Artes plásticas

Com um show de talentos, o Festival de Arte Negra de BH, apresenta sua programação infantil.

Por Patrick Ferreira
Foto: Heitor Carvalho

Na última quarta-feira (18), O Festival de Arte Negra (FAN), abriu seu espaço para as crianças da rede municipal de ensino mostrarem seus talentos. O evento reuniu 12 escolas de diferentes pontos da cidade para apresentações de danças que celebram a herança dos povos africanos. Apesar de pequenos no tamanho, as crianças são grandes em talento e emocionaram a plateia do teatro Marília em vários momentos.

Antes das apresentações, a coordenadora geral do FAN, Rosália Diogo exaltou os talentos infantis: “Quando as crianças se conscientizam, elas também acabam conscientizando as outras pessoas, em respeito às diferenças”. Após o discurso, as apresentações se iniciaram ao som do clássico “Maria Maria”. Apresentado por alunos da Escola Municipal Cônego Raimundo Trindade. E com um samba da aluna Raíssa, da escola Municipal Fernando Dias Costa.

Em seguida os espectadores puderam prestigiar apresentações com coral percussão e uma representação da história da capoeira, pela Escola Municipal Sergio Miranda. Os talentos das crianças puderam ser trabalhados em várias esferas. As pessoas se encantaram ao ver alunas da Escola Municipal Fernando Dias Costa, ocupando o palco com uma apresentação de Balé.

A parte final das apresentações foi arrebatadora. Grupos fizeram performances de danças urbanas. Interpretaram músicas Pop nacionais e internacionais. O palco ficou tomado de alunos e professores extremamente talentosos.

Ao final, conversamos com o aluno João Pedro, aluno da Escola Municipal Agenor Alves de Carvalho, que dançou hip hop no palco do teatro, ele comentou sobre a adrenalina nos bastidores: “No começo fiquei com um pouquinho de vergonha, mas depois saí matando”.

O menino diz o quanto gosta da cultura Hip Hop: “Gosto de batalha, de danças de rua, senti uma coisa bastante legal”.

João conta o que ele sempre quis ser quando crescesse: “Eu sempre quis, que quando eu crescer e morrer, ser lembrado. Todo mundo que dançou aqui hoje vai ser importante um dia”. (mas eles já são, e muito!).

A educadora Eneida, da Escola Municipal João Pinheiro, ressaltou a importância de incluir uma programação infantil no FAN: “Através da educação podemos mostrar para todos, a igualdade. A população negra deve mostrar sua cultura, já que às vezes ela não tem espaço para isso”.

A professora explica como é o ensino afro nas escolas: “Afro faz parte do currículo das escolas, então durante todo o ano letivo, a gente ensina tanto a parte artística, quanto a parte histórica”.

Quanto às danças apresentadas a docente comenta: “Na escola não temos a dança afro, mas gostamos de inserir ritmos que vem da origem negra, aqui resgatamos o samba, a dança contemporânea e o forró”.

O Fanzinho é muito importante porque mostra que a cultura afro vai ser perpetuada pelos pequenos de hoje que serão os adultos de amanhã. Sendo negros, brancos, mestiços, todos estão juntos. Unidos pelo talento.

As crianças terão diversas programações ao longo do festival. Para maiores informações, acesse o site oficial www.fanbh.com.br e acompanhe a cobertura na página do Projeto Pretança no Facebook.

 

Fotografia: Lucas D'Ambrosio

Em comemoração à chegada do natal de 2016, o circuito cultural da Praça da Liberdade recebe uma série de ações para comemorar a data. Uma delas é o Circuito de Presépios e Lapinhas de Minas Gerais, que pretende ampliar a participação de todo o estado na promoção do patrimônio cultural mineiro. Entre os dias sete de dezembro e oito de janeiro, Belo Horizonte e outras cidades do estado irão participar da programação que, além dos presépios, conta também com apresentações gratuitas de corais, bandas e diversas atrações para o público.

Com iniciativa do Instituto Estadual de Patrimônio Histórico e Artístico (IEPHA/MG), 250 presépios podem ser visitados em 150 cidades por toda Minas Gerais, que possui uma tradição desde o século 18. O objetivo do circuito é promover a Folia de Reis, uma manifestação cultural celebrada na noite do dia cinco para o dia seis de janeiro, em que pessoas saem às ruas, tocando músicas populares e celebrando a chegada dos reis magos e o nascimento de Jesus, uma manifestação folclórica e religiosa.

