Cotidiano

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Evento retrata a importância da prática para a qualidade de vida e conta com grandes nomes que estarão presentes

Por Patrick Ferreira 

Entre os dias 1 e 3 de julho, o Instituto de Yoga de Belo Horizonte promove o VI Festival de Yoga, em Araxá/MG. O evento traz grandes nomes da prática, que é uma aliada poderosa para uma melhor qualidade de vida física e mental. “Após dois anos de pandemia, muitas pessoas têm reclamado de dificuldade de concentração, perda de memória e procrastinação, por isso nada melhor do que buscar formas de solucionar estes problemas através da discussão e prática do yoga. O festival pretende ajudar de forma substancial as pessoas, trazendo de volta o ânimo, saúde e o foco nos objetivos”, relata a idealizadora Fátima Macedo

O Yoga tem origem oriental que é realizado com procedimentos corretos e orientações corretas, melhora a qualidade de vida em vários aspectos como na capacidade de concentração, diminuição do estresse e melhora na postura corporal.

O festival será realizado no Tauá Hotel e Termas de Araxá que sediará o festival. Os valores para participação incluem também o desfrute da estrutura do local que é um dos mais procurados do estado para estadias. O contato com a natureza e o silêncio que se encontra longe da agitação urbana é fundamental para o sucesso e prosseguimento no Yoga. “O Festival de Yoga chega à sua sexta edição com uma programação para lá de especial e intensa. O evento, que reúne centenas de praticantes e professores renomados e em evidência no cenário brasileiro, promete levar o conhecimento e a prática do yoga para os participantes”, completa.

SERVIÇO:

Festival de Yoga de Araxá
01 a 03 de julho de 2022 – no Tauá Hotel e Termas de Araxá. R. Águas do Araxá, s/n – Barreiro, Araxá – MG

Inscrições e mais informações disponíveis em: http://institutodeyogabh.com.br/vi-festival-de-yoga-de-araxa/

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Por Daniela Reis 

Você sabe dos seus direitos enquanto consumidor? Você conhece as leis que garantem uma compra segura? Já teve algum problemas com compras on-line em ou lojas físicas? 

Hoje o Jornal Contramão traz uma entrevista com a advogada, Alícia Fernandes Reis, para esclarecer sobre essas diretrizes. 

 

O cliente pode se arrepender de uma compra e devolver o produto? Qual o prazo para devolução e quais os prazos para o trâmite em compras físicas e on-line?

O Código de Defesa do Consumidor dispõe expressamente sobre o direito de arrependimento do consumidor no caso de compras realizadas on-line. Mas, o mesmo não ocorre quando as compras são realizadas na loja física. De acordo com o artigo 49 do Código do Consumidor, os clientes podem se arrepender da aquisição de um produto ou serviço no prazo de 07 (sete) dias a contar do recebimento do produto ou serviço, caso esta seja realizada pelo e-commerce. Nesses casos, o consumidor deverá entrar em contato com a loja e esta deverá arcar com todos os custos atinentes a devolução do produto ou serviço e proceder o reembolso do valor pago.

No caso de compras realizadas na loja física, o direito de arrependimento não se aplica, a não ser que a própria empresa estabeleça essa possibilidade de forma expressa. 

 

Nesse caso, o consumidor pode optar por um outro produto ou pedir o ressarcimento do valor? 

De acordo com o Código de Defesa do Consumidor, se o cliente exercitar o direito de arrependimento, os valores eventualmente pagos serão devolvidos de forma imediata, devidamente atualizados. Se for do interesse do consumidor, este pode optar por um outro produto, embora a empresa tenha sempre que deixar clara a possibilidade do ressarcimento. 

 

Explique para os nossos leitores o que é venda casada. Essa prática é legal?

O Código de Defesa do Consumidor proíbe expressamente a venda casada, constituindo, inclusive, crime contra as relações  de consumo. A venda casada se caracteriza quando ao adquirir um determinado bem, o consumidor se vê obrigado a comprar um segundo produto, ou seja, não tem a faculdade de adquiri-los separadamente. 

 

Quando o consumidor chega a um estabelecimento e encontra o mesmo produto, da mesma marca e com as mesmas especificações com marcação de preços diferentes? Qual preço a loja deve manter? 

Nos termos do artigo 5º do Código de Defesa do Consumidor, em havendo disparidade entre valores, atinentes ao mesmo produto, o consumidor terá direito de adquiri-lo pelo menor preço. 

 

Quando a mercadoria vem com defeito, qual o prazo de troca? 

Se o  produto possui um defeito que pode ser constatado facilmente (por exemplo: rasgos, riscos, rachaduras), os prazos são:  30 dias para produtos não duráveis (ex: produtos alimentícios) e  90 dias para produtos duráveis (ex: celular). 

Se o produto tiver um vício oculto, ou seja, apresentou defeito apenas após um tempo de uso, os prazos acima mencionados apenas se iniciam quando o defeito é detectado pelo consumidor. 

 

É muito comum as lojas, principalmente de eletroeletrônicos, venderem garantia estendida. Essa prática é legal? E quando a loja acrescenta essa garantia sem autorização do consumidor, como ele deve proceder? 

