Cotidiano

*Por Dara Alamino

Domingo, 05 de julho.

Na verdade, já são 06, 1h05 da madrugada.

Hoje, tirei aquele característico cochilo das tardes de domingo da tradicional família brasileira. A última vez em que fiz isso? Sinceramente, não sei. Dormi tão de mau jeito que meu ombro esquerdo está doendo bastante. Com qualquer mínimo movimento, meu pescoço faz questão de me lembrar de todos os nervos que passam por ele.

Acordei com a boca aberta, sem noção de qual horário é e de onde estava. Demorei alguns segundos para me localizar, e demorou pouco tempo para que percebesse que eu sentia, no braço, uma das piores câimbras da minha vida. A sensação era terrível: muita dor e um incômodo surreal.

Dava pra ver como as tranças marcaram muito minha pele, e, sem querer, algumas ficaram enroladas em meu pescoço. Um dia, isso ainda vai me matar sufocada. Ao mesmo tempo em que sentia a dor e o incômodo, não conseguia, de jeito nenhum, fazer com que meus braços se movimentassem de acordo com os comandos dados por meu cérebro.

Demorou alguns minutos para que eu conseguisse fazer pequenos e superdoloridos movimentos.

Por ter dormido de dia, agora à noite, não estou com tanto sono, como de costume. Normalmente, sou muito boa em dormir em menos de dois minutos após me deitar. Lembro-me de ter almoçado com a minha família, um almoço tradicional, regado a vinho, caipirinha e cerveja. É um costume, e quase uma regra, para nossos almoços de domingo. Depois dele, vim ao quarto e fiquei um pouco na janela, a sentir o ventinho frio e a pensar em vários nadas, em absolutamente nada.

O bairro onde moro se chama Heliópolis, e é conhecido como “a cidade dos ventos”. Dizem, por aí, que “hélio”, em grego, significa “ventos”, e que “polis” quer dizer “cidade”. Isso explica por que venta tanto aqui. Contudo, nunca apurei, ao certo, esse fato. 

A ideia de pegar o computador, a essa hora da madrugada, veio quando saí da janela e fui para a frente do espelho. Fiquei um bom tempo me olhando de corpo inteiro, e com vários pensamentos. Pensamentos aleatórios, impossíveis de escrever na ordem cronológica.

Pensei no quanto amo minhas tranças, extremamente longas, e no quanto amo o fato de elas terem me libertado de um padrão estético absurdamente prisioneiro. Pensei nas prisões que ainda hoje carrego.

Pensei no quanto amo ter um namorado na quarentena. Pensei no quanto engordei desde que fui obrigada a me isolar em casa, após perder um emprego no último ano de faculdade. Eram 10 kg a menos, que ficam bem nítidos em fotos antigas. Pensei no quanto o “interno” pode se refletir no “externo” – mas observei bem as marcas, cicatrizes e tatuagens que já fiz ao longo da vida. Lembrei de muitas coisas que já passei e passei. 

Pensei no quanto, hoje, tenho consciência de não me prender em padrões estéticos, mesmo que me incomodem, muito, meus quilos a mais. Aliás, foram resultados de dias de desequilíbrio, o principal fator com o qual devo me preocupar.

Pensei no quanto acho meu corpo bonito, mas buscando defeitos, e não qualidades, em fotos que tiro, e em roupas que uso, principalmente, as muitas que já não servem mais.

Pensei, também, que tenho feito atividades físicas em casa, e me alimento melhor. Penso, contudo, se o faço para meu bem-estar, ou se, na verdade, seria para tentar, mesmo que inconscientemente, ter aquele corpo antigo,.

Pensei no quanto cresci como mulher. Pensei, também, no quanto é forte saber que já sou uma mulher, e não uma menina que sonhava muitas coisas, mas, ao fim, sabia que não iria conseguir conquistar nem metade.

Pensei no quanto essa menina estava enganada e, hoje, coleciono experiências que nunca imaginei viver.

Pensei se a menina de 10 anos atrás realmente teria orgulho da mulher de hoje, ou se iria se decepcionar pelos “ene” planos que não deram nada certo ou pelas “ene” vezes em que fiz papel de trouxa.