Fabiano Lopes de Paula, 60, é arqueólogo e funcionário do IEPHA. Um dos curadores da mostra de presépios, ele ressalta a importância de criar um resgate de manifestações culturais pelo estado, como as festividades natalinas. “Resolvemos fazer essa homenagem aos artesãos mineiros festejando as celebrações natalinas que se perdem ao longo do tempo. Temos diversos artistas, tendências e modelos de presépios”, comenta.

Da Paraíba para Minas Gerais

Um dos artistas expositores é Oceano Cavalcante. Filho do nordeste brasileiro, o jovem de 56 anos nasceu “em uma pequena família de 14 irmãos”, como costuma dizer. É enfermeiro de profissão e artista plástico por vocação. No ano de 1979, ao lado de sua família, saiu da sua cidade natal em Areia, interior do estado da Paraíba, com destino às Minas Gerais. Morou em Esmeraldas e posteriormente, Belo Horizonte.

O enfermeiro e artista plástico, Oceano Cavalcante abraçou o estado de Minas Gerais com sua sensibilidade artística e traços da sua terra natal. Fotografia: Lucas D'Ambrosio
O enfermeiro e artista plástico, Oceano Cavalcante abraçou o estado de Minas Gerais com sua sensibilidade artística e traços da sua terra natal. Fotografia: Lucas D’Ambrosio

Sua principal referência artística é o legado deixado pelo mestre barroco Aleijadinho. Porém, o entalhe na madeira como era costume e presente nas obras do artista do Brasil Colonial, deu espaço para a reutilização de materiais encontrados na rua: a essência da obra realizada por Cavalcante. “Meu trabalho de arte possui uma visão ecológica e sustentável. Procuro retirar do meio ambiente o material do meu trabalho. Todos eles vêm da rua”, explica o artista.

Oceano Cavalcante e seu presépio. O reaproveitamento de materiais encontrados na rua criam a estética singular na obra do artista. Fotografia: Lucas D'Ambrosio.
Oceano Cavalcante e seu presépio. O reaproveitamento de materiais encontrados na rua criam a estética singular na obra do artista. Fotografia: Lucas D’Ambrosio.

No presépio que está exposto no salão de entrada do IEPHA, Oceano Cavalcante utilizou três matérias-primas: papelão, garrafa pet e jornal. Suas peças possuem uma estética e tonalidade que referenciam, além das obras barrocas, a terra e o povo nordestino. “Além do barroco, tento transmitir o nordeste com minhas peças. Ele está no meu sangue. Nem o sotaque a gente esquece. Posso estar por anos longe da minha terra, mas ele nunca sai da gente”, ressalta.

Além do IEPHA, outros pontos turísticos que fazem parte do circuito da Praça da Liberdade também recebem exposição de presépios como, a Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa, o Espaço do Conhecimento da UFMG, o Memorial Minas Gerais Vale, MM Gerdau, Museu Mineiro, Palácio Cristo Rei, entre outros.

Detalhe do presépio exposto na Casa Fiat de Cultura, no Circuito Cultural da Praça da Liberdade. fotografia: Lucas D'Ambrosio
Detalhe do presépio exposto na Casa Fiat de Cultura, no Circuito Cultural da Praça da Liberdade. fotografia: Lucas D’Ambrosio

 

Detalhe do presépio exposto no Memorial Minas Gerais Vale, no Circuito Cultural da Praça da Liberdade. Fotografia: Lucas D'Ambrosio.
Detalhe do presépio exposto no Memorial Minas Gerais Vale, no Circuito Cultural da Praça da Liberdade. Fotografia: Lucas D’Ambrosio.

Fotografias e Reportagem: Lucas D’Ambrosio

 

Depois de passar por São Paulo e Rio de Janeiro, a exposição ComCiência, da artista australiana Patricia Piccinini chegou a BH na última quarta-feira,12. Com apenas uma semana de exposição, a obra, que une traços do realismo e surrealismo, tem encantado os mineiros. No evento da mostra no Facebook,  uma internauta avaliou: “Fantástico!”, e outra publicou: “Adorei, indico a todos que tem sensibilidade”.

