Entrevista

Por Henrique F Marques

O projeto Mulheres Cabulosas da História foi idealizado no dia 8 de março de 2016, Dia Internacional das Mulheres, por um grupo de mulheres do Movimento Social Levante Popular da Juventude.

Ele é composto por dois ensaios fotográficos realizados por mulheres que recriaram imagens de 100 mulheres importantes na história nacional e internacional que foram apagadas, ou melhor, invisibilidades, por homens que estavam ao seu redor como Dandara dos Palmares, que foi liderança e companheira de Zumbi. A primeira parte do projeto encerrou no último dia 24 de novembro, momento no qual encerrou a campanha de financiamento coletivo via Catarse. A segunda parte do projeto consiste no pensamento e discussão das próximas etapas, como por exemplo, a elaboração e diagramação do Livro “100 MULHERES CABULOSAS DA HISTORIA” que deverá ser publicado primeiro semestre de 2018.

Catarse: catarse.me/mulherescabulosasdahistoria
Email: mulherescabulosasdahistoria@gmail.com
Página: facebook.com/mulherescabulosasdahistoria

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Por Rúbia Cely

Não é novidade. Quando falamos de obesidade fica claro que não estamos falando de posturas saudáveis. Dado da Organização Mundial da Saúde de 2012, revela que por ano, 2,8 milhões de pessoas morreram por conta da obesidade e das doenças acarretadas por ela.

Para a surpresa de muitos, existe uma data para lembrar dos gordos. Sem um vestígio histórico que justifique o dia, o que cabe a nós é a especulação do porquê dia 10 de setembro recebe esse marco.

Apesar da insatisfação de alguns internautas em redes sociais como twitter e também blogs, o dia traz uma importante reflexão sobre os riscos de se estar gordo e também levanta a bandeira do “orgulho” dessa minoria que acaba sofrendo por estar fora dos padrões.

Algumas perguntas aguçam a nossa curiosidade, as pessoas – que já estão acima do peso – odeiam ser gordas ou apenas não gostam de ser desrespeitadas? E a inclusão, ajuda ou constrange?

Em um grupo de Whatsapp composto por pessoas à partir do sobrepeso, ou que já estiveram na situação, fizemos algumas perguntas abordando a obesidade e suas consequências. Veja o resultado:

Contramão: O que é ser gordo para vocês?

Fonte 1: “A situação de ser gorda é horrível, eu não acho roupa que me serve, na igreja, as cadeiras de plástico quebram e assim sucessivamente. É em todo lugar, se você vai sentar, já analisa o lugar e olha quem está perto. Ser gorda para mim é horrível. E já fui magra, mas nunca discriminei ninguém, nunca pensei que chegaria nessa situação, para mim é constrangedor, eu não me sinto bem de forma alguma. Admiro quem se aceita, mas eu não me aceito. ”

Fonte 2: “Vamos aos banheiros públicos, temos que usar o de deficientes pelo fato dos “normais” não serem capazes de servir nossas necessidades, nem como nos higienizar direito, mas não somos deficientes. ”

Contramão: Qual vocês acham que seriam a solução para esses constrangimentos e dificuldades?

Fonte 2:  “Por exemplo o ônibus, esse negócio de assento para obeso não está com nada, hoje no Brasil nós somos uma sociedade obesa, não deveriam ter dois ou quatro assentos para obesos, deveriam ser ao menos metade deles, sem falar que mudança no tamanho do assento que é bom nada né? ”

Fonte 1: “Tinha que ter bancos maiores, roletas maiores, que façam duas, isso é inclusão!  Ou se não é possível, acesso liberado sem catraca. Aff entra ano e sai ano ninguém toma providência! ”.

Contramão: Quanto aos recursos e mobilidade pública, quais considerações têm a respeito do que é oferecido?

