Jornal Contramão

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Por Bianca Morais 

Hoje faz um mês que deixei meu primeiro emprego como jornalista formada, e se você tiver alguns minutos do seu dia, peço que leia o motivo de ter sido tão difícil me desprender dele.

Dei meus primeiros passos no Centro Universitário Una, em 2016, quando ingressei no curso de Jornalismo. Desde o início me deslumbrava com o Jornal Contramão, ele era para muitos o primeiro estágio dentro do curso. 

Na época, trabalhava em meu primeiro emprego como telemarketing, ali conquistei a liberdade de não depender totalmente do dinheiro dos meus pais, e por mais que quisesse um estágio, o salário mínimo oferecido me encantava.

Depois de dois anos no telemarketing, resolvi que era hora de deixar o mínimo e procurar um estágio, iria receber menos mas ganharia algo que nenhuma carteira assinada e benefícios me dariam naquele momento, o aprendizado. 

Na busca por estágio me deparei com dois. Pela minha nota do curso fui chamada para estagiar no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MG), e depois de um processo acirrado (contém humor), passei para trabalhar no NUC – Núcleo de Conteúdo da Una, onde se hospedava o famoso Jornal Contramão. 

E agora? O que escolher? E por que não os dois? 

Já estava no meu sexto período da faculdade, por isso queria aprender o máximo que eu conseguisse, então resolvi abraçar os dois estágios, saia de casa às 6 da manhã e voltava às 23 da noite. Não foi um período de descanso, mas sem dúvidas, de muito conhecimento.

No TRE-MG ganhei experiência com comunicação interna e assessoria de imprensa, e na Una além de fazer o que eu mais amo, escrever, tive experiência com cobertura de eventos, produção de eventos, e o mais importante, construir uma família.

Quando entrei como estagiária, entraram mais quatro, época de ouro, em que o jornalismo era super valorizado e tínhamos uma mega equipe. Eram eles: Joyce, Jessica e Italo. Muito importante mencionar nomes, porque eles fizeram toda a diferença em minha trajetória. Claro, ali no laboratório já existia o estagiário mais antigo, quase uma relíquia ali no Contramão, o Moisés.

Nós éramos a maioria ali, e, juntos, dominamos o Laboratório de Economia Criativa da Una, que além do núcleo de jornalismo, tinha também publicidade, audiovisual, moda e arquitetura.

Nesse meio tempo, entrou uma pessoa decisiva para minha trajetória na Una ter sido tão duradoura e proveitosa. Dani Reis, minha eterna chefe Dani. A big boss. Dani entrou depois de uns seis meses em que eu já estagiava no núcleo, entrou como nova líder, e como eu sempre deixei claro para ela, se um dia eu for 1% da jornalista que Dani é, eu já estarei realizada. 

Com ela aprendi a escrever melhor, a revisar, a ter uma postura de profissional, a como agir em frente às câmeras, a como ser líder. 

Dani foi muito além de uma chefe, virou minha amiga. E foi com muita tristeza que me despedi de sua liderança quando me formei, afinal, não podia mais ser estagiária ali. Mas como nossa história ainda não estava terminada, meses depois ela me chamou para voltar a Una, agora como sua técnica de laboratório.

Agora além de escrever para o Contramão, eu ajudava os estagiários, fazia release, corrigia textos, apoiava os alunos do curso, dava oficinas..

E falando em estagiário, nesse momento, outra figura entra nessa história. Talvez um pouco antes. O nome dele é Keven Souza, e anotem esse nome, porque esse garoto ainda vai fazer sucesso e me dar muito orgulho. Conheci Keven ainda como estagiária, quando Jessica, Joyce e eu íamos em feiras de escolas mostrar como era o curso de Jornalismo da Una e convencer aquelas belas mentes brilhantes a ingressarem lá.

Pois bem, em uma dessas feiras conheci o Keven. Ele era um jovem estudante do ensino médio, do Instituto de Educação, e, logo de início, já vi talento nele. A desenvoltura em frente às câmeras era perfeita. Falei que ele precisava ir para a Una e pronto, ali se encerrou nosso primeiro encontro.

Para minha surpresa, nem tanto, alguns meses depois, na recepção de calouros, lá estava ele, se tornando universitário. Agora eu precisava convencê-lo a entrar no Contramão, porque ele precisava viver tudo aquilo que eu vivi.

Já como técnica, me despedia agora de um grande amigo, o Ítalo que foi traçar sua trajetória no jornalismo e deixava uma vaga de estagiário aberta no Contramão.

