Música

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Banda Daparte - Reprodução do Instagram

Encerrando o Almanaque de Bandas Independentes, produzido por Bianca Morais, e divulgado no Jornal Contramão nas últimas semanas, a jornalista faz uma reflexão sobre as principais dificuldades que esse cenário de bandas enfrentam e ainda comenta qual o papel das gravadoras nesse meio, elas que por muito tempo foram o principal engajador para que os artistas tivessem sucesso, hoje, já não é mais exatamente dessa forma. 

Tempo e grana. Quando o assunto são bandas independentes buscando ascensão no mercado musical, uma das principais dificuldades que encontram são esses dois fatores.

Quem produz arte sempre tem ideias. Não há uma banda nesse almanaque que não possua pelo menos uma gaveta de idéias, composições, cifras e melodias que queiram mostrar ao mundo e ter oportunidade de gravar. Mas ensaiar, produzir e gravar é algo caro e nem todos têm poder aquisitivo para isso.

A parte financeira é difícil. Os contratantes de casas de show não querem bandas independentes, porque muitos deles procuram bandas covers que vão agradar mais o público. Aquele contratante que abre mão disso para contratar uma banda autoral não consegue entregar a eles um cachê tão bom. É difícil encontrar lugar para tocar, é difícil ser contratado. O dinheiro que comanda o mercado da arte pouco corre no mercado independente. A música em si ainda é subvalorizada.

Parte dessas bandas independentes, justamente por não conseguirem ter o dinheiro para produzir, tem outros trabalhos paralelos. Isso porque os músicos não conseguem se sustentar apenas com o cachê da banda, até porque esse dinheiro acaba sempre sendo revestido para o caixa da banda e suas demandas. Com outras ocupações e o trabalho semanal, acabam não tendo 100% do tempo para se dedicar apenas à música, atrasando seus sonhos. É possível gravar e produzir em casa, em estúdios mais simples e sair coisa boa, mas se você procura qualidade excelente é necessário investir, e esse investimento não é barato.

O tempo é limitado e muitas vezes não conseguem se encontrar como gostariam, principalmente durante a semana. Por outro lado, a demanda de conteúdo é alta, é necessário tempo para produzir as redes sociais, planejar clipes e idealizar projetos. Para uma banda conseguir se entregar totalmente ao que se propõe, precisa estar sempre junta e não é o que acontece muitas das vezes.

Paciência é a palavra-chave. Tudo tem seu tempo. Bandas como a Devise, Radiotape e Ous, por exemplo, com mais tempo de estrada, provam que é possível sustentar uma banda durante anos, mesmo tendo que fazer um paralelo com outros trabalhos, aceitar algumas consequências e encarar alguns desafios. O mais importante é não desistir.

Um outro problema que surge, principalmente quando se trata de uma banda com vocal, guitarra, baixo, bateria e teclado, é conseguir alcançar um público. Bandas de pop e rock deixaram de ser tão queridas pelo público que consome música hoje. Nos anos 80, 90 até o começo dos anos 2000 era possível encontrar muitas delas no cenário nacional e internacional. Bandas que marcaram épocas e existem até hoje, mas se você analisar principalmente no Brasil, poucas delas estão no top 10.

Nas rádios, encontramos cada vez mais artistas solos, onde a banda em si é formada por músicos que não tem visibilidade como o vocal principal, muitos sendo até freelancers.

O artista independente tem uma personalidade bem característica que é a de ser, na forma mais literal da palavra, INDEPENDENTE. Aquele que age com autonomia, não se deixando influenciar por ninguém. Por isso mesmo é tão difícil ser autoral e independente na arte convencional, entrar em uma caixinha de gênero, acompanhar o funcionamento do mercado e se adequar à indústria comercial. Além disso, as pessoas não estão preparadas para escutar o que elas não estão acostumadas.

A Daparte, por exemplo, uma das bandas desse almanaque que de fato é conhecida nacionalmente, são uma exceção. É raro encontrarmos hoje bandas de formação de quatro ou mais integrantes fazendo sucesso. Skank, Capital Inicial, Paralamas do Sucesso, Jota Quest e outras bandas que estouraram anos atrás, não é o que se encontra hoje em dia.

Para conseguir conversar com o gosto do público dessa nova geração, as bandas precisam se desapegar um pouco do estilo individual e particular de cada integrante em prol do conjunto e dos objetivos finais. De maneira geral, para conversar a língua do momento, muitas bandas se desprendem de fragmentos das músicas ou das melodias para poder se encaixar. No entanto, há outras que não querem abrir mão e acabam não alcançando um público maior. Tem público para tudo, mas isso não quer dizer que uma banda irá se alavancar por isso.

Apesar de todas as dificuldades desse mercado da música independente, se o músico tirar da cabeça a ideia de ficar rico e convertê-la na ideia de fazer algo criativo, mesmo com pouco dinheiro, mas com dedicação e gostando do que faz, a parte de enriquecer e fazer sucesso se torna não um obstáculo, mas uma consequência.

As Gravadoras

Por muitos anos, ter uma gravadora ao seu lado significava sucesso e dinheiro garantido. Estou falando de disco de platina, daqueles que os artistas recebiam nos palcos dos programas de televisão como o Domingão do Faustão. Acontece que do mesmo jeito que esses discos se extinguiram e foram substituídos pelas plataformas de streaming, as gravadoras deixaram de ser a peça fundamental para fazer uma banda ter sucesso.

As gravadoras deixaram de ser a única porta que se abre para o sucesso de bandas. Elas ainda são as que têm o dinheiro e são, de fato, uma grande ferramenta facilitadora, mas não são mais as únicas opções. Networking, não só no mundo da música, mas como em todos os lugares, é tudo. Se você tem contatos, eles serão uma das ferramentas mais valiosas. As gravadoras, além de dinheiro, possuem contatos. Elas também têm profissionais que sabem trabalhar nas mais diversas áreas, como o marketing e a publicidade. É um caminho que eles já conhecem e tem o dinheiro para acelerar as coisas.

O cenário, no entanto, mudou bastante. Antes as gravadoras pegavam artistas pequenos, investiam nele e esperavam o retorno financeiro que eles trariam. Hoje elas pegam artistas independentes que se consagraram dessa maneira e investem esperando o retorno. O apoio delas dá uma alavancada inicial que pode ser um fator de impulsão para a banda. Sem ela, é um caminho mais difícil, mas não impossível, considerando que a tecnologia e a internet são grandes ferramentas para divulgação.

A internet, juntamente com as plataformas de streaming, apareceu com as portas abertas para as bandas independentes mostrarem seu trabalho ao mundo. Dão aos artistas um poder de emancipação em relação às gravadoras e tem permitido fazer uma carreira mais sustentada e duradoura. Antigamente, para ser um grande fenômeno da música, você só estourava na mão de uma gravadora. Agora, com as possibilidades que a tecnologia proporciona, existe a possibilidade de você jogar sua música em uma rede social e, caso o

público goste, ajudarão na divulgação dela de forma gratuita. Assim, ela se espalha e aumenta a visibilidade dos artistas.

Um artista independente recebe pouco pela execução de sua música nas plataformas de streaming, os chamados royalties, porém ao mesmo tempo que acabam perdendo com isso, ganham a capacidade de atingir mais milhares de pessoas ao redor do mundo, gerando público e shows para conseguir cachê. Se a banda realmente for boa, as gravadoras vão ver potencial e investir.