A enfermeira Bruna Pinheiro, 25, já tinha ouvido falar da exposição, e quando viu a divulgação na página do CCBB BH, anotou a data da estréia para não esquecer de ir e levar a filha, Ana Júlia, a Juju, de 8 anos. Bruna conta que logo no início da mostra a pequena soltou um comentário que fez toda a diferença sobre sua percepção da obra: “repara no olhar dela mãe, é igualzinho de gente”.  

A enfermeira observou que muitos adultos tinham uma certa repulsa às esculturas de Piccinini, devida estranheza das formas, porém, o comentário de Juju a fez ter outra reação: “as obras ganharam vida própria e só despertaram bons sentimentos em mim, sobre o amor, sobre sermos verdadeiramente livres quando nos libertamos de todo preconceito”.

Marcelo Dantas, curador da obra, ressalta exatamente a capacidade da obra de, a partir de figuras tão estranhas, provocar bons sentimentos: “Se em um primeiro momento nossa reação é de repulsa ou de estranhamento diante dessas esquisitas criaturas, em um segundo instante a artista consegue fazer aflorar um sentimento de empatia ao nos colocar diante do olhar profundo de cada um desses seres, promovendo, de maneira surpreendente, um encontro entre algo tão estranho e nossos melhores sentimentos”, observa.

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Bruna Pinheiro e Ana Júlia no CCBB.

Mãe e filha indicam a exposição, “ vão com o coração aberto, dêem duas voltas na exposição, porque na segunda fica mais legal!”, Garantem.

ComCiência

ComCiencia é a primeira exposição individual de Piccinini no Brasil, e faz um amplo apanhado da produção da artista, reunindo alguns de seus principais trabalhos: Big Mother (uma figura agigantada, que se assemelha a uma macaca e amamenta um bebê); The Conforter  (uma menina toda coberta de pelos acalenta um pequeno ser, de pele macia e pés fofos como um bebê humano, mas que tem uma boca agigantada e sem olhos) e The Observer (2010), um curioso menino que observa o mundo de um ponto de vista privilegiado e perigoso, o alto de uma pilha inclinada de cadeiras.

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Big Mother, instalado no CCBB BH. Foto: Bruna Pinheiro

O trabalho da artista é realizado com grande variedade de materiais e linguagens: esculturas feitas de silicone e fibra de vidro, fotografia e vídeo, desenhos e pinturas.

A mostra dialoga tanto com o surrealismo como com o hiper-realismo, e questiona nossa semelhança e vínculo com os seres criados por ela. Leia mais!

O prédio do CCBB está tomado pelas obras (esculturas, relevos e desenhos) da artista. Segundo o curador, Marcello Dantas, a proposta é transformar as salas do centro cultural  como sendo o local onde esses seres vivem, comem e dorme.

SERVIÇO

A mostra estará em Belo Horizonte de 12/10/2016 a 09/01/2017, no CCBB Belo Horizonte. A entrada é franca e as visitas podem ser feitas de quarta a segunda, das 09h às 21h.

Por: Bruna Dias

 

Homem caminha pela Praça da Liberdade e observa a montagem de "Triângulos", do artista Victor Monteiro.

No fluxo diário de Belo Horizonte, pouco se nota dos seus detalhes e dos locais pertencentes a ela. Através de um meio inusitado, o artista plástico Victor Monteiro, 31, é um dos representantes de movimentos da arte que visam a releitura dos espaços urbanos que são utilizados pela população, normalmente, de forma imperceptível. Ele criou um meio para desconstruir essa “utilização automática” dos espaços, por meio de sua arte. A Praça da Liberdade, normalmente utilizada como um caminho pelos moradores da região Centro-Sul de BH, seja para irem até o local de seus trabalhos ou para suas casas, outrora, como um espaço de lazer, se tornou a nova galeria aberta de Monteiro.

Com a utilização de filme plástico e fita tipo durex o artista, que é do Espírito Santo, está criando esculturas interativas entre as palmeiras imperiais que cercam o corredor central da Praça da Liberdade. Ao lado de amigos que o auxiliam na montagem, ele utiliza andaimes de aço para elevar a montagem de três triângulos, representando a bandeira do estado de Minas Gerais. A iniciativa é vinculada ao seminário Patrimônio e Arte Contemporânea, do IEPHA e do Inhotim, e tem por objetivo a preservação do patrimônio e noções contemporâneas de urbanismo, arte e ocupação.