Adivinhe quem assumiu? Ele, o Keven.

Keven foi o melhor estagiário que eu pude ter, sempre disposto a aprender, ensinei a ele tudo que sei e sou, sim até a minha personalidade. Mas além de ensinar eu aprendi, e conquistei um amigo para vida inteira.

Ok rede, não sei se vocês estavam esperando por esse textão, ou se chegaram até aqui. Mas eu precisava disso, eu precisava me despedir da Una, e acho que pelo textão vocês entenderam porque foi tão difícil. É porque não deixei para trás apenas um emprego, deixei uma família. Um lugar que por muitos anos foi minha segunda casa 

Nessa história, se eu contasse metade de quem passou por ela esse texto ia ficar enorme. Opa, muito maior do que já ficou até aqui. Agradeço a todo mundo, tem a Karol da arquitetura, o Rapha do audiovisual, a Lets da moda. Tem o Chitão, o Igor e a Gabi do NSI. Tem a estrela do Contramão que sempre respondia minhas entrevistas, Raphael Paulino. Tem o Fernando e o Felipe da portaria. Tem os duzentos estagiários, tem a Jess, tem a Isadora, a Ashley, a Dani, o Gabriel, tem o Mateus, o Gladison, a Ariadne, tem o Terra, o Pedrinho e a Dani Pérez.

Tem a Tia Lari também, ela saiu antes de mim e deixou uma saudade.

Enfim, obrigada de verdade gente, por tudo. Obrigada Una, hoje deixo vocês para conquistar meu lugar no mundo mas para voltar como reitora, se lembram?

 

OBS: o textão ficou gigante porque esqueci que não estou mais escrevendo para o Contramão.

No terceiro e último dia do Conecta, certezas foram reiteradas e a sensação de dever cumprido já se propaga com convicção.

 

Por Lucas Raquejo

Nesta quinta-feira (28), o Conecta deu início a mais um monte de atividades, divididos entre o período diurno e noturno. E, mais uma vez, vamos mostrar um evento que ocorreu às 9h30, horário de Brasília. Simultaneamente, ocorreram uma oficina inicial de Photoshop e uma palestra sobre os desafios de se construir o próprio escritório de arquitetura.

A palestra foi realizada por Danielle Taurinho, de 25 anos, formada em Arquitetura e Urbanismo na FUMEC (Fundação Mineira de Educação e Cultura) desde 2019. Para ela, a oportunidade de oferecer um conteúdo sobre as dificuldades do processo de estruturação da carreira de arquiteto é estender a mão que ela não teve antes: “Espero mostrar para quem está aqui como é viver a realidade do arquiteto”, diz.

De modo geral, a apresentação de Taurinho mostrou como se forma um arquiteto desde o “embrião”. Ela fez uma linha do tempo desde sua escolha pelo curso, perrengues e aventuras. E até uma recomendação: “Não estagiem em dois lugares simultaneamente. É uma correria descomunal”, afirma. 

No decorrer da parte onde ela mostrou o decorrer do fluxo de processo das atividades, foi dando várias dicas. Até que, pouco tempo depois, começou a detalhar todo o planejamento de um projeto realizado, desde a planta. Neste projeto, detalhou de forma bem dinâmica cada fator importante em que trabalhou e todos os possíveis declínios e imprevistos que podem ocorrer.

 

Forte presença feminina

Sobre o ambiente durante o evento, notei que todas as pessoas presentes eram mulheres, sem exceção. Aliás, nas três atividades apresentadas no último dia do Conecta, a presença de mulheres foi, de longe, muito superior à presença masculina. Isso, somado ao ambiente da minha turma onde me formei em Jornalismo em São Paulo, me levou a uma questão: elas dominam o mercado da comunicação e humanas de fato?

A resposta é: na escolha para a educação, sim; na prática de exercício, não. Um estudo do IBGE de 2019 e divulgado pelo portal Valor Econômico, do Grupo Globo, mostra que as mulheres possuem mais facilidade de ingressar nos estudos de nível superior, passando de 43,2% para 46,8%, mantendo uma média geral maior – 19,4% contra 15,1% dos homens.

E sim, o estudo prova que mulheres migram mais para a comunicação, humanas, estética e educação; enquanto homens são maioria nas áreas de contabilidade, TI e outras de exatas. Mas, na prática do exercício, as mulheres não ocupam muitos cargos de alto escalão, chegando em uma média de 10% apenas.