Pensei no quanto tenho muitas coisas a fazer de faculdade, mas não consigo ter energia, vontade e cabeça para tal.

Pensei no quanto estou com (muito) medo real de morrer nessa quarentena.

Pensei no medo de perder alguém que amo para esse coronavírus.

Pensei no quanto senti a falta de meus amigos nessa quarentena. Mas pensei, também, no quanto não ando tendo paciência para ficar nas redes sociais, para dialogar por WhatsApp ou realizar qualquer outra interação digital.

Enfim (pela segunda vez no texto, este enfim!)…

Deu para pensar em muita coisa, em um intervalo de pouquíssimos minutos me olhando no espelho. O silêncio da madrugada e a solidão da quarentena têm despertado diversos sentimentos e humores em mim.

Os pensamentos estão a mil! Mas sabe no que pensei agora? Por que, à tarde, não tiro outros tantos e tantos cochilos?

 

*A crônica foi produzida sob a supervisão do professor Maurício Guilherme Silva Jr.

1 107

Por: Ana Flávia da Silva

O barulho do ventilador ecoa por todo o quarto. Chato, o som reverbera em minha mente confusa e faz com que eu volte à realidade. Estamos enfrentando uma pandemia. Gostaria mesmo de voltar, àquele tempo em que podíamos sair às ruas sem máscaras, sem nos preocuparmos em ficar a um metro de distância das pessoas, sem sentir falta de ar e, instantaneamente, pensar: “Será que fui infectado?”.

Quando saí à rua pela primeira vez, depois de duas semanas em casa, fiquei em choque. Naquele momento, percebi que o mundo em que vivíamos já não era o mesmo: poucas pessoas nas ruas, olhar de espanto e medo notório nos diversos rostos cobertos por máscaras. Agora, já me sinto acostumada com o momento atual, e creio que também outras pessoas. O sentimento de impotência, tristeza e medo, porém, continua o mesmo.

Meu bairro, sempre silencioso, ficou ainda mais. Só se ouve o barulho dos pássaros e dos pouquíssimos carros que circulam. Na verdade, o ruído que causa mais incômodo vem de dentro. Todos os planos cancelados, viagens suspensas, reencontros adiados… e a mente tentando lidar com os diversos acontecimentos; no caso do Brasil, a bagunça é generalizada, o que gera um misto de emoções a nos atormentar, dia e noite.

Hoje, saí à rua pela segunda vez. Fiquei em choque com o tanto de pessoas a circular nos espaços públicos. Chamou-me atenção um senhor de idade, que costuma ficar sentado, numa cadeira de plástico branca, à porta de sua casa. Sempre que passo por lá, ele está assim. Dessa vez, não foi diferente: permanecia lá, sentadinho, mas com uma máscara no rosto. Apesar de correr perigo, ninguém se atreve a tirá-lo dali. Com olhos tristes, observa o movimento, sem esboçar reação.

Acredito que todos estejam um pouco como esse senhor. Observamos os dias e as horas passarem, desacreditados da nova realidade. Fazemos nossa parte, e a vontade de voltar à vida “normal” é enorme, mas os números sobem desenfreadamente. Fica difícil acompanhar e prever quando tudo vai voltar.

Milhares de pessoas já morreram pela Covid-19 no Brasil e no mundo. As notícias são atualizadas a todo momento. O que me chateia é a falta de empatia de muitos cidadãos. Com tanta gente morrendo, há aqueles que se recusam a seguir as orientações recomendadas pelos órgãos de saúde. O vírus tem altos níveis de contágio e, ao sair na rua sem necessidade, participar de festas, e não usar máscara, pode-se prejudicar inúmeras pessoas, além de nós mesmos.

É o momento de ter consciência e empatia pelo outro. O silêncio de certas das autoridades brasileiras, diante de tal fato, também me intriga. Acredito que o respeito ao próximo deveria começar pelas pessoas encarregadas de nos representar. O poder público tem pecado nessa parte. O momento é de se ajudar, de reconhecer os erros e de lutarmos contra o vírus que assola a população mundial.