A garantia contratual, mais conhecida como garantia estendida é uma prática legal e regulamentada. A garantia estendida é aquela acordada entre consumidor e fornecedor, podendo ser onerosa ou gratuita, sendo de livre negociação.  Por ser uma garantia que muitas vezes é oferecida de forma onerosa, esta apenas pode se dar se houver expressa manifestação de vontade do consumidor. Caso esta garantia seja acrescentada sem a anuência do consumidor, caberá a este reivindicar o valor cobrado junto ao estabelecimento comercial e em não sendo exitoso, cabe ao consumidor a reclamação junto ao PROCON ou até mesmo o auxílio de um advogado para o ajuizamento da ação cabível. 

 

Preço diferente com pagamento à vista e com cartão, é certo? Muitas lojas usam dessa prática para incentivar a compra à vista e em dinheiro,  isso pode?

A Lei nº 13.455/2017 autoriza expressamente a comercialização de produtos com preços diferenciados para pagamentos em dinheiro ou cartão (crédito ou débito), desde que o fornecedor informe esta diferenciação de forma clara e expressa em seu estabelecimento. Logo, antes do consumidor realizar a compra deve estar ciente dos preços diferenciados a depender da forma de pagamento. 

 

Para finalizar, quando o consumidor se sente lesado em relação a uma compra, onde ele pode buscar seus direitos? 

Todo cliente que se sentir prejudicado ao contratar um serviço ou adquirir um produto, deve buscar um acordo amigável com a empresa.

Caso o contato com a empresa não seja exitoso, o consumidor possui outras duas alternativas: A primeira é ir ao PROCON. O PROCON é um órgão público que atua primordialmente na proteção e defesa dos direitos dos consumidores, sendo, pois, um órgão extrajudicial considerado como um meio alternativo para a solução de impasses e conflitos decorrentes das relações de consumo.

A segunda opção é contratar um advogado para intervir e orientar a como proceder nesta situação pelas vias judiciais. 

Parque Municipal Americo Renne Giannetti

Espaços vão além do lazer e contribuem para a vida cultural e a diversidade zoobotânica na cidade

Por: Alexandre Pires dos Santos, André Vitor Barros de Souza, Érica Pena Miranda, Júlia Vilaça de Jesus, Juliana Carvalho de Faria, Leonardo Garcia Gimenez, Louryhaynnyer Counny Neri Marques, Luisa de Matos Resende Couto, Natália Leocádia Fernandes do Carmo, Thayla Araújo Nunes dos Santos.

Belo Horizonte possui 76 parques e nem todos apresentam o mesmo nível de manutenção, é o que diz a pesquisa realizada pelos estudantes de jornalismo do projeto de extensão Cobertura jornalística sobre o meio ambiente em BH.  Esses parques têm para a capital e seu entorno uma importância além do lazer, pois contribuem para a preservação da fauna, flora e recursos hídricos. São espaços favoráveis aos esportes e muito demandados para a realização de diferentes tipos de eventos, bem como servem para projetos na área de educação, saúde, cultura e turismo.

Apesar da seriedade do tema da preservação ambiental, muitos desses parques não recebem a devida atenção da Prefeitura, observando-se uma manutenção desigual. Eles estão assim distribuídos entre as nove regionais da cidade – 19 na Centro-Sul, 16 na Nordeste, 14 na Pampulha, 11 na Região Oeste, cinco em Venda Nova, cinco na Região Norte, quatro no Barreiro e apenas um na Região Leste e na Região Noroeste – mas a divisão da verba destinada a esses espaços é diferente.

A Fundação de Parques Municipais e Zoobotânica (FPMZB) tem a responsabilidade de gerenciar todos os parques municipais, além do Zoológico, Jardim Botânico, Aquário, quatro cemitérios municipais e os cinco Centros de Vivência Agroecológica (CEVAE) de Belo Horizonte. Seguindo a legislação municipal, a PBH estabelece por meio de leis/decretos/portarias a regulamentação de diversos serviços, como descrito na portaria FPMZB n 006 de 23 de Janeiro de 2021, que trata do orçamento previsto para o ano de 2021.

Promovendo a cultura

Ao longo de um ano, os parques recebem cerca de mil eventos, com diferentes atrações e públicos. A Fundação de Parques Municipais e Zoobotânica também é responsável pela gestão e planejamento de projetos, especialmente quanto à normatização do uso dessas áreas para a realização de atividades culturais. De acordo com o site da PBH, existem ainda parcerias desenvolvidas com a iniciativa privada, instituições de ensino e outros órgãos públicos, suprindo carências da administração municipal e fortalecendo as ações.

Apenas no ano de 2018, as áreas gerenciadas pela Fundação receberam 948 eventos, que reuniram mais de 185 mil pessoas, sendo que cerca da metade desses acontecimentos tiveram finalidade social, ou seja, apresentações gratuitas como peças teatrais, exposições e shows. No entanto, de acordo com dados de 2014, publicados no site da PBH, não são igualmente distribuídos pela cidade, tendo sua concentração maior na Regional Centro-Sul, denominada a região com maior Índice de Qualidade de Vida Urbana (IQVU) do município.

Os projetos gerenciados são numerosos, abordam diversos gêneros de apresentações culturais, ampliando as oportunidades de lazer para a comunidade, mas apresentam problemas de distribuição geográfica, deixando clara a preferência pelos espaços localizados em bairros mais nobres da cidade, cujos parques, em decorrência disso, têm maior atenção da Fundação.

Parque das Mangabeiras – Divulgação

A situação requer atenção

É importante considerar que os impactos ambientais e sociais como produção de lixo, poluição sonora, engarrafamentos e dano ao patrimônio público, são vistos aos finais destes eventos. Além dessas questões, observa-se que grande parte dos parques não têm uma manutenção regular, necessitando de reformas, revitalização dos jardins, entre outros, como pode ser visto em algumas reportagens veiculadas nos últimos dois anos.