E, por falar em mulheres, entrevistei duas designers de interiores que participaram da apresentação de Danielle: Raquel Soares, de 41 anos e Adriana Melo, de 49 anos. Elas relataram sobre se há competitividade entre os profissionais do ramo e os de arquitetura. “Tem espaço para todo mundo. Alguns ficam com medo, mas outros sempre sobressaem. Então, não existe competição de espaço, pois podem até trabalhar juntos”, comenta. 

Adriana ressalta a ideia de que este ramo precisa de ousadia e coragem, independente do espaço que é projetado: “A caminhada não é fácil. O estagiário é contratado para fazer de tudo e, por vezes, não tem o apoio dos arquitetos, dificultando a vida do formando”, pontua.

Ao encerrar sua apresentação, Danielle se sentiu muito satisfeita e de objetivo cumprido: “Gostei da interação. Isso se reflete no interesse, pois as pessoas ainda estão se descobrindo dentro das escolhas que optam por fazer”. E, sobre os estágios simultâneos, ela reforçou a importância de ter jogo de cintura: “Quem quer ter seu próprio escritório, tem que aproveitar as oportunidades. Quando trabalhei sob essa condição, trabalhava virando a chavinha, como um robozinho”, conclui.

E o Conecta segue abalando as estruturas da Una. Como hoje é o último dia, à noite ainda tem muito mais atividades para encerrarem esta confraternização com chave de ouro. 

No segundo dia do Conecta, a palestra sobre Direção de Arte mostrou como se faz um produto que pode marcar gerações e inspirar carreiras.

 

Por Lucas Raquejo

Na manhã desta quarta-feira (27), começou mais um dia de atividades do Conecta na Una Liberdade e, com ele, uma palestra de grande oportunidade para um futuro que parecia atolado nas lamas do sofrimento em meio às incertezas que me rondavam e pôde me enriquecer: o tema é de Direção de Arte, ministrado pela Andressa Castro.

E quem diria que, justamente no dia que completo meu “período de experiência”, após 3 meses em Belo Horizonte – cidade que escolhi me desenvolver ainda mais – e ela me nutre com muito amor – teria a chance de entender mais sobre um dos pilares necessários para o meu projeto que finalmente está em construção.

A palestrante foi Andressa Castro, de 26, quase 27 anos. Uma mulher de alma criativa e forte, com meia década de formação, mas com experiências ricas e que deixam seu currículo como um cristal – brilhante e encantador, mesmo que com tempo não tão longo. Na palestra, ela mostrou o seu foco, direção de arte de produto, que é mais visado pela publicidade, mas pincelou nos ramos de animação, fotografia e audiovisual para os alunos ali presente. 

Alunos da Una, na palestra de Direção de Arte.

Inclusive, no meio da sua demonstração, mostrou todas as camadas do processo de direção e produção de conteúdos e peças, que seguem perfis levemente diversificados de acordo com o caráter da peça final. E por falar em peça final, Andressa mostrou um clipe – que, confesso, muitíssimo bem dirigido e executado – da banda de blues. Magistral!

Ao encerrar a palestra, com toda sua simpatia, disse que esse mercado tem uma vantagem e desvantagens. Dentre as vantagens, destacou a amplitude e a versatilidade de produtos a serem trabalhados. As desvantagens, porém, esbarram na exaustiva carga de trabalho (que pode chegar a mais de quinze horas diárias) e por ter pouca abertura em suas conexões. Para ela, o primeiro grande projeto apareceu somente em 2019, por exemplo.

E, sendo bem sincero: ganhei o dia! Saber formas de procurar um profissional de direção de arte para o futuro que, por ora, está se moldando a ser o presente em pouco tempo, me deu mais gás e empolgação para não desistir do que me aguarda. Agora, é agradecer e deixar fluir!

Por Bianca Morais 

O Centro Universitário Una sempre foi palco para palestras e bate-papos com temas de suma importância, buscando levar aos alunos um pensamento crítico, muito além do aprendizado tradicional.

Em 2019, na cidade de Brumadinho (MG), aconteceu uma das maiores tragédias ambientais que já se viu em toda a história: o rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão. O desastre chocou o mundo e ocasionou a morte de 271 pessoas, incluindo 9 desaparecidos e a devastação do rio Paraopeba e de todo o ecossistema a sua volta. 

Durante aquele primeiro semestre de 2019, a Una promoveu diversas discussões sobre o assunto, inclusive, foram realizados diversos projetos interdisciplinares envolvendo diferentes cursos. 