Convidado para realizar uma ação na praça, Victor Monteiro explica sobre o Prolongamentos, nome dado à sua intervenção. “Normalmente realizo ele em construções arquitetônicas e tento fazer extensões de paredes, colunas e elementos da construção arquitetônica. É uma proposta que executo desde 2007. Agora, tentei trazer a proposta para o ambiente natural aqui da praça, utilizando as palmeiras como colunas de sustentação. Fiz uma proposta que chamei de Triângulos, trazendo uma relação formal com a bandeira de Minas”., comenta. Para ele, seu objetivo com esse tipo de intervenção e ocupação é fazer com que as pessoas possam interagir no espaço público por meio de uma maneira distinta daquele trivial. “As montagens das estruturas serão realizadas até o dia 18 e a desmontagem será na sexta feira, 19. Utilizamos o filme de plástico para cobrir e proteger as palmeiras e o durex colamos sobre o filme”.

Monteiro relata que algumas pessoas ainda estranham o trabalho que está sendo realizado, principalmente, pessoas mais velhas. Na tentativa de conversar com o público que frequenta a praça, dois jovens falaram sobre suas impressões da arte de Monteiro. João Victor Duarte e Isabel Lima Pontes, estudantes, acreditam que este tipo de projeto é importante para a cidade. “Sinceramente, não entendi inicialmente a proposta. Depois de chegar mais próximo percebi que é uma arte que pode fazer com que as pessoas percebam ainda mais a praça que está à volta delas.”, opina João Victor. Comentando sobre as dimensões do trabalho, Isabel Pontes comenta, “o mais interessante é que força a pessoa a desviar do seu caminho cotidiano. Não tem jeito da pessoa não ver essa estrutura”, finaliza. Triângulos, o trabalho de Victor Monteiro ficará exposto de hoje, 17 até sexta feira, 19, no canteiro central da Praça.  

Reportagem e fotografia: Lucas D’Ambrosio

Exposição "Pintando a Natureza", de Yara Tupinambá, apresenta trabalhos inéditos da artista, de paisagens de Minas Gerais.

Após seis décadas de trabalhos e uma trajetória de prêmios e reconhecimento internacional, a artista mineira Yara Tupynambá irá comemorar o conjunto da sua obra com uma nova exposição na cidade de Belo Horizonte. Intitulada Yara Tupynambá – Pintando a Natureza, a exposição irá apresentar ao público mineiro um trabalho inédito em que a artista, no auge da vida com seus 84 anos, apresenta a natureza de Minas Gerais através de suas pinturas paisagistas. Com entrada gratuita, a exposição ocorre na Casa Fiat de Cultura, localizada no Circuito Cultural da Praça da Liberdade, região centro sul de BH, entre os dias 14 de junho até 24 de julho.

A artista, responsável também pela curadoria da mostra, irá apresentar 48 telas, divididas em quatro séries: Vale do Tripuí, Rio Doce, Serra do Cipó e Inhotim. Em cada uma delas, um trabalho documental representando paisagens de Minas é retratado por meio de pintura em tela. As obras pertencem ao acervo pessoal da artista e é fruto de um trabalho que se iniciou em 2005 e finalizado ainda em 2016.

Nascida em 1932, na cidade de Montes Claros, região norte do Estado de Minas Gerais, Yara Tupynambá é um dos principais nomes das artes plásticas do Brasil. Reconhecida pelos seus trabalhos em grandes painéis, a sensibilidade da artista transcende o conteúdo de suas obras abordando temas presentes na cultura do seu estado natal, Minas Gerais. Trabalhos como A Imprensa, localizado na Casa do Jornalista, região central de Belo Horizonte e a obra, Inconfidência Mineira, realizado no prédio da reitoria da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) são exemplos vivos de alguns desses trabalhos e influências da artista.

Informações da Exposição:
– 14 de Junho até 24 de Julho
– Casa Fiat de Cultura – Praça da Liberdade, 10 – Bairro Funcionários, Belo Horizonte/MG
– Entrada gratuita

Texto e Fotos: Lucas D’Ambrosio

Fotos: Yuran Khan

Mesmo sendo considerado um nicho da indústria fonográfica, disco de vinil ainda tem número de vendas considerável.

