OS TESOUROS ESCONDIDOS NOS MUSEUS

OS TESOUROS ESCONDIDOS NOS MUSEUS

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Publicado dia 17/08/2017 – Atualizado 04/09/2017.

Por: Henrique Faria e Kedria Garcia

Assim como nos contos infantis, o ‘era uma vez’ também está presente no cenário urbano, principalmente quando se olha para dentro dos museus e se vê um castelo mágico, carregado de riquezas composto por peças recheadas de significados e valores. A cada museu um mundo novo, que por sua vez, guardam muitas histórias dentro de objetos.

No dicionário a palavra acervo vem acompanhada com o seguinte significado: “conjunto de bens que integram o patrimônio de um indivíduo, de uma instituição, de uma nação”. O acervo museológico é a reunião de objetos que compõem as coleções resguardadas no museu, que integram o patrimônio. As unidades que participam do acervo possuem diversos formatos, como a exploração do campo audiovisual, tecnológico, histórico, peças bi ou tridimensionais, entre outros.

Os acervos presentes nos museus não são necessariamente pertencentes às instituições em que estão localizadas, podem haver acervos emprestados por algum(a) artista ou outras instituições, estes podem ter um tempo de exposição pré-marcados. Os acervos pertencentes às instituições, são normalmente comprados ou doados e eles estão à disposição dos curadores para as exposições.

 

Museu das Minas e do Metal – MM Gerdau

Inaugurado em 2010, o Museu das Minas e do Metal – MM Gerdau, conta com 44 atrações em 18 salas diferentes com foco na mineração e na metalurgia. “São temas que não fazem parte do cotidiano das pessoas, são temas duros, árduos. O grande desafio era tornar isso acessível, fácil, educativo e interessante, por meio da tecnologia essa foi a intenção do Marcelo Dantas que é museógrafo.”, explica Paola Oliveira, do MM Gerdau. O acervo é tecnológico e interativo, com o objetivo de atrair o público jovem.

O primeiro andar é dedicado as principais minas do Estado, a interação é dada por meio de personagens históricos e fictícios que narram as histórias e curiosidades de Minas Gerais. O visitante é convidado a se aventurar no passado acompanhando Dom Pedro II em sua visita à mina de Morro Velho, em um elevador virtual. “Essa atração é uma das mais visitadas, ela é bem lúdica, bem interativa, nessa visita conta um pouco da história da mineração do ouro e do ciclo do ouro.”, firma Paola.

Há vários intérpretes regatando os momentos das descobertas dos minerais no estado. O segundo andar é destinado a metalurgia, a relação homem e metal. Com uma tabela periódica virtual, é possível misturar os compostos e surpreender com os resultados, relacionando a química com o cotidiano. “A ideia é tentar alinhar a tecnologia ao conhecimento de determinadas áreas ao assunto”, complementa Paola. Outro objeto que compõe o acervo é a balança, que com base no peso do visitante simula a quantidade de metais presentes no organismo, promovendo maior interação com o público.

O acervo físico é composto pelo Inventário Mineral doado pelo antigo Museu de Mineralogia Professor Djalma Guimarães, são mais de 400 amostras em exposição e 3.000 na reserva técnica, além de setor de Geociência que responsável pela a manutenção e a curadoria dos minerais.

 

Memorial Minas Gerais Vale

A maior parte do acervo pertencente ao Memorial Minas Gerais Vale é audiovisual, algumas salas dispõem de objetos museológicos físico, como a destinada ao Vale do Jequitinhonha, com alguns objetos, e ao Sebastião Salgado, com algumas fotografias. O próprio prédio se configura a maior peça da coleção, sendo um dos prédios mais antigos de Belo Horizonte, onde foi o primeiro abrigo para a Secretaria da Fazenda. Hoje reformado, esconde seus 120 anos guardando histórias invisíveis em sua estrutura.

As 28 salas recriam ambientes que ajudam a contar um pouco as histórias de Minas Gerais, com a ajuda de recursos tecnológicos. O museu tem como intuito exaltar a cultura mineira, mostrando a glória nas questões políticas com traços heroicos. “Basicamente o Memorial trabalha com vídeos. Temos em vídeos aqui, 56 horas aproximadamente, é muita coisa para o visitante ver em um dia. Costumamos dizer que o visitante tem que vim várias vezes para realmente conhecer o museu.”, afirma Charles Júnior, assistente pedagógico. “O espaço museógrafo é um recorte, baseado em pesquisas e a partir disso são construídas as propostas de cada ambiente.”, continua o educador Davide Chech.

A atração mais procurada é o Panteão da Política Mineira, possuído diversas telas em formato de quadros com a exibição de pequenos vídeos no qual aparecem alguns personagens históricos. Essa atração simula alguns encontros da Inconfidência Mineira, proporcionando uma experiência em 360°, além de ser um convite ao visitante para interagir com o ambiente. No segundo lugar do ranking é a sala que narra a história de Belo Horizonte, trazendo fantasmas que sussurram as lendas urbanas, como a da Maria Papuda que vivia na Serra do Curral Del Rey.