Fonte 2: Então, nós pagamos impostos do mesmo jeito que um magro está pagando. E se estamos assim ou queremos estar assim, temos que ser respeitados. Não temos que passar por constrangimentos por que os governantes dessa cidade, estado e país acham que todos têm que ter aquele corpinho pequenininho.

Contramão: Para finalizar, o que vocês acham sobre ter uma data para os gordos?

Fonte 2: “Tem para os magros? ”.

Fonte 1: “Ué Fonte 2, para os magros tem, o dia do magro é todo dia. Eles entram e saem da onde e para onde eles querem, onde chegam são bem-vindos. Não precisamos só de um dia, precisamos de todos os dias. ”

Obs.: As fontes não quiseram ser identificadas. De 44 membros do grupo,  quatro se posicionaram, mas  apenas duas quiseram manifestar suas opiniões de maneira aberta.

Trazendo representatividade, pedido de respeito ou tolerância ou não, o dia acaba abrindo brechas para chacota nas redes sociais, inclusive por parte de social influencers e comediantes como Danilo Gentili ao se posicionar em suas redes sociais em 2013.

Quando se pensa em uma pessoa gorda, logo associa-se a uma pessoa sem saúde, o que não é bem verdade. Alguns estudos comprovam que é sim possível ser gordo e saudável. Por mais que as pessoas, a partir do sobrepeso, tenham uma tendência maior a ter colesterol, pressão, glicose altas dentre outras comorbidades, mas cada caso deve ser analisado à parte.

Segunda a nutricionista Kamilla Freitas o ser gordo é algo que tem que ser analisado. “Primeiro, o que seria ser gordo? Por que a sociedade impõe um nível de magreza que muitas vezes as pessoas não conseguem alcançar e acabam se enxergando gordas, mas quando as avaliamos, elas possuem o índice de massa corporal (IMC) normal, circunferências e gordura corporal dentro dos parâmetros, sendo assim, estas, pelo ponto de vista nutricional não apresentam risco de vida”. Mas, também frisa a importância da não romantização da obesidade, pois se trata de uma doença grave e atualmente um dos maiores problemas de saúde pública no país.

 

 

Fotografia: Lucas D'Ambrosio

Banda mineira, Pink Floyd Reunion apresenta espetáculo conceitual para o público de Belo Horizonte.

Reportagem: Lucas D’Ambrosio

As noites de Belo Horizonte são conhecidas, entre outras atrações, pela sua cena musical. Diferentes bandas se apresentam periodicamente pelos pub’s e casas especializadas, trazendo trabalhos autorais ou obras já consagradas. Um dos grupos que se destacam nesse cenário é o Pink Floyd Reunion.

Nos dias 10, 11 e 12 de março (sexta, sábado e domingo), a banda apresenta o espetáculo “The Wall, o filme”. O palco será o Cine Theatro Brasil Vallourec, na Praça Sete, região central de Belo Horizonte.

A Reunião

Criada em 2003 por um grupo de amigos, ela se consolidou na noite belo-horizontina pela fiel reprodução do trabalho criado pelo Pink Floyd. Outro ponto de destaque, são as apresentações conceituais, que misturam a música com reproduções e experiências audiovisuais, presentes em parte do repertório de shows da banda mineira.

Para os ensaios, um estúdio de garagem é o local para a reunião dos sete integrantes da banda: Marcelo Canaan, Fernando Grossi, Raphael Rocha, Fernando Nigro, Raquel Carneiro, Marcelo Dias e Thiago Barbosa. Entre uma pausa e outra para ajustes de instrumentos, um café e água servida em filtro de barro, alguns instrumentos aguardavam as mãos dos músicos para iniciarem os trabalhos.