Olhar para o futuro nos leva a sentir medo. Como será a vida pós-coronavírus? Antes, tínhamos pensamento positivo. Hoje, não sabemos quando será possível abraçar aquela pessoa, ou quando poderemos aproveitar um show do artista de que gostamos. Além disso, há preocupações muito maiores, como a tão temida recessão econômica. Como estará o país daqui a um ano? Só o tempo será capaz de responder à pergunta.

Se, em 2019, me contassem que a vida, agora, seria assim, eu teria aproveitado para ter bastante contato físico com as pessoas que amo. Teria saído mais de casa e iria valorizar cada momento ao lado dos meus amigos. Afinal o amanhã é incerto, principalmente, nas condições atuais. O fato é que ainda não acabou, e é muito triste pensar nisso. Espero que tudo passe logo.

Queria não ter escutado o tal barulho do ventilador e continuar a viver no meu mundo. Aqui, podemos abraçar as pessoas que amamos. A alegria é genuína, a rotina é um presente. Neste mundo, as festas são permitidas, assim como as aglomerações. Podemos sair livremente às ruas, e nosso único medo é o de não aproveitar a vida de todas as formas possíveis. Vivemos como se não houvesse amanhã, mas na torcida para que o sol nasça novamente – e que, então, possamos repetir as doses de alegria.

 

*A crônica foi produzida sob a supervisão do professor Maurício Guilherme Silva Jr.

0 102

Ana Carolina Nunes de Abreu

Ninguém quer mudar seus costumes. Digo: sair da rotina somente por sentir vontade de tal feito. São raros os impulsos de vontade do diferente. Dar-se ao trabalho de sair logo pela manhã, quando os olhos ainda doem, acostumando-se com a cintilação do dia, e passar por um caminho diferente – rua acima, rua abaixo. Observar gritos silenciados e estampados nos muros de chapisco, com o cantarolar dos pássaros ao fundo, que sobrevoam ou observam o nada. Sentir a brisa-quase-vento que passa pelo canto das orelhas e coça o braço com o dançar dos pelos. Não, ninguém quer sentir essas coisas se é preciso chegar no horário em um ofício qualquer.

A saída da comodidade exige esforço. Durante as festas carnavalescas, me deparei com o gosto aguçado por uma dança que, antes, só era conhecida por nome. É absurdamente lindo e instigante ver o ritmo e a cadência de um Vogue. O corpo se move como se entrasse nas partituras e abraçasse todas as notas.

Recebi o convite despretensioso para participar de uma aula. Apesar do interesse, jamais tivera empenho suficiente para seguir com novidades que me demandassem tempo, deslocamento e, principalmente, dedicação. E o convite ficou para trás, como quem lê uma carta que lhe palpita o coração e faz o Zigomático maior tracionar-se ao canto da boca em direção às orelhas, com a sinceridade de quem respira fundo e sente a nostalgia nas pontas do dedo, e na textura do papel. Logo depois, porém, guarda numa caixa, com certo desleixo, e encaixa no único canto disponível dentro do guarda-roupa, próximo a outros pertences que nunca são usados, nem pra servir de decoração.

No entanto, o descontentamento com a situação fez com que eu escolhesse esse espaço para revelar minhas palavras. Não que seja digna, ou que sejam as melhores. Que eu possa, contudo, dar minha contribuição, e que não seja na irregularidade de meus passos e na falta de malemolência de quadris, braços, pernas e desconhecimento musical. Lembro-me de ter decidido ir, numa sexta-feira qualquer, entre trabalhos, happy-hour e a necessidade de um cigarro, ao Centro de Referência da Juventude, onde as aulas de Vogue são realizadas, a partir das 18h, ministradas por uma moça-talvez-menina com um corpo traçado pelo padrão, tal como a pele e o fenótipo. Bonita, além de se aparentar uma pessoa agradável.

Por fora, o contraste de rotas. Pessoas acumuladas em um canto da Praça da Estação, com malas, bolsas e sacolas no chão. Pessoas acima de cinquenta anos, diria. Suas bagagens são coloridas, bem como seus papos e amenidades. Esperam, pacientemente, por um ônibus que as levará a uma cidade do interior de Minas Gerais, da-qual-não-me-recordo-o-nome, para a festa de uma padroeira, à qual também não me atentei o bastante para anotar.

