Entrevista

0 208

Devise é uma banda de rock independente de Belo Horizonte, formada por Luís Couto (vocal), Bruno Vieira (guitarra), Daniel Mascarenhas (bateria) e Bruno Bontempo (baixo), que há nove anos vem encarando o mercado da cena autoral mineira, trazendo composições originais com influências desde o Britpop até o Rock Mineiro.

Com dois discos lançados ao longo da carreira, a banda deu início em junho deste ano a gravação do terceiro, que promete ao público uma Devise mais madura, sem medo de arriscar novos elementos, porém sem perder a identidade.

Em comemoração ao dia do Rock, o Jornal Contramão, traz hoje uma entrevista exclusiva com o vocalista Luís Couto, contando o que podemos esperar do terceiro álbum de trabalho da Devise, que já teve três músicas lançadas, entre elas “Além do Próprio Espelho”, “Tempo Aberto” e “De Quanto em Quanto Tempo”, mostrando que o novo disco promete muitos sucessos. 

1) Como surgiu a ideia do lançamento desse novo álbum?

A ideia desse disco vem desde do final de 2018, já vínhamos trabalhando em algumas músicas e começamos a estruturar o álbum a partir dali. Lançamos uma música no final daquele ano, que foi “Além do Próprio Espelho”, e lançaríamos mais alguns singles até vir o álbum cheio em 2020. Ficaríamos um ano trabalhando as músicas e o álbum no ano passado. Porém veio a pandemia e achamos que o clima do disco não tinha nada a ver com aquele momento que vivíamos, também não iríamos poder sair para tocar essas músicas, por isso, resolvemos adiar o lançamento. 

Tudo isso acabou sendo algo que fez bem para o álbum e para a banda, essa espera, porque em 2020 acabamos lançando um single novo, “Espera”, que ficou essa temática de pandemia, lockdown, também lançamos várias versões acústicas e isso movimentou bastante a banda e trouxe novas pessoas para escutarem o nosso som. 

Nesse meio tempo novas composições surgiram, entraram músicas novas, saíram algumas, mas a base do disco em si é muito forte, assim em termo de identidade esse novo disco marca um novo momento da banda e tudo mais. 

2) Quando começaram as gravações do novo disco e onde ele está sendo gravado?

Começamos a gravar mesmo no começo de junho de 2021, mas a gente já estava trabalhando forte nele desde março, pois ficamos um ano sem se encontrar, por questão de proteção, trabalhando à distância, tanto que as versões que lançamos durante a pandemia foram gravadas com cada um em sua casa. Retornamos no primeiro trimestre, passamos a nos encontrar para fechar as músicas, as composições, alguns arranjos, e em junho fomos para o estúdio, o Pacific Studio, do Cris Simoes, que é quem está produzindo o disco.

3) Como tem sido o processo de produção desse novo disco em um cenário de pandemia?

O processo é um pouco diferente do normal, é estranho gravar um disco com máscara, mas entendemos como isso tudo é necessário. Nós quatro estamos respeitando as medidas de isolamento e muito preocupados com a situação, então optamos por só tirar a máscara em momentos específicos, por exemplo, na hora de gravar voz. Achamos que seria pior, mais chato com todas essas questões, nem pelo uso da máscara, mas a situação em si, porém acabou sendo um alívio, ficamos preocupados com a tensão disso atrapalhar mas está tudo fluindo muito bem.

Como estamos respeitando ao máximo essas medidas de isolamento, nos sentimos de certo modo, seguros. O Cris, produtor, fica em uma sala diferente, nós conversamos pelos fones, tem tv e câmera, nos comunicamos dessa forma e só vamos na sala dele para escutar. É um processo diferente do que a gente sempre fez, mas é um retrato do momento que vivemos.

Por incrível que pareça, apesar de tudo, é o disco que a gente está gravando em condições mais difíceis, mas que está fluindo mais legal, estamos mais tranquilos, seguros, respeitando o espaço de cada um, com muita alegria. Quando eu vejo o Mike, o D2 ou o Bontempo gravando eu fico muito feliz de ver o que eles estão fazendo lá e acho que é assim com todo mundo, está sendo um escape super importante e também e um momento bacana para a banda.

4) O que o público pode esperar do novo disco? Quais foram as principais influências?

É um trabalho muito especial e diferente dos outros dois, nós temos um pouco disso, mantemos nossa identidade, mas buscamos sempre trazer novos elementos a cada álbum. Acho que o público pode esperar algo mais ousado. Ele tem momentos mais para cima e outros mais introspectivos, penso que é um álbum bem coeso, e apesar de momentos diferentes, as músicas conversam muito bem entre si. 

É um disco que a gente está curtindo fazer, e isso vai para o som, estamos felizes fazendo aquilo que amamos, tocando, estando juntos. 

Em relação às referências, temos uma muito forte ali da galera de Manchester, do início dos anos 90, Primal Scream, Stone Roses, Charlatans, Happy Mondays, Madchester, Oasis, todas essas bandas que são uma referência para nós. Muito rock mineiro também, nesse sentido somos muito bairristas, então dá para sentir um Skank, naquela fase do Cosmotron, Carrossel, algumas referências de música brasileira, como Lô Borges, rock nacional presente de certa forma com Charlie Brown e Legião. Inclusive tem referências de reggae, dub, uns elementos bem diferentes que nunca usamos e tem nos influenciado bastante.