Em 2019, a Record TV Minas produziu uma matéria que informa que mais de 50 parques de Belo Horizonte estavam abandonados pelo poder público. A reportagem também acrescenta que a grande maioria das áreas verdes da cidade não eram frequentadas pelos usuários.

No mesmo ano, a Comissão de Meio Ambiente e Política Urbana, que pertence à Câmara Municipal de Belo Horizonte, apontou que a falta de segurança e o vandalismo eram evidentes no Parque Municipal Carlos de Faria Tavares, mais conhecido como Parque Vila Pinho, situado no Vale do Jatobá, na Região do Barreiro. À época, usuários do parque estiveram presentes na visita, e se queixaram da necessidade de cortar o mato alto, de podar as árvores, de contratar um vigia, de combater o consumo de drogas no local e também de reformar as estruturas esportivas. A matéria sobre a visita pode ser encontrada no site da Câmara Municipal de BH.

Ainda em 2019, uma matéria do portal Hoje Em Dia revelou que os parques de BH seriam monitorados, até o fim do ano, por mais de 300 câmeras de segurança, especialmente para combater o vandalismo e o tráfico de drogas nas 54 áreas verdes então abertas ao público na capital mineira. As inspeções ficariam sob responsabilidade de agentes da Câmara Municipal no Centro Integrado de Operações (COP-BH), que está localizado no bairro Buritis, na Região Oeste.

Parque Jacques Cousteau – Divulgação

Pesquisa elege os melhores e os piores parques de BH – conheça quais são eles

A cidade de Belo Horizonte, capital de Minas Gerais, foi fundada e planejada pelo engenheiro e urbanista Aarão Reis em 12 de dezembro de 1897, com o objetivo de criar a cidade do futuro, devido à ideia de progresso que se instaurou em todo o Brasil do final do século XIX ao início do século XX, com a proclamação da república em 1889. Assim, é grande a presença dos parques na cidade.

Eles são de suma importância para a preservação ambiental, e por consequência, a manutenção da vida de diversas espécies da fauna e flora. Graças a esses ambientes, é possível encontrar biomas do Cerrado, Mata Atlântica, mais de 200 espécies animais e por volta de mil espécies vegetais, além de nascentes que abastecem os córregos da Bacia do Rio São Francisco, segundo a página da Fundação de Parques e Jardins. Além das áreas de natureza, os parques possuem uma estrutura propícia para as crianças se divertirem, como playgrounds, campos de futebol, áreas de lago, pistas de skate, entre outros.

Em uma pesquisa realizada pelos alunos de jornalismo do projeto de extensão Cobertura jornalística sobre o meio ambiente em BH, orientado pela professora Magda Santiago, a desigualdade de manutenção dessas áreas pode ser confirmada. O formulário, distribuído pela rede social WhatsApp, foi respondido por 15 belo-horizontinos que costumam frequentar as áreas de preservação, que elegeram os melhores e os piores parques da capital mineira.

Parque Serra do Curral – Divulgação

Segundo os dados apurados, 26,7% dos entrevistados declararam preferir o Parque Municipal Américo Renné Giannetti, 20% o Parque das Mangabeiras e 13,3% frequentam os parques da Serra do Curral e Ecológico das Águas. Dentre as razões que levam os respondentes a optar por essas reservas em detrimento de outras, está a proximidade de casa. A pesquisa apontou que 66,7% considera a distância como principal fator na escolha.

A segurança também é uma questão determinante, e a escolha dos piores parques de BH está diretamente ligada a este aspecto. Os parques Guilherme Lage, no bairro São Paulo; Maria do Socorro Moreira, no bairro Jardim Montanhês; e do Brejinho, no bairro São Francisco, figuram entre os que menos oferecem uma estrutura adequada, cuidado e proteção. Inclusive, já foram alvo de ocupações irregulares, vandalismo e uso de drogas ilícitas em seus espaços.

Os dados levantados pelas respostas ao formulário apontam que 80,1% dos entrevistados consideram necessárias melhorias nos banheiros, na manutenção dos jardins e no aumento de lixeiras, como as principais ações para atrair a visitação e, principalmente, para contribuir na preservação do meio ambiente em BH.

Parque que foi lixão por 20 anos em BH vira tema de websérie

O Parque Jacques Cousteau, localizado no bairro Betânia, na Região Oeste de Belo Horizonte, foi tema de uma websérie lançada em janeiro de 2021. A área, que foi utilizada como um lixão durante 20 anos, desde 1971 é um espaço para ser aproveitado por turistas e belorizontinos, transformado em um ambiente acolhedor para quem o visita.

A websérie foi roteirizada, filmada, fotografada e produzida por Lilian Nunes e Chico de Paula, que disponibilizaram o acesso gratuito ao material no portal Coreto. As informações foram divulgadas em uma entrevista ao portal do jornal Hoje Em Dia.

 

Principal Mercado de Belo Horizonte une tradição, contemporaneidade

e encanta turistas por sua singularidade

 

Por Sabrina Gutierrez dos Santos (texto e fotos)

O Mercado mais conhecido de Minas Gerais retomou as suas atividades após o período mais crítico da pandemia, confirmando a sua vocação turística, com uma visitação que cresce a cada dia e segue no enorme espaço, onde produtos variados e de qualidade atendem a todos os gostos.