O museu divide-se em três principais temas: artes, história e cultura. “As salas foram reconfiguradas e trabalhadas para evocar uma memória e passar sentimentos”, explica Chech a respeito da sala das Fazendas, com diversas peças que remetem ao interior mineiro, recriando uma visão romântica da roça. “As pessoas olham para as salas e começam a se recordar e conversar entre elas, as salas são estopins para derivar em conversas entre os próprios visitantes.” completa o educador.

 

Museu de Artes e Ofícios

O acervo presente no museu é físico, porém conta com alguns vídeos complementares espalhados por todo o espaço, para auxiliar nas informações. É contido hoje, cerca de 2.500 peças de diferentes tipos de trabalhos realizados durante os séculos XVIII à XX, época pré-industrial. Ao longo de dois blocos e várias salas, os objetos estão divididos pelos seus ofícios, ou seja, são dispostos retratando cada profissão, como comércio, alguns dos artefatos ainda encontram-se em utilização na Zona Rural brasileira, como por exemplo, destiladores de cachaça e moedores de café. As peças expostas no museu foram doadas pela Ângela Gutierrez (é uma empresária, colecionadora de arte e fundadora do Instituto Cultural Flávio Gutierrez) e hoje são pertencentes ao IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional).

O acervo do Museu de Arte e Ofícios traz consigo uma sensação de nostalgia. Dividido pelas profissões mais comuns da época, é possível encontrar instrumentos bastante comuns do século passado como os fogões a lenha e as chaleiras que eram utilizados nas cozinhas.

O local

Há um sentido para a escolha do espaço como museu para receber o acervo. O acervo, como dito, é composto de materiais utilizados pelos trabalhadores, o local foi escolhido em forma de ocupação, principalmente por se tratar de um espaço que é o coração da cidade. A Praça da Estação era a porta de entrada dos viajantes que chegavam à capital mineira e, hoje em dia, se trata de um local central, ou seja, onde milhares de trabalhadores circulam diariamente.

O museu começou suas atividades há 12 anos, inaugurado em 14 de dezembro de 2005. Após o tombamento como patrimônio histórico, os antigos Edifícios da Estação Ferroviária Central, foram três anos seguidos de obras para a revitalização do espaço que antes, estava abandonado.

 

Centro de Arte Popular – Cemig

O Centro de Arte Popular – CEMIG, não é um museu, porque diferente dos museus, que tem como foco artefatos históricos. o intuito é dar oportunidades a quem ainda não tenha “estourado” no mundo da arte e que nem tenham passado por uma educação formal de artes, mas dando espaço também para artistas renomados das novas gerações.

Por sua localidade (Minas Gerais), os artistas que estão expostos no ambiente são mineiros ou que produzem sua arte no estado, com um enfoque inicial nos produtores do Vale do Jequitinhonha, porém artistas de outras regiões também estão presentes.

A divisão de salas, são feitas por uma lógica que liga as artes entre si, ou seja, elas apresentam algo em comum para estar no mesmo espaço. Por exemplo, na primeira sala, que recebe o nome de “Grandes Mestres”, tem artistas renomados, se comparando com o resto da exposição, como por exemplo, o artista G.T.O, nascido em 1913, na cidade de Itapecerica, no interior mineiro. Ele começou a esculpir em 1965, em Divinópolis (MG) e teve reconhecimento profissional no final da década de 1960. Assim como ele, a artista ZEFA, nascida em 1925, em Poço Verde (SE), começou sua trajetória modelando peças de barro, porém após acreditar que o barro estava prejudicando sua saúde, se viu obrigada a procurar outros materiais para esculpir e assim encontrou a madeira.

Diretamente ligada a cultura mineira, há uma sala dentro do acervo com fortes referências da cultura do interior, retratando as roças. No espaço é possível encontrar os mais tradicionais fogões a lenha, formas utilizadas para a produção de queijos, a sala é revestida de peças utilizadas pelo moradores e trabalhadores da Zona Rural Mineira, contendo também uma pequena sala destinada ao congado, uma tradicional festa da região. Como a religião sempre marcou presença no interior do estado, vários objetos ligados a religião (principalmente a Católica) foram separados em uma sala exclusiva para o tema. As obras têm grande influência do Barroco e outras, são peculiares até mesmo para a Igreja, como por exemplo a Santíssima Trindade sendo representada por um Jesus de três cabeças (Pai, Filho e Espírito Santo). Representando a arte popular das ruas e presente no canteiro do prédio as paredes estão coloridas com Grafites.

O prédio tem cinco anos de funcionamento como Centro de Arte Popular, anteriormente, ele já foi uma residência e um Hospital. Após anos fechado, como já dito, ele foi tombado como Patrimônio Histórico e por fim foi escolhido para ser o Centro de Arte Popular – Cemig.

 

 

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