De fora, observo a dança que já havia começado. O grupo, majoritariamente de negros e LGBTs, une-se por uma vontade comum. Seus saltos parecem sapatos comuns, pela facilidade com que os usavam. São 15 cm que, para eles, complementam a performance, perfeitamente. O suor da dança respinga pelo cabelo e traça o maxilar dos rostos, evidente em corpos que se mexem com facilidade, ao passar da música que não ouço, devido ao barulho externo, de carros e pessoas. 

Não há coreografia, até porque tudo vem de orientação própria. É seu corpo a conversar com você, e você a conversar com a música. Um diálogo que exige “o querer”, pernas próximas uma da outra e fôlego para um death drop — um fragmento da dança em que eles, simplesmente, se jogam ao chão, virando uma das pernas para trás, e, logo em seguida, levanta-se, como se nada acontecera. Você, não. Você, mero espectador, demora alguns segundos para absorver tamanho movimento.

As pernas se abrem no chão, fora da preocupação do relógio. Pernas, essas, que não cabem em outro sentimento que não seja o amor à dança (a não ser que, claro, elas queiram,). Não há obrigação de continuidade dentro de seu momento performático. Só a linearidade do que se quer tornar linear. Eles caminham como quem passa por uma famosa passarela, sobre a qual o foco são os movimentos e o que se decide fazer com o que aprendeu. Ficao perplexa ao perceber como o corpo faz traços estranhos, incrivelmente lindos. Lá de fora, o cheiro de um final de semana no centro traz os sussurros de quem passa por ali, a observar, pelos vidros do CRJ, as habilidades que também são meu foco. Decido entrar.

A elegância agora tem som, e um som familiar, conhecido por vídeos aos quais já assisti. Misturam-se e entrelaçam seus corpos com a música, do funk brasileiro ao hip hop gringo. De perto, tão mais leves em seus passos, causam certa inveja, ao passar pelos espaços do salão, enquanto esticam seus braços para o alto e fazem círculos, quadrados. Ali está toda a geometria existente, e não existente. Uma alma concreta; almas que podem ter lá seus problemas, mas, ali, parecem esquecê-los. 

O Centro é repleto de movimentos. Caminhadas mais à frente, no corredor de um espaço branco, mostram passos de hip hop, funk, e, mais ao fundo, capoeira. Um alívio percorre meu corpo, ao saber que existem tantas pessoas dispostas a descobrir, em seus corpos, o próprio limite. O contraste que faz total sentido. Crianças, sorrisos, gritos de felicidade e estilos que agradam a meus olhos, mesmo na maior distância. Ali, um sentimento de pertencimento, que pertence a eles.

Transmissão de corpos tão encantadora me faz ter vontade de abaixar a câmera e fazer minha própria dança, dentro de estilos que fogem aos padrões e acendem chamas em qualquer um. E me faz perceber que, talvez, aquela ali seria a comodidade deles. E a simpatia, mesmo que distante, é tão grande, que gostaria de convidá-los a também conhecer outras situações. Assim como os vi encantados ao final da noite, enquanto perguntam pelas fotos que me viram tirando, bem como sobre o que eu anotava numa caderneta, de forma rápida e precisa. Não necessito de muito. Afinal, as palavras sairiam com naturalidade e amor nesse registro de uma paixão que nasceu.

Esta é uma história pré-quarentena, quando os sentimentos à flor da pele me traziam a sensação de estar viva, e de poder observar a vida que pulsava além de mim. Esta é uma história que foge à falta de abraços, beijos e suores. Esta é uma história de aglomeração, contato do qual sinto falta, diariamente, e que só pude perceber no isolamento, sem pessoas em seus trajetos à casa, ao bar, à cidade do interior ou à linha de frente de um Vogue.

 

*A crônica foi produzida sob a supervisão do professor Maurício Guilherme Silva Jr.

0 168

Mulheres estão crescendo no mercado e contribuindo com a economia do país

*Por Jéssica Teixeira

O empreendedorismo feminino é uma definição que carrega consigo uma bagagem de superação de barreiras impostas socialmente. As mulheres tendem a enfrentar muitos desafios para implementar o seu negócio, pois o ambiente empresarial é ainda imerso em preconceitos. É claro que o mercado teve uma evolução e hoje tem uma melhor recepção para empreendimentos femininos e com isso tem colhido muitos benefícios econômicos.