História

Belo Horizonte tinha apenas 32 anos quando o prefeito Cristiano Machado resolveu reunir, em um só local, os produtos destinados ao abastecimento dos 47 mil habitantes da jovem cidade. Foi assim que o Mercado Central nasceu, no dia 7 de setembro de 1929, unindo as feiras da Praça da Estação e da atual Praça da Rodoviária. Em um terreno com 22 lotes, próximo à Praça Raul Soares, foram reunidos todos os feirantes, centralizando o abastecimento da população.

Nos 14 mil metros quadrados do terreno descoberto, circundando as carroças que transportavam os produtos, as barracas de madeira se enfileiravam para a venda de alimentos. Seus corredores guardam grandes memórias e muitas histórias, segundo o site oficial do Mercado Central, que também traz outras informações.

O Mercado funcionou até 1964, com atividade intensa, quando o prefeito da época, Jorge Carone, resolveu vender o terreno, alegando impossibilidade de administrar os estabelecimentos. Para impedir o fechamento do Mercado, os comerciantes se organizaram, criaram uma cooperativa e compraram o imóvel da Prefeitura. No entanto, teriam que construir um galpão coberto na área total do loteamento no prazo de cinco anos; se não conseguissem, precisariam devolver a área à Prefeitura.

Há duas semanas do fim do prazo dado pela Prefeitura, ainda faltava o fechamento da área. Foi então que os irmãos Osvaldo, Vicente e Milton de Araújo decidiram acreditar no empreendimento e investiram no projeto. Foram contratadas quatro construtoras, ficando cada uma responsável por uma lateral, para que o galpão pudesse ser fechado no tempo estabelecido. Ao fim do prazo, os 14 mil metros quadrados de terreno estavam totalmente cercados. Os associados, com seu empreendedorismo e entusiasmo, viram seus esforços recompensados.

Melhorias com o passar do tempo

Rai Amorim, que trabalha numa das lanchonetes mais tradicionais do espaço, há mais de 30 anos no local, diz que “o Mercado se especializou nesses últimos anos e a administração tem a limpeza como grande foco, porque antigamente as pessoas só viam o mercado como sujo, hoje em dia não, é bem profissional essa questão e a da segurança. Antigamente era barraca ao ar livre e chovia, era muito barro, aí tinha um lamaçal. A partir da década de 1970, com a construção do prédio galpão, a principal mudança foi essa organização. Como o Mercado é uma associação, os próprios comerciantes têm poder de voto, têm um conselho, então a administração está sempre conectada aos lojistas”.

Bem-organizado e com a participação ativa dos proprietários das lojas, a cada dia, ao longo dos anos, o Mercado Central ampliou suas atividades, expandindo seus negócios. Enquanto isso, se transformava em um núcleo não só de produtos alimentícios, mas também de artesanato, tornando-se um dos principais pontos turísticos da cidade e um dos locais mais queridos dos belorizontinos. Com 210 funcionários na administração, limpeza, estacionamento e segurança, o Mercado tem hoje 25.460 metros quadrados de área construída e 420 vagas rotativas no estacionamento.

Atualmente, com mais de nove décadas de vida, representante marcante da cultura mineira, o Mercado Central possui mais de 400 estabelecimentos, com artigos para animais, artesanato, padarias, açougues, restaurantes, hortifrutis, entre outros tipos de mercadorias. Oferece serviço de informações bilíngue, via site e no próprio local, e atrai diariamente milhares de visitantes de todos os lugares do Brasil e do mundo.

As mudanças com a pandemia

Em março de 2020 Belo Horizonte entrou em lockdown devido à pandemia da Covid-19 que se propagou pelo Brasil, causando mais de 600 mil mortes no país e 22,2 milhões de infectados até dezembro de 2021. Com isso, muitas lojas do Mercado Central ficaram fechadas durante o período de isolamento na cidade, que durou por volta de nove meses, e vários lojistas tiveram que trabalhar com aplicativos e delivery.

Segundo o jornal Diário do Comércio, antes da pandemia passavam no Mercado, por dia, 31 mil pessoas. Já no fim de semana a quantidade era maior, por volta de 58 mil visitantes. Hoje esse número foi reduzido, são 25 mil pessoas diárias e 31 mil nos finais de semana, mas com a reabertura das lojas a perspectiva é de que a frequência volte a subir.

Quando o comércio começou a retornar, de maneira gradual, em maio de 2021, com 10% da ocupação, vários bares localizados no Mercado tiveram que colocar mesas e cadeiras para fora do estabelecimento, garantindo a segurança tanto dos clientes quanto dos funcionários, por conta do distanciamento social. Além disso, novos hábitos foram adotados durante a pandemia, como o uso constante do álcool em gel e das máscaras.

Rai Amorim, na entrevista concedida ao jornal Contramão, também contou que “a nossa ordem foi começar a fazer o delivery ano passado (2020), que a pandemia estava menos controlada, o pessoal não tinha se vacinado ainda. O Mercado tinha restrição de 300 pessoas por vez, só podia entrar quando saia alguém, então foi um período bem difícil, sem movimento, mas era necessário, acho que conseguimos administrar bem essa crise”.

