Crítica | Thor: Ragnarok

Crítica | Thor: Ragnarok

Por Tiago Jamarino – Start

Retorno do deus do travão as telinhas, tem aventura mais pitoresca, colorida e a mais divertida até aqui do MCU

 

 

 

 

Thor, é um dos poucos personagens do MCU que teve dois filmes, é seguro dizer que, em nenhum desses dois filmes ele teve êxito. De todos os filmes solos dos heróis do Universo Cinematográfico da Marvel, Thor, teve dois filmes completamente esquecíveis, e dentre a equipe dos Vingadores era o mais contestado. O que mais se destacava no personagem era, o seu viés cômico, e quando dividia a tela com Hulk. O que a Marvelpercebeu foi simples, vamos fazer uma nova empreitada com o Odinson, mas vamos juntar todas as coisas que eram de acerto do personagem nos filmes. E graças ao diretor Taika Waititi temos um filme completamente aventuresco, engraçado, bastante colorido, e bem leve do deus do trovão. A Marvel Studiosfez um filme bastante coeso dentro da mitologia criada para o personagem nos cinemas, diferente de como Thor é nós quadrinhos, mas o filme é cheio de incríveis sequências de ação e talvez o melhor uso de uma música do Led Zeppelin. Se estiver esperando um arco dramático, uma história apocalíptica assim como na mitologia nórdica, ou até mesmo aquela história super confusa do Ragnarock nos quadrinhos, as chances de se decepcionar com este filme é grande. Mas como sua proposta inicial, o filme é bem sincero sobre o tom e o caminho que ele iria percorrer.

 

Thor é preso do outro lado do universo, sem o seu martelo poderoso e encontra-se numa corrida contra o tempo para voltar a Asgard e impedir o Ragnarok – a destruição do seu mundo e o fim da civilização Asgardiana -, que se encontra nas mãos de uma nova e poderosa ameaça, a implacável Hela. Mas, primeiro precisa de sobreviver a uma luta mortal de gladiadores, que o coloca contra um ex-aliado e companheiro Vingador – Hulk.

 

A aventura antecessora do deus do trovão, Thor: O Mundo Sombrio, foi bastante decepcionante e muito fora da curva do MCU, com um tom bastante sombrio, e um drama que não convenceu, deixando o desenvolvimento dos personagens bem atrasado para a franquia, mas Ragnork é a famosa redenção. O filme é bastante alegre e divertido em sua proposta, ultrapassando até o primeiro filme de Kenneth Branagh. Mais uma vez, Thor é um personagem incompleto, ainda se desenvolvendo, peregrinando em um mundo esquisito. Esqueça todo arco que se iniciou em Vingadores: A Era de Ultron, onde Thor saiu para procurar as joias do infinito, isso é totalmente esquecido no filme, com apenas uma simples fala de Thor, “Fui procurar as joias do infinito, mas não as achei. ” Tirando este artificie do roteiro para esquecer as tramas passadas, este filme mostra exatamente o quanto o personagem de Chris Hemsworth cresceu ao longo dos anos. Ele ainda pode amar uma caneca de hidromel, mas agora ele é um adulto responsável que se orgulha de ser chamado de herói ou um Vingador.

 

A direção é do diretor neozelandês Taika Waititi, da incrível comédia, O Que Fazemos nas Sombras (2014) e Hunt for the Wilderpeople (2016). A direção de Taika é bastante segura, e sua veia cômica misturada com uma ação são os grandes destaques desta direção. O grande chamariz dos filmes de super-heróis é como eles tratam a ação. A ação do filme tem muitos cortes durante cada sequência de batalha, e um bom uso do CGI, que deixa todas as cenas grande eloquente, mas tudo dá para ser entendido e apreciado, há mais cortes em Ragnarok, mas as cenas de ação foram feitas com habilidade. As sequências iniciais de Ragnarok, com Thorusando seu martelo, é tão maravilhosamente divertido, um trabalho primordial de Waititi. O CGI mencionado para a composição das cenas de ação, é notado em cenas que Thor golpeia e dispara relâmpagos, a equipe de efeitos consegue fazer cada luta fluir de forma transparente de uma vez para outra.

 

O design de produção de Ragnork facilmente é o mais bonito de todos os filmes da Marvel, a criação de mundo é simplesmente sensacional, o CGI cria mundos maravilhosos. O filme está cheio de cores vivas e brilhantes, fãs saudosos dirão que é total influência de Jack Kirby, dá até para notar toda essa influência das inúmeras histórias de Kirby, que escreveu histórias do personagem em potencial. Particularmente, dizer que foi graças a Kirby termos estes visuais, é uma jogadinha da Marvel, as influências claras de Ragnarok vem do sucesso da casa, Guardiões da Galáxia. Os figurinos são uma parte fundamental no filme, a loucura é abraçada completamente em cada roupa usada pelos personagens, mas as aparências dos personagens estão completamente iguais as revistinhas em quadrinhos. Alguns figurinos em particular como Hela, que usa uma coroa de chifre quando ela está pronta para a batalha, mas em cenas leves, está usando um visual bem emo. Thor quando chega pela primeira vez em Sakaar, sua capa está arrancada, e seu figurino, vai se remeter muito a seu momento atual nos quadrinhos, com o arco O Indgno Thor.

