Futebol

0 306

Campo alagado não impede o balançar das redes no primeiro final de semana do torneio no Vale do Jatobá

Por: Helen Oliveira

Fotografia: Moises Martins, Henrique Campelo

 

Faça chuva ou faça sol, já sabemos que domingo sem futebol não combina e, o que não faltou no segundo dia do Taça das Favelas foi bola em campo.  Os jogadores foram recepcionados pelos moradores do bairro que jogavam uma “Pelada”, sem juiz ou apito, apenas passes, marcação e o balançar das redes.   

Jovens de 24 comunidades de Belo Horizonte levantaram poeira do estádio de terra batida, que se tornou cenário de espetáculo do futebol amador. A estreia do time Paulo VI no torneio foi com direito à goleada de 5 a 0 sobre o Taquaril. Com esse resultado, o técnico do time Rubens Santos emocionado declarou: “hoje não quero nem dormir para continuar sonhando de olhos abertos”. Sem conter as lágrimas, o treinador não poupa esforços para agradecer e elogiar a equipe, como estreantes deixaram marca registrada. O recado foi dado: “viemos para levar a taça” afirmou.

 

As partidas seguiram durante a manhã até que a chuva chegou, inesperada. No campo Conjunto Santa Maria e Morro das Pedras. Transcorrendo tranquilo, o jogo mudou com o campo inundado. Mas, não seria uma chuvinha a pôr fim à esperança de vitória dos competidores. Mais que driblar os adversários, os jogadores também se esquivavam das poças d’água que se formaram.  A vitória ficou com o Morro das Pedras por 2 a 0 sobre o Conjunto Santa Maria, ambos da região Leste de Belo Horizonte.   

“Em torneios como este são escolhidos dois ou três jogadores com talento para participarem de testes em clubes de futebol profissional”, afirma o olheiro técnico Gilmar Francisco.  No entanto, a qualidade dos jogadores surpreendeu Gilmar, que não esperava encontrar em apenas um dos jogos três revelações.

André Luiz, Isaque Dias e Gabriel Felipe deram show de bola em campo representando o mesmo time vindo da  Ventosa. O desempenho dos rapazes se refletiu no placar de 4 a 0 sobre o Granja de Freitas. Como o evento segue nos finais de semana de abril, outros talentos podem ainda ser encontrados.

0 368

Da redação.

Fotos: Moises Martins
Equipe de reportagem: Elouise Marcelino, Fabiana Meireles, Janine Christie Sant’Ana e Lorrany Moreira 

Que as mulheres vêm conquistando espaços que, até então, eram dominados pelos homens, todos já sabem. Mas a novidade aqui é que elas foram as primeiras a balançar as redes no templo sagrado do futebol, no início da segunda edição da Taça das Favelas, em Minas Gerais, no último sábado. As seleções femininas Minas Caixa e Aglomerado da Serra fizeram a abertura dos jogos, que reúnem 32 equipes nas modalidades masculina e feminina, durante os finais de semana do mês de abril.

Nos minutos iniciais da partida de abertura, o primeiro gol do campeonato foi de Nayara Rosa de 19 anos, do Minas Caixa. A atleta entra para a história desta edição do campeonato por inaugurar o placar da competição e por ser responsável por alavancar seu time rumo à vitória de 2X1 contra seu adversário. A partida foi acompanhada com entusiasmo por moradores, jogadores e olheiros, no pequeno campo de futebol, no bairro Vale do Jatobá, na região do Barreiro. 

Um pouco mais tarde, com as equipes masculinas no gramado, a empolgação e esforço dos atletas mantiveram o interesse e o apelo emocional do público. Uma goleada protagonizada por uma trinca de jogadores e, também, a informação de um possível gol contra, estimulou o time a buscar a vitória. Ao final, Vila Tiradentes tremeu as redes cinco vezes. 