Mas, mesmo com o retorno da totalidade das suas atividades, funcionado com 100% da sua capacidade desde agosto de 2021, o Mercado ainda não retomou a mesma frequência de público do período anterior à pandemia. A funcionária Raquel Joana, que trabalha numa das padarias do local, aberta há cinco anos, relata: “o que eu senti de mudança foi o fluxo de pessoas. A gente veio do isolamento, como estava tudo fechado, a gente teve muita dificuldade em questão de venda, as vendas caíram bastante, a gente não podia deixar os produtos expostos, não podia deixar os clientes se alimentarem aqui dentro”. Ela explica que, com a flexibilidade, o público aumentou e que os lojistas criaram boas expectativas em relação às vendas de Natal.

Quanto ao público, o Mercado continua agradando, segundo comentam diversos frequentadores. Andrélia Moreira, aposentada, comenta que “além de oferecerem a segurança necessária para o público, posso tomar uma cervejinha e comer jiló; esse clima que tem aqui, de mineiridade, de descontração, de interior, é muito bom para fazer amizades. Gosto muito do Mercado porque tem mercadoria direto da roça, mas na verdade venho mais pra comer um bom tira gosto e beber”.

Fernanda de Araújo, cabelereira e maquiadora, diz que “o Mercado não é famoso só pela localização, mas também pela qualidade e por essa energia que ele tem, sabe? Gostosa, de interior. Quando entrei aqui pela primeira vez fiquei louca. Eu gosto de tudo, a peixaria, o atendimento, os temperos, as castanhas, tudo é muito bom, difícil escolher uma coisa só”.

Mesmo após o período mais complicado da pandemia da Covid-19, o Mercado Central continua surpreendendo com os cuidados com a segurança, o bom atendimento e os produtos diversificados. O Mercado mantém a sua essência e, em breve, deverá retomar o antigo número de visitantes, seguindo como um ponto turístico privilegiado no centro da cidade, que agrada a todos os gostos.

Para completar 

Os alunos da Unidade Curricular Desenho e Produção de Som desenvolveram um material audiovisial sobre o Mercado Central. A produção conta com entrevistas e muitas curiosidades sobre o local, confira no link.

 

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Um dos melhores pontos turísticos de Belo horizonte, com uma história cheia de empreendedorismo, inovação e boa gastronomia

Por Larissa Emily Ferreira e Hyago da Mata Nasiareno

O Mercado Novo foi construído na década de 1960, tendo sido projetado, num primeiro momento, “para ser um dos mais modernos mercados da América latina, com o objetivo de funcionar como um complemento do Mercado Central de Belo Horizonte”, de acordo com o site 360 Meridianos. O projeto inicial nunca foi finalizado, os lojistas que ali restavam lutaram e se reinventaram para o lugar não fechar de vez.

O local já chegou a ter 65 lojas, como gráficas especializadas em tipografia artesanal, fábricas de velas, lanchonetes e restaurantes populares. Segundo o blog Bendizê, em meados de 2010, “um grupo de artistas inaugurou o Mercado das Borboletas, um espaço para shows e eventos, onde eram realizadas festas com uma pegada mais alternativa às sextas-feiras”. O grupo tinha vários planos para as outras 300 lojas vazias, nessa primeira tentativa de revitalização, que não chegou a ser concluída.

Foto: Larissa Ferreira

Em 2018 o empresário Rafael Quick abriu sua distribuidora Goitacazes, no segundo andar do Mercado, com a ideia de popularizar o consumo de cerveja artesanal. Em conjunto com a Cozinha Tupis, que se instalou logo em seguida, foi dado o impulso que faltava ao Mercado Novo, como informa o blog Bendizê. Aos poucos, outros comerciantes foram percebendo o reaquecimento do local e não demorou muito para que as lojas vazias fossem ocupadas.

Mudanças benéficas

Hoje em dia o Mercado funciona como uma incubadora de negócios ligados à sustentabilidade, nas áreas do Design, Gastronomia, Arte e Cultura. O ambiente também passou a incluir bares e restaurantes tradicionais de Minas Gerais, alguns com serviço direto no balcão, de modo informal e sem garçom, além de lojas com produtos vintage, segundo informações do site Meridianos.

O Mercado é um lugar agradável, preserva a arquitetura do antigo prédio de ar nostálgico, difunde a gastronomia mineira e é frequentado por uma galera animada e de prosa boa. De acordo com um dos lojistas do Mercado, o espaço ficou fechado por grandes períodos durante a pandemia, quando o lockdown estava bem rigoroso. Mas com a flexibilização o Mercado foi se adaptando, sempre com o uso obrigatório de máscara e álcool em gel.

No momento atual, o local tem um limite de no máximo 443 visitantes, e conta com mais de 25 lojas, onde o frequentador pode tomar um bom café, beber uma cerveja artesanal, vinhos, destilados e drinks, comer frutos do mar, massas e pratos italianos, assim como petiscos de boteco e culinária mineira, entre várias outras lojas/galerias que oferecem produtos diversos.

Sinval Espirito Santo, chef do restaurante Fubá, pontua que a vida do Mercado Novo é cheia de mudanças de roteiro, é um lugar que foi pensado para ser apoio para estabelecimentos da cidade e várias coisas aconteceram nesse caminho, como falência da construtora, incêndio, etc. Ele ressalta que o Mercado nunca deixou de ser vivo, sempre teve pessoas ali dentro, e acredita que não houve uma revitalização, mas sim uma nova forma de ocupação do Mercado Novo, que permite que tudo seja integrado.