 

O roteiro assinado pelo trio Eric Pearson, Craig Kyle e Christopher Yost, em sua suma é bastante simplista. O tom do filme ainda é bem pipoca e nada complexo demais, não temos o elaborado Ragnarok da mitologia nórdica, o filme apresenta conceitos deste apocalipse, mas passa longe. Esperar que um filme feito para toda a família, com uma empresa como a Disney a frente, ter elementos pesados e sérios, é esperar por chover no molhado. A estratégia usada pela Marvel desde a Era de Ultron em usar nomes de histórias consagradas, é apenas pano de fundo para chamar fãs saudosistas dos quadrinhos. No final teremos a fórmula Marveltomando conta, mas o filme é bastante sincero quanto a sua veia cômica. Em Ragnarok, as piadas funcionam, são eficazes e no tempo correto, a grande sacada proposta pelo roteiro é que, este novo filme faz um humor e subverte o próprio gênero. O filme apresenta elementos do Planeta Hulk, e tem em sua composição algumas subtramas acontecendo, as principais ficando em Sakaar e o desenvolvimento de um arco com gladiadores e o Grão-Mestre, e a outra trama é em Asgard, com Hela tocando o terror e sendo a ameaça principal da trama.

 

O filme pode se afirmar em uma ação explosiva por toda parte, os aspectos mais agradáveis de Ragnarok vêm das interações dos personagens. Loki e Thor como dos filmes anteriores, ainda continua uma relação divertidíssima de se ver.  O Tom Hiddleston, ainda entrega uma atuação divertida, como o anti-herói do filme, e sempre ofusca Thor quando estão em cena, e tem a melhor piada do filme. Thor e Hulk competido como dois adolescentes irmãos, a luta dos dois tão anunciada pelos trailers e marketing, é completamente sensacional, valendo cada hype criado para ela. Tessa Thompson, rouba o filme sempre que está na tela. Valquíria é um personagem feminino forte, bem construída, e perseguindo desafiadores para o Grão-Mestre. Jeff Goldblum é o melhor em interpretar Jeff Goldblum, como o Grão-Mestre, ele deveria ganhar uma medalha. Ele é incrível como o governante de Sakaar, um luxuoso planeta de gladiadores, e sua entrega a seco traz uma qualidade retirada ao senso de humor, um dos melhores personagens que compõe o filme. Infelizmente, o papel do Hulk no filme foi revelado há meses. Se tivesse sido uma surpresa, é provável que essas cenas tenham sido ainda mais agradáveis para o público. Hulk é uma das partes mais fortes do filme, ele mudou muito desde Vingadores: A Era de Ultron. Esta é facilmente a sua melhor adaptação nos cinemas, tanto do ponto de vista técnico quanto do caráter. Mark Ruffalo entrega uma atuação bem divertida, melhor ainda quando está transformado como gigante esmeralda, que agora fala e nos diverte sempre em tela. Idris Elba, Karl Urban e Anthony Hopkins tem participações bem pontuais, de importancia na trama, mas poderiam ter mais tempo em tela.

 

Hela, interpretada maravilhosamente por Cate Blanchett, é uma adição bem-vinda ao mundo do filme. Ela transforma sua performance em algo com pitadas bem canastronas e sensual como a Deusa da Morte, com alguns trejeitos e maneirismos. Seus objetivos podem ser um pouco simplistas, mas ela é uma personagem complexa com uma conexão pessoal com Thor que aumenta o atrativo dramático do filme, mesmo tal atrativo não se desenvolvendo tão bem. Mesmo que ela procure destruição e fúria como muitos outros vilões daMarvel, Hela fica sem uma motivação plausível, mais um clichê em dizer que é mais uma vilã desperdiçada pela Marvel, mas no final ela é a Cate Blachett, e isso é algo a se desfrutar graças a sua genialidade como atriz. Chris Hemsworth retorna como o Deus dos Trovões, o ator achou na comédia o tom certo para seu personagem, mas quando precisa ser dramático, o ator ainda da uma patinada. Mas o saldo para Hemsworth é bastante positivo, devido ao carisma e a entrega do ator.

 

Thor: Ragnarok não é um filme perfeito, mas seus pontos fortes superam os negativos. Os personagens, o ritmo e a ação culminam em um filme ótimo. Encontrou em Taika Waititi uma direção bastante eficaz e com alguns momentos bem autorais. O filme não é apocalíptico com o nome diz, mas é uma aventura sincera e divertida. Dizer que é o melhor filme do deus do trovão não significa nada, devido aos seus filmes antecessores, mas para o Universo Cinematográfico Marvel, será um filme que pode sim, ser classificado como um dos melhores da casa.

 

 

4-Ótimo

 

 

FICHA TÉCNICA

 

  • DIREÇÃO

    • Taika Waititi

    EQUIPE TÉCNICA

    Roteiro: Christopher Yost, Craig Kyle, Eric Pearson

    Produção: Kevin Feige

    Fotografia: Javier Aguirresarobe

    Trilha Sonora: Mark Mothersbaugh

    Estúdio: Marvel Entertainment, Marvel Studios, Walt Disney Pictures

    Montador: Joel Negron, Zene Baker

    Distribuidora: Buena Vista Pictures, Walt Disney Pictures

    ELENCO

    Amali Golden, Anthony Hopkins, Ashley Ricardo, Benedict Cumberbatch, Cate Blanchett, Charlotte Nicdao, Chris Hemsworth, Clancy Brown, Georgia Blizzard, Idris Elba, Jaimie Alexander, Jeff Goldblum, Karl Urban, Mark Ruffalo, Rachel House, Ray Stevenson, Shalom Brune-Franklin, Tadanobu Asano, Taika Waititi, Tessa Thompson, Tom Hiddleston, Zachary Levi

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