5) Quem está por trás das composições das novas faixas e como foi esse processo de composição?

Geralmente eu escrevo, levo a música para a banda e trabalhamos juntos os arranjos, a maioria das músicas saem dessa maneira, mas tem também outros momentos que os meninos chegam com alguma ideia, um riff de guitarra, de baixo e aí eu acho que dá para transformar aquilo em uma música e trabalho em cima. 

Nesse disco, especialmente, tem parceiros de fora, tem dois amigos, Pedro Dias e o Fernando Pádua, que escreveram comigo, De Quanto em Quanto Tempo, o João Ferreira, da Daparte, tem uma letra que escrevemos em parceria. Outra coisa legal é que pela primeira vez, tem uma letra do Mike (guitarrista), foi feita em parceria, mas grande parte é dele, até então ninguém da banda tinha escrito uma letra além de mim, e foi bem legal.

6) Como você define a evolução da Devise do começo até hoje?

Esses dias eu estava lembrando da gente entrando no estúdio para gravar o primeiro disco, e o quanto nós éramos mais inseguros e ingênuos em algumas questões, que para um primeiro disco são até importante, ter essa ingenuidade, e acredito que a grande evolução da Devise está aí, hoje em dia nós somos extremamente seguros do que queremos ser, do que queremos fazer, não temos mais medo de experimentar novas coisas, de trazer novos elementos e colocar no som, se não ficar bom a gente tira. Nos permitimos mais, mas sempre mantendo uma identidade muito clara, isso é muito importante, evoluir mas ter algo forte que as pessoas lembrem do nosso som, por mais que elas vejam que é diferente de certa forma, elas sabem que é a Devise.

7) Quais são as expectativas para o lançamento do novo álbum?

A expectativa é enorme, mas como a gente ainda está nas gravações, estamos focados nisso, queremos aproveitar ao máximo esse momento, curtindo muito o processo. Nós já temos uma programação de datas e tudo mais, é provável que as pessoas comecem a conhecer o disco no início de agosto, que a gente solte ali algumas músicas inéditas e até o fim do ano todo ele lançado.

8) Como tem sido a distância dos palcos?

A distância do palco é algo muito difícil, porque nós somos uma banda muito de show, de tocar, e a gente até entende a importância de estar ali presente na internet, mas o nosso rolê sempre foi estar junto tocando, e quando você não está fazendo show, obviamente, isso diminui, por mais que a gente esteja no estúdio, é diferente, então tem sido bem difícil, mas entendemos como necessário para o momento. 

Não dá para fazer show, eu acho que nem conseguiria fazer, se alguém falasse “ah pode tocar”, eu não tocaria, não me sentiria bem, não é o momento, isso é muito maior que a nossa saudade dos palcos. É difícil, é ruim, é uma das coisas que mais amamos fazer nessa vida, mas é necessário para proteger todo mundo.

9) Uma boa lembrança dos palcos depois de tantos anos de estrada?

Os shows na Obra são o que nós mais lembramos, por mais que já tenhamos passado por palcos, festivais grandes, ali na Obra é quando estamos em casa, é quando as pessoas mais próximas de nós gostam de ir nos ver tocar, a galera da Obra nos recebe muito bem, essa lembrança é muito forte e é algo que sempre está rondando a gente. Mas também tem muitos outros momentos legais, encontro com ídolos, bandas amigas, a gente na estrada, sempre dávamos um jeito na logística de ir juntos, porque apreciávamos muito esse momento, 8, 9 horas na estrada trocando ideia, são grandes lembranças.

10) Sabendo que hoje é o dia do rock, para você, vocalista da Devise, o que o rock representa em sua vida? 

Rock dá sentido para muita coisa da minha vida, eu não seria essa pessoa que eu sou hoje se não fosse o rock, e eu acho que significa, principalmente, liberdade de ser o que você quiser ser, de poder ser o que você quiser ser, de olhar para o outro e também deixar ele ser o que ele quiser ser sabe, penso que tem a ver com transgressão. Vemos os caretas dentro do rock e para mim não faz o menor sentido, porque o rock não tem nada a ver com caretice, preconceito, o rock não é isso. Resumindo, o rock me formou pessoalmente entendendo isso dessa forma, e é uma coisa muito importante para mim. 

 

 

Conheça a história de Igor Raboni que saiu praticamente do zero e conseguiu realizar o sonho de montar o próprio negócio, com investimento inicial de R$172https://www.youtube.com/aoraboni

*Por Flávio Figueiredo, Patrick Ferreira eTales Ciel

Em 2014, Igor Raboni iniciou a construção de um sonho, lavando carros. Desde sempre apaixonado pela estética, sempre fez mais do que lavar e passar um “pretinho” no pneu. Aproveitando a popularização do YouTube, em parceiria com a esposa Maria Luiza criou seu canal Ao Raboni em 2018, com a proposta de trazer o universo da estética automotiva além do que se vê. No canal eles comentam desde custos até como desinfetar o veículo para beneficiar a  saúde dos passageiros. Em 6 meses, o canal já havia atingido a marca dos cem mil inscritos. Hoje, são mais de 680 mil inscritos no Youtube e no Instagram, eles já reúnem mais de 200 mil seguidores.