Artistas independentes conseguem sobreviver sem apoio de gravadoras, a exemplo da Rosa Neon. Todos vivem apenas de música. Tudo bem que os diversos contatos que eles trazem de suas carreiras solos ajudam, mas provam que não somente as gravadoras possuem os respectivos contatos.

Um parêntese nessa parte para além das bandas independentes, artistas solos de Belo Horizonte, principalmente na área do rap, têm se destacado muito no mercado nacional, sobrevivendo com composições autorais e levantando públicos enormes. Estou falando do rapper Djonga, que apesar de ser um estilo muito diferente do pop e do rock, serve como influência para eles acreditarem que é possível alcançar o sucesso sozinho.

Uma dica preciosa para quem quer viver de música sem uma gravadora é estudar um pouco o panorama e se tornar um social media. Para uma banda crescer, ela precisa de público. Precisa de gente que acompanhe o trabalho e, para isso, é necessário divulgá-lo. Estudar esse meio auxilia a criar estratégias de atuação. Um dos principais papéis das gravadoras, além da parte financeira e do networking, é a de jogar você para o grande público e colocar em um status maior.

Uma alternativa para as bandas que estão começando e querem uma divulgação maior é se unir com distribuidoras, assim como faz a Chico e o Mar que trabalha com a Tratore. A empresa entrega as músicas dos artistas independentes para as plataformas de streaming, fazendo o som chegar a outros ouvintes. Aquelas playlist do Spotify, por exemplo, são muito úteis nessa divulgação, porque quem escuta outro artista acaba chegando até você. Além desse trabalho de distribuição, a empresa ajuda dando um retorno, apresentam vetores, mostram o que estão fazendo de certo, de errado e onde podem melhorar.

Se antes era difícil gravar uma música e custava muito caro, hoje você pode encontrar um estúdio bacana que cabe no bolso em qualquer lugar. Aquele seu amigo que formou em engenharia e se especializa em engenharia de áudio, vira produtor musical e constrói um estúdio muito bom. Como muitas das coisas atualmente são digitais, é muito mais fácil gravar e colocar na internet.

Independentemente de gravadora ou não, os artistas independentes sempre irão existir. Os que não permanecem nesse cenário, por vezes, são os integrantes, que justamente por isso acabam tendo um outro emprego. A vontade de fazer dar certo motiva a continuar sempre e o sonho da música não pode parar.

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Começar a semana com música e boas energias é a cara do Contramão! Hoje trazemos a última banda do Almanaque produzido pela Bianca Morais. Mas não fique triste, ainda vamos trazer conteúdos sobre o cenário das bandas independentes e muito mais!

Vamos ao show de hoje?

DAPARTE

E agora como fica Iaiá,

E agora como fico eu?

Se eu toda flor que eu tento cheirar,

O perfume é o seu.

Por um segundo fiquei sem saber

Achei que o rádio me falava de você

Numa canção de amor ouvi falar

Que eu levo a sério e você tenta disfarçar.

Quer música romântica? De sentimento? Baseadas em histórias reais? Melódica? Que fica na cabeça?

Apresento eles, a Daparte.

A Daparte tem contrato com a Sony;

A Daparte já tocou no altas horas;

A Daparte já gravou em estúdio famoso;

A Daparte já tocou no Circo Voador (um dos palcos mais tradicionais do Rio, em plena conquista do título da libertadores pelo Flamengo)

A Daparte já tocou em palco com gigantes da música;

A Daparte já tocou no Planeta Brasil;

A Daparte tem conta verificada no Instagram;

A Daparte já abriu show pro Skank e para o Cachorro Grande;

A Daparte fechou o último show do Cachorro Grande.

Se lendo isso você acha que a Daparte com toda essa bagagem tem lá seus mais de 10 anos de estrada, você está errado, a banda tem somente 4 anos e os meninos são todos jovens (nem todos) e sonhadores. João Ferreira (vocal e guitarra), Juliano Alvarenga (vocal e guitarra) e Bernardo Cipriano (tecladista) estão na casa dos 20 e poucos anos, Daniel Crase (baterista) uns 25 e o mais velho Túlio Lima, conhecido também como Cebola.

O Crase vem de crazy (aportuguesado) porque segundo os meninos ele é meio doido. O Cebola, quando criança, tinha planos mirabolantes e infalíveis, aí o irmão o apelidou assim.

Mas como uma banda tão nova conquistou tanta coisa importante que outras bandas mega famosas realmente levaram 10 anos para conquistar, eu vou contar agora.

O começo de tudo

O ano era 2015, João tinha uma banda com o Crase, a Gramofone; e o Juliano outra com o Bernardo, a Twig. As duas bandas terminaram na mesma época, porém a Twig tinha um show marcado na data do St. Patrick’s Day. Resolveram chamar o Crase, que já era amigo do Juliano, para tocar. O Crase chamou o primo, o Cebola. O João, que já conhecia o Juliano (por namorar a melhor amiga dele) pediu para entrar. E foi assim que a Daparte se apresentou pela primeira vez, mesmo ainda não sendo de fato a Daparte.

Sabe aquele grupo do Whatsapp que você tem com seus amigos? Essa é a Daparte. Todo mundo se zoa, de vez em quando briga, mas quem nunca? As personalidades diferentes se encaixam para formar a banda. Crase maluco, Bê caladão, Cebola o dentista, Ju o fofo e o João um pouco de todos e um pouco mais.

Ok, mesmo sendo um pouco de todos, talvez o João não seja dentista de fato. Mas o Cebola com certeza é formado e atuante. Nem todo mundo que está de fato em uma banda autoral consegue se sustentar somente com a música, mas isso a gente já está cansado de saber.

Agora imagina se você é fã da Daparte e se consulta com o Dr. Cebola. Privilégios.

Daparte de quem?

Quando foram tocar juntos pela primeira vez, decidiram que precisavam de um nome. O Cebola inventou um na hora, eles se apresentariam como “Seu Zeed”. Era um nome realmente muito ruim e a banda percebeu, por isso em outro show viraram o “Um Quinto”, outro nome também não muito bom.

Mas a busca pelo nome perfeito continuava. O acerto viria na terceira tentativa.

Em um show do Samuel Rosa com Lô Borges, onde estava à venda um livro que contava curiosidades do Clube da Esquina. Em um determinado capítulo contava a história do apelido entre os irmãos Lô Borges e Márcio Borges.

Um dia uma fã ligou para a casa do Márcio Borges e questionou se determinada música era “da parte de Mário Lô Borges”. Os irmãos acharam legal ela ter misturado o nome dos dois achando ser uma pessoa só e, dali em diante nasceu um apelido interno deles: “Da parte”.

Os garotos ao lerem isso acharam um nome interessante e o adotaram para a banda.

Escolha certeira (pela terceira vez).

Outra curiosidade: durante a infância, Juliano conviveu com Lô Borges e sempre via ele se referir a seu pai como da parte. Via naquilo um charme, então quando entendeu o nome não teve dúvidas. Era para ser aquele.

Se você chegou até aqui e ainda não sabe, o Juliano Alvarenga é filho do Samuel Rosa, vocalista do Skank.

Pois bem. Nome da banda ok.

Estilo musical

Influenciados pelo Clube da Esquina não apenas no nome da banda, mas em seu estilo musical, a banda carrega influência de muito rock e MPB dos anos 70. Beatles é uma das bandas favoritas em comum de todos eles.