Em um quarto de garagem, na cidade de Belo Horizonte, acordes, notas, cantos e ajustes abrigam o Pink Floyd Reunion. Fernando Nigro é quem conduz a bateria da banda.  Fotografia: Lucas D’Ambrosio
Entre um ajuste e outro, leva tempo até organizar todos os instrumentos. No meio de cabos, teclados e contrabaixo, os integrantes Thiago Barbosa, Raphael Rocha e Marcelo Dias se preparam para mais uma maratona de ensaios. Fotografia: Lucas D’Ambrosio
O processo de imersão da banda para a realização do espetáculo já dura três meses. Ensaios, encontros, reuniões e acertos finais se fazem necessários para que a identidade na fidelidade de execução possa ser mantida. Na foto, os fundadores da banda, Fernando Grossi e Marcelo Canaan. Fotografia: Lucas D’Ambrosio

Dentre incontáveis cabos distribuídos pelo chão, 14 instrumentos de corda, uma bateria e três teclados, os ajustes são realizados pelos integrantes da banda, que preparavam os equipamentos para o início do ensaio. Os pés nas pedaleiras sincronizavam os últimos ajustes para o seu início. O repertório? A trilha sonora do filme “The Wall”, inspirado no disco de mesmo nome (lançado em 1979), da banda britânica. Para o espetáculo, a banda terá a companhia de um coral e orquestra, comandados pelo maestro Rodrigo Garcia.

Veja a entrevista completa com Marcelo Canaan. O Produtor executivo, guitarrista e vocalista do Pink Floyd Reunion conta mais sobre o espetáculo “The Wall”: 

Arte e Fotografia: Lucas D'Ambrosio

Inviabilidade geológica e financeira são debatidas por especialistas.

Reportagem: Lucas D’Ambrosio

Afinal, Belo Horizonte pode receber linhas de metrô subterrâneas? Essa é uma questão que permeia entre os moradores da cidade. O ideal de ampliação das linhas metroviárias da capital ainda esbarra na dúvida e na incerteza nas condições geológicas da cidade para receber esse tipo de instalação.

Por muito tempo, acreditava-se que BH não possuía condições geológicas para linhas subterrâneas, o que foi combatido pelo especialista Edézio Teixeira de Carvalho, ainda em 1995, com a apresentação dos resultados de um estudo entregue à prefeitura da cidade, naquele ano (veja aqui).

Mapa com representação gráfica do Quadrilátero Ferrífero, no Estado de Minas Gerais. A união das serras do Curral, do Rola-Moça, da Piedade, do Caraça, de Ouro Branco e Itatiaia formam um quadrado que justifica o nome da região. A cidade de Belo Horizonte está localizada no extremo norte do mapa, às margens da Serra do Curral. Fonte: www.visiteminas.com/quadrilatero-ferrifero/.

De acordo com ele, “O terreno de BH é mais do que propício para a instalação do metrô. O conjunto de formação geológica permite a construção de linhas subterrâneas na cidade”. Dos dados levantados pelo especialista, de 70% a 80% do território destinado para o local de instalação, possuem condições favoráveis para isso.

A cidade de Gnaisse

Belo Horizonte está localizada em uma região conhecida como Quadrilátero Ferrífero, ao norte da Serra do Curral. A cidade está construída sobre o embasamento cristalino denominado Complexo Belo Horizonte, que é composto pela rocha gnaisse. A fama da região se deve pela quantidade de ferro que por aqui é produzida. Segundo pesquisa realizada no ano de 2014, pelo Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), mais de 160 milhões de toneladas do minério são extraídas anualmente por aqui.

A pequena amostra de gnaisse que constitui o embasamento de BH. “Uma camada pode possuir quilômetros de espessura. São blocos que possuem condições para uma perfuração com dimensões viáveis à instalação de linhas de metrô, por exemplo”, afirma a geóloga Andréa Ferreira. Fotografia: Lucas D’Ambrosio.

Pode-se dizer que o gnaisse é a base que sustenta toda a região em que o quadrilátero está localizado. Porém, além dos complexos formados, como o embasamento, existem situações em que ele alcança a superfície. Ela explica que, nesses casos, “Quando está exposto ou aflorado, ele pode acabar sofrendo alterações ou intempéries como qualquer outra rocha que esteja à mercê das reações externas do solo”, comenta. É, por exemplo, o caso do Pão de Açúcar, no Rio de Janeiro.

