TBT: 30 de setembro de 1917 – Nascia uma lenda da TV

TBT: 30 de setembro de 1917 – Nascia uma lenda da TV

Por Daniela Reis 

No dia 30 de setembro do ano de 1917 nascia Abelardo Barbosa, o famoso Chacrinha. Grande comunicador da TV, ficou famoso pela sua descontração e irreverência. Criador da famosa frase “na televisão, nada se cria, tudo se copia”, o apresentador alcançou popularidade, sobretudo, com os programas de calouros na TV.

Importantes nomes passaram pela buzina do debochado comunicador, como Fagner, Joana, Beth Carvalho, Jorge Ben, Nelson Ned, Wanderléa, Moraes Moreira e Fábio Júnior. E bordões como “Teresinha!”, “Vocês querem bacalhau?” , “Eu vim para confundir, não para explicar!” ocupam até hoje a memória de muitos brasileiros.

Sua história  foi repleta de intensos momentos. Desde sua estreia na TV Tupi, com a Discoteca do Chacrinha, sua passagem pela TV Rio, Rede Globo, retorno à Tupi, passando pela Bandeirantes e, até enfim, voltar à Globo, nas tardes de sábado.

DÉCADA DE OURO

A partir de 1945, trabalhou em várias emissoras de rádio apresentando o programa Cassino do Chacrinha, no qual lançou sucessos como Celly Campello com “Estúpido Cúpido”. Mesmo depois de se tornar sucesso na TV, Chacrinha nunca abandonou o trabalho em rádio.

A estreia na televisão aconteceu em 1956, na TV Tupi, com quatro programas: Festa no ArraialMusical Selo de OuroSucessos Mocambo e Clube da Camaradagem. Em seguida, estreou o infantil Rancho Alegre, paródia aos filmes de faroeste, no qual interpretava o xerife. Também começou a apresentar a Discoteca do Chacrinha, na mesma emissora. No início dos anos 1960, apresentou sua Discoteca na TV Paulista, TV Rio e TV Excelsior, sempre com grande sucesso.

DISCOTECA DO CHACRINHA

Chacrinha foi contratado pela Globo em 1967, para apresentar dois programas: a Discoteca do Chacrinha, às quartas-feiras, e A Hora da Buzina, rebatizado em 1970 como Buzina do Chacrinha, aos domingos.

Apesar da boa repercussão, em dezembro de 1972, voltou para a TV Tupi. Em seguida, foi para a Record e retornou para a TV Tupi. E em 1978, mudou-se para a TV Bandeirantes. Só voltou à Globo em março de 1982, dessa vez para apresentar, nas tardes de sábado, seu maior sucesso, o Cassino do Chacrinha. Mistura de programa de auditório com atrações musicais e show de calouros, o Cassino tinha a direção de José Aurélio “Leleco” Barbosa, filho do apresentador, e de Helmar Sérgio, e permaneceu na grade de programação da Globo até a morte do apresentador, em 1988.

Em seus programas, o “Velho Guerreiro”, exerceu seu talento único para a comunicação através de uma persona extravagante que o tornou um ícone da televisão brasileira. Até o início dos anos 1960, vestia-se de terno e gravata para apresentar os programas. Depois, passou a se apresentar com figurinos excêntricos – o primeiro deles incluía um boné de disc-jóquei e um enorme disco de telefone para pendurar no pescoço – ou fantasiado das maneiras mais espalhafatosas, como baiana estilizada, telefone gigante, noiva ou mulher-maravilha.

 

ALÔ, TEREZINHA!”

Durante o programa, fazia soar a buzina de mão que usava para desclassificar os calouros nos concursos que promovia. Tinha o hábito de apontar para o próprio nariz quando queria enfatizar uma de suas frases, ao mesmo tempo debochadas e insólitas, que se tornavam bordões instantâneos, como: “Alô, Terezinha!”, “Quem não se comunica se trumbica”, “Na TV nada se cria, tudo se copia” e “Eu vim para confundir e não para explicar”. O apresentador também “distribuía” gêneros alimentícios para a plateia, arremessando bacalhaus, farinha, abacaxis, pepinos, etc.

Os programas de Chacrinha contavam ainda com as chacretes – dançarinas que faziam coreografias durante as atrações e tinham nomes exóticos como Rita Cadillac, Fernanda Terremoto e Fátima Boa Viagem – e com o seu corpo de jurados, do qual fizeram parte figuras marcantes como o produtor musical Carlos Imperial, a cantora Aracy de Almeida, a transformista Rogéria e a atriz Elke Maravilha.

Chacrinha e suas Chacretes

CENSURA

Por conta de seu comportamento anárquico, Chacrinha teve problemas com setores mais conservadores da sociedade e com a Censura Federal. Foi importunado pelos censores que não permitiam que as câmeras mostrassem os corpos das chacretes e procuravam inibir suas brincadeiras, especialmente as frases de duplo sentido. Numa ocasião, o apresentador se sentiu desrespeitado na maneira de ser abordado nos bastidores do programa e chegou a escrever à Censura Federal, reclamando formalmente dos maus-tratos recebido pelos censores.

Todos os anos, Chacrinha lançava marchinhas de carnaval que ficaram famosas. Em 1987, foi homenageado pela Escola de Samba carioca Império Serrano, com o enredo “Com a boca no mundo: quem não se comunica se trumbica”. Chacrinha fechou o desfile, no alto de um carro alegórico, cercado de chacretes e acompanhado da jurada Elke Maravilha e do seu assistente de palco, Russo.

ÚLTIMO CASSINO DO CHACRINHA

Em 1988, a saúde de Chacrinha começou a dar sinais de que não ia bem. O humorista João Kléber chegou a apresentar alguns programas em seu lugar. Em junho, o apresentador voltou ao comando do programa, mas, ainda não totalmente restabelecido fisicamente, precisou da ajuda de João Kléber. O último Cassino do Chacrinha foi ao ar no dia 2 de junho de 1988. Chacrinha faleceu naquele ano, em 30 de junho, aos 70 anos, vítima de câncer no pulmão.

 

 

 

 

 

 

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