O ramo empresarial é composto em sua maioria por figuras masculinas, o que para a sociedade representa o perfil ideal de força e autoridade para liderar uma empresa. Por esse motivo, as mulheres tendem a enfrentar muitos obstáculos quando querem empreender.

Para Ruliane Reis, formada em administração e criadora de conteúdo empresarial na web, ainda existe muito machismo tanto no mercado tradicional, quanto no empreendedorismo. Mas explica que a mulher deve assumir uma postura forte. “É preciso saber se impor, mostrar a que veio, pois fácil realmente não será”, conclui Ruliane.

Para Jaqueline Lima, analista da Unidade Educacional de Desenvolvimento (UEDE) e Gestora do SEBRAE DELAS, projeto de empreendedorismo feminino, além da burocracia de se criar um negócio, as mulheres sofrem preconceitos pela condição do seu gênero. “Por serem mães e cuidadoras da família, se dedicam 35% menos aos negócios do que os homens, e as linhas de créditos têm juros mais altos, apesar de serem melhores pagadoras”, explica.

Mesmo com todas as dificuldades, as mulheres estão abrindo portas e entrando no mercado econômico do país, com isso elas estão gerando mais empregos para a população e sanando as dificuldades de receberem salários desproporcionais. De acordo com o Monitoramento de Empreendedorismo Global (GEM) 2018, praticamente 47% dos novos empreendedores foram mulheres, ou seja, estamos falando de 24 milhões de negócios femininos movimentando a economia do país.

A digital influencer Ruliane, acredita que “ser empreendedora é transformador, a mulher ganha liberdade de escolha, liberdade financeira, passa a acreditar mais no seu potencial, afirma. É claro que essas afirmações fazem todo sentido, é uma forma de mostrar para a sociedade culturalmente machista que a mulher pode se encaixar onde ela quiser”.

De acordo com a analista Jaqueline, “as mulheres possuem características para usarem em seu benefício, elas são mais pacientes e tolerantes, sua equipe é sua família e essa confiança e cumplicidade podem ajudar nos momentos difíceis dos negócios. As mulheres têm mais empatia, estudam mais, e isso tudo faz com que o cliente volte a comprar de novo. Sem contar nos benefícios econômicos e sociais que os negócios geram”, explica.

Portanto, o empreendedorismo é um espaço que ainda tende muito a crescer com a criatividade feminina. É difícil de se consolidar, mas é possível mostrar que existe capacidade do sexo feminino dominar e estar à frente de grandes empresas.

 

*Essa matéria foi produzida sob a supervisão da jornalista Daniela Reis

 

0 150

*Por Izabela Avelar

Ao menos uma vez na semana, meu smartphone apita com uma notificação importante. Trata-se de meu relatório de tempo de uso do aparelho. Basicamente, ele me detalha quantas horas por dia eu permaneço conectada na rede, quais os aplicativos mais executados e por quanto tempo fico “dentro” deles. Vale ressaltar que essa opção foi ativada manualmente, ou seja, o próprio usuário é quem decide se quer ou não esses dados. Foi satisfatório quando li o último relatório. Descobri que permaneci 47 minutos a menos com o celular na mão, nos últimos sete dias – o que significou diminuição de 63% em relação ao mês anterior. Minha média diária não ultrapassa cinco horas.

Segundo levantamento feito pela Hootsuite e pela We Are Social, em 2018, o Brasil é um dos campeões mundiais em tempo de permanência na rede. O estudo diz que o internauta brasileiro fica, em média, 9 horas e 14 minutos conectado por dia. Desse modo, tenho ido contra as estatísticas, o que ótimo! Atribuo a mudança, principalmente, ao isolamento social, recomendado neste momento de pandemia. Já se passaram 45 dias. E, por falar em data, às vezes, me pego questionando que dia é hoje? Quantos dias tem esse mês? Quantas horas até o dia acabar? Como diz Sócrates: “Só sei que nada sei”. Logo eu, que sou absolutamente minuciosa quando se trata de calendários e prazos. Como pode? Além disso, sou entusiasta de toda aquela coisa de agradecer por um novo dia, por acordar novamente.