Quando você pergunta à Daparte o estilo musical deles, a resposta vai ser Pop Rock. Agora, se você for tentar encaixar a Daparte no Pop Rock brasileiro, aquele que conta com grandes bandas como Skank, Barão Vermelho e Nando Reis, você vai se decepcionar. O som deles carrega sim essa influência, mas depois de quatro anos de muita dedicação a seu trabalho autoral, a banda vem criando uma identidade própria.

Mais próximos do que hoje chamamos de Pop Leve, aquele representado por Lagum, Vitor Kley, Anavitória e Melim, a banda mescla esses grandes sucessos atuais com a paixão pelo rock dos anos 90, como Oasis, Radiohead e Supergrass. É inspiração de todos os lados que os ajudam a criar, cada vez mais, a identidade jovial deles.

Manual de composição de João Ferreira

O ex relacionamento do João pode até ter partido seu coração, mas também serviu para boas canções. Principal compositor da banda, o músico tem consigo um caderninho em que anota seus sentimentos mais profundos e, quando necessário (ou quando o Juliano aparece com uma melodia), transformam aquilo em canção.

Assim aconteceu com a maioria das músicas desse novo disco que, por hora, está sem data de lançamento, mas com alguns singles já lançados.

Iaiá é um deles. Ela nasceu de uma melodia cantarolada que o Juliano mandou para o João e ele escreveu a letra inspirado no seu rompimento.

Iaiá é a música mais triste e mais alegre de todas. Ao mesmo tempo que você se pega cantando alto e dançando um som animado, você chora com a letra que conta como aquele alguém que você quer, não te quer.

Poxa João, eu e todo mundo que gosta de Daparte te entende e por isso que a gente gosta tanto. Quem nunca sofreu de amor nem precisa continuar, porque se em Iaiá você ainda dança, em 3 da manhã você chora junto com ele. Sabe aquela insônia que você teve quando brigou com a pessoa que gostava? Tá cantada ali.

A dupla João e Juliano, depois de trabalharem letra e melodia, mostram pro Cebola, pro Crase e pro Bê, que sempre acabam concordando.

Diferentemente desse novo disco em que os garotos se uniram para construir juntos com o estilo da banda, unindo comprometimento com a vontade de crescer, o primeiro álbum, o Charles, foi uma bagunça organizada. A banda já existia e a vontade de ser autoral sempre os motivou a escreverem suas próprias músicas, lançando seu próprio material. Foi então que os cinco decidiram que iriam lançar um disco para que as pessoas fossem aos shows e cantassem músicas deles.

Como já tinham as músicas escritas em seu particular, apenas juntaram e lançaram. Não foi um acordo de “vamos compor um disco”, foi mais para “vamos gravar um disco”.

Neste álbum, encontramos desde Guarda-Chuva, que é um pedido de desculpa do João a sua ex-namorada; A Cidade, canção que o Cebola fez com o pai; até a letra do Bê, Fênix, que não tem muito sentido, é mais uma viagem que o tecladista teve. 

No conjunto da obra, o disco ficou muito bom, fez sucesso e abriu portas para que os garotos tocassem Brasil afora.

A evolução

Sem medo do sucesso, a banda se preocupa apenas em fazer a sua arte chegar às pessoas. A cada dia que passa, evoluem mais como músicos e pessoas. A grande quantidade de shows e gravações fizeram os garotos evoluírem desde a maneira de se portar em frente a um público até em suas composições.

Quando a banda começou, João beirava os seus 15 ou 16 anos. Hoje mais velho e com mais vivências, amadureceu até mesmo em suas composições. A fase de transição da adolescência para a vida adulta deu uma visão bem diferenciada para ele, que acabou absorvendo novas inspirações e mudou principalmente a sua forma de pensar e produzir. O crescimento pessoal unido ao profissional fez todos eles criarem uma identidade única e original para a banda. Um som mais a cara deles.

A banda tem uma visão de onde querem chegar e trabalham cada dia mais para alcançar isso. Com o sonho de viver disso, a banda corre atrás de produzir material de qualidade, original e verdadeiro para, dessa forma, ganhar o mercado nacional.

E é então que aqui aparece para eles também a Sony. Diferente do trabalho que prestam para a Papa Black de distribuidora, a Sony tem um papel de gravadora para a Daparte. Esse último disco está sendo gravado com apoio de grandes produtores musicais e em um estúdio incrível.

A Daparte não quer atingir um público específico, o objetivo é alcançar pessoas acima de 0 anos e abaixo de 120, pessoas que vivem, que se identificam com as músicas. Talvez atinjam mais o público dos 20 e poucos anos que é a idade deles, mas qualquer um que já viveu uma história de amor cabe aqui.

 

*Esse produto resultado do Trabalho de Conclusão de Curso do Centro Universitário Una da Jornalista Bianca Morais.

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Crédito: DIVULGAÇÃO

Retornamos do recesso!!!! A partir de hoje estamos de volta com as nossas matérias e publicações. E para dar start na primeira postagem do ano, trazemos a Banda Duetê que faz parte do Almanaque produzido pela jornalista Bianca Morais.

DUETÊ

A autora deste almanaque que aqui vos fala pede que antes de começar a ler sobre essa banda, vá imediatamente na sua plataforma preferida de streaming e procure a banda Duetê. Em seguida, clique na música Tô na Tua e coloque no último volume.

Ok, não precisa ser no último, mas alto o suficiente para que você sinta a energia.

Sentiu de primeira? Não? Tente de novo, e de novo, e somente quando você conseguir sentir pelo menos um pouquinho de energia volta aqui, porque agora vou falar de uma das minhas bandas favoritas de Belo Horizonte, o nome dela é Duetê.

Nada do que eu posso fazer vai te tirar de dentro de mim vem dizer que é aqui que quer viver uhuuuuuuuuuuu

Todas as bandas que estão neste almanaque são muito boas e eu gosto de todas. Não queria e nem sei se poderia me dar ao luxo de escolher uma favorita, mas a Duetê com certeza tem um espaço especial no meu coração, e eu digo o porquê.

1-         Acho que eu definiria o som deles como brasilidade e isso me atraiu desde a primeira vez que escutei.

2-         Os caras são simpáticos, viu?

3-         Eles têm uma produtora muito incrível, que faz de tudo para ajudá-los a alcançar o sucesso, inclusive ser legal com todo mundo que conhece a banda.

Tem outros vários motivos, mas talvez através desses três, o sentimento de conhecê-los cresça em vocês.

Mas agora vamos falar um pouco sobre eles.

Gabriel Costa, Gustavo Rabelo (também conhecido como Peixe) e Pedro Lacerda são melhores amigos desde o colégio.

A banda de pop rock começou inicialmente como um projeto solo do vocalista, o Costa. Lá em 2017, depois de um tempo tocando em bares, ele decidiu que queria gravar suas próprias músicas, quando nasceu Natureza e Sou Litoral.

Na época, o Peixe e o Vitin (ex-integrante da banda, tecladista, saxofonista e sanfoneiro) acompanhavam o Costa pelos botecos mineiros, enquanto o Pedro Lacerda, o Lamac, estava lá na Nova Zelândia.

O Lamac voltou da Nova Zelândia, entrou na banda dos amigos e quando foram lançar as músicas, o Costa não quis assinar sozinho um trabalho que teve participação de todos. Foi então que no dia 16 de julho de 2017 nasceu a primeira banda dos meninos, Costa e os Mitos.