Sinval, que também leciona no curso de Gastronomia da Una, explica sobre a parceria do Centro Universitário com o Mercado Novo, firmada em dezembro de 2021. O projeto, voltado para ser um centro de produção criativa, vai envolver os cursos de Gastronomia, Cinema, Comunicação e Moda de uma forma muito particular. O objetivo é que seja um espaço para os alunos produzirem conteúdos, materiais e terem a oportunidade de empreender.

Sobre ser um consumidor do Mercado Novo, o estudante Pedro Neto ressalta que a alegria, a agitação e a história do Mercado é o que torna o lugar um dos melhores pontos de Belo horizonte para ele. E que não pode deixar de mencionar a “grande gastronomia e os belos chops que se pode encontrar no Mercado”. Para ele, o Mercado Novo é um lugar sensacional e super agradável.

O primeiro contato com o Mercado (por Larissa Ferreira)

Foto: Larissa Ferreira

Meu primeiro contato com o Mercado Novo foi algo inexplicável. Todos os corredores tinham algo que me impressionava. Bares temáticos, um cheiro delicioso no ar e vários comércios. O que mais me chamou a atenção foi o clima descontraído e animado.

O primeiro bar que parei para conhecer foi o Herbário YVY, que tem algumas opções de drinks, com o famoso gin, cuja fábrica é sediada na nossa vizinha Nova Lima. São deliciosos drinks servidos em copos personalizados da marca, que saem de torneias embutidas na parede.

Foto: Larissa Ferreira
Foto: Larissa Ferreira

O Gira, outro dos bares mais famosos do Mercado, traz várias opções de vinho, de uvas diversas. O tempo em BH estava propício para tomar algumas tacinhas de vinho, então eu aproveitei (rsrs).

Foto: Larissa Ferreira

No Rotisseria Central o público encontra uma culinária de raiz que é deliciosa. Há quem diga que para ter uma experiência completa no Mercado você precisar provar o delicioso torresmo que eles tem como opção no cardápio.

A minha experiência com o Mercado foi totalmente segura em relação à Covid – 19. Em todos os estabelecimentos que passei há a exigência do uso da máscara para ser atendido. O Mercado se tornou um dos meus lugares favoritos em BH, estou ansiosa para voltar e me deliciar mais um pouco com a culinária e os bons drinks que ele traz.

 

Funcionamento

Restaurantes abertos para almoço – segunda a domingo, das 11h às 15h

Vendas de bebidas – quarta a sexta, das 17h às 22h; sábado, das 11h às 22h; domingo, das 11h às 18h.

Por Bianca Morais 

Dando continuidade a série de reportagens sobre sonhos adiados, hoje o Contramão traz a história de Enza e Jeferson. Um casal que tenta se casar desde o começo do ano, porém com a covid-19 e suas restrições têm adiado a realização desse sonho, mas como jovens apaixonados que são, não desistiram de seu casamento e apesar dos milhares de perrengues enfrentados, esperam ansiosamente a vez de subir no altar. 

A história do casal

 

Enza e Jeferson, moram no interior do Espírito Santo e se conheceram na escola. Apesar de não serem muito próximos o ciclo de amizade era o mesmo, por isso, foi questão de tempo para que o destino os unisse. Em uma noite qualquer do ano de 2015, uma amiga de Enza que namorava o amigo de Jeferson, a chamou para comer um sanduíche com eles. Depois de deixar Enza em sua casa, a garota mandou uma mensagem para ela dizendo que Jeferson havia falado dela no carro, depois de muito insistir para saber o que, a amiga revelou que naquela noite ele disse que “Essa ai eu pego hein”.

Nenhum deles sabia naquele momento, mas aquele encontro despretensioso para comer um lanche seria o início de uma linda história.

O casal está junto há 6 anos, e ano passado resolveram dar um passo a mais na relação, e antes que pensem que esse passo seria o casamento, não é, esse seriam juntos embarcarem para o Canadá e começarem uma vida a dois fora do país. 

Jovens, cheios de sonhos e planos, o casal sabia que estarem casados facilitaria o processo de tirar o visto e embarcar rumo ao futuro juntos, por esse motivo, no dia 10 de julho de 2020, eles contaram aos seus pais a decisão e comemoram o noivado moderno. Moderno porque foi decidido de última hora e as alianças ainda não estavam em mãos, entretanto, isso não diminuiu a importância daquele momento. 

“A gente comemorou o noivado, mas não teve pedido, a gente só falou a bora casar. A aliança a gente foi no dia seguinte na loja encomendar”, conta Enza.

Noivos, e agora?

Dado esse passo, agora eles tinham todo um casamento para planejar, isso, contando que ele deveria acontecer até janeiro de 2021, para que os planos que fizeram de ir para o Canadá, onde Enza iniciaria seu mestrado no meio do ano e Jeferson trabalharia, caso tudo saísse como planejado.

O dia 23 de janeiro, foi a data escolhida para acontecer o casório. Então, de julho de 2020 em diante eles teriam que escolher vestido, terno, buffet, decoração, enviar convite, contratar fotógrafo, agendar cabelo e maquiagem, entre outros. A noiva, em busca de economizar dinheiro para a viagem, decidiu assumir o papel de organizadora.

O planejamento acontecia a todo vapor, e não que tenham ignorado um fator importante, a Covid-19, contudo preferiram acreditar que na data escolhida para o casório, a questão “pandemia mundial” já não seria mais um problema.

“Eu jurei que até dezembro o mundo já ia estar melhor, que todo mundo ia estar vacinado”, comenta a noiva.

