norte e do Sul. A aquisição foi efetuada no valor estimado de 66 bilhões de dólares e aguarda aprovação pelos órgãos reguladores.

A recente operação comercial levantou questionamentos quanto aos rumos em que as indústrias alimentícias e farmacêuticas irão tomar. O monopólio de produção de agrotóxicos, concentrados em uma mesma empresa que também fabrica medicamentos contra doenças, apresenta contradições que vão além dos detalhes de uma operação comercial do mercado financeiro.

Soluções contra os agrotóxicos

Um meio encontrado para driblar a toxicidade dos alimentos que possuem agrotóxico é o cultivo caseiro e orgânico de frutas, legumes e verduras. É o caso de Vicente Carlos Pimentel, 66, aposentado, que explica como surgiu a ideia de criar uma horta em sua casa. “Primeiro, para preencher as horas vagas. E depois, pelo prazer de lidar com a terra, sementes, mudas e colher o que foi plantado sabendo que estamos comendo alimentos sem agrotóxico é gratificante”, comenta Pimentel.

Ingridy da Silva, 19, é estudante de geologia. Ela também realiza o cultivo de produtos orgânicos em sua casa e relembra os momentos da infância quando presenciava os cuidados de suas avós com a terra. “Quando criança, ficava maravilhada com o cantinho de flores e hortaliças que elas mantinham. No meu amadurecimento social, vi que cultivar uma horta traz grandes benefícios diante da sociedade imediatista e industrializada”, ressaltando a importância de reduzir o consumo de agrotóxicos.

Ações para a comunidade

Encontrar alternativas ao consumo de alimentos contaminados por químicos pode ser um desafio. Porém, existem ações que são realizadas com o objetivo de restaurar a forma da produção natural e saudável dos alimentos. Este é o caso do Laboratório Ecossistêmico Interdisciplinar de Aprendizagem, o LEIA.

Ele é um projeto de extensão desenvolvido pelo Centro Universitário UNA e irá promover a ecologia de saberes entre conhecimentos acadêmicos e populares. A princípio, ele visa criar meios alternativos para o uso de espaços ociosos, transformando-os em ambientes educativos, de forma colaborativa.

Rosilene de Lima Campolina, gastrônoma e jornalista, é uma das pessoas que está à frente do projeto. Ela acredita que a agricultura familiar comunitária é um benefício para a comunidade que cria uma forma alternativa de acesso aos alimentos livres de agrotóxicos. “Produtos orgânicos ainda têm preços elevados devido à demanda (procura e oferta), mas o fomento e crescimento da agroecologia podem mudar este cenário e tornar a aquisição uma prática acessível a todos”, ressaltando a importância desse modelo de projeto.

Reportagem: Bruna Dias e Lucas D’Ambrosio

Infográfico: Isabela Castro