 

Os eventos do curso de jornalismo

O curso de jornalismo, no período coordenado pela professora Márcia Maria Cruz, realizou grandes iniciativas. Segundo a jornalista, que acompanhou de perto ação da imprensa frente o rompimento da barragem de Brumadinho,  essa foi uma das principais coberturas jornalísticas do Brasil, comparável até ao 11 de Setembro nos Estados Unidos, em termos mundiais, com desdobramentos gigantescos.

“Em função disso, eu considerei que era importante fazer uma reflexão sobre a cobertura convidando jornalistas que participaram dela e docentes do nosso curso que pudessem fazer uma discussão sobre esse processo para os alunos”, conta ela. 

Na época, o Jornal Contramão ficou responsável pela parte da produção executiva do evento, com objetivo de fazer uma conexão entre a academia e o mercado de trabalho, os profissionais que atuam nas redações e que fazem a cobertura jornalística no dia a dia.  

A organização trouxe ao Contramão uma importante visibilidade.Os debates contaram com um público bem expressivo, alunos da Una e de várias outras instituições, interessados em cursar o curso de Jornalismo, além da presença de diretores de redação de vários jornais, como por exemplo, o diretor de redação do Jornal Estado de Minas, Carlos Marcelo de Carvalho, representantes de outros veículos, como da rádio CBN, Itatiaia, todos para assistirem ao debate. 

“Foi um grande encontro com a presença de estudantes, professores e profissionais de jornalismo, tanto os que foram convidados a fim de compor as mesas e os debates como os que foram com intuito de assistir. Esses encontros são extremamente ricos e importantes tanto para a formação dos nossos alunos, como também para os jornalistas profissionais que têm esse tipo espaço como uma possibilidade de refletir sobre o trabalho que eles realizam no cotidiano”, comenta Márcia.

 

A mostra de fotografias

Inicialmente, foi elaborada uma mostra onde foram apresentadas 30 capas e 20 fotos produzidas por profissionais de diferentes veículos de comunicação de Minas durante a cobertura da tragédia.

Com grande repercussão, a curadoria da exposição ficou a cargo dos professores: Aurélio Silva, Magda Santiago, Leonardo Drummond Vilaça, e o jornalista do Estado de Minas, Fred Bottrel, que foi um dos autores da reportagem em 360 graus realizada em Brumadinho, uma verdadeira inovação na cobertura jornalística. A expografia foi produzida pela professora dos cursos de Arquitetura e Urbanismo e Design de Interiores, Janaína Scaramussa, e a montagem pelos alunos do curso.

As imagens presentes na mostra eram de uma autenticidade fora do comum, realistas e mostravam a verdade, mesmo que chocante daquela calamidade. Aquelas fotos precisavam ser expostas, vistas e provocar atenção, com intuito que a morte de centenas de pessoas não passasse em vão, para que o público cobrasse respostas e que as vidas perdidas não caíssem no esquecimento.

A professora Maria Magda compartilha que participar da curadoria da exposição sobre a tragédia de Brumadinho foi um trabalho em que ela precisou olhar de frente o aniquilamento humano e a dor das pessoas. 

“Olhar, sem poder desviar a vista, para a destruição ambiental, o martírio do rio, a agonia dos animais. Ainda sem fôlego, ver a exaustão e o assombro nas expressões dos bombeiros e voluntários”, conta ela.

Para ela era difícil incluir, naquela contemplação angustiante, a observação da linguagem fotográfica, o “ver” de cada fotógrafo, as questões de enquadramento, o trabalho com a luz. 

“O sofrimento exposto nas imagens fazia com que tudo ficasse pequeno – problemas ínfimos, preocupações tolas, chateações fúteis, só pensava que essa exposição poderia ajudar a sensibilizar a comunidade, os nossos alunos, a aumentar as doações. Mas não dava para fugir da consciência do que é perdido, daquele desamparo na paisagem de lama. Por mais ajuda que tivesse, o que olhávamos era irreversível”, conclui a curadora. 

Entre as fotografias expostas apareceram as dos fotógrafos Alex De Jesus, Alexandre Guzanshe, Cristiane Mattos, Douglas Magno, Flávio Tavares, Gladyston Rodrigues, Isis Medeiros, Lucas Prates, Moisés Silva e Uarlen Valério. A reportagem 360 de Fred Bottrel e Renan Damasceno. A primeira página dos jornais Estado de Minas, O Tempo, Hoje em Dia, Super Notícias e Metro BH.