O Disco de Vinil

Os LP´s de vinil foi uma mídia muito consumida até os anos 1980, onde os discos de vinil tiveram um declínio nas vendas nos anos 1990, com o surgimento de novas mídias, como os CD´s (Compact Disc), no final dos anos 1980, o DVD no começo de 2000, e o Blu-Ray em 2010, posteriormente a música no formato digital em MP3. As bolachas começaram a ressurgir em 2000, só no ano de 2014, a Polysom fabricou 78.324 unidades no Brasil.

Os últimos lançamentos da gravadora Som Livre em disco de vinil do gênero de novela no Brasil foram Malhação Volume 3, Anjo de Mim Internacional, Salsa e Merengue Nacional e A Indomada. Tanto o último de novela, quanto o último LP nacional a ser prensado nos anos 90 são de março e abril do ano de 1997.

Superando as expectativas, o crescimento na produção total de discos de vinil (compactos e LPs) no Brasil foi de 63,23% em relação ao ano de 2013. LPs tiveram um aumento de 93,20%, com 78.324 unidades fabricadas em 2014 no Brasil pela Polysom. A produção de compactos aumentou em 2,31%, com 18.207 fabricados, além do crescimento da venda de vinil, o percentual do formato sobre todas as vendas físicas pulou de 8,76% para 14,13% em 2014.

Em contrapartida as vendas em disco de vinil, segundo dados da Recording Industry Association of America, somente no primeiro semestre de 2015, nos Estados Unidos, o forte crescimento das receitas de serviços de streaming, compensam o declínio em downloads digitais e as receitas totais no atacado aumentaram 0,8% para US$ 2,3 bilhões em uma base de ano sobre ano. No varejo, o global valor diminuiu 0,5%, para US $ 3,2 bilhões.

O retorno

Em 2008, os proprietários da DeckDisc, informados do crescimento na venda de vinis nos Estados Unidos e na Europa e, ainda por cima, impossibilitados de produzir seus próprios títulos no Brasil, depararam-se com a possibilidade de adquirir o maquinário da antiga fábrica e reativá-la. Em setembro do mesmo ano, começaram as pesquisas e os estudos que resultaram na aquisição oficial, em abril de 2009 da Polysom, que tem sede em Belfot Roxo, no Rio de Janeiro e atualmente é a única produtora de discos de vinil da América Latina.

“A princípio, parecia fácil e rápido”, esclarece João Augusto, um dos atuais proprietários da fábrica da Polysom. “Quando a gente viu como eram vastos os requisitos para se fabricar discos de qualidade, entretanto, vimos que precisaríamos fazer muita coisa para brigar de igual para igual com os gringos. Teríamos que fazer melhorias em todos os setores.” complementa Augusto.

Assim como cantores internacionais, diversos artistas brasileiros também têm investido cada vez mais no formato. A Polysom comercializa obras de nomes como: O Rappa, Nação Zumbi, Tulipa Ruiz, Los Hermanos, Vanguart e Pitty. Entre os clássicos, figuram reedições remasterizadas de 180 gramas de Jorge Ben, Banda Black Rio, Moacir Santos, Novos Baianos, Secos e Molhados, Tom Zé.  Os preços são altos e variam, em sua maioria, de R$60,00 a R$80,00 podendo chegar a R$400,00 dependendo da obra. A justificativa são os altos impostos e altos gastos com matéria-prima.

Fabricação dos Toca Discos

De olho no crescimento na venda dos bolachões, no terceiro trimestre de 2015 a Panasonic usou um evento em Berlim para anunciar o relançamento da linha de toca-discos Technics, para a alegria dos fãs do áudio analógico. A empresa apresentou a foto de um protótipo feito de alumínio e desenhando com traços clássicos, em uma alusão à clássica série 1200.

Lojas vendem LPs usados para a alegria de colecionadores

Um edifício cheio de histórias, tradicional em Belo Horizonte, o conhecido ‘Arcângelo Malleta’ é ponto de encontro de diversas tribos, e um grupo diversificado de pessoas. Subindo a escada rolante do prédio já é possível observar os primeiros sebos, encontramos os mais diversos tipos de discos (de todos os gêneros musicais), livros e antiguidades em geral.

