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Rio de Janeiro

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Por Keven Souza

Há uma grande questão no Brasil que é o impacto da violência na vida de pessoas que utilizam o transporte público. Segundo dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), até setembro de 2019, uma pessoa foi assaltada dentro do ônibus a cada 33 minutos na capital carioca. 

E o nosso TBT de hoje é de um caso desse tipo de violência que aconteceu há vinte anos e foi manchete em todo Brasil e também no cenário internacional. O famoso e trágico sequestro do ônibus 174, na cidade do Rio de Janeiro. 

Na tarde do dia 12 de junho de 2000, o jovem Sandro Barbosa do Nascimento protagonizou o sequestro de dez reféns na linha 174, rota para Gávea-Central. O indivíduo, que usava roupas simples, embarcou no bairro Jardim Botânico com a finalidade de efetuar um assalto

Às 14h20min, com ação motivada por sinal de um dos passageiros, uma patrulha da Polícia Militar interceptou o veículo e a partir daquela operação o pânico já havia se instalado. Sem ter para onde fugir, Sandro fez passageiras de reféns, com o intuito de chamar a atenção da mídia e negociar a preservação da sua vida junto aos policiais. 

O sequestrador que naquela altura  estava sob vários holofotes da mídia e com transmissões ao vivo pela televisão, utilizou a estudante Janaína Lopes Neves, 23 anos, como porta-voz e escudo dentro do coletivo.  Ali apontou a arma na cabeça da vítima e a fez escrever nas janelas, com batom, frases como: “Ele vai matar geral às seis horas” e “ele tem pacto com o diabo”. 

Após horas de tensão dentro do veículo, aproximadamente às seis da tarde, o assaltante decidiu sair do ônibus usando a professora Geísa Firmo Gonçalves como escudo. Ao descer, um policial do Grupamento de intervenção tática, obteve uma ação precipitada, que almejou pará-lo com uma submetralhadora, acabou errando o tiro e acertou a refém de raspão no queixo. Tendo em vista a confusão, a moça de 20 anos levou outros 3 disparos nas costas promovidos por Sandro, e acabou falecendo.

Resultado do sequestro

A situação ao todo durou cerca de cinco horas consecutivas, e Sandro por sua vez foi morto por asfixia mecânica, quando cinco policiais militares tentaram imobilizá-lo no camburão que seguia rumo ao Hospital Souza Aguiar. Após alegações de que sua morte foi ocasional por parte da familia, os policiais responsáveis pelo óbito de Sandro foram levados a julgamento por assassinato e foram declarados inocentes. 

O caso do ônibus 174, desencadeou uma série de ações, iniciativas, eventos e mobilizações por partes civis e da população carioca. A sociedade, na época, se mobilizou em algumas passeatas, uma delas realizada pela organização não-governamental (ONG) Viva Rio, que promoveu um calendário de manifestações a partir do slogan “Basta! Eu quero paz!”.

É notável o esforço da prefeitura do Rio de Janeiro, na troca da linha, visto que no ano seguinte (2001), a linha 174 mudou de número para 158 e no ano de 2016, para Troncal 5. O objetivo talvez seja fazer com que a linha inicial do coletivo não desencadeasse, na sociedade, lembranças daquele episódio violento que foi o sequestro do ônibus 174.