Curiosidade n°1: O Lamac, segundo ele próprio, aprendeu a tocar baixo uma semana antes dessa data aí em cima. Ok, provavelmente não foi uma semana antes. Mas até entrar na banda, o baixista não sabia tocar baixo. Antes de voltar de viagem ele era DJ, mas cansado da vida de mixagem, ao retornar ao Brasil e ver os amigos tocando em bares pediu para acompanhá-los com um violão ou uma guitarra, instrumentos que ele tocava. Como o Costa já tocava o violão, o Lamac pegou o baixolão do pai do Costa e falou:

“Ah, então vou tocar ele.”.

Isso mesmo, sem medo de desafios, o guitarrista pegou o baixolão, começou a se dedicar, aprendeu, comprou seu próprio baixo e hoje está firme e forte.

Fica a dica: se você tem uma banda e está faltando um integrante, não procure alguém de fora com quem você não tem uma conexão. Pegue um amigo e o obrigue a aprender a tocar o instrumento.

O baixolão ele provavelmente devolveu ao pai do Costa.

A medida que os meninos começaram a entrar de cabeça no projeto, tomando decisões, investindo dinheiro e pensando juntos, o nome Costa e os Mitos já não fazia mais sentido. Não era mais um projeto solo do Costa, mas sim um trabalho em equipe. A partir disso, decidiram mudar o nome.

Em busca de ideias para o nome da banda, a Lu, namorada do Costa e grande inspiração para canções da banda, sugeriu a eles que procurassem uma música deles que tivesse um nome legal. E daí veio a Duetê.

Duetê é uma música que conta a experiência que o Costa teve com um ser de outro planeta. Inicialmente, a música não tinha um nome. Porém, durante os shows, a galera pedia para tocar “aquela do et”; do et; du e tê.

Nesse meio tempo, o Vitin saiu da banda para seguir seus projetos.

A Duetê se formou então no dia 19 de fevereiro de 2019 com o trio Costa, Peixe e Lamac.

Provavelmente também o Vitin saiu porque não se encaixava mais na banda que é formada apenas de olhos claros, vai saber.

O objetivo dos meninos sempre foi ser autoral, compor suas músicas e gravar tudo que fosse possível, singles, EPs, álbuns e, é claro, viver de tudo isso.

Peixe e Lamac são formados em Engenharia. Peixe sempre escuta dos pais um “você acha que música vai te dar alguma coisa?”

Já Costa, o garoto rebelde, largou a faculdade de Direito e resolveu se dedicar a música. Dando aulas e se entregando com tudo a banda. No começo a mãe não gostou, mas hoje é uma das principais fãs. O pai, ao contrário, amou a ideia. Ele, que sempre quis ser músico, foi um grande incentivador do filho.

Curiosidade 2: se você já foi a um show da Duetê com certeza já viu o pai do Costa. Mas se você ainda não foi e depois de ler este almanaque já vai procurar a data pro próximo show deles, não vai ser difícil reconhecê-lo. Sempre na frente do palco, com o boné da Duetê, cantando todas as músicas. O dono do primeiro baixo que o Lamac tocou, é um verdadeiro apoiador da banda.

Dessa experiência de sair da faculdade para seguir a carreira musical que nasceu a música Valeu! da Duetê.

Valeu mamãe, valeu meu pai

Por continuar acreditando que seu filho ainda vai

Crescer e ser alguém de sucesso, por mais

Que muitas vezes não apresente progresso, eu confesso

As composições da Duetê são todas do Costa e o garoto é bom nisso. Dê uma palavra para ele que já nasce uma canção. Vamos aos exemplos (já deixa o Spotify aberto para acompanhar):

Lá fora: um dia em uma resenha na casa do Costa, entre uma cerveja e outra ele vira para alguém e pede uma palavra. Sorriso, alguém respondeu.

Vira para o Peixe e fala: canta essa palavra.

O Peixe: sorriso (leia no ritmo da música)

Dali o Costa tirou de letra o resto.

Quando vejo seu sorriso

De nada mais preciso, só consigo em ti pensar

E pelas ruas não canso de procurar

Sem saber o que tenho pra falar

Curto: A Lu, namorada do Costa, mandou mensagem para ele contando que iria cortar o cabelo. O Costa respondeu: Curto seu cabelo curto

Mais uma música saindo dali:

Curto seu cabelo curto, tô meio que viciado

É complicado sem você do lado

Não é justo seu vestido justo, aquele azul decotado

Assunto encerrado, eu tô grudado

Natureza:

Costa acorda em um sítio e vê um dia lindo. O que ele faz? Isso mesmo, música.

Havia dias que não via um dia como este dia

Havia tempos que não via um tempo como este tempo

Templo de inspiração, vou me preocupar somente

Em manter uma única vibração entre corpo alma e mente

Um dos diferenciais da Duetê são as letras, com certeza. Não são só sobre amor ou tristeza, são sons leves e fáceis de gostar. Nascem de uma palavra, de uma frase ou simplesmente de cantar algo sem letra no violão. Costa com a letra e o violão, depois o Peixe e o Lamac trabalham suas partes testando em seus respectivos instrumentos, vão para o estúdio e lá a produção fica por conta de moldar, acrescentar e dar vida aos singles.

A visão de mercado da Duetê

Diferente de algumas bandas que já apareceram aqui neste almanaque, a Duetê não se importa em, de vez em quando, precisar retirar um pedaço de uma música para torná-la mais aceitável ao gosto de um determinado público.

Com um objetivo muito centrado na cabeça, os três músicos, junto com a produtora e amiga Cristiana Corrieri, a Cris, passaram a ver a banda como uma empresa. Eles pensam na visão de mercado e apostam muito no marketing e conteúdo no Instagram para chamar a atenção das pessoas.

Desde o início da banda até hoje, eles admitem terem mudado como pessoas e profissionais, deixaram de lado a “banda com meus amigos” e adotaram uma visão de “banda que quer fazer isso para sempre”. Exigindo de si cada dia mais qualidade, quanto mais a banda cresce, mais procuram não cometer erros.

A Cris, produtora da banda, tem uma visão ampla de mercado musical e é uma pessoa de fora. O trio tinha uma visão romantizada da música, fazendo coisas criativas como queriam para mostrar ao mundo. Mas se tem uma coisa que o mercado musical não é, é romântico.

O Coto, lá da Lamparina e a Primavera, falou algo muito interessante em relação a esse mercado. Nas suas palavras, “a sociedade põe muito a música e outras artes como hobbies alternativos, só que não é nada alternativo, é profissão igual a qualquer outra.”.

Quando a Duetê toma para si uma versão de banda comercial, não quer dizer que eles vão perder a identidade, apenas que decidiram tomar um rumo que acreditam ser o certo.

Muito influenciados pela banda Lagum, como empresa, tomaram decisões e fizeram mudanças. Admitem que às vezes pode ser difícil desapegar de uma música para torná-la mais comercial, mas acreditam que trará resultado.

Quando você acredita no seu potencial e concentra seu foco naquilo, todo o esforço vale a pena.

Todas as bandas têm o sonho de alcançar seus objetivos, impactar pessoas através da música e subir em um palco e ver milhares de pessoas cantando suas canções. Como o próprio Costa já disse nos shows da Duetê é emocionante ver tanta gente cantando junto com ele as letras de músicas que compôs num pedaço de papel.