O empresário é de Belo Horizonte e conseguiu realizar o sonho de montar o próprio negócio saindo praticamente do zero. As portas se abriram quando Raboni resolveu pegar mangueira e balde para começar a lavar carros, juntou vontade e mais R$ 172,00 em um negócio desacreditado até pelos mais próximos. Igor conta que após a sua decisão de empreender, até a sua família se posicionou contra. Nesse bate-papo, vamos conversar com esse jovem que está revolucionado o mercado automotivo mineiro e faturando o seu primeiro milhão em meio a pandemia.

Igor Raboni e a esposa Maria Luiza
  • Como aconteceu essa mudança de lava-jato para estúdio de estética automotiva?

No começo do meu negócio, investi apenas R$ 172, na porta de casa, com muita determinação e com ajuda da minha esposa, Maria, que me ajudava na captação de novos clientes, bem como no atendimento, o lava-jato foi crescendo com a utilização da internet, principalmente com o nosso canal no YouTube, que hoje possui mais de 600 mil inscritos, que abriu caminho para divulgação e expansão do negócio que virou um estúdio de sucesso.

 

  • Em decorrência da pandemia, várias cidades tiveram lockdowns. De que forma o seu negócio se adaptou a esse desafio?

Foi um momento de levar conscientização para os nossos clientes de como poderíamos trazer soluções pra vida deles no combate ao vírus. Fizemos, inclusive, uma ação de um dia inteiro com tratamento de ozônio gratuito no carro deles, essa estratégia impactou muito, mas com os clientes o desafio foi menor pelo fato de sempre reforçarmos em nossas redes sociais a importância do cuidado e higiene do carro.

 

  • O seu estúdio tem uma pegada bem diferente dos demais, provavelmente isso contribuiu para que vocês alcançassem o lucro de R$1,7 milhão em plena pandemia. Além da temática automotiva, o que mais você oferece no espaço?

Com o crescimento do negócio, sempre almejei oferecer serviços diferenciados para os meus clientes, tendo isso em vista, criamos barbearia, lanchonete, e uma plataforma de cursos online e presenciais, gerando capacitação acessível e mão de obra para o mercado de trabalho, tudo no mesmo complexo. A nossa ideia é oferecer um grande espaço de convivência, enquanto o cliente espera o seu carro ficar pronto.

 

  • O que você fez para se reinventar em meio a pandemia e crescer o seu negócio?

Nessa pandemia o crescimento foi de aproximadamente 314%, isso devido a agilidade da nossa empresa ao criar as estratégias para o período, e por antes da pandemia já termos estruturado um curso online, que tinha como respaldo nossa própria empresa como case de sucesso da eficiência do método que ensinávamos, isso unido ao fato de várias pessoas perderem seus empregos, resolveram investir naquilo que amam, e esse fato nos fez ter um crescimento exponencial, com mais de mil alunos formados.

 

  • Como você avalia ver o capital de R$ 172,00 investido se multiplicar em 10 mil vezes ao longo de seis anos de trabalho intenso?

Esse sucesso pra gente significa muito mais que os números de um faturamento, é uma quebra de tabu, pra gente que veio de família simples, ver que há 6 anos começávamos com 170 reais. Nosso propósito sempre foi pessoas, transformar e impactar a vida delas de alguma forma, o dinheiro é uma das várias consequências positivas de executar um projeto de forma bem-feita. Por isso sempre dizemos a todos, tenha um propósito que vai além do dinheiro e dos boletos, é esse propósito que te fará levantar da cama nos seus piores dias.

 

  • O que você espera para o futuro?

Com certeza em crescer, após essa pandemia, já temos em mente uma ideia de criar franquias do nosso empreendimento em várias cidades do país. Quero fazer muito mais do que se imagina com R$ 172,00 reais.

 

  • E qual o conselho você daria para quem está começando agora o seu próprio negócio?

Sempre digo que o segredo não é o negócio, e sim a estratégia. Não é o que se faz, e sim como se faz. Todos nós precisamos aprender a fazer de um jeito diferente e assim encantar nossos clientes de um jeito diferente.

 

Mais detalhes da história de Igor Raboni nas redes sociais:

Instagram: https://www.instagram.com/aoraboni/

YouTube: https://www.youtube.com/aoraboni

 

**Edição: Daniela Reis

0 409

Por Daniela Reis

Muito se fala nos cuidados durante a pandemia do novo coronavírus. Mas, o que muitos esquecem é que a saúde bucal é de extrema importância nesse período, por isso, o Jornal Contramão entrevistou a ortodontista e especialista em harmonização facial, Cristiane Oliveira, que vai explicar e dar dicas de como se cuidar.

Sabemos que a boca é uma das principais vias de contaminação do novo coronavírus, como fazer a higienização bucal nesse momento?