 

O primeiro adiamento

Acontece que planos e pandemia não são palavras que caminham juntas, em razão disso, cerca de um mês antes da primeira data agendada para acontecer o casamento, Enza e Jeferson acharam melhor adiá-lo para segurança de todos, afinal, na época os números de contágio ainda eram altos e o país ainda não tinha nenhuma perspectiva de começar a vacinação. 

“Quando eu vi que não tinha outra solução a não ser adiar, fiquei muito chateada, foi uma fase muito ruim, porque a gente tinha corrido atrás de tudo muito rápido, conseguimos, estava dando tudo certo e um mês antes foi tudo por água abaixo”, desabafa Enza.

A sensação de impotência tomou conta não somente do casal, mas de todos aqueles que precisaram deixar um sonho para depois em um momento tão complicado. “Ver hoje que tudo poderia ter sido diferente, que se o governo tivesse aceitado as ofertas de vacinas da pfizer lá atrás, as minhas esperanças de que muita gente já teria sido vacinada estariam vivas e que meu casamento poderia ter acontecido. É uma sensação muito ruim de impotência, porque não tinha algo que eu poderia fazer, eu não sei fazer vacina”, completa. 

 

Futuro delongado

A pandemia não adiou somente o sonho de se casar, mas também o de Enza fazer seu mestrado fora do país. O casamento dela não era apenas para mudar seu status de relacionamento, mas juntamente com o presente, ela pediu aos convidados que, ao invés de presentes, contribuíssem com uma quantia para ajudar o casal a construir o sonho de morar fora. O dinheiro que ganhariam no casório era um investimento no futuro deles, visto que, como filha única, o pai de Enza insistiu em pagar o evento.

Enza e seus pais

Além disso, a festa seria uma despedida do casal, dos parentes e amigos próximos, já que quando partirem para o Canadá, não pretendem mais voltar.

“Eu sempre quis morar fora, desde que começamos a namorar eu falava isso para ele, que ou ele ia junto ou a gente terminava. De tanto eu falar, ele começou a pesquisar e animou também, começou comigo, contudo hoje é um sonho do casal”, explica a jovem. 

 

A segunda onda da covid-19

Depois de precisar adiar o casamento pela primeira vez, o casal acreditava que a segunda data, no dia 10/04/2021, finalmente o sonhado dia chegaria, todavia, a pandemia mais uma vez iria arruinar seus planos. Se em janeiro a maior preocupação era que os convidados não estariam vacinados, para abril, as expectativas eram até muito boas, afinal a vacina já tinha chegado e a população brasileira, incluindo o grupo de risco, já havia começado a receber as doses. 

No entanto, a covid-19 é uma doença traiçoeira e quando o mundo pensou que poderia começar a se recuperar dela, ela voltou pior em uma segunda onda mais violenta. Não teve jeito, por mais que a última coisa que a jovem queria era delongar aquilo, por medidas de segurança, mais uma vez ela precisou reagendar. 

Além de toda frustração que é precisar atrasar tudo, ainda existe a dificuldade que é entrar em contato com os fornecedores, conciliar data, e até conseguir uma nova, afinal, não apenas ela como várias outras pessoas que tinham seus casamentos marcados precisaram adiar. 

Da primeira vez, Enza tinha uma data limite até julho para prorrogar, uma vez que iria embarcar para o Canadá em agosto, porém a pandemia ainda atrasou a emissão de seu visto, então a data da viagem também mudou. 

“Conciliar com todo mundo é difícil, porque sempre tem um que não pode em tal data, que não quer devolver o dinheiro, mas apesar de tudo eu ainda não perdi dinheiro”, ressalta. 

 

Contratempos no meio do caminho

Depois de três vezes adiando seu sonho e da dificuldade em encontrar a data do dia 07/08/2021, mais uma vez Enza precisou desmarcar, neste caso, a pandemia não foi o único motivo, e sim que a data conciliou com a da prova da OAB, que ela e a mãe precisam fazer. 

“Mais uma vez vou adiar, acho que dessa vez não escapo do prejuízo. A pior parte é ter que avisar todo mundo, medo de me esquecer de alguém e a pessoa aparecer no dia errado”. 

Desta vez, a noiva infelizmente teve a triste notícia que o vestido que escolheu não está mais disponível para esse ano, então ela vai precisar trocá-lo. “Estou muito triste pois gostei muito dele, mas alguma coisa precisava dar errado depois de três adiamentos”, confessa. 

 

Do amor não se desiste jamais 

Enza e Jeferson sempre tiveram uma relação intensa, com 1 mês e 4 dias ficando, eles assumiram um relacionamento sério, muito jovens, mas sempre muito responsáveis.

Depois de se formar no ensino médio na cidade de Nova Venésia, Enza voltou para São Gabriel da Palha, sua cidade natal, e os dois passaram a viver um relacionamento à distância, 40 minutos de distância, ainda assim distantes para quem se via todos os dias. O casal se encontra apenas aos finais de semana, foi difícil no começo todavia souberam lidar bem. 

Uma viagem especial do casal, Gramado (RS)

Se eles conseguiram levar durante seis anos um relacionamento a distância, não seriam pequenos perrengues encontrados na hora de casar que os fariam desistir. Em janeiro o cônjuge chegou a se casar no civil para tentar agilizar o processo do visto, porém eles seguem aguardando a partida para o Canadá para finalmente escreverem um novo capítulo em suas histórias. 