 

Assim como a famosa Pedra Azul, na divisa de Minas Gerais com o Espírito Santo, o Pão de Açúcar, no Rio de Janeiro (foto), é um exemplo de afloramento da rocha Gnaisse. Nesses casos, esse tipo de estrutura geológica, que serve como embasamento das camadas subterrâneas que normalmente estão no subsolo, ultrapassam a superfície sofrendo alterações do tempo e de intempéries. Fotografia: Gustavo Heringer.

Túneis subterrâneos

O que ambos os especialistas concordam é a possibilidade e condições da perfuração do embasamento de BH para a construção de túneis subterrâneos. Para Andréa Ferreira, o fato do gnaisse ser uma rocha compacta é a razão que sustenta sua opinião, “Ela fica estável quando se faz túneis”.

O embasamento é uma camada que pode possuir quilômetros de espessura. São blocos que possuem condições para uma perfuração com dimensões que possam atender a instalação de linhas de metrô, por exemplo. “Não é uma rocha que irá se desfazer. Porém, se o local de perfuração estiver fraturado (quando a rocha está quebrada), não é possível realizar a perfuração naquele determinado lugar”, explica.

A geóloga Andréa Ferreira abre as portas do acervo existente no Museu das Minas e do Metal – MM Gerdau. Ele possui um acervo próprio com amostras de diferentes tipos de rochas. Dentre elas, exemplares do gnaisse. Fotografia: Lucas D’Ambrosio.

Isso justifica a realização das análises geotécnicas, como os que ocorreram com as prospecções feitas em fevereiro de 2012. Este estudo avalia as condições de compactação da rocha. “Se o gnaisse estiver sem faturamento, ele é perfeito para esse tipo de perfuração. O buraco realizado para o túnel irá se sustentar por si só, excluindo a necessidade, inclusive, de escoramento”, conclui.

Para o engenheiro geólogo Edézio Carvalho, outro ponto deve ser levado em consideração é o elevado custo da operação que, para ele, é normalmente superestimado. Ele explica que o gnaisse, quando retirado do solo, pode ser reutilizado para a produção de brita, “Além de solucionar duas questões, uso dos resíduos e solução para o ‘bota-fora’ reduziria, inclusive, os impactos ambientais de uma possível perfuração e extração desses resíduos do solo da região metropolitana de BH”.

Ele defende que outras questões poderiam ser revistas para viabilizar o custo de operação dessa instalação como, por exemplo, “A descontinuidade das obras, impondo repetidas mobilizações e desmobilizações. O atraso tecnológico, a falta de concorrência, a falta de escala e melhores critérios de apropriação de custos”, finaliza.

Reportagens Anteriores:

BH continua na espera pela ampliação do metrô

Os metrôs da CBTU

Estudo aponta condições para linhas subterrâneas em BH

Resultado de pesquisa técnica realizada em 1995 demonstra as possibilidades de uso do solo urbano na cidade para novas linhas do metrô.

Membros do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Ministério da Ciência e da Tecnologia (PADCT) realizaram um estudo sobre as condições geológicas da cidade de Belo Horizonte. Criado e desenvolvido para determinar as condições do subsolo da cidade, o documento foi entregue para o então prefeito de Belo Horizonte, Patrus Ananias.

Produzido através da parceria entre a prefeitura de BH e a Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa (FUNDEP) e do Departamento de Geologia do Instituto de Geociências da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o estudo foi o resultado de análises técnicas em geotecnia, hidrogeologia, geologia básica e projetos de intervenção urbanística.