Manter a higiene bucal também é uma importante forma de prevenção nessa pandemia.Temos que ter cuidados redobrados com a higiene das mãos, usando protocolos corretos antes de higienizar a boca, escovar os dentes no mínimo 3 vezes ao dia, fazer uso do fio dental corretamente.

O uso de enxaguatório bucal é indicado?

Então, ainda não há evidências o suficiente para comprovar a eficácia do enxaguatório no caso da covid. Mas, estão sendo feitos alguns estudos em animais e seres humanos como voluntários que têm apontado um possível efeito desses produtos na redução temporária da carga de vírus presente na saliva.

Devemos ter algum cuidado específico com as escovas de dentes?

Sim! Pode se higienizar as escovas de dentes com peróxido de hidrogênio a 0,5%. Faz-se uma mistura de 150 ml de água destilada com 30 ml de água oxigenada e deixá-las por 10 minutos.

Pode -se também borrifar álcool 70% sobre toda superfície por um minuto, pois o vírus tem baixa resistência a essas substâncias desinfetantes e após, lavar em água corrente.

Não deixar escovas próximas umas das outras, guardando-as na posição vertical e com cerdas para cima .

As pessoas que foram contaminadas por vírus devem trocar a escova após passar a infecção.

E no caso de quem utiliza próteses e dentaduras?

A higienização das próteses dentais, pode ser realizadas com escovações diárias, após as alimentações, com escova individual, sabão neutro e lavagem em água corrente. Podemos  associar com o uso de produtos de higiene com imersão em substâncias químicas como hipoclorito, peróxidos alcalinos, pastilhas limpadoras de dentaduras antibacterianas entre outros.

Caso tem alguém com covid quais procedimentos relacionados a saúde bucal.

Higienizar bem a cavidade bucal , para evitar o máximo placas bacterianas.

E necessário ir ao dentista durante a pandemia? Quais os cuidados profissionais e pacientes devem tomar?

Claro. Postergar o atendimento odontológico apresenta riscos consideráveis à saúde. Condições não graves como uma restauração fraturada, podem piorar se ignoradas, e limpezas dentais simples são essenciais. Há inclusive, por exemplo, uma relação direta entre a saúde das gengivas e o diabetes, assim como uma conexão com doenças cardíacas, e a própria assepsia pode estabiliza a condição gengival.

Os cuidados do profissional começam bem antes do paciente chegar ao consultório

Fazemos um questionário de pré-triagem sobre o estado de saúde do paciente, que inclui perguntas sobre  febre, tosse, possível contato com pacientes infectados, dentre outros.

Nós dentistas estamos seguindo rigorosamente os protocolos exigidos pela OMS. Estamos fazendo nossa parte para nos proteger e proteger nossos pacientes e colaboradores.

Sabemos que o cuidado com os dentes vai além de estética. Quais outras doenças que a falta da higiene bucal pode causar? A falta da higiene bucal pode levar a problemas do coração?

A principal doença por falta de higienização é a endocardite bacteriana que acontece quando as bactérias que colonizam a boca caem na corrente sanguínea e chegam ao coração

Mas além dessa doença têm varias, dentre elas: periodontite, caries, gengivites, diabetes, parto prematuros, etc.

 

*Revisão e edição: Bianca Morais e Italo Charles

 

0 612

Por Bianca Moraes

Nas últimas semanas trouxemos uma série de reportagens que abordavam os obstáculos que estudantes de todo o país têm enfrentado devido a pausa nas aulas presenciais e, sobretudo, o novo método de ensino remoto.

Além da dificuldade em de fato conseguir absorver tanto conteúdo através de uma tela, seja de celular, tablet ou computador, existe também a falta de troca entre os alunos e professores. O isolamento social passou a ser um grande causador de problemas ligados à saúde mental e as crises de ansiedade, pânico e  depressão são alguns dos exemplos do que essa pandemia acarreta.

Toda essa frustração por conta da quarentena, que já completa um ano, faz com que os alunos se sintam pressionados e tensos pela rotina monótona e o resultado disso é o estresse e os demais prejuízos que ele causa. A procura por profissionais especializados no bem-estar psicológico aumentou muito desde o começo do isolamento, aquela pessoa que jamais pensou fazer terapia ou aquela que sempre teve vontade mas não via a hora certa de começar encontraram no atendimento psicológico um conforto em tempos de medos e incertezas.

Sejam crianças, jovens ou adultos, a drástica mudança na rotina da educação, o alto nível de cobrança e até mesmo as dificuldades técnicas trazem um completo abalo no aluno que tem seu ensino comprometido.

Patrícia Barbosa, 44 anos, é Psicóloga e Neuropsicóloga. Atua há 18 anos na área e trabalha diariamente com pacientes de diferentes idades. Em entrevista ao Jornal Contramão, a especialista abordou algumas das principais temáticas relacionadas a essa didática do ensino online e a melhor maneira que os alunos, junto a pais e professores podem passar por essa fase. 

Qual diferença você percebe no comportamento das crianças que hoje vivem a rotina do ensino remoto?

A Escola é, sem sombra de dúvidas, um importante espaço de socialização e interação, e de uma forma muito brusca as crianças tiveram que se adaptar a um novo modelo de ensino, onde elas não estavam preparadas e nem tampouco os professores e os pais para essa nova modalidade.