Ninguém sabe a receita certa do sucesso. Se alguém soubesse, milhares de artistas já estariam estourados por aí. Diferentes caminhos são tomados pelas bandas tentando alcançá-lo e, enquanto acreditarem no que fazem, nunca será tarde para tentar.

 

*Esse produto resultado do Trabalho de Conclusão de Curso do Centro Universitário Una da Jornalista Bianca Morais.

 

 

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*Por Bianca Morais

Se você gosta de dançar ao som do Lamparina, você também vai gostar de dançar ao som do Rosa Neon. E vice-versa.

Pop-Popular. Intitulados como safadeza suave, o som deles também pode ser conhecido como pop tropical.

Cheios de malemolência, cor, saliência.

Uma libriana, um leonino, um taurino.

Marina determinada, Marcelo debochado, Luís durão.

Todo mundo é cantor, todo mundo é compositor e todo mundo vive só de música.

Essa banda é marcada por três integrantes de personalidade marcantes e diferentes que juntos vem encantando multidões pelo Brasil inteiro e o mundo. Descritos pela revista Rolling Stones como “banda pop queridinha do Djonga”, eles foram apadrinhados pelo rapper que, assim como ele, correm muito atrás do que querem e sonham alto.

E quando eu digo alto, eu digo nível Anitta. O grupo ficou muito conhecido pela produção de um clipe por mês, assim como a cantora pop fez. Acontece que a Anitta é milionária e para ela um trabalho desses é algo comum. Agora pega uma banda independente de Belo Horizonte sem dinheiro que resolve fazer um clipe por mês.

E deu certo.

Depois da gravação do clipe Fala lá pra ela, o primeiro single da banda, eles gostaram tanto do trabalho que produziram, da correria e da raça que colocaram nele que alguém soltou ali:

“Vei, a gente tinha que fazer isso pelo menos uma vez por mês”.

No começo aquilo soou como loucura (e realmente era). Mas foi uma loucura que deu muito certo. De gênio e de louco todo mundo tem um pouco. Eles são loucos por terem tido a ideia, mas principalmente gênios por terem conseguido colocá-la em ação. Entraram de cabeça no projeto e conseguiram sucesso e reconhecimento.

O segredo por trás de tudo é ser criativo. Com ideias simples, mas inovadoras, você consegue alcançar tanta gente quanto um artista com muito dinheiro.

De novembro de 2018 a junho de 2019 a banda lançou 8 clipes (1 por mês), todos na pegada mais pop possível, trabalhados no audiovisual. Trouxeram com eles muitas referências, principalmente de artes plásticas. Junto ao pop, também uniram elementos das músicas eletrônicas, com muito beat e diálogo com músicas brasileiras.

Como eles próprios falam, suas referências vão de Caetano Veloso a Claudinho & Buchecha, de Marília Mendonça a Gal Costa. É um som diferente que em uma primeira escuta você não consegue identificar o que é. Da segunda vez também não, mas que é gostoso, é.

A primeira faixa do disco foi lançada e em menos de 24 horas tinha dado quase 10 mil views. Algo que não tinha acontecido em nenhum trabalho solo de cada um deles. A partir disso, perceberam que juntos eram muito mais fortes. A sensação de “não tem como dar errado”.

Foram lançando mais músicas e o retorno do público só aumentando, com mais views e pessoas comentando na internet.

O álbum completo foi lançado no dia 5 de setembro de 2019 e a capa prestou homenagem aos Doces Bárbaros, disco lançado em 1976 pelo quarteto: Caetano Veloso, Gal Costa, Gilberto Gil e Maria Bethânia.

Faixas:

Fala lá pra ela

Estrela do Mar

Vai Devagar

Brilho de Leão

Picolé

Embalagem

Pirraça

Ombrim

Rosa Neon

Cê Não tem dó de mim

A banda começou lá em 2018. Todos os membros, na época o Luiz Gabriel Lopes, o Marcelo Tofani, a Marina Sena e a Mariana Cavanellas (aquela do Lamparina e a Primavera), já tinham seus trabalhos e um público fiel. Dali já era um passo para o sucesso. Quando eu digo um passo, eu digo turnê na Europa. Mas falo disso mais para frente.

Foi em um show em julho daquele ano, em Milho Verde, que os quatro integrantes se apresentavam com seus respectivos trabalhos e se encontraram. Em determinado momento do show, subiram ao palco do festival que acontecia e cantaram “Rosa Neon”, uma música que a Mariana Cavanellas já tinha. No momento em que cantaram juntos sentiram uma energia, uma conexão forte, aquele arrepio na espinha. A partir dali resolveram seguir juntos.

No dia seguinte já estavam escrevendo a segunda música da banda, Estrela do Mar, sentados à beira de uma cachoeira, e então não pararam mais.

O nome da banda, claro, veio então da primeira música que cantaram juntos.

Como todo mundo já tinha outros trabalhos, eles não partiram exatamente do zero como outras bandas que contei aqui. Eles tinham público e contatos, e se você chegou até aqui neste almanaque sabe que esses são elementos fundamentais para uma banda.

Com a banda já formada, fizeram cerca de 4 shows no Brasil e foram convidados a tocar na Europa. Sim, isso mesmo, na Europa. Mas isso tem um porquê.

No começo da banda eles não tinham um assessor de imprensa, mas tinham contatos. Então criaram um mailing com todos os contatos de imprensa, festivais e produtores e mandaram os lançamentos com o release dos clipes, falando sobre a banda.

O Luiz já tocou na Graveola, conceituada banda de Belo Horizonte (confira o som deles nas plataformas de streaming), que já fez algumas turnês mundiais.

Pois bem, em um belo dia, um sujeito dono de uma rádio lá do interior da Alemanha, onde a Graveola tocou há uns 10 anos atrás, escutou o Rosa Neon e gostou.

A rádio estava organizando um festival no interior do país e convidou os músicos. Seriam quatro cidades, eles receberiam um X valor de cachê e teriam que se virar com ele.

Eles fecharam, é claro, e a turnê deu certo. Acabaram fazendo outros shows em Portugal e no final foi tudo perfeito. Levaram o nome Rosa Neon para o mundo.

Para registro, o dinheiro do cachê ficou por lá mesmo. Compraram equipamentos e garantem que voltaram felizes.

Atualmente, a banda é um trio, o Luís, o Marcelo e a Marina (Luís e Marina são um casal, mas ser vela não é um problema para o Marcelo). A Mariana saiu para se dedicar a sua carreira solo.

Os três são muito amigos e juntos exalam sucesso. Tocaram este ano no palco do festival Sensacional no Mineirão ao lado de nomes grandes como Elba Ramalho, Emicida, Baiana System e dos amigos Hot e Oreia.

Os três são a prova de que é possível, sim, viver apenas de música.

*Vale lembrar que os três também têm trabalhos solos*

Mas são três indivíduos completamente apaixonados por música e que, segundo eles próprios, não sabem fazer outra coisa. (letra maior)

A vontade de entrar em uma toca e viver como um monge por lá acontece muitas vezes. O mundo da música é cercado de muita pressão, perrengues, noites mal dormidas e show atrás de show. Mas por trás de tudo isso, existe algo significante em fazer o que ama, e é isso que mantêm os três firmes e fortes. Não existe algo que amem mais que música.