A questão é que os dias perderam o sentido, e as datas passam despercebidas. Não se tem liberdade para reclamar que é segunda-feira e o ônibus está cheio, seguir para a terça-feira no modo avião, ou à quarta, o meio da semana… Ufa! Quinta-feira é aquela expectativa de que se acabe, e, finalmente, a sexta-feira do sextar. Não dá para sair com os amigos, com o companheiro(a), nem almoçar com a família aos domingos. A semana perdeu suas peculiaridades. Saudade da rotina.

Onde está o mundo real? As ruas já não são as mesmas. Os rostos, agora cobertos com máscaras, não são os mesmos. Abraços e outras formas de carinho físicos estão fora de cogitação. O encontro dos cotovelos, até então esquecidos como parte do corpo, é a nova forma de se cumprimentar. O álcool em gel virou a nova companhia inseparável de nossas mãos. Saudade do afeto. Lembro-me de chegar em casa e ver a vizinha, que punha a cadeira para fora, em nome da fofoca, mas, agora, se atém a sua janela com grades. O universitário, que se ocupava, quase sempre, de reclamar do semestre, sequer tem semestre para isso.

Uma coisa é certa: desde sempre, estávamos (ou estamos) com o paradigma de que a internet e o império virtual revolucionaram nossa forma de comunicar, e de que a rede mundial seria suficiente para “visitar” alguém, demonstrar e sentir algo. De certa forma, sim, mas a tecnologia não é capaz de nos conectar com o mundo real. Nem as mais variadas redes sociais, os aplicativos de mensagens ou o próprio zoom são capazes de acabar com a saudade – ou de fazer com que não a sintamos.

Já vi gente dizendo, e/ou postando, que estão cansados do celular; gente que está com saudade do bar, saudade do namorado(a), saudade das aglomerações. Já vi gente chorando por não poder comemorar o aniversário da forma que queria. Seja de quem ou qual for, é gente com saudade de gente. Então, começamos a perceber, neste momento, o quanto as pequenas coisas importam, e as muitas coisas que perdemos por estar com os olhos ligados somente às telas.

Enquanto tudo isso não passa, continuo com minhas muitas tentativas, em casa, e meus 17 “eus”. Quero sempre levar comigo um novo hábito, que incorporei a minha velha nova rotina – e olhar para fora da janela, antes de desbloquear meu celular.

 

*A crônica foi produzida sob a supervisão do professor Maurício Guilherme Silva Jr.

 

0 264
Parlamento Federal da Alemanha (Berlim) Créditos: Rafaela Oliveira Guimarães

Por Ana Luiza Ribeiro

Quem nunca sonhou em estudar fora? A maioria dos jovens, hoje em dia, busca grandes experiências para suas vidas. Além disso, sabemos que o intercâmbio é um dos maiores diferenciais no currículo de uma pessoa. Ao pensar nisso, resolvi dar dicas valiosas sobre um país que, atualmente, conta com a maior economia da zona europeia e que tem uma atmosfera jovem e moderna.

Com posição central na Europa, a Alemanha é cercada por países importantíssimos à economia mundial, como Espanha, Bélgica, França, Suíça. Além disso, exibe imensa diversidade cultural e é conhecida por falar um dos idiomas mais difíceis do mundo.

Rafaela de Oliveira Guimarães, estudante de administração pelo Cefet-MG, realiza intercâmbio na cidade de Berlim, em 2020. “Eu tinha duas opções: Alemanha e Portugal. Escolhi a primeira por se tratar de língua e cultura mais difíceis. Precisava sair um pouco da caixinha e aprender mais”, comenta.

Por onde começar?

Hoje, existem muitas formas de conseguir um intercâmbio. Muitas universidades, por exemplo, ofertam programas por meio dos quais o estudante realiza testes para conseguir estudar fora do país. “Consegui meu intercâmbio por meio de edital aberto pelo Cefet-MG, onde estudo. O programa exigia nível B2 na língua inglesa e carga mínima completa de 40% do curso. Rendimento global e participação em projetos na faculdade contavam pontos”, explica Rafaela Guimarães.