O dia que começou tranquilo, no decorrer dos apitos, bandeiradas, faltas e muitos passes de bola, logo foi tomado pela força dos cantos e gritos de guerra. E, embora exista uma máxima que diz que futebol e religião não se discutem, antes de cada partida, uma roda de orações entre os jogadores reforçou, no primeiro dia do torneio, um costume já consagrado entre os clubes da região. Ao final do dia, um clima de festa predominou entre times, torcedores e moradores da bairro. A Taça das Favelas é realizada pela Central Única das Favelas e, além da competição, é também vitrine para novos talentos e lazer para os apaixonados por futebol. 

 

0 410
Foto: Acervo Infraero

Um artista que usava os pés como pincel e com um talento inigualável. Ainda criança, Eduardo Gonçalves de Andrade virou Tostão e encantava quem o acompanhava. Deu os primeiros passos na carreira como profissional no glorioso América, e aos poucos o franzino de 1,72 começou a alçar voos mais altos.

Em épocas de chuteiras pretas, salários nada exorbitantes e puro amor à camisa, Tostão conseguiu se destacar como protagonista, em uma safra onde não tinha espaço para os coadjuvantes. No Cruzeiro foi soberano sendo o maior de todos, encantando até os mais cépticos e distantes do futebol. Já vestindo a amarelinha, conquistou e encantou o mundo ao lado de um verdadeiro esquadrão que contava com Gérson, Rivelino, Jairzinho e o inigualável Édson Arantes do Nascimento, ou simplesmente Pelé para os mais íntimos.

Gênio dentro e fora de campo, recentemente Tostão completou 70 anos. Seja como armador, ponta-de-lança ou centroavante, era um jogador completo na acepção da palavra e mostrava uma elegância inigualável com a bola no pé. Com sua aposentadoria precoce, aos 26 anos, devido a um deslocamento de retina, o futebol brasileiro perdeu um grande craque dentro das quatro linhas, porém ganhou um excelente cronista esportivo. Algo que era natural, devido ao vasto intelecto e conhecimento esportivo adquirido durante uma década de carreira.

Após esse relato, alguns podem me perguntar: você o viu jogar? Realmente não tive essa felicidade, porém o amor pelo futebol e a paixão pela história e pelo talento demonstrado por esse gênio dentro das quatro linhas, me impulsionaram a escrever esse texto. Enfim, feliz de quem o viu.

Por Mateus Liberato

0 424
Foto reprodução

Na madrugada desta terça (29) veio ao conhecimento de todos os amantes do futebol, uma notícia que ninguém espera receber antes de sair de casa. Quando nos preparávamos para mais uma semana quente de bola rolando veio a bomba: O acidente envolvendo o avião que transportava o time da Chapecoense para Medelín. Lá, o clube catarinense iria disputar o primeiro jogo da final da Copa Sul-americana contra o Atlético Nacional.

No vôo, havia 81 pessoas, nove tripulantes e 72 passageiros. Dentre eles, jogadores, comissão técnica, dirigentes e jornalistas. Os únicos sobreviventes do vôo foram os jogadores Alan Ruschel (lateral esquerdo da Chape), Neto (zagueiro) e Jakson Follmann (goleiro reserva); a aeromoça Ximena Suárez, o mecânico Edwin Tumiri e o jornalista Rafael Henzel.

Foi um golpe duro, nesses momentos em que as pessoas normalmente param e percebem não só como a vida é muito frágil, mas também como as pessoas que mais amamos podem não estar mais conosco de um dia para o outro. Acima de tudo eram vidas, e isso não tem valor mensurável.

As pessoas que mais se comoveram foram àquelas ligadas ao esporte. Rapidamente foram surgindo nas redes sócias movimentos e mensagens de apoio e solidariedade às famílias e os envolvidos no acidente. Os clubes brasileiros alteraram sua imagem de perfil para o escudo da Chapecoense em preto em branco em forma de luto. A rashtag #ForçaChape foi trending topics mundial no Twitter, com mais de 195mil Tweets.