O segredo do sucesso deles é muito parecido com o da Lamparina e a Primavera, quando dizem sobre ser você mesmo e seguir sua essência. Para o Rosa Neon, muita gente segue algo que está na moda e pensa “vou fazer igual”, mas acaba morrendo afogado.

A metáfora em questão é: faça o que você gosta e, quando a onda vier, você vai surfar nela. Mas se a onda tiver passando e você tentar entrar apenas para fazer sucesso, meu amigo, você vai levar um caldo.

Rosa Neon está nessa onda, surfando da melhor maneira possível, fazendo um som diferente que agrada a muitos. São três compositores que carregam bagagem e a colocam nas letras que produzem, cada um deixando seu pedaço ali e se ajudando.

Muita música de amor e muito ginga. A gente sente muita coisa boa ao escutar essa banda. Com um base boa de fãs, eles não têm “medo de ser feliz”, se jogam, fazem o que querem, quem gostar, gostou, e claro, evoluindo, aprendendo e crescendo cada vez mais.

Agora vai lá escutar Ombrim e vê se não dá uma vontade de dançar e depois postar um foto no Instagram com a legenda: ai que delícia o verão, a gente mostra o ombrim.

 

*Esse produto resultado do Trabalho de Conclusão de Curso do Centro Universitário Una da Jornalista Bianca Morais.

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Por Bianca Morais

Matizar: Fazer passar gradualmente de um matiz a outro: a arte de matizar as cores.

Em busca de uma palavra que remetesse a mistura, a banda que não tem um estilo fixo, nomeou-se Matiza, sinônimo de misturado.

Com formação atual de Eduardo Maia (vocal), Bruno de Maria (vocal e guitarra), Pedro Martins (baixo e vocal), Lucca Azevedo (guitarra) e Flávio Marcos, o batata (bateria e percussão), a banda define seu som como pop progressivo, um derivado do rock progressivo, o prog.

Para conhecimento geral, o Batata tem esse apelido porque a irmã dele tinha apelido de batata e antes dela o irmão dele teve apelido de batata, e antes dele a outra irmã teve apelido de batata. Todos estudaram no mesmo colégio e o apelido é de família.

Não só Batata tem nesse almanaque, mas segura mais um pouco que lá na banda Daparte aparece um Cebola. Só continuar lendo.

Agora, se assim como eu, você nunca havia ouvido falar desse gênero, e achava que prog era algo relacionado a eletrônica, deixa eu te explicar um pouco sobre.

O progressivo é um estilo de música que surge quando o artista mistura muitos estilos. Tem a ver com a ideia de pegar coisas e tentar juntar de forma a criar algo novo, independente. É como se fosse um rock alternativo, se assim ficar mais fácil para você entender. Porém, como a banda anda bem distante do rock e não tem muita guitarra distorcida. Não dá para classificá-la dentro do rock e seus subgêneros, por isso se enquadram numa pegada mais pop.

O principal compositor da banda, o Bruno, carrega consigo grande influência do MPB. Inclusive, ele tem um projeto solo de Bossa Nova. Escutem Samba da Bahia, nas plataformas de streaming. Os arranjos e melodias bases elaborados pelos outros integrantes da banda seguem influências de todos os lugares que já passaram e músicas que escutaram.

Quando você escutar Matiza, o termo progressivo irá vir a sua cabeça de primeira, porque a sonoridade deles remete a muita coisa que provavelmente você já ouviu durante sua vida, mas ao mesmo tempo consegue ser bem diferente.

É, não dá para explicar muito além disso, mas dificilmente uma banda consegue classificar e enquadrar o seu gênero dentro de um só, de primeira.

Pode ser que você diga que te lembram 5 a Seco ou Jorge Vercillo. Alguns arriscam que os vocais das músicas, principalmente do primeiro EP, que tem muito vocal com três ou quatro pessoas cantando ao mesmo tempo, relembra a música mineira de antigamente, aquele MPB do Clube da Esquina e Milton Nascimento. De mineiro também são comparados a 14bis.

Se assemelham a banda britânica Yes por conta do rock progressivo.

Agora, para finalizar essa classificação das influências, segundo o baixista Pedro, se Incubus fosse mineiro, seriam iguais a eles.

Enfim, depois que você escutar e chegar a alguma conclusão, conta para eles que irão adorar saber.

Comparações a parte, a banda é uma mistura de influências que cada integrante traz em sua bagagem. Tem Tame Impala e Avenged Sevenfold (principalmente nas guitarras e solos) vindos do Bruno e do Lucca. Tem Pink Floyd e Boogarins do Batata, tem o soul e o black music vindos do Pedro e o Dudu gosta de música nordestina.

A banda nasceu em 2017, logo após um encontro por coincidência entre os amigos Bruno e Edu (mais uma para a série: “BH é um ovo”).

O Bruno tocava em uma banda cover de Avenged Sevenfold e o Edu foi assistir. Depois do show foram conversar e ali resolveram fazer uma banda de música autoral. Sem mais delongas, foi isso.

A banda começou a ensaiar em agosto daquele ano e fizeram seu primeiro show em outubro de 2017, em uma sexta-feira 13. Data meramente ilustrativa, nenhum azar tiveram, apenas o de não conseguir tocar um repertório 100% autoral. Atire a primeira pedra uma banda que nunca tocou um cover para vender show.

Mas nem os covers deles são normais, eles colocam a parada do progressivo até nisso.

Depois do primeiro show como Matiza e tocando cover, as composições já estavam a todo vapor. Dali para frente, aos poucos foram conseguindo encaixar o autoral no repertório.

Pedro e Batata ainda não estavam na banda, nessa época seus lugares pertenciam ao Vitão no baixo e Vivi na bateria.

O Vitão precisou sair por problemas pessoais e por indicação de um amigo em comum, o Pedro entrou na banda.

O primeiro contato do Batata com os meninos foi em um festa de Halloween da engenharia elétrica da UFMG. Batata, já formado, estava ajudando seus calouros a organizar a festa. Foi então que chegou uma banda com o instrumentos na mão e perguntaram:

“Quem vai montar o palco para nós?” (Caso não tenham pegado, a banda era a Matiza)

O Batata olhou para seus calouros, seus calouros olharam para ele e rolou um “ferrou”.

Porém os olhos de Batata era apenas para assustar os garotos, já que ele é engenheiro de áudio e manja tudo do assunto.

Foi lá, arrumou o palco, regulou o som durante o show, sucesso.

Ali a banda conheceu quem seria seu futuro baterista quando o Vivi precisou se mudar para São Paulo a trabalho.

Em determinado momento da trajetória, sentindo falta de mais som, chamaram o Lucca para ser o segundo guitarrista.

Desde o começo até hoje muita coisa mudou, a banda foi criando mais familiaridade com seu som e cada dia mais levando o projeto com mais seriedade. Se antes era tudo festa, hoje ainda é festa, só que também é trabalho, e muito trabalho. Se no início a grana de cachê era repartida igualmente para os membros, hoje eles que lutem porque toda grana que fazem vai diretamente para o caixa da banda que é usado para produzir, lançar música e fazer marketing digital. A seriedade com que levam a banda é algo que mudou muito ao longo do tempo.

Ainda em busca de saber qual é o público alvo da banda, trabalham com anúncios de Facebook ads e no Instagram. Procuram direcionar as músicas para os mais diferentes grupos, analisando como esse público responde aos anúncios, aos vídeos e buscando resultado para entender quem gosta do conteúdo.