Nos últimos 20 anos muito se falavam do fim dos bolachões, mas o que constatamos é que eles “voltaram como fênix”, ressurgindo das cinzas. No Edifício Maletta há quatro lojas e sebos especializados em discos de vinil, dos singles aos LPs, de diferentes gêneros musicais. “Ainda vendo bastante discos, mas para um público específico de pessoas, principalmente os ouvintes de MPB clássica, Rock e Jazz”, explica Sebastião do Nascimento, proprietário do Sebo Vila Rica que se localiza no segundo andar do Edifício Malleta.

Há 15 anos, atuando no mercado musical, sendo o primeiro dono de sebo especializado em discos de vinil no Edifício Maletta, Nascimento revela que sua paixão por discos de vinil sempre foi uma coisa inacreditável. “O avanço da tecnologia é bom, facilita bastante a nossa vida, apesar de maquinizar muito as coisas. O importante é pegar o vinil, tocar o encarte e ouvir a música com o ruído que só o disco de vinil proporciona.”, revela.

Terêncio de Oliveira, proprietário de uma das lojas no Edifício Maletta, há um ano e dois meses, esclarece que no sábado as vendas são maiores, o número de discos vendidos é incalculável, a faixa etária do público dessa loja varia entre 20 a 50 anos de idade. “O Maletta é o lugar ideal para quem quer comprar ou vender discos de vinil, temos um público bem fidelizado, tem pessoas que frequentam o prédio apenas para vender e comprar discos” esclarece.

Uma paixão que não tem fim

Para o colecionador Ricardo Righi Filho, que é ator, a sensação de ouvir discos de vinil é diferenciada, “O som do disco é absolutamente diferenciado, não há possível comparação com outros formatos. É fisicamente comprovado, não há discussão”, explica. Para ele quando os CD´s começaram a surgir no Brasil, foi uma coisa natural continuar ouvindo os bolachões “Quando o CD dominou o mercado, os LPs eram muito baratos, muito mais do que os preços de hoje. Então, o movimento de começar a colecionar registros fonográficos apenas em vinil, foi bastante natural”, complementa Filho.

“Aqui em casa, em Samambaia, no Distrito Federal, sempre tivemos o costume de ouvir bolachões. Meu pai e minha mãe tinham muitos de Luiz Gonzaga e de lambada e forró, porém, eu divido meus aniversários da infância pelos discos da Xuxa que eu ganhei.”, explica o ator Josuel Junior, que é colecionador de discos de vinil. “Obviamente eu não tinha a noção de questões técnicas vocais ou da qualidade musical, mas cresci com a memória afetiva musical com os Lp’ de Xuxa. Tenho todos. Alguns eu fui comprando de novo com o passar dos anos”, complementa Junior.

Muitas pessoas encontram nos discos, uma forma de resgatar memórias, e por isso tem muito carinho e apresso com a coleção, alguns colecionam apenas de uma banda, de um determinado cantor, trilhas sonoras de novelas, alguns compram pela raridade do produto ou até mesmo pela dificuldade de se encontrar no mercado hoje em dia, “ hoje eu compro pela raridade ou pela qualidade. Observo se a capa está limpa, sem assinaturas de antigos donos, com encartes e no plástico”, explica Junior

Há, também, as tiragens especiais, e que são difíceis de encontrar, por esse motivo exigem uma pesquisa mais ampla, por serem consideradas raras. “Um disco que demorei a encontrar foi um da novela Tieta. Em 1989 foram lançados o Tieta volume 1 e Tieta volume 2, na reprise da novela, em 1994 lançaram o Tieta Especial – Vale a Pena Ouvir de Novo, com a compilação das melhores dos discos anteriores. Esses relançamentos fazem o disco sair da categoria normal pra categoria especial, ou rara, como queiram dizer”, esclarece Junior.

O colecionador encontrou o disco depois de um grande trabalho de busca na internet. “Na época, que eu adquiri o disco ele custava em torno de 45 reais, isso, há, aproximadamente, cinco anos. Atualmente, esse disco pode ser encontrado em sites, por mais de 100 reais, no Mercado Livre”. Na época do lançamento de Tieta Especial, o LP custava em torno de 10 reais, o que equivale hoje, há mais ou menos 50 reais, segundo o colecionador. “ Eu não tinha condições quando o LP foi lançado e comprei a fita cassete a três reais, que foi um presente de minha avó, depois de muitos anos eu adquiri o LP”, relata Junior.

Por Raphael Duarte
Matéria produzida para a 34ª Edição do Jornal Impresso Contramão
Fotos: Yuran Khan