Principalmente os torcedores, fizeram com que a internet se tornasse um mar de homenagens às vitimas. Em Liverpool, a torcida local cantou sua música mais famosa ‘You will never walk alone (Vocês nunca estarão sozinhos, em tradução livre) antes do minuto de silêncio. Na Suíça, a torcida do Copenhague ergueu uma faixa em português escrita: “estamos todos juntos com você, Chapecoense”. Na Colômbia, a torcida do Atlético Nacional que faria a final com a equipe brasileira se reuniu em seu estádio na hora marcada para a partida e cantaram uma música criada para a ocasião: “Que escutem em todo continente, sempre recordaremos da campeã Chapecoense”.

Mas além da dor e comoção pela perda de vidas, houve também uma preocupação de muitos amantes e profissionais do esporte com relação ao futuro do clube catarinense. Mas a preocupação sobre a continuidade das atividades do alviverde catarinense não duraram tanto. A CBF decretou luto oficial de sete dias e remarcou todas as partidas do futebol brasileiro. Os clubes brasileiros rapidamente se mobilizaram e no começo da tarde foi publicada uma nota oficial nos sites de vários deles se disponibilizando a emprestar jogadores para a Chapecoense a custo zero. Também solicitam a entidade máxima do futebol brasileiro, que conceda isenção de rebaixamento á Chape por três anos.

Fora do país, houveram outras ajudas oferecidas. O Benfica, de Lisboa, por meio do site oficial se dispôs a dar apoio na criação de condições para minimizar as perdas no acidente. No Paraguai, o Libertad emitiu nota disponibilizando todo o time titular para qualquer evento esportivo. O Atlético Nacional de Medelín, também em nota, sugeriu a Confederação Sul-americana de Futebol (Conmebol), que entreguem o título da Copa à Chapecoense em homenagem póstuma às vítimas e assim, o dinheiro do prêmio também fique com o time de Santa Catarina.

Além de apoio pelas redes, torcidas de diversos times brasileiros estão se mobilizando para ajudar também de forma financeira. Um torcedor do Grêmio que mora em Curitiba sugeriu no Facebook que torcedores se associem ao clube alviverde de Chapecó. Até as 18h00, a publicação já passava de 1600 compartilhamentos. Essa e outras campanhas estão surgindo na rede com iniciativa dos próprios torcedores de outros clubes que desejam ajudar para que o clube possa se reerguer depois de tal tragédia. Há também diversas mensagens incentivando a compra da camisa oficial do clube em forma de ajuda, mas até o momento do fechamento deste texto, nenhuma campanha foi oficializada.

O time de Chapecó já vinha conquistando a simpatia de torcedores de todo o país pelo exemplo de boa gestão e bons resultados em campo. Vale lembrar que é um clube com orçamento muito menor que os principais clubes do país e, em seis anos, saiu da quarta divisão do futebol nacional e alcançou a Série A, sem nenhum rebaixamento.

A Chapecoense fez uma campanha histórica, primeira final de torneio internacional, uma história com capítulos extremamente emocionantes e contornos épicos e que infelizmente não teve um final feliz. O time que vinha sendo comparada com o campeão inglês Leicester (que foi zebra e campeão) agora é comparado aos Mamonas Assassinas, que no auge da carreira, também nos deixaram em um avião rumo aos céus.

A parte mais importante para os fãs do futebol foi descobrir e testemunhar, mais uma vez, que o mundo da bola ainda respira, por mais que tenha perdido um pedaço. E que, mais do que nunca, não se trata apenas de um jogo.

#ForçaChape

Por Pedro Rodrigues

Na tarde do dia 20, domingo, pôde se escutar muitos gritos de “Eagles! Eagles!”, e “Lô-comotiva!”, vindos da Arena Independência, Belo Horizonte. Era uma partida de futebol, mas desta vez, quando o público olhava para o campo não encontrava goleiro, bandeirinha ou o atacante preferido. Nada disso fez falta! O estádio recebeu um jogo épico, daqueles momentos que marcam gerações, sendo ela de atletas ou torcedores. Seja bem vindo, Futebol Americano!