Assim como a Chico e o Mar, a Matiza também conta com o apoio de uma distribuidora de música, a Distrokid. Hoje tudo é online e o Spotify e Deezer, por exemplo, são a melhor maneira de divulgar seu trabalho. Essas empresas tomaram o papel das gravadoras e o contrato que antes se fazia com elas, pode ser feito agora com as distribuidoras que colocam suas músicas na plataforma de streaming. Dentro do mundo musical, existem rumores de que em um futuro bem próximo, até mesmo essa distribuição deixará de existir e as bandas terão contrato direto com os streamings.

Atualmente, poucas são as bandas independentes que realmente almejam tocar nas rádios, porque se tornou algo muito difícil de se atingir, principalmente se você parar para escutar as músicas que são tocadas em rádio. Existe uma determinada fórmula, músicas com menos de 3 minutos, refrãos mais simples e fáceis de decorar.

A Matiza é um exemplo de banda que resolveu por não se adequar ao mercado da música comercial. Quando você escuta um som deles, entende de cara o motivo disso. Eles contam com muitos elementos específicos; tem dueto, solo de guitarra, de baixo. Mesmo sabendo que isso não deixa a música atrativa aos olhos comerciais, os meninos preferem fazer a música deles, lançar do jeito que ela é, do jeito que gostam e depois descobrirem quem vai querer ouvir.

Aconteceu isso com o último lançamento da banda, Noite em BH.

“E nós em paz, a noite em BH

Sobe-desce Bahia

De amores que eu vivi”

Inicialmente, a ideia era fazer um pop palatável, que cairia na graça do povo, quem sabe das rádios (indo contra seus princípios). Não demorou muito para a banda ver que não era o que queriam. Bruno chegou com o final instrumental da música, dois solos de guitarra, no meio dobra a guitarra, tem solo do Lucas primeiro, depois tem mais solo do Bruno, depois os dois dobram juntos.

É muita guitarra. Agora já imaginou se isso se encaixaria em um padrão comercial? Jamais. Nem um pouco preocupados com isso, bateram o martelo e soltaram do jeito que queriam.

Particularmente, que música boa. Só não ganha de Tropical Gin (a minha favorita).

Noite em BH foi composta pelo Bruno para sua namorada. A lírica é sobre um romance na cidade de Belo Horizonte. Que belorizontino nunca teve um amor que subiu e desceu Bahia? Quer banda mais mineira que isso?

Outra curiosidade é que a música veio primeiramente do projeto solo de bossa nova dele, mas ao cair na mão do Batata, Pedro, Dudu e Lucca, ganhou uma dimensão completamente diferente.

Assim como Noite em BH e Tropical Gin, a banda é cheia dessas músicas que vão te envolver e levá-lo para uma parada bem diferente de tudo que você está acostumado a ouvir. São sons experimentais, de viajar na música mesmo. Vale a pena conferir.

 

 

 

 

 

*Esse produto resultado do Trabalho de Conclusão de Curso do Centro Universitário Una da Jornalista Bianca Morais.

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Venha conhecer mais sobre essa banda que é destaque no cenário musical de BH

*Por Bianca Morais

A velha guarda do rock belorizontino foi representada neste almanaque pelo trio de bandas parceiras, os “frendes” que estão nessa estrada há mais de 10 anos. O estilo rock tem sumido e não que ele esteja morto, mas é cada vez mais raro você ver aqueles meninos de 17 ou 18 anos, amigos de colégio, formarem uma banda de rock. Em meados de 2014 e 2015 houve um boom desse fenômeno, mas hoje a frequência é muito menor. Os jovens de hoje se influenciam por outros tipos de música. Por isso, quando apareceu a Chico e o Mar, a Devise vibrou.

Quem é Chico e o Mar e porque eles cativaram as bandas de rock de BH, eu vou contar agora.

O nome da banda Chico e o Mar não nasceu do Rio São Francisco que deságua no Oceano Atlântico. Na verdade, nasceu de um brainstorming de ideias vindas de uma noite qualquer na cobertura do apartamento do vocalista Daniel Moreira, onde estava ele, o Caio Gomes, baterista, o primo Paulino e o Jairo da banda Young Lights.

*Escutem Young Lights nas plataformas de streaming. A banda, além de parceira dos caras da Devise, também apadrinhou a banda Chico e o mar e serve de muita inspiração para os garotos.*

A banda precisava de um nome e de uma coisa eles tinham certeza, queriam algo brasileiro e leve. O avô do Dan se chama Chico e o vocalista sempre quis colocar o nome dele em algum projeto. Pois bem, a noite terminou e no dia seguinte o Jairo mandou uma mensagem pela manhã para o Dan escrito “Chico e o Mar”, e foi isso. A banda agora tinha um nome para se apresentar.

Você quer algo mais brasileiro que o nome Chico e mais leve do que a palavra mar?

Ao longo do tempo, o nome começou a tomar outras proporções. No início, era algo que foi criado na pressa para suprir a demanda da banda de ter um nome, mas com a entrada dos outros integrantes foram atribuindo novos significados. Quanto mais o grupo de cinco garotos se conhecia e trocava experiências, mais o nome ganhava sentido diferente na cabeça de cada um. O mar é algo infinito, que nos faz navegar por oceanos desconhecidos e descobrir novas coisas. O nome é amplo e permite descobrir novos caminhos a cada dia.

A Chico e o Mar é uma banda independente que vem buscando sempre fazer as coisas com sua cara e encontrar o espaço dela no cenário. Nunca gostaram de tocar covers. Eles têm uma ideia muito forte de que você tem que ir a um show deles, escutar as músicas e depois de três ou quatro shows você já vai saber cantar todas suas músicas e gostar do trabalho deles. E eles estão errados? Claro que não. É muito comum bandas com medo de se arriscar no cenário musical e, por isso, acabarem colocando covers no repertório para agradar ao público. A Chico não quer isso. Eles não querem que vocês gostem deles por músicas de terceiros e o tempo que gastariam treinando música de outras pessoas, eles preferem gastar trabalhando nas próprias músicas.

Destemidos, eles sempre estão em busca de mostrar que BH não é somente o circuito do rock com banda cover. Eles querem ser a resistência, um grito de “tem música boa em BH”.

Com dois anos de banda, eles tem se sentido mais à vontade para percorrer diferentes cenários musicais. Se você escutar a primeira música “Vida” e a última “Afogado”, vai ver que eles deixaram de ser aquela banda que tocava somente romance e passaram a abordar novos temas como amizade, coisas que gostam de fazer juntos, um dia legal, trocas e relações familiares.

É muito gostoso escutar Chico e o Mar, principalmente se você é um jovem de 16 a 24 anos, porque você consegue se enxergar nas experiências. Ao longo do tempo, a nossa narrativa de vida muda, conforme vamos vivendo e ganhando experiência. Tem períodos que você passa por um término de namoro e outros que você está feliz com a vida.

Como tudo começou

Daniel Moreira tinha um projeto solo, mas ele não queria ser solo, queria os amigos perto dele. Foi então que lá em 2015 uma amiga em comum apresentou o Dan vocalista para o Caio baterista, já na intenção de que dali iria surgir um cunho musical. Acontece que além da música, nasceu uma amizade muito íntima e os dois começaram a construir juntos o sonho de uma banda.

