Tragédia na Colômbia matou parte do futebol, mas o que restou respira...

Tragédia na Colômbia matou parte do futebol, mas o que restou respira intensamente

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Foto reprodução

Na madrugada desta terça (29) veio ao conhecimento de todos os amantes do futebol, uma notícia que ninguém espera receber antes de sair de casa. Quando nos preparávamos para mais uma semana quente de bola rolando veio a bomba: O acidente envolvendo o avião que transportava o time da Chapecoense para Medelín. Lá, o clube catarinense iria disputar o primeiro jogo da final da Copa Sul-americana contra o Atlético Nacional.

No vôo, havia 81 pessoas, nove tripulantes e 72 passageiros. Dentre eles, jogadores, comissão técnica, dirigentes e jornalistas. Os únicos sobreviventes do vôo foram os jogadores Alan Ruschel (lateral esquerdo da Chape), Neto (zagueiro) e Jakson Follmann (goleiro reserva); a aeromoça Ximena Suárez, o mecânico Edwin Tumiri e o jornalista Rafael Henzel.

Foi um golpe duro, nesses momentos em que as pessoas normalmente param e percebem não só como a vida é muito frágil, mas também como as pessoas que mais amamos podem não estar mais conosco de um dia para o outro. Acima de tudo eram vidas, e isso não tem valor mensurável.

As pessoas que mais se comoveram foram àquelas ligadas ao esporte. Rapidamente foram surgindo nas redes sócias movimentos e mensagens de apoio e solidariedade às famílias e os envolvidos no acidente. Os clubes brasileiros alteraram sua imagem de perfil para o escudo da Chapecoense em preto em branco em forma de luto. A rashtag #ForçaChape foi trending topics mundial no Twitter, com mais de 195mil Tweets.

Principalmente os torcedores, fizeram com que a internet se tornasse um mar de homenagens às vitimas. Em Liverpool, a torcida local cantou sua música mais famosa ‘You will never walk alone (Vocês nunca estarão sozinhos, em tradução livre) antes do minuto de silêncio. Na Suíça, a torcida do Copenhague ergueu uma faixa em português escrita: “estamos todos juntos com você, Chapecoense”. Na Colômbia, a torcida do Atlético Nacional que faria a final com a equipe brasileira se reuniu em seu estádio na hora marcada para a partida e cantaram uma música criada para a ocasião: “Que escutem em todo continente, sempre recordaremos da campeã Chapecoense”.

Mas além da dor e comoção pela perda de vidas, houve também uma preocupação de muitos amantes e profissionais do esporte com relação ao futuro do clube catarinense. Mas a preocupação sobre a continuidade das atividades do alviverde catarinense não duraram tanto. A CBF decretou luto oficial de sete dias e remarcou todas as partidas do futebol brasileiro. Os clubes brasileiros rapidamente se mobilizaram e no começo da tarde foi publicada uma nota oficial nos sites de vários deles se disponibilizando a emprestar jogadores para a Chapecoense a custo zero. Também solicitam a entidade máxima do futebol brasileiro, que conceda isenção de rebaixamento á Chape por três anos.

Fora do país, houveram outras ajudas oferecidas. O Benfica, de Lisboa, por meio do site oficial se dispôs a dar apoio na criação de condições para minimizar as perdas no acidente. No Paraguai, o Libertad emitiu nota disponibilizando todo o time titular para qualquer evento esportivo. O Atlético Nacional de Medelín, também em nota, sugeriu a Confederação Sul-americana de Futebol (Conmebol), que entreguem o título da Copa à Chapecoense em homenagem póstuma às vítimas e assim, o dinheiro do prêmio também fique com o time de Santa Catarina.

Além de apoio pelas redes, torcidas de diversos times brasileiros estão se mobilizando para ajudar também de forma financeira. Um torcedor do Grêmio que mora em Curitiba sugeriu no Facebook que torcedores se associem ao clube alviverde de Chapecó. Até as 18h00, a publicação já passava de 1600 compartilhamentos. Essa e outras campanhas estão surgindo na rede com iniciativa dos próprios torcedores de outros clubes que desejam ajudar para que o clube possa se reerguer depois de tal tragédia. Há também diversas mensagens incentivando a compra da camisa oficial do clube em forma de ajuda, mas até o momento do fechamento deste texto, nenhuma campanha foi oficializada.

O time de Chapecó já vinha conquistando a simpatia de torcedores de todo o país pelo exemplo de boa gestão e bons resultados em campo. Vale lembrar que é um clube com orçamento muito menor que os principais clubes do país e, em seis anos, saiu da quarta divisão do futebol nacional e alcançou a Série A, sem nenhum rebaixamento.

A Chapecoense fez uma campanha histórica, primeira final de torneio internacional, uma história com capítulos extremamente emocionantes e contornos épicos e que infelizmente não teve um final feliz. O time que vinha sendo comparada com o campeão inglês Leicester (que foi zebra e campeão) agora é comparado aos Mamonas Assassinas, que no auge da carreira, também nos deixaram em um avião rumo aos céus.

A parte mais importante para os fãs do futebol foi descobrir e testemunhar, mais uma vez, que o mundo da bola ainda respira, por mais que tenha perdido um pedaço. E que, mais do que nunca, não se trata apenas de um jogo.

#ForçaChape

Por Pedro Rodrigues

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