Ela fez a prova de inglês – Toefl iBT – e conseguiu a pontuação necessária. Em seguida, enviou a documentação com a carga horária realizada e os comprovantes dos projetos dos quais participou. Desse modo, passou na primeira etapa. “A segunda era uma entrevista presencial, com orientadores do Cefet, da diretoria de relações internacionais e psicólogos. A terceira, por fim, foi a avaliação, pela instituição anfitriã, de minhas habilidades e de meus documentos. A partir daí, estava classificada e apta à realização do intercâmbio”, completa.

Sim, mas e se você não está numa universidade? Também existem formas de conseguir estalar fora: agências de viagem especializadas em intercâmbio podem lhe ajudar a realizar este sonho, e em vários países. (Clique aqui e veja essa dica de agência em Belo Horizonte.)

Depois de ser aprovado, existem custos? Ou a universidade arca com tudo?

“A princípio, o aluno intercambista arca com despesas como passagem, passaporte, seguro saúde, instalação e custos extras de viagem. O Cefet-MG, por exemplo, sobre os estudos e auxilia o aluno com 720€ por mês de intercâmbio (3 parcelas no início e 3 no meio do período de mobilidade), calculados em R$ no dia em que a verba é liberada. Qualquer divergência positiva ou negativa fica a cargo do intercambista”, esclarece Rafaela.

A universidade anfitriã tem parceria com uma residência estudantil de custo reduzido, um prédio de estudantes com quartos individuais e banheiros/cozinhas compartilhados. “O custo mensal do meu quarto é 285€. Cada lugar tem um custo, e você não pode escolher o que prefere. A escolha se dá por disponibilidade e por ordem de chegada, e o valor depende do número de quartos no apartamento”, completa.

Visto e documentação

Em toda a Europa, de acordo com o tratado de Schengen, o “visto” de turista dura três meses. Em outras palavras: não é preciso de visto em tal período. Para os meses subsequentes, deve-se fazer processos administrativos na prefeitura da cidade onde mora, para que você comprove que tem uma “residência”. Além disso, a assinatura de um seguro/plano de saúde é obrigatória durante toda a estadia. O intercambista pode optar por um seguro privado.

“Diversas empresas prestam esse serviço. Escolhi o Swisscare, que é mais acessível e só precisa ser pago uma vez, já o serviço público de saúde cobra dos cidadãos uma taxa de 105€ por mês, para que a pessoa tenha direito a ele. Além desses documentos, a universidade emite um documento comprovando que você é estudante. O visto é tirado no escritório oficial e se dá por ordem de chegada. Às terças e quintas, uma fila de mais de 200 pessoas se forma (ainda de madrugada) para a tentativa de conseguir uma senha para o visto”, conta Rafaela.

Quanto às possibilidades, a estudante conta que é essencial ter, ao menos, o nível intermediário de inglês, já que se trata da língua mais falada no mundo. Não é necessário falar alemão, mas é interessante ter um conhecimento prévio do idioma para facilitar a comunicação.

Clima e fuso horário

Para quem vive em um país tropical, não é muito fácil adaptar-se ao clima da Alemanha, pois, no verão, chove com frequência e as temperaturas não sobem além dos 23°C. O grande desafio de viver num país como este, porém, são os meses de outono e inverno, já que a temperatura pode chegar abaixo de zero.

O fuso horário também é muito diferente: enquanto todo mundo dorme no Brasil, os alemães já estão de pé, para começar sua rotina. Na Alemanha, são quatro horas a mais do que por aqui. Devido a isso, a comunicação, a rotina e o descanso podem ficar um pouco afetados.

Porém, nada disso impede de conhecer as belas paisagens do país e de ter uma conversinha com os amigos e familiares. Como tudo é questão de costume, isso seria só mais uma adaptação à rotina dos intercambistas.

Trabalho

Conseguir um trabalho na Alemanha, não é uma tarefa muito fácil, pois a maioria dos contratantes exige que você fale a língua alemã. Também não é algo impossível, já que existem alguns empregos em startups e freelances que só exigem o inglês.

 

E aí, o que achou de nossas dicas? Já pensa em arrumar as malas e partir para o intercâmbio? Deixe seu comentário!

 

*A matéria foi produzida sob a supervisão do professor Maurício Guilherme Silva Jr. e da jornalista Daniela Reis