 

As mesas de debate

Além da exposição, também foram organizadas mesas de debates com o tema: “Desafio da reportagem: Cobertura Jornalística de Tragédias”. O bate papo foi dividido em dois momentos, um primeiro com “A produção de imagens em tragédias”, onde foram convidados para contar suas experiências os jornalistas Daniel de Cerqueira (O Tempo), Carlos Eduardo Alvim (Globo Minas), Gladyston Rodrigues (Estado de Minas) e Isis Medeiros (jornalista independente).

Na sequência, era a vez das “Narrativas da Tragédia”, que trouxe Edilene Lopes (Rádio Itatiaia), Márcia Maria Cruz (Estado de Minas) e Pedro Aihara, tenente do corpo de bombeiros de Minas Gerais.

Os convidados que participaram dos debates foram escolhidos de forma que fosse possível uma ampla representação dos veículos que fizeram a cobertura, dessa maneira estiveram presentes repórteres e jornalistas de várias mídias, de jornal impresso, portal, televisão e rádio. 

 

A relevância do evento para o jornalismo mineiro

Todos os eventos contaram com participação massiva dos alunos da instituição, principalmente, do curso de Jornalismo. Com a tragédia ainda fresca na memória de todos, era impossível não prestar atenção a cada fala e depoimento.

O evento foi sem dúvidas um dos maiores realizados em Minas Gerais para tratar da cobertura jornalística de uma tragédia, o assunto é de grande importância, sobretudo com a dimensão que foi o rompimento da barragem da Vale, todas as implicações das vidas perdidas, da destruição ambiental, os danos ao turismo danos e aos rios e bacias hidrográficas, dos pagamentos à comunidades, entre outros.

“E como o jornalismo faz a cobertura de um acontecimento desta dimensão, é fundamental trazer isso à formação de futuros jornalistas, ao curso de jornalismo é importante porque permite mostrar qual é a preocupação e qual é o entendimento que o curso tem com relação ao jornalismo, o que se considera como prioridade”, comenta a professora.

A exposição e as mesas de discussões tiveram grande repercussão e reconhecimento dentro da imprensa mineira, sendo anunciado por diversos veículos, com matérias publicadas falando tanto da programação dos debates como da exposição que foi realizada.

“Entendo que acontecimentos dessa natureza tem uma contribuição para qualificar a cobertura jornalística, para fazer com que ela seja pensada, refletida, e que com isso, possam ganhar em termos técnicos e éticos, termos de tratar um tema de tamanho interesse público”, conclui Márcia. 

Imagem: Reprodução/Google

Por Bruna Valentim

No dia 25 de março foi celebrado o Dia Nacional do Orgulho Gay. A data foi criada para propagar a valorização das causas LGBT e reforçar que independente da orientação sexual todos devem se orgulhar de ser quem são. Lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros lutam há anos por igualdade.
O Jornal Contramão resolveu conversar com quatro moradores da capital mineira e representantes da sigla LGBT para saber o que esse dia significa para casa um deles. Emanuelle, João Vítor, Gabriela e Helena não se conhecem, mas são jovens que mesmo com vivências, personalidades e gostos diferentes, lutam por um mesmo ideal que é a liberdade, uma vida segura e direitos iguais.

Engajada e defensora ferrenha das minorias, a fotógrafa e estudante de Publicidade, Emanuelle Romão de 23, tem riso fácil é extrovertida, extremamente dedicada e tem um relacionamento com outra garota e faz questão de evidenciar esse amor com fotos e textos apaixonados postados nas redes sociais. Segundo Manu, como ela gosta de ser chamada, nem sempre as coisas foram fáceis e expostas assim. “Desde pequena eu sabia que era diferente do que a sociedade me dizia que era normal, mas tive certeza quando percebi que me forçava a gostar de homens e me via triste com isso”, conta a jovem que destaca momentos de tristeza vividos: “Tive um período onde fiquei deprimida e doente. Me assumi há 5 anos e meus amigos são compreensivos, mas no início minha família não lidou muito bem, cheguei até a ser expulsa de casa”, relembra.

De acordo com Manu, foi um longo processo. “Hoje convivemos melhor, não chega a ser uma relação que tínhamos antes, mas estamos em harmonia. O que importa é que hoje me sinto livre internamente”. Para ela, o Dia do Orgulho Gay representa resistência. “É sobre não abaixar a cabeça. É para lembrar que mesmo com todo o preconceito e as dificuldades que enfrentamos continuamos juntos. Eu sinto orgulho de ver isso crescer, de ver pessoas como eu cada dia mais se assumindo mais por aí”, finaliza.