No meu consultório chegam crianças e adolescentes inseguros, ansiosos e sempre fica nítido em seus discursos o tédio como sentimento mais recorrente. Os pais por sua vez, chegam “desesperados” por apoio e orientação sobre como agir neste momento tão delicado.

Sempre existiu discussões sobre crianças muito novas terem acesso a computador e celular. Qual sua opinião, como psicóloga, dessa nova forma de ensino que as colocam desde muito cedo na frente de uma tela para ter aula?

Ao meu ver, o uso excessivo de telas é muito prejudicial ao desenvolvimento como um todo das crianças e deixam marcas significativas, principalmente ao que se refere à parte psíquica-emocional. Como não temos outra saída neste momento em relação ao ensino, a não ser o remoto, oriento os pais a estarem interagindo com os filhos nos horários livres e não os deixando à mercê do uso exagerado de computadores, tablets e celulares.

Antes da pandemia, o celular e o computador eram instrumentos de lazer para as crianças (para jogos, vídeos, etc.). Hoje, esses aparelhos eletrônicos têm a função de “educar”. Como fazer com que as crianças e adolescentes consigam diferenciar a hora de brincar e a hora de estudar?

O problema maior que observo é exatamente esse, as crianças associavam computadores e celulares ao lazer, e o próprio lar como espaço de relaxamento e descanso. Trazer a sala de aula para dentro de casa é um desafio não tão fácil assim aos pais. Isto implica em diálogo, onde novas regras deverão ser estabelecidas e também a aquisição de uma nova rotina com horários e atividades que deverão ser cumpridas a fim de que se consiga aproveitar ao máximo essa nova modalidade de ensino. Não há dúvidas que a disciplina será uma ferramenta essencial ao ensino, o conduzindo de maneira eficiente.

Existem dois tipos de crianças, aquelas as quais conseguem aprender com mais facilidade e as que apresentam um déficit e precisam de uma ajuda a mais na escola. Como você enxerga a recente situação dessas crianças que não conseguem mais ter o apoio psicopedagogo tão presente como antes?

As crianças que apresentam algum déficit ou transtorno relacionado à aprendizagem, inevitavelmente, terão uma maior dificuldade com o ensino remoto. Estas deverão ser acompanhadas mais de perto pelos pais, verificando sempre se os filhos estão conseguindo acompanhar todo o processo escolar. Para essas crianças ou adolescentes, os pais devem apropriar um espaço bem organizado, sem distrações, para que este momento não seja tão difícil. Quem tem condições eu sugiro a contratação de um Pedagogo particular que ajudará muito a criança a se direcionar sem causar muita tensão e ansiedade a mesma.

Como os pais podem orientar e acompanhar o ensino remoto dos filhos?

Como disse anteriormente, a prática do diálogo e compartilhamento de responsabilidades devem ser bem definidos. Uma nova dinâmica deverá ser estabelecida e os pais deverão sempre checar se as atividades e os trabalhos estão sendo entregues. Este momento que estamos vivendo irá exigir mais dos pais nesse sentido. Mas se todos da família estiverem dispostos a colaborar este processo poderá ser enfrentado de uma maneira mais fácil e tranquila para todos.

Para os adolescentes que enfrentam o ensino médio online, você acha que eles demonstram uma dificuldade maior para escolher qual curso irão fazer na faculdade? Se sim, por que?

Esta decisão fora de um confinamento já é delicada para um adolescente. Ele se sente pressionado a escolher uma profissão tão precocemente que irá definir toda a sua vida. Nos processos de Orientação Profissional que faço, percebo neles muita indecisão e angústia quanto a essa escolha. Na pandemia todos os sentimentos se intensificam. Eles relatam que não estão aprendendo comparado ao ensino presencial. Além disso, estamos vivendo um momento econômico com muita instabilidade não só no Brasil, mas no mundo. Juntando todas essas variáveis e o momento da fase que é a adolescência, eles demonstram sim uma maior dificuldade.

Quais métodos podem ajudar no exercício de concentração e desempenho durante as aulas online?

A criança deverá estudar em um ambiente bem organizado para o estudo sem muitas distrações. Um local sem muitos barulhos e o trânsito grande de pessoas que podem atrapalhar o foco, seria o mais adequado. Uma rotina de obrigações e horários que ela deverá cumprir ajuda e direciona melhor a criança, onde ela se sentirá mais segura. Conversar com ela sobre o momento da aula remota ser tão sério como era presencialmente e mostrar a criança o seu apoio, que você estará ali para acompanhá-la e ajudá-la neste processo, fará com que ela se sinta mais confiante.

Um momento do dia ou alguns dias da semana onde a família possa se reunir e interagir, é bastante propício nesse momento. Uma boa dica são os jogos pedagógicos (os de tabuleiro são uma boa opção), porque além de divertir e aproximar todos os membros da família, trabalha o raciocínio, atenção e o foco.

A atividade física é essencial neste momento, pois promove a produção de hormônios que geram o bem estar, facilitando a concentração, além de práticas de relaxamento e meditação.