No jogo de abertura do Campeonato Mineiro de Futebol Americano, o experiente Minas Locomotiva venceu o estreante Get Eagles. O placar da partida ficou estampado no rosto de cada torcedor, de maneiras diferentes: com expressões de conquista, felicidade, orgulho e paixão.  O resultado foi se desenhando a cada bola arremessada ou agarrada, e a vibração que vinha da arquibancada sinalizava que o vencedor já tinha sido definido. Vitória da bola oval!

Com três touchdowns em sequência, o Locomotiva mostrou porque é bicampeão do torneio e abriu o placar com 21 a 0 no primeiro quarto. A reação do Eagles começou no segundo quarto,com um TD e um field goal, 21 – 10. A partir daí, o jovem time de azul, jogou como o atual campeão da Copa América de FA deveria jogar, impôs seu ritmo e igualou forças. No fim do jogo, a diferença chegou a ser de apenas três pontos e arrancou fôlego dos torcedores. Porém, a experiência e a força da Locomotiva de Minas prevaleceram, e o placar final ficou 34 – 24.

Ao final dessa experiência, em poucos segundos, o belo gramado do Independência, recebeu uma grande festa dos jogadores e envolvidos. Ficou o gostinho de quero mais, e os exemplos de companheirismo, respeito e ética.

Este slideshow necessita de JavaScript.

 

Texto: Victor Barboza
Fotos: Victor Barboza e Ítalo Lopes

Na abertura da 3° edição do Campeonato Mineiro de Futebol Americano, Get Eagles e Minas Locomotiva se enfrentam na Arena Independência, domingo, às 14h. Os dois mais estruturados times da modalidade em Belo Horizonte, vivem a expectativa de jogar no estádio, que é palco de grandes jogos no Campeonato Brasileiro e na Copa Libertadores de futebol.

O esporte tem crescido consideravelmente nos últimos anos no Brasil e agora, tem tido espaço nas pautas esportivas, apoiados pela Federação Mineira de Futebol Americano (Femfa), e em parceria com a Secretaria de Estado de Esportes (SEESP).

Para Ítalo Mingoni, atleta do Minas Locomotiva, o futebol americano está sendo cada vez mais apreciado pelos amantes de esportes. “O football é hoje o carro chefe de um dos principais canais de transmissão esportiva do país com bastante audiência. Esse crescimento nacional é refletido em nosso estado e temos muita procura de pessoas querendo praticar e assistir os jogos”, relatou Mingoni.

Equipes

Get Eagles: Fundado em 2014, é a primeira equipe de orientação cristã a praticar o esporte no Sudeste Brasileiro. Na primeira partida de sua história, o time fez uma grande festa contra o Nova Friburgo Yetis e contou com o apoio de mais de 2 mil torcedores no SESC Venda Nova. Em janeiro deste ano, o grupo conquistou a Copa América de FA, em Huixquilucan, no México.

Get Eagles
Get Eagles

Minas Locomotiva: A equipe foi fundada em 2006. No início de 2008, o time participou do seu segundo torneio interestadual, em Vila Velha-ES. Com a atuação de 50 jogadores o time conquistou a terceira posição no campeonato. Nesse mesmo ano, a equipe foi efetivamente registrada e tornou-se Associação Desportiva Minas Locomotiva.

Minas Locomotiva
Minas Locomotiva

No ano de 2009, a instituição conquistou o primeiro Campeonato Mineiro de Futebol Americano, o Minas Bowl, já em 2010, a equipe participou da primeira Liga Brasileira de Futebol Americano que teve a participação de 14 equipes de diferentes estados do Brasil. Em 2013, o time participou pela primeira vez do Torneio Touchdow e nos dias de hoje é a única equipe mineira participante da competição (Touchdow).

Por Victor Barboza

Foto: Divulgação GetEagles/MinasLocomotiva e Jornal Hoje em Dia