Diferente de Manu, João Vitor da Silva, 20 anos, ainda não conseguiu se abrir com a família. “Minha família ainda não sabe. Eu nunca senti a necessidade de afirmar isso ou aquilo em relação minha orientação sexual em casa, até porque não isso não vai interferir de maneira nenhuma em quem eu sou com eles, na nossa relação por minha parte. Com os meus amigos é diferente, todo mundo sabe lidar com isso e eu me sinto completamente confortável perto deles”. Para Silva, quando o assunto é preconceito ele destaca para evolução das coisas, mas frisa que ainda não é o suficiente. “Estamos sendo mais vistos, mas poucos aceitam de verdade. O Dia do Orgulho Gay é importante por ser um momento de liberdade, de ser quem você deve ser sempre, mas não consegue pela retaliação da sociedade. É um momento nosso, alegre e cheio de cores. É um momento que conquistamos pelo que lutamos todos os dias que é emprego, aceitação, é uma folga dos problemas, uma data de libertação”.


Gabriela Neto por sua vez, tem 21 anos, é estudante de publicidade, usuária assídua do twitter, e atualmente  tem uma namorada,embora não se rotule lésbica. Bissexual assumida, apesar da pouca visibilidade que as pessoas bissexuais têm na mídia, Neto diz que foi a internet e a televisão que a ajudaram a superar o medo de se assumir “Na época que me assumi, 4 anos atrás, uma coisa que me ajudou foram vídeos de pessoas no Youtube que eram parecidas comigo, coisa que eu não tinha muito contato na vida real. Também assistia Supergirl, série em que existe uma personagem lgbt, então durante o meu processo de descobrimento me ver retratada na mídia fez com que eu me sentisse melhor comigo mesma”  A jovem acredita que o dia do orgulho gay é importante pois é um momento de renovação de esperanças “Só nós sabemos o que é viver nesse mundo sendo uma pessoa
LGBT. Ver o movimento tomando a proporção que tem tomado ultimamente pelo mundo é algo realmente feliz. E eu digo feliz em caixa alta. Me sinto esperançosa, especial. Estamos no início dessa luta mas as coisas têm melhorado, está sendo devagar mas estamos chegando lá” acredita.


Helena Bonassi tem 25 anos, estuda arquitetura em uma universidade particular e é estagiária na área. A jovem que tem o hábito de se encontrar com as amigas para tomar o chá da tarde concorda com as opiniões acima. A estudante sabe que embora tenha crescido em meio a certos privilégios sociais nem tudo são flores quando uma pessoa tem coragem de assumir transexual  “Eu passei a maior parte da vida como um homem gay que costumava se montar de drag queen e aparentemente tudo estava indo bem. No fundo eu sempre soube que poderia ser trans, embora tenha colocado barreiras nessa possibilidade por medo das dificuldades que eu enfrento hoje.” Ela garante que o apoio que vêm recebendo de uma amiga próxima é fundamental para enfrentar os tempos difíceis “ Tem uma pessoa que gosto muito que se assumiu trans antes de mim e que já me enxergava de verdade, então aos poucos ela foi me ajudando a ter autoaceitação. A vi tendo a coragem que eu não tinha e comecei a ver que a vida de uma trans pode ser bem diferente da figura estereotipada de travesti, ela estava feliz, então aquilo me encorajou muito. Estou passando por um período complicado onde a dinâmica familiar está muito conturbada pelo fato de eu ter tomado essa decisão, mas se não fosse por ela eu ainda seria uma trans vivendo a vida de um gay frustrado.” 

“Ter um dia celebrando o orgulho gay mostra que isso é fruto de uma reação em massa da nova geração, estamos conquistando respeito através da resistência, mostra uma liberdade em todos os sentidos jamais vista antes.
As cenas de preconceito existem porque nós temos resistido, existido, temos tomado nosso lugar e não vamos voltar atrás” diz Bonassi sobre a data .

No último domingo, dia 25, as redes sociais foram tomadas por mensagens de apoio a causa e celebrações já conquistadas pelos LGBTs como o direito
ao casamento civil e a adoção de crianças, mas também foi um dia para relembrar pessoas que morreram vítimas de crimes homofóbicos. No resto do mundo o dia orgulho gay é comemorado em 28 de junho anualmente.