Desde então, ao longo de 22 anos e 4 prefeitos que passaram pela gestão municipal da cidade (Patrus Ananias, Célio de Castro, Fernando Pimentel e Márcio Lacerda), nada foi feito em relação às obras de ampliação subterrâneas do metrô de BH. Ao longo dos últimos anos, o que se viu, foram frustradas tentativas de criar planos para dar continuidade à reforma que, de alguma forma, foram esquecidas ao longo do tempo.

É o caso das perfurações ocorridas em 2012: máquinas, tapumes e trabalhadores realizaram prospecções em pontos estratégicos da cidade para avaliar as condições de comportamento do solo. À época, a empresa Progeo Engenharia foi a responsável pelas obras, ao lado da Metrominas, empresa criada em 1997 para gerir o metrô e vinculada à Secretaria de Estado de Transoportes e Obras Públicas do estado de Minas Gerais (SETOP-MG).

Faltam obras na sobra de gestão

Um dos membros do programa que participou da elaboração do estudo é o engenheiro geólogo, Edézio Teixeira de Carvalho, 70 anos. Ele se recorda de alguns detalhes que foram entregues, na época. “Em 1995 fizemos o trabalho que importou na realização do mapeamento geológico, o mapeamento de problemas geotécnicos e ambientais da cidade. Até hoje a prefeitura utiliza algumas referências desse estudo para o uso e ocupação do solo ou para realização de novos projetos”, explica.

Dentre os projetos mencionados por Carvalho, existe a ampliação do metrô. Ele afirma que BH possui todas as condições geológicas necessárias para receber as linhas subterrâneas. “Já sabíamos dessa condição há mais de vinte anos (com a realização do estudo) ”. Para ele, o problema de algumas cidades no Brasil é que, ao contrário de outros lugares no mundo, que constroem o metrô de forma continua ao longo dos anos, por aqui, as obras acontecem por gestões (políticas). “Enquanto um mandato não tem verba prevista, as obras ficam paralisadas. Isso é muito grave”, opina.

O engenheiro-geólogo, Edézio Teixeira de Carvalho apresenta alguns dos relatórios que desenvolveu ao longo da sua carreira: “As Veias Abertas do Solo Brasileiro e o Meio de Fechá-las” e “Iniciação de um Geodependente – A Hora de tomar os Cordéis”. Ele é um dos responsáveis por elaborar o estudo do solo de Belo Horizonte, em 1995 e entregue à prefeitura da cidade. Fotografia: Lucas D’Ambrosio.

Na cidade de Lisboa, por exemplo, ao longo das décadas de 1950 e 2010 foram realizadas obras de ampliação na linha do metrô que atualmente possui 44,2 Km. Porém, não é preciso atravessar o oceano para comparar o atraso que permeia o metrô belo-horizontino, que hoje, é administrado pela Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU). Na cidade de Recife (PE), seu metrô também é gerido pela mesa companhia. Por lá, os trilhos conseguiram progredir. Enquanto o metrô mineiro possui uma linha, com 19 estações e consegue atender uma demanda diária de 210 mil passageiros, na capital pernambucana, o metrô possui três linhas subdividas em seis, com 29 estações e transporta diariamente uma média da 400 mil passageiros.

Linhas transversais: uma solução?

Nos últimos anos, algumas sugestões foram levantadas para a melhoria do transporte urbano de BH, dentre elas a possibilidade de instalar os monotrilhos pela cidade. Para Carvalho, essa não seria a melhor alternativa. “Não sou o engenheiro construtor do metrô. Sou o geólogo preocupado com as condições da sua instalação. Porém, acredito que o monotrilho não será eficiente, por BH não ser uma cidade plana. Fazer um trajeto ondulado é muito mais complicado do que fazer linhas sub-horizontais”, afirma.

Mapa da cidade de Belo Horizonte, constante dos estudos apresentados à prefeitura de BH em 1995 com as hipotéticas linhas transversais de metrô. A sugestão: linhas que possam alimentar e ser alimentada pelas vias radiais que existem atualmente na superfície da cidade.

