TBT: Museu Nacional é destruído pelo fogo

TBT: Museu Nacional é destruído pelo fogo

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Por Daniela Reis 

No domingo, dia 02 de setembro de 2018, o Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro foi consumido pelas chamas de um grande incêndio. Após muitas suspeitas e investigações, o inquérito concluiu que o fogo teve início em um aparelho de ar condicionado no Auditório Roquette Pinto, no primeiro andar, bem próximo à entrada principal do museu.

Localizado no Rio de Janeiro, o museu é a instituição científica mais antiga do país e uma das mais importantes do mundo. Foi fundado pelo rei Dom João VI em 1818, e seu primeiro acervo surgiu a partir de doações da Família Imperial e de colecionares particulares. Ele tinha o maior acervo da história natural da América Latina, com 20 milhões de itens, um valor incalculável e nunca mais poderá ser visto pessoalmente.

Sobre o museu

O Museu Nacional é a instituição matriz da ciência no Brasil e representava os avanços científicos, o conhecimento e a riqueza cultura do país e do mundo. Com mais de 20 milhões de itens, o museu era especializado nos estudos de paleontologia, antropologia, geologia, zoologia, arqueologia e etnologia biológica.

A instituição tinha uma das mais completas coleções de fósseis de dinossauros do mundo, múmias andinas e egípicias e artefatos importantes da arqueologia brasileira. Outra perda foi a biblioteca Francisco Keller, com um amplo acervo de 537 mil livros. O único objeto que resistiu às altas temperaturas foi o Meteorito Bendegó, que ficou intacto em meio aos escombros do edifício.

O edifício também foi palco de importantes acontecimentos históricos. O museu ocupa um prédio histórico na Quinta da Boa Vista, zona norte do Rio de Janeiro. O palácio foi doado por um comerciante e depois se tornou a residência oficial da família real no Brasil, entre 1816 e 1821. Foi nesse palácio que a princesa Leopoldina (esposa de Dom Pedro I) assinou a Declaração de Independência do Brasil (1822) e foi realizada a primeira Assembleia Constituinte (1824), para elaborar a primeira Constituição brasileira.

A seção de Paleontologia exibia os fósseis e a réplica do Maxakalisaurs topai, o maior dinossauro já montado no país. Tratava-se de um animal herbívoro com cerca de 13 metros de comprimento e 9 toneladas. Em outra sala ficava Luzia, nome dado ao fóssil humano mais antigo encontrado nas Américas, com cerca de 11 mil anos. Sua descoberta é um marco da ciência e ajuda a remontar a história da humanidade. Luzia também representava a “brasileira” mais antiga do nosso território.

A seção de Antropologia era riquíssima, com mais de 40 mil objetos. Representando mais de 300 povos indígenas, o acervo trazia artefatos que remontam ao século 19.  O incêndio destruiu toda a coleção de etnologia indígena exposta, inclusive de vários povos desaparecidos. Na parte regional, o museu trazia um acervo de Folclore e Cultura Popular, que representava os diversos tipos humanos do Brasil como a vida sertaneja, objetos dos pampas gaúchos, objetos musicais tradicionais, remos de ribeirinhos e rendas do Nordeste.

O acervo de Botânica também se perdeu. Em 1831, o botânico alemão Ludwig Riedel criou o Herbário do Museu Nacional, o primeiro do país. Ela guardava vários exemplares da flora brasileira, coletados em expedições científicas de naturalistas daquele século. O herbário do museu chegou a ter 550 mil espécimes de todos os biomas brasileiros, que refletiam a riqueza da fauna e flora brasileira. Muitas espécies estão extintas.

Além disso, contava com acervo egípicio e africano, ou seja, o que se queimou ali jamais será recuperado.

Tragédia anunciada 

O que aconteceu poderia ter sido evitado, mas a falta de investimento e má gestão, fez com que parte da nossa história virasse cinza. Além de problemas na estrutura, o edifício histórico não tinha um plano de proteção e combate a incêndios, o que o deixava em situação irregular. Os bombeiros relatam que na hora do fogo, os hidrantes estavam descarregados. Boa parte da estrutura do prédio era de madeira, e o acervo tinha muito material inflamável – o que fez o fogo se espalhar rapidamente.

Em 2018, o museu não recebeu integralmente a verba de R$ 520 mil por ano para sua manutenção cotidiana. Segundo o reitor, em 2015 foi apresentado um projeto do BNDES para instalação de um novo sistema de prevenção de incêndios, mas o dinheiro atrasou e só foi liberado após a tragédia.

 

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