Da primeira formação até hoje, muitas coisas mudaram. Com o primeiro baixista, o Bode, a Chico apresentava um som bem diferente, algo mais dark, que dizia muito a respeito do que passavam na época, adolescentes vivendo um contexto caótico (quem nunca passou por problemas na juventude, não é mesmo?). Mas esse som mais pesadão não deu certo e o Bode resolveu meter o pé.

Caio e Dan não desistiram do seu objetivo e pelo caminho encontraram o Calil, onde nasceu a segunda versão da Chico. O Calil era um tunisiano, não falava português, muito classudo no seu modo de tocar. Caio e Dan eram músicos que queriam se expressar pela música, colocar suas coisas no mundo e todo aquele perfil técnico do baixista não se encaixava a eles. O ritmo não inseria, mas era o que tinha para o momento.

Nesse meio os irmãos Guilherme Vittoraci e Gustavo Vittoraci entraram na banda trazendo consigo uma sintonia muito forte. O Caio tocou em igreja durante muito tempo de sua vida, o Guilherme e o Gustavo também. Tocar todos os finais de semana para um determinado público trouxe para eles muita segurança e capacidade de improvisação. Por isso, no primeiro ensaio deles rolou aquele clássico jam que durou uns 10 minutos e no final um olhou para o outro e falou “NU, que doido!”.

A Chico começava a crescer, mas ainda faltava um elemento, já que o Calil resolveu seguir seu caminho, pois viu que ali já não cabia mais.

Coincidências engraçadas, BH é um ovo. Lembra daquele encontro de rua que fez o Leo e o Rapha da Ous terem a ideia de voltarem com a banda? Então, aparentemente encontros ao acaso são muito mais comuns no mundo da música do que parece. Porque foi em uma ida à academia para cancelar sua inscrição que o Dan encontrou o Gabriel Frade.

Pois bem, quem é Gabriel Frade? O Frade é músico profissional há um tempão, já tocou em um milhão de bandas e foi desses rolês que ele conheceu o Dan. E ele também já estudou com o Guilherme lá em 2015. Ou seja, ovo.

No encontro na academia, o Dan contou para o Frade que estava procurando um baixista e o chamou para um ensaio. Frade enxergava no Dan uma determinação e vontade de crescer rápido e, por isso, foi todo nervoso para esse ensaio. Se preparou como se fosse uma entrevista de emprego, com medo. Mas deu certo. E até hoje ele está aí.

A chegada do Frade trouxe à banda um conhecimento de mercado. Eles já tinham músicas, ensaios, mas a chegada dele foi como sair da imaturidade e procurar se profissionalizar.

Os meninos não se conheceram no colégio, mas a vida os uniu e os fez compartilhar de uma amizade muito forte que qualquer um que acompanha a banda um pouco consegue perceber. As capas dos singles sempre são eles tumultuados, juntos, um em cima do outro. No Instagram, as fotos demonstram o carinho que têm um pelo outro, abraço, beijo no rosto, arrumar o cabelo, abotoar o botão da camisa, coisas simples de convivência que criaram e demonstram muito o que a Chico e o Mar é: jovens garotos com um sonho em comum e uma amizade linda.

As composições

As músicas da banda na maioria são composições que o Dan trouxe com ele da sua carreira solo e então os cinco repaginaram para a versão Chico e o Mar. Antes era uma versão mais Dan, mais grunge e a Chico colocou aquela pegada divertida, alto astral, leve, brasileira, dançante. Eles são o que eles próprios chamam de Indie Pop dançante.

Dan e Gui tem uma capacidade de composição rápida. É algo muito orgânico, depois que sai das mãos deles, o Caio pensa em um riff e uma melodia e em seguida vai para o Frade e para o Gui contribuírem.

A história por trás da música Vida:

Vida é uma canção que representa muito a ideia de como as letras que o Dan trouxe da carreira solo foram transformadas pela banda em conjunto. Ela nasceu de um romance que ele viveu, um relacionamento que ia e voltava (claro que você está passando ou já passou por isso, certo?).

“Claro que não vou te deixar

Para de pensar assim

Deixa o coração guiar

Segue o que ele mandar”

No final ela foi embora, o relacionamento acabou e o Dan estava solteiro, mas não sozinho, porque a vida o trouxe o Caio, o Gui, o Gu e o Frade. Juntos eles mudaram a melodia daquela canção e adicionaram um detalhe ao final.

“Mas não é você quem vai me fazer feliz

Não é você quem vai me deixar aqui”

Foi importante contar que depois de tudo positivo que a música trouxe, o romance acabou. Estamos acostumados a não querer que as coisas vão embora, mas uma hora acaba acontecendo.  A música então serve como abraço, um consolo para esses corações partidos.

Mas não só de tristeza e melancolia vive a Chico e o Mar. Sereno, a segunda música, já tem algo mais dançante, flertando com o pop.

A banda não se prende a estereótipos. Sempre se expressam da forma que querem e autenticidade é uma palavra boa para definir. E por falar em autenticidade, a banda já foi campeã de uma Sessão Autêntica, evento que acontece na casa Autêntica. Falaremos dela mais para frente.

Festa é uma pegada mais orgânica e lenta, com inspirações no Clube da Esquina. Carnaval é uma música mais animada. Já o último lançamento, Afogado, quebra todas as expectativas, ritmo lo-fi, baixa produção. O Gui fez o beat do celular e o Dan gravou em um fone de 10 reais. Mesmo assim, a música bomba nas plataformas de streaming.

A relação com os fãs

Se você está procurando uma banda para ser fã, a Chico e o Mar é uma ótima opção. Eles vão te tratar como amigos, trocar ideia com você e te chamar para beber junto antes dos shows. Como eles denominam o rolê, “Chico e o bar”. E se depois do show você ainda estiver animado, pode encontrá-los pela Savassi para beber mais e se divertir.

A banda é construída em um conceito de amizade e, por isso, eles tentam quebrar a ideia de ídolo e tentam se aproximar dos fãs pela interação. “Chico e o zap” é o grupo de Whatsapp onde eles realizam uma troca mais íntima com quem curte o som deles. Esse público apresenta um retorno muito positivo ajudando a banda com divulgação, seja comparecendo em shows, divulgando clipes novos ou filtro do Instagram.

A ideia de Economia Colaborativa:

A Chico e o Mar é uma banda jovem, cheia de energia e vontade de produzir o novo. Porém, jovens e estudantes no começo da carreira, passam pela famosa dificuldade de todas as bandas independentes: a grana.

Acontece que a geração Z de mentes jovens e revolucionárias como a Chico e o Mar aprendeu como administrar essa situação a seu favor. Com a noção de economia colaborativa, a banda aprendeu a abraçar quem está por perto, fazendo trocas com as pessoas que estão no cenário da arte.

Belo Horizonte sempre foi um lugar de muito fluxo de produção. Principalmente em um momento que existem olhos voltados para a capital mineira, a ideia de pessoas produzindo em conjunto, crescendo e ganhando visibilidade é algo muito importante.

Ao invés de pensar no melhor fotógrafo da cidade, a banda vai em busca de pessoas que eles acreditam que são boas e possam trabalhar de forma colarativa com eles. Todos ganham. A banda tem crescido para fora da capital mineira, por isso, o trabalho de quem os ajuda também.

 

*Esse produto resultado do Trabalho de Conclusão de Curso do Centro Universitário Una da Jornalista Bianca Morais.