 

Para ele, o que resta é uma sugestão: linhas subterrâneas de metrô que sejam transversais às vias superficiais. “BH possui um sistema radial de vias. Este tipo de sistema pede um metrô que irá abastecer ou ser abastecido por elas. Não faz sentido um metrô percorrer de forma paralela uma avenida”. Sobre as expectativas de ver as obras concluídas algum dia, Carvalho finaliza com um sorriso: “Não verei o metrô de Belo Horizonte ampliado. Não tenho perspectivas de ver essa construção pronta”.

Reportagens anteriores:

BH continua na espera pela ampliação do metrô

Os metrôs da CBTU

Fotografias e Reportagem: Lucas D’Ambrosio

5 anos de mais um capítulo da história de esquecimento do metrô de Belo Horizonte.

Quem transitava pelas ruas de Belo Horizonte no dia 7 de fevereiro de 2012, em pontos como a Praça Sete, irá se lembrar daquele dia. Logo ali, na esquina da rua Carijós com a avenida Amazonas, no coração da cidade, um conjunto de tapumes, maquinários e operários realizavam perfurações para análise da viabilidade geológica do solo. Uma placa afixada revelava o propósito da operação: “O Metrô é a Solução”.

Cinco anos depois, o que restou foi a desilusão da população belo-horizontina. Lá se vão mais de 30 anos desde a inauguração da única linha metroviária da cidade. De 1986 até hoje, planos para reformá-la pairam no imaginário esquecido da capital mineira. Gestão após gestão, promessas não cumpridas, corte de orçamento, jogo de empurra entre prefeitura, empresas administradoras e Governo Federal, criam desculpas que impedem a tão sonhada ampliação do metrô de BH.

Linhas de metrô em Belo Horizonte. Fotografia: Lucas D’Ambrosio

Durante dois anos, a diarista Wanderleia Maria da Silva, 46, utilizou o metrô para trabalhar. No seu trajeto, ela também utilizava uma linha de ônibus para ir da estação em que descia até o bairro do seu trabalho. “Entre metrô e ônibus, prefiro o metrô. É muito melhor, não tem trânsito e é mais rápido”, comenta.

Sobre as obras que ocorreram em 2012, ela se lembra com pesar das promessas não cumpridas pelo então prefeito, Márcio Lacerda. Nas vésperas do pleito eleitoral que o reelegeram, as obras se tornaram uma lembrança para a população. “Lembro que fizeram umas perfurações pela cidade, ali na Afonso Pena. A gente via todos os dias aquele tanto de gente trabalhando, furando o solo. Isso cria uma confiança de que o metrô seria ampliado e até agora, nada. Ninguém fala mais nada sobre isso”, lamenta.

Apesar de ainda ter esperanças da conclusão da ampliação do metrô, ela acredita que não verá as obras prontas. “Entra político, sai político e eles não dão esperança, não dão continuidade em buscar realizar essa obra. Se um começou, o outro deveria dar continuidade. Seria bom para a gente, que precisa desse tipo de transporte, todos os dias para poder trabalhar”, conclui.

A linha solitária

As obras do metrô foram iniciadas no ano de 1981. Cinco anos depois, as operações comerciais foram iniciadas e, na época, englobavam seis estações ao longo da cidade (Eldorado – Lagoinha). O trecho inicial de 10,8 Km iniciou com três trens disponíveis para a população. Entre o final dos anos 1980 até o começo dos anos 2000, a atual linha do metrô foi integrada com outras estações, inclusive de ônibus, e hoje funciona em 19 locais ao longo de 28,2 Km. Diariamente, cerca de 210 mil passageiros são atendidos. O último investimento, realizado em 2015, se deu com a aquisição de 10 novos trens, o que representou um aumento de 40% na frota, que aumentou para 35 unidades, ao custo R$171,9 milhões.

Fotografia e Reportagem: Lucas D’Ambrosio