Já é complicado ter atenção dos alunos presencialmente, online é ainda mais. De qual forma você acha que os professores devem se preparar para dar esse tipo de aula?

Utilizando-se de instrumentos que irão chamar a atenção dos alunos, para que não fique algo tão maçante e monótono. É claro que nesta modalidade de ensino remoto o professor deverá utilizar muito mais da sua criatividade. Vale a pena utilizar muito mais de todos os recursos disponíveis, como efeitos audiovisuais, vídeos mais curtos e interessantes para incentivar a participação dos alunos. Apostar também em adereços bem coloridos, músicas e objetos para representar e associar aos conteúdos de cada disciplina.

Crianças menores costumam ter o primeiro contato com outras no primário. De qual forma você avalia essa falta de troca entre elas? Acredita que isso possa prejudicar alguma relação no futuro?

O contato com outras crianças é indiscutivelmente muito importante no processo de socialização e aprendizagem. Saímos do espaço sólido a que estamos acostumados, para experimentações dentro do espaço virtual. A grande vantagem das crianças é que elas são muito capazes, bem mais que os adultos, a se adaptarem a novas situações. Nós adultos devemos fazer o possível para que esse momento seja a elas e a nós vivido de uma forma mais tranquila. Temos que usar a criatividade através de brincadeiras que podem ser feitas em casa mesmo, promover a interação entre as crianças com os amiguinhos e parentes próximos virtualmente. Esta ação já minimiza os danos causados pelo distanciamento social, e podemos sair disso muito mais unidos e fortes com toda certeza.

Ainda sobre relações interpessoais, você acha que esse isolamento social pode atrapalhar a saúde mental dessas crianças, jovens e adultos?

Se soubermos ajudá-los neste momento, os impactos futuros ao meu ver não serão tão intensos. A criança precisa ser bem orientada e com limites bem claros e definidos, até mesmo para se desenvolver bem psiquicamente. Estamos com uma oportunidade de reinventarmos nossas relações, de fortalecer nossos vínculos. Talvez tenhamos uma geração mais disposta a valorizar os contatos reais e os espaços de integração social. Acredito sim, em uma geração com mais consciência social, empatia e respeito ao próximo.

Como os pais devem agir com as crianças que estão sofrendo com ansiedade neste momento?

Não cobrar demais da criança e levar em conta que esta modalidade de ensino exige muito mais dela. Com muito apoio e transmitindo segurança é fundamental. Conversar com elas que este momento é temporário e que vai passar. Como disse anteriormente, atividade física, relaxamento e meditação podem ser ótimos aliados também. Se os pais perceberem que a criança está sofrendo muito com a situação, o ideal é procurar a ajuda de um profissional capacitado que possa ajudá-la.

O que fazer para amenizar a situação de angústia e sentimento de incapacidade que os estudantes estão sentindo nesse atual momento?

A prática do diálogo e compartilhamento de responsabilidades entre as instituições de ensino e a família também é uma ferramenta muito eficaz para enfrentarmos juntos esse momento o qual estamos vivendo. Escola e família devem caminhar juntas, uma complementando a outra, potencializando assim a aprendizagem. O vínculo e o respeito ajudará muito nesse processo de aprendizagem. Devemos juntos centrar os esforços em estratégias de reflexão que não tem o foco só nos resultados. Dessa maneira estaremos amenizando muito o sentimento de angústia e incapacidade dos estudantes.

 

*Revisão: Italo Charles

**Edição: Daniela Reis

 

*Crédito: Freepik

Consultora de Imagem comenta sobre a importância do autocuidado no período de isolamento 

*Por: Italo Charles

A busca por conforto e praticidade ao vestir, tornou-se realidade para muitas pessoas devido ao isolamento social. Em home office, alguns preocuparam em se arrumar para trabalhar, o que de certa forma gerou o aumento na produtividade, em outros casos, pessoas se estabeleciam com seus pijamas ou com os famosos trajes de ficar em casa.

Cuidar da autoimagem e autoestima fazem parte de um processo de construção do indivíduo. A imagem é muito mais que o vestuário, a pessoa pode estar num traje deslumbrante, mas não se sentir bem internamente. 

Em conversa com Consultora de Imagem Marina Seif, profissional da área há 14 anos, a equipe do Contramão abordou os aspectos e importância do cuidado com a autoimagem durante o isolamento social. 

Marina, Qual a importância do cuidado com a autoimagem?

O cuidado com a autoimagem é essencial, pois a autoimagem está diretamente relacionada à nossa autoestima. Não é incomum encontrarmos pessoas que têm uma visão distorcida de sua própria imagem, prova disso são os transtornos alimentares. Em alguns casos, a consultoria de imagem pode ajudar, mas em outros, é necessário um acompanhamento psicológico. No que diz respeito a consultoria de imagem, é fundamental que o cliente esteja satisfeito com o resultado, senão vira fantasia e depois fica difícil de manter o trabalho realizado. 

Neste período de isolamento, muitas pessoas passaram a ter sua rotina de trabalho em home office. Com isso o conforto e praticidade se tornaram primordiais. Algumas pessoas adotaram o pijama para ficar o dia inteiro trabalhando, e outras continuam se arrumando. Dessa forma, como o autocuidado e a ausência em se arrumar podem afetar a imagem após pandemia ?

Os especialistas são quase unânimes em dizer que sim, que isso implica inclusive na sua produtividade e autoestima e eu vou dizer que depende muito da pessoa. Ficar de pijama de segunda a segunda pode não ser muito saudável para nossa saúde mental, mas que atire a primeira pedra quem não trabalhou de pijama nem um dia nesta pandemia.

Acho que o mais importante que trabalhar ou não de pijama é entender o que está por trás desta decisão. É só uma busca por conforto ou essa escolha é resultado de desânimo constante? Essa opção está me prejudicando de alguma forma? Eu estou de pijama, mas estou me sentindo bem? 

Lembrando que imagem vai muito além do vestuário. Não adianta a pessoa estar impecavelmente vestida e com as expressões apáticas, a voz arrastada e a caos instalado no cômodo em que está trabalhando.

Como se adaptar a esse momento de vida sem perder o estilo, seja para somente ficar em casa ou para trabalhar?

Acredito que o segredo está em equilibrar seu estilo pessoal, com a imagem que quer ou precisa passar para quem está do outro lado da tela e, a nova rotina de trabalho em casa. Optar por peças que te façam sentir bem e sejam confortáveis é uma ótima opção. Por exemplo, ninguém precisa vestir terno para trabalhar em casa, se não for uma exigência que você aparece assim nas vídeos conferências, mas estar com a barba feita ou alinhada, uma camisa mais arrumada e o cabelo penteado já fazem toda a diferença.

É importante definir um “look” para o momento de trabalho e o momento de descanso? Quais são os efeitos:

Depende muito do seu trabalho e do que você faz nos seus momentos de descanso. Quanto mais versáteis forem as peças do seu guarda-roupa, maiores as possibilidades delas serem utilizadas na composição de looks para os mais variados momentos.

Sabendo que os espaços como salões de beleza, academia, lojas e centros estéticos não estão funcionando, como os cuidados com a imagem interferem na autoestima e como elevá-la?

As pessoas têm encontrado soluções caseiras e virtuais para suprir essas necessidades e acredito que seja essa uma ótima solução. Essa pode ser também uma ótima oportunidade de reavaliar esses hábitos de beleza que, muitas vezes, realizamos sem questionar se são realmente necessários. Tenho visto um movimento de mulheres que aproveitaram a quarentena para abandonar de vez os alisamentos e as colorações e acho fantástico. Nada contra quem ainda mantêm esses hábitos, mas poder reavaliar isso é muito legal.

É possível dizer que após esse período as pessoas vão passar por um processo de readaptação do “vestir”? 

Precisamos entender, antes de tudo, que o vestir é reflexo do momento pelo qual a sociedade está passando. As pesquisas apontam que haverá uma alteração na forma de consumo de moda, com o impulsionamento da tecnologia e a valorização de marcas locais e com propósito.

Já no quesito estilo, acho que viveremos tendências antagônicas; de um lado a valorização do comfy, que tem sido enaltecido no recolhimento e, do outro lado uma glamourização mais exacerbada, em um desejo de celebração e recuperação do “tempo perdido”. Parece exagero comparar a pandemia com os períodos de guerra, mas ambos foram momentos de crise mundial e o que tivemos após a Primeira Guerra foi a valorização de peças mais práticas e inspiradas no guarda-roupa masculino, enquanto depois da Segunda Guerra Mundial, vieram os anos dourados com o new Look de Dior. 

Quer conhecer mais sobre o trabalho de Marina Seif, acesse o Instagram (@marinaseif)

 

*Edição: Daniela Reis

0 711

*Por Bruna Silva Araújo Nunes

Toda criança com deficiência tem o direito de estudar e à ela deve ser garantida uma educação inclusiva. Pensando na inclusão, o sistema de ensino brasileiro promove algumas iniciativas de integração, como é o caso da Sala de Recurso que trabalha com a inclusão de crianças especiais da educação infantil ao ensino fundamental I.

Implantada a cerca de treze anos a Sala de Recursos Multifuncionais (SRMF), realiza atendimento educacional especializado visando promover uma condição melhor de acesso, aprendizado e conhecimento para alunos especiais, através de uma serie de atividades voltadas para as diferentes necessidades desses alunos. Para entender melhor essa parceria na educação com as escolas e familiares entrevistamos a professora Elzeni Rodrigues, especialista em psicopedagogia e libras que atua a mais de vinte e cinco anos nesse segmento.

 

Como funciona a Sala de Recurso?

R: A Sala de Recurso dá um apoio para os pais e professores, além de atender os alunos. Os alunos são recebidos nessa sala onde é feita uma avaliação para ver a necessidade dele. Quer dizer, cada um tem uma dificuldade, então de acordo com a dificuldade que o aluno apresenta é que é feito um trabalho social, pedagógico, de coordenação motora e também um atendimento e orientação aos pais e professores além da adaptação de material de acordo com o nível pedagógico dele.

Como foi a implementação da Sala de Recurso nas escolas públicas? No quesito acessibilidade

R: Facilitou muito a vida a vida das pessoas com deficiência, porque os alunos não tinham acesso a escola regular, eles iam para a escola especial e com a implementação da Sala de Recurso tiveram que capacitar professores para estarem fazendo esses trabalhos junto aos alunos especiais e as professoras deles.

Como esse acompanhamento especializado ajuda esses alunos nas áreas acadêmicas e sociais?

R: Nas áreas acadêmicas ele vai para a Sala de Recurso e tem uma aula diferenciada. Se ele está estudando matemática, na Sala de Recurso ele vai aprender a matemática de outra forma, brincando, jogando, cantando, se ele tem que aprender a tabuada dependendo do nível dele a gente trabalha com musiquinha ou jogos para ele entender como funciona a tabuada, porque na sala de aula a professora não tem como fazer isso, ela vai passar a matéria, explicar e pronto.

Na parte social, por exemplo, nós já tivemos um aluno que não sabia tomar banho e precisou passar por uma orientação através da Sala de Recurso, então a professora dessa sala que vai trabalhar isso. Até em questão de convívio, eu já tive um aluno que não conseguia se socializar, ele veio com um mandado judicial, então ele veio para mim e fiz um trabalho com ele para que se acostumasse comigo e depois aos poucos colocando mais um aluno dentro da sala. Às vezes eu saia com ele para outras salas para ir se socializando e voltar a frequentar o recreio ou a escola.

Como os demais colegas de sala de aula, podem ajudar esses alunos especiais a se sentirem mais incluídos?

R: Primeiro a gente faz uma preparação na sala de aula, informamos que tem um aluno assim, que tem dificuldade. E na realidade, todo mundo tem alguma dificuldade, um usa óculos porque não enxerga direito, o outro usa aparelho auditivo porque não escuta bem, então a gente vai explicando para eles entenderem que todo mundo tem um tipo de dificuldade em alguma área e que aquele coleguinha que está vindo tem essa ou aquela restrição.  Então eles acabam ajudando o tempo todo, por exemplo,  aquele aluno que é autista e sai muito de sala, eles são os primeiros a falarem “não professora pode deixar que eu vou atrás”, e eles vão lá e buscam o coleguinha, ajudam a vigiar e tomar conta na hora do recreio. Mesmo tendo uma professora para isso, a professora de apoio, os outros alunos entendem e muitas vezes colocamos um colega que tenha mais afinidade do lado desse e aí a tendência é aquele que tem mais condição ajudar o que tem menos.

O apoio da família em qualquer idade é importante. Como é o trabalho da escola em parceria com eles?

R: É importante a família ter consciência da dificuldade do aluno e do que precisa ser trabalhado com ele. Não adianta a escola fazer a parte dela se em casa a família não der continuidade, ou então, na escola a gente ensina e chega em casa os pais passam a mão na cabeça e não deixam fazer nada “ai tadinho não sabe nada”.  Tem outras situações também, como ao contrário, cobrar demais sendo que ele ainda não tem condição. Então, o ideal é a família participar das reuniões, de treinamentos na escola, porém essa pe a parte mais difícil, é o que a gente menos tem. Infelizmente a maioria das famílias não participam e isso dificulta nosso trabalho, mas que é importantíssimo é.

Hoje nos temos varias atividades em jogos que ajudam no desenvolvimento de crianças especiais, como eles podem ser aplicados fora de sala de aula?

R: Os jogos pedagógicos ajudam de acordo com a dificuldade do aluno e pra cada uma utilizamos um tipo de jogo. Você usa uma sequência numérica para um aluno que tenha essa dificuldade. Para os que tem dificuldade de concentração pode-se aplicar sequência de cores, por mais bobo que pareça ajuda a pessoa a ter mais atenção. Se ele precisa desenvolver o movimento de pinça, começamos a desenvolver o movimento de amassar, pegar nas coisas e se for mais voltado ao movimento da escrita pode se usar um pegador de gelo para mover peças. Esses jogos não são só brinquedos, mas o aluno brincando começa a aprender coisas que  já foram explicadas várias vezes e ele não entendeu, mas quando ele vai brincar acaba aprendendo mais fácil.

Durante essas décadas na área da educação como você vê esse processo de valorização da educação especial?

R: Nossa! Mudou muito, antes a gente trabalhava e não tinha nada, tudo tinha que ser construído e era tudo dentro da escola especial. O aluno com deficiência não estudava na escola regular, e às vezes era apenas um déficit de atenção, uma coisa mais simples que uma psicopedagoga com alguns atendimentos resolveria. E de lá pra cá mudou muita coisa, hoje temos palestras, congressos, tem muito material na internet e antes não tinha nada disso, as pessoas não sabiam falar ou discutir o assunto e a maioria dos profissionais que ajudavam os professores eram os médicos. Fazíamos curso de capacitação com fonoaudiólogos, com otorrinos, pediatras, fisioterapeutas, eram os próprios médicos e pessoal das clinicas que capacitava a gente na APAE, pois não existiam pessoas da área da educação capacitadas para poderem estar fazendo esse trabalho com a gente, hoje em dia temos nas grades curriculares de alguns cursos a matéria de inclusão.