“Nada mudou, a gente se casou no papel, mas não moramos juntos, não temos uma casa só nossa. No fim de semana ele vem aqui para a minha, e aí moramos eu, ele e minha mãe, então para a gente é como se estivéssemos namorando ainda ou já estivéssemos numa vida de casados há muito tempo, tudo depende do ponto de vista, nunca teve muito essa divisão”, esclarece Enza. 

Como marido e mulher, eles ainda não tem uma casa só deles, mas a cada dia que passa esse dia se aproxima mais.

Enza e Jeferson não tem dúvidas de que querem estar juntos e construir um futuro fora daqui, por isso, não importa o tempo que leve, ou até quantas vezes o casamento precise ser adiado, eles não irão desistir. 

E para as noivas que se encontram na mesma situação que Enza, vários adiamentos e ainda sem muitas expectativas, o conselho da jovem é apenas um: Jogar para 2022. “Isso não é vida”, diz ela em tom de descontração, “ é ruim demais, se você pode jogar para frente só joga, se eu não tivesse o mestrado agora não estaria casando, nem noiva”, completa.

Casamento civil do casal

Fábrica de sonhos

Alexia Lorrane da Silva é uma jovem de 24 anos e influenciada pela mãe, Conceição Martins dos Santos Silva de 51 anos, criaram a empresa Ao Casar, juntas mãe e filha fabricam não apenas vestidos, mas a realização do sonho de muitas noivas. 

Há 10 anos elas começaram a vender vestidos para damas de honra e debutantes, com a queda nas vendas, acabaram ampliando para o aluguel de vestidos de noivas, madrinhas, padrinhos, festas, tudo sob medida e ainda a possibilidade de primeiro aluguel.

Alexia e a mãe, Conceição

Em entrevista, Alexia, conta um pouco como tem sido a rotina na pandemia e como tiveram que se adequar a ela. Confira. 

De onde surgiu a vontade de fazer uma loja de vestidos de noivas?

A vontade partiu do prazer do trabalho minucioso e da criatividade que se pode acrescentar a um vestido de noiva, além da valorização de um trabalho tão bonito.

 

Qual a sensação de materializar os sonhos e desejos das noivas em realidade?

Tenho prazer em realizar sonhos através do nosso trabalho, pois no fundo acabo também me sentindo realizada como profissional.

 

Como era a demanda de vocês antes da pandemia? Tinham muitos pedidos de vestidos?

Antes da pandemia nossa demanda era cerca de 20% maior, entramos na pandemia com apenas 5% da nossa demanda, atualmente, um ano depois já estamos atingindo os 90%.

 

Quando se deram conta da gravidade da pandemia e como isso poderia atrapalhar os negócios?

Logo no segundo mês já começamos a sentir o peso da pandemia, falência era algo que a gente pensava todos os dias.

 

No começo da pandemia vocês tiveram prejuízos em relação a cancelamentos de contratos? Como funcionou a negociação com as noivas?

Alguns prejuízos, adiamentos eram fato, mas os cancelamentos nos trouxeram o constrangimento da negociação mais agressiva, pois o cliente queria todo o dinheiro de volta e tínhamos que convencê-los da multa pelo cancelamento, afinal era nosso trabalho e nossas despesas em jogo.

 

Trabalhando dentro da área, você acredita que a maioria das noivas optaram pelo adiamento ou cancelamento do casamento? E por qual motivo?

Adiamento, com certeza, a maioria faz questão de comemorar.

 

O que mudou na rotina de trabalho de vocês durante a pandemia?

Tivemos que nos adequar ao agendamento para não ter aglomeração na loja. Também passamos a agilizar o atendimento prévio, fotografamos todos os vestidos e disponibilizamos as clientes os modelos disponíveis. 

 

Como tem funcionado o atendimento de vocês nesse período? Vocês são flexíveis a adiamentos ou cancelamentos? Oferecem reembolso em alguma circunstância?

Trabalhamos só com agendamento. Quanto ao reembolso, oferecemos carta de crédito para o próximo evento, ou cartão presente, que pode ser repassado para outra pessoa. Também oferecemos a devolução parcial, conforme prazos estipulados pela lei durante a pandemia.

 

Qual foi a maior dificuldade que vocês encontraram nesse momento?

Convencer os clientes a marcar horário, muitos aparecem na porta querendo ser atendidos e alguns até ficam com raiva. 

 

Em algum momento pensaram em desistir do negócio?

Jamais. 

 

No Instagram vocês têm postado diversos modelos novos de vestidos, isso significa que o mercado voltou a se aquecer?

Não exatamente, na verdade a demanda anda entre 60% e 90%. Nós tivemos a ideia de usar o tempo ocioso para criar e lançar novos vestidos.

 

A pandemia interrompeu ou adiou algum sonho de vocês como comerciantes?

Não, ao contrário, nos impulsionou a profissionalizar ainda mais os nossos serviços.

 

Vocês têm algum plano idealizado para quando terminar a pandemia?

Sim, pretendemos preparar um espaço maior para um atendimento mais personalizado.

 

Como vocês têm dado apoio às noivas?

Nós sempre procuramos incentivar apenas a adiar e não cancelar. Aconselhamos elas aproveitarem o prazo do adiamento para acrescentar algo que não seria possível a curto prazo.

 

Qual mensagem vocês deixariam para as noivas não desistirem de casar?

Sonho não se cancela e sim se adia. Paciência e foco, o resto vem com tempo.

 

Edição: Daniela Reis