Crítica Especial: Ghostbuster, 2016

Crítica Especial: Ghostbuster, 2016

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Por Vitor Nascimento

Um grupo de cientistas descobre a existência de fantasmas, e com a união de seus conhecimentos elas se preparam para estudar e capturar os monstros. Ao começar a jornada, uma ameaça improvável nasce. Esta é a sinopse, sem entregar nada. Os produtores da Sony e o diretor Paul Faig com o intuito de ajudar a indústria a acabar com os estereótipos e o machismo no cinema, contam com as personagens Abby Yates (Melissa McCarthy), Erin Gilbert (Kristen Wiig), Patty Tolan (Leslie Jones) e engraçada Jillian Holtzmann (Kate McKinnon) como às novas heroínas de Nova Iorque.

Eles só escorregam ao colocar a personagem negra, da Leslie Jones, como a especialista de rua e motorista da equipe (isso ocorre nos filmes originais), mas isso é só um detalhe que não estraga a experiência. A proposta que vende o filme é fazer um reboot com protagonistas femininas, explorando mais o relacionamento do grupo, aproveitando também a adição de novos apetrechos e ajudando a melhorar os equipamentos que já existiam no universo dos caça-fantasmas. Menores e mais funcionais a mochila de prótons e a armadilha de fantasmas não tiveram grandes participações no novo longa-metragem. Os homens neste filme não passam de pontas que não funcionam sem o poder das heroínas. O personagem Kevin, por exemplo, é secretário das caça-fantasmas (Chris Hemsworth, Thor) e é retratado como um idiota que não consegue nem atender um telefone.

Essa é a resposta da produção quando o primeiro trailer saiu, e houve uma enxurrada de críticas por parte dos homens, com comentários machistas no Youtube e o recorde de deslike, por ter simplesmente mulheres como protagonistas. O filme vende o tempo todo os efeitos fantasmagóricos bem produzidos, a interação e a inteligência das personagens, que, sem muito esforço, conseguem fazer um bom trabalho, que consiste em entender as atividades paranormais pela cidade. Os diálogos entre as protagonistas passam facilmente pelo teste de Bechdel (o teste pergunta/questiona se uma obra possui pelo menos duas mulheres que conversam entre si sobre algo que não seja um homem).

 

A trilha sonora traz de volta a música tema e uma nova versão pop feita pelo Fall Out Boy, que não consegue ter o mesmo impacto que a música original do Ray Park Jr. Já a trilha sonora orquestrada consegue fazer com o que os filmes atualmente não conseguem, colocar emoção nas ações das personagens, sem parecer genérico, criando uma identidade. Para as pessoas receosas quando o assunto é reboot, ‘As caça-fantasmas’ faz jus a toda mitologia estabelecida nos filmes dos anos 80, bem mais humorado e colorido, cada uma tem o seu momento de brilhar. Com vários easter-egg, o filme faz uma bela homenagem aos atores da velha franquia, e estabelece o